{"id":5899,"date":"2014-08-31T15:24:02","date_gmt":"2014-08-31T15:24:02","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=5899"},"modified":"2014-08-31T15:24:02","modified_gmt":"2014-08-31T15:24:02","slug":"nao-tema-o-crescimento-ele-nao-e-mais-o-inimigo-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nao-tema-o-crescimento-ele-nao-e-mais-o-inimigo-do-planeta\/","title":{"rendered":"N\u00e3o tema o crescimento, ele n\u00e3o \u00e9 mais o inimigo do planeta"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"caption\" style=\"margin: 0;\" title=\"Economia do Reino Unido dobrou desde 1985, mas o consumo de energia total continuou o mesmo. Illustra\u00e7\u00e3o: Andrzej Krauze\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/ago2014\/guardia-illo.jpg\" alt=\"guardia-illo\" width=\"631\" height=\"379\" \/><\/p>\n<p>Por Chris Huhne*<\/p>\n<p>At\u00e9 agora a hist\u00f3ria de prosperidade humana tem se resumido a energia barata e abundante. No entanto, h\u00e1 algo grande acontecendo. Pela primeira vez na hist\u00f3ria, estamos ficando mais ricos, enquanto usando menos energia. Isso \u00e9 uma excelente not\u00edcia para os or\u00e7amentos, a renda das pessoas e o planeta. Chegamos a um ponto de inflex\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Desde a Idade M\u00e9dia, os padr\u00f5es de vida subiram a passo de tartaruga, e fizemos poucos danos ao planeta, porque as florestas que cresciam compensavam o carbono da queima de madeira. A popula\u00e7\u00e3o era pequena. N\u00f3s lev\u00e1vamos vidas que eram, na express\u00e3o de Hobbes, &#8220;duras, brutas e curtas&#8221;. Ent\u00e3o, n\u00f3s come\u00e7amos a queimar carv\u00e3o em larga escala no s\u00e9culo 18, e a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial fez o gr\u00e1fico ficar parecido com um taco de h\u00f3quei: de repente, a renda dobrava em d\u00e9cadas, ap\u00f3s s\u00e9culos de estabilidade. Depois de ajustar \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, o PIB real na Inglaterra e no Pa\u00eds de Gales dobrou de 1830 a 1864, mais uma vez em 1898, e de novo em 1951, apesar de duas guerras mundiais.<\/p>\n<p>O produto interno bruto \u00e9 uma medida de atividade, n\u00e3o de bem-estar. Mas h\u00e1 uma abund\u00e2ncia de evid\u00eancias de progresso real. Se a vida \u00e9 melhor do que a morte, este surto de crescimento foi uma boa not\u00edcia. A expectativa de vida masculina ao nascer na Inglaterra e Pa\u00eds de Gales em 1841 era de apenas 40 anos. Em 1950, chegou a 66. Os \u00faltimos dados, de 2012, mostram agora 79 anos para homens e 83 para as mulheres.<\/p>\n<p>Esta prosperidade e bem-estar sem precedentes foram de forma inextrinc\u00e1vel ligadas \u00e0 queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis e, portanto, ao in\u00edcio de emiss\u00f5es de carbono e o aquecimento global. E agora as pagamos com o aumento constante do estoque de carbono e das temperaturas em compara\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis pr\u00e9-industriais.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que tantos pensadores verdes com justi\u00e7a t\u00eam desconfiado do crescimento econ\u00f4mico: a curva do aumento dos padr\u00f5es de vida foi seguida pela curva de aumento do uso de energia a partir do carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s. A resposta simples \u00e9 puritanismo verde: mudar o nosso estilo de vida. Parar de consumir mais. Parar o crescimento &#8211; e, portanto, parar a polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que podemos vislumbrar, cada vez mais, um futuro onde a tecnologia faz a maior parte da mudan\u00e7a por n\u00f3s. Os leitores do sum\u00e1rio de estat\u00edsticas de energia do Reino Unido encontrar\u00e1 uma tabela extraordin\u00e1ria na nova edi\u00e7\u00e3o: a liga\u00e7\u00e3o de dois s\u00e9culos entre crescimento e energia se partiu. A economia do Reino Unido duplicou em termos reais desde 1985, mas o consumo total de energia \u00e9 exatamente o mesmo daquele ano. De fato, o consumo de energia diminuiu desde 1970, enquanto a economia quase triplicou de tamanho.<\/p>\n<p>Claro, a ind\u00fastria \u00e9 uma grande consumidora de energia, e uma grande por\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria pesada migrou para a China e outras partes do mundo que oferecem m\u00e3o de obra barata. Uso de energia e emiss\u00f5es de carbono globais est\u00e3o subindo por causa do crescimento da popula\u00e7\u00e3o e da renda, mas a tend\u00eancia de economia de energia \u00e9 vis\u00edvel mesmo em pa\u00edses em desenvolvimento. O PIB global por unidade de energia \u00e9 35% maior do que era em 1990.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 acontecendo? Os carros s\u00e3o muito mais eficientes, apesar de maiores. Hoje, um bom carro sub-compacto percorre mais de 30 quil\u00f4metros por litro de combust\u00edvel, enquanto os mais eficientes, em 1965, faziam cerca de18 km por litro. Com ve\u00edculos h\u00edbridos e totalmente el\u00e9tricos, h\u00e1 mais economia de combust\u00edvel a caminho. Tamb\u00e9m estamos usando mais os trens: trens el\u00e9tricos funcionam melhor do que os a diesel. Quase dois ter\u00e7os das nossas contas de energia decorrem do aquecimento das casas, e as nossas caldeiras se tornaram melhores, assim como o isolamento t\u00e9rmico das constru\u00e7\u00f5es: Estimativas recentes dizem que as novas caldeiras s\u00e3o 39% mais econ\u00f4micas do que os modelos antigos e pesados. Para uma casa geminada brit\u00e2nica t\u00edpica, isso significa uma economia de 460 libras por ano (cerca de R$1.700). Nossos utens\u00edlios dom\u00e9sticos usam bem menos eletricidade do que antes. Uma geladeira com freezer agora usa metade da eletricidade do que um modelo de tamanho semelhante h\u00e1 20 anos.<\/p>\n<p>E este processo n\u00e3o est\u00e1 perdendo velocidade. O custo da ilumina\u00e7\u00e3o est\u00e1 despencando. Um d\u00edodo emissor de luz (LED) produz a mesma quantidade do que uma l\u00e2mpada incandescente \u00e0 la Edison, com uma economia no uso da eletricidade de 93% (e j\u00e1 existem vers\u00f5es com dimmers). Uma empresa que movimenta tr\u00eas turnos de armaz\u00e9m por dia &#8211; e, portanto, usa uma grande quantidade de energia &#8211; contou-me que recentemente se reequipou com LEDs, e o investimento se pagou em pouco mais de um ano.<\/p>\n<p><strong>Mais barato<\/strong><\/p>\n<p>Parte disso \u00e9 uma simples resposta a incentivos de mercado. Petr\u00f3leo no final dos anos 60 custava 3 d\u00f3lares por barril. E hoje custa 103 d\u00f3lares. N\u00e3o surpreende que o aumento dos custos de energia incentivou a ado\u00e7\u00e3o de novas tecnologias poupadoras e a substitui\u00e7\u00e3o gradativa das anteriores. A pol\u00edtica do governo tamb\u00e9m ajudou. Normas de emiss\u00e3o de ve\u00edculos da Calif\u00f3rnia impulsionaram os ve\u00edculos el\u00e9ctricos, criando um mercado para a Tesla, e que a Uni\u00e3o Europeia e os EUA impuseram duras normas para eletrodom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>As empresas s\u00e3o obrigadas a serem as primeiras a adotar tecnologias que poupadoras, pois os varejistas e firmas de distribui\u00e7\u00e3o costumam gastar fortunas com contas de energia. Elas est\u00e3o acostumadas a avaliar investimentos e retornos, enquanto os chefes de fam\u00edlia costumam desanimar frente aos custos iniciais altos, mesmo com o retorno r\u00e1pido. E as fam\u00edlias mais pobres n\u00e3o t\u00eam recursos para isso. Por isso \u00e9 t\u00e3o crucial que o governo incentive a economia de energia dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m por isso que uma das decis\u00f5es mais m\u00edopes deste governo foi reduzir para a metade o apoio \u00e0 economia de energia atrav\u00e9s do Eco subs\u00eddio, e neste ver\u00e3o acabar com o sistema de reembolsos para energia verde, simplesmente por que o programa foi bem-sucedido demais. O or\u00e7amento de 120 milh\u00f5es de libras para cobrir o per\u00edodo at\u00e9 a pr\u00f3xima primavera acabou em seis semanas.<\/p>\n<p>Andrew Warren, da Associa\u00e7\u00e3o para a Conserva\u00e7\u00e3o de Energia, diz que, comparado a 2012, caiu em 7.000 o n\u00famero de pessoas empregadas em tornar nossas casas mais eficientes no uso de energia. Inevit\u00e1vel, isto ir\u00e1 retardar a implanta\u00e7\u00e3o de medidas de economia e ir\u00e1 aumentar as nossas contas de luz no futuro, em compara\u00e7\u00e3o ao que poderiam ser. Tamb\u00e9m tornar\u00e1 a tarefa de reduzir as emiss\u00f5es de carbono mais dif\u00edcil e cara: claro, a forma mais barata de conter a produ\u00e7\u00e3o de carbono \u00e9 n\u00e3o consumir energia. Qualquer alternativa de produ\u00e7\u00e3o de energia \u00e9 mais cara, sejam energias renov\u00e1veis, combust\u00edveis f\u00f3sseis, nuclear, ou f\u00f3sseis com recaptura do carbono emitido.<\/p>\n<p>M\u00e1s pol\u00edticas e uma vis\u00e3o cr\u00f4nica de curto prazo das finan\u00e7as p\u00fablicas s\u00e3o uma vergonha. Mas o quadro geral \u00e9 claro e otimista. Poupar energia est\u00e1 funcionando. O crescimento verde faz sentido, e est\u00e1 acontecendo. H\u00e1 um futuro que preserve os ganhos da industrializa\u00e7\u00e3o sem suas perdas decorrentes da polui\u00e7\u00e3o. Os nossos padr\u00f5es de vida est\u00e3o subindo, enquanto o nosso consumo de energia n\u00e3o.<\/p>\n<p>*Esse artigo \u00e9 publicado em parceria com a Guardian Environment Network, da qual ((o))eco faz parte. A vers\u00e3o original (em ingl\u00eas) foi publicada no site do Guardian. Tradu\u00e7\u00e3o de Eduardo Pegurier<\/p>\n<p>Fonte: ((o))eco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Chris Huhne* At\u00e9 agora a hist\u00f3ria de prosperidade humana tem se resumido a energia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":1,"uagb_excerpt":"Por Chris Huhne* At\u00e9 agora a hist\u00f3ria de prosperidade humana tem se resumido a energia","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5899"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5899"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5899\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5899"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5899"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5899"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}