{"id":58866,"date":"2017-01-30T12:00:01","date_gmt":"2017-01-30T15:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=58866"},"modified":"2017-01-29T21:27:37","modified_gmt":"2017-01-30T00:27:37","slug":"surto-de-febre-amarela-ha-121-anos-em-sp-levou-sanitarista-ao-aedes-aegypti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/surto-de-febre-amarela-ha-121-anos-em-sp-levou-sanitarista-ao-aedes-aegypti\/","title":{"rendered":"Surto de febre amarela h\u00e1 121 anos em SP levou sanitarista ao Aedes aegypti"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=58867\" rel=\"attachment wp-att-58867\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-58867\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/febre_amarela-4-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/febre_amarela-4-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/febre_amarela-4.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A confirma\u00e7\u00e3o de 101 casos e 47 mortes por febre amarela no pa\u00eds &#8211; o maior surto da doen\u00e7a desde 1980, quando os dados come\u00e7aram a ser reunidos pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade &#8211; coloca as autoridades em alerta e leva moradores aos postos de sa\u00fade em busca de imuniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma conscientiza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o existia em meados do s\u00e9culo 19, quando <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/sp\/ribeirao-preto-franca\/cidade\/sao-simao-sp.html\">S\u00e3o Sim\u00e3o<\/a> (SP), uma das vilas mais importantes no interior de S\u00e3o Paulo, quase foi dizimada ap\u00f3s tr\u00eas epidemias consecutivas da doen\u00e7a. Entre 1896 e 1903, historiadores estimam 30 mil mortes na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi nessa \u00e9poca e local que o m\u00e9dico sanitarista Em\u00edlio Ribas, fundador do Instituto Butantan, descobriu que a transmiss\u00e3o da febre amarela urbana ocorria atrav\u00e9s do Aedes aegypti, o mosquito que o Brasil ainda tenta eliminar, 121 anos depois.<\/p>\n<p><strong>A primeira epidemia<\/strong><br \/>\nO historiador Fausto Pires de Oliveira relata no livro &#8216;Elementos para a Hist\u00f3ria de S\u00e3o Sim\u00e3o&#8217; que a febre amarela chegou ao interior de S\u00e3o Paulo pelas estradas de ferro, levada por fluminenses e mineiros, que fugiam de seus estados amea\u00e7ados pela doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Ainda em 1895, o governo enviou um comunicado \u00e0 cidade, informando sobre a epidemia em outras regi\u00f5es e orientando que carros e bagagens de viajantes fossem desinfetados. No ano seguinte, apesar da orienta\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Sim\u00e3o registrou os primeiros casos da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cO prefeito quis colocar panos quentes quando o Estado o procurou querendo saber sobre os boatos de epidemia que corriam pelos munic\u00edpios. Ele acreditava que daria conta de sanar o problema sem ajuda. Mas, foi provado que n\u00e3o\u201d, diz a historiadora Fernanda Pialarice.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Fotografia mostra S\u00e3o Sim\u00e3o em meados do s\u00e9culo XIX (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ETPV)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/VULIkt6CNr9qS8FaiiROsQEvhzQ=\/620x465\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2017\/01\/28\/acervo_historico_2.jpg\" alt=\"Fotografia mostra S\u00e3o Sim\u00e3o em meados do s\u00e9culo XIX (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ETPV)\" width=\"639\" height=\"479\" \/><strong>Fotografia mostra S\u00e3o Sim\u00e3o em meados do s\u00e9culo 19 (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ETPV)<\/strong><\/div>\n<p>O governo paulista chegou a nomear um grupo de sanitaristas para viajar a S\u00e3o Sim\u00e3o e tomar medidas urgentes, mas a C\u00e2mara Municipal negou o aux\u00edlio, alegando que possu\u00eda servi\u00e7o sanit\u00e1rio pr\u00f3prio e que a interfer\u00eancia feria sua autonomia.<\/p>\n<p>\u201cO cemit\u00e9rio estava quase lotado e ningu\u00e9m sabia como a doen\u00e7a se propagava. Uns diziam que era por cont\u00e1gio direto, enquanto outros que era pelo ar. Ent\u00e3o, a prefeitura construiu o cemit\u00e9rio de Bento Quirino, a cinco quil\u00f4metros da cidade\u201d, conta Fernanda.<\/p>\n<p>S\u00e3o Sim\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o tinha hospital com setor de isolamento e a C\u00e2mara decidiu ent\u00e3o construir uma unidade ao lado do novo cemit\u00e9rio. Logo depois, por\u00e9m, a Diretoria de Higiene do Estado exigiu que o local fosse demolido por falta de condi\u00e7\u00f5es adequadas de uso.<\/p>\n<p>Em 1897, a estimativa era de que as mortes por febre amarela chegavam a 800. Fam\u00edlias inteiras fugiam de S\u00e3o Sim\u00e3o com medo da mol\u00e9stia desconhecida e a popula\u00e7\u00e3o de 4 mil habitantes foi reduzida a 2,5 mil, como consta em edi\u00e7\u00e3o do jornal &#8220;O Estado de S\u00e3o Paulo&#8221;, publicada em 8 de maio daquele ano.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"No Cemit\u00e9rio de Bento Quirino, v\u00edtimas de febre amarela eram enterradas em covas coletivas (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/EPTV)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/LDDyuMNrReX06t3QTEr1RvOutFA=\/620x465\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2017\/01\/28\/cemiterio.jpg\" alt=\"No Cemit\u00e9rio de Bento Quirino, v\u00edtimas de febre amarela eram enterradas em covas coletivas (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/EPTV)\" width=\"639\" height=\"479\" \/><strong>No Cemit\u00e9rio de Bento Quirino, v\u00edtimas de febre amarela eram enterradas em covas coletivas no s\u00e9culo 19 (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/EPTV)<\/strong><\/div>\n<p><strong>Novos casos<\/strong><br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o parecia controlada, quando, no ano seguinte, novas mortes por febre amarela voltaram a ser registradas. N\u00e3o h\u00e1 dados oficiais sobre essa epidemia, apenas que foi mais branda que a anterior.<\/p>\n<p>\u201cAinda acreditava-se que a doen\u00e7a era contagiosa e transmitida por contato. Eles passavam cal nos trens, porque achavam que era um meio de higienizar. Antes de descer do trem, as pessoas tinham que pisar nesse cal\u201d, relata a historiadora.<\/p>\n<p>Quatro anos depois, em 1902, a situa\u00e7\u00e3o saiu novamente do controle e o governo paulista voltou a procurar a Prefeitura de S\u00e3o Sim\u00e3o. Mesmo diante da nova recusa de aux\u00edlio, o Servi\u00e7o Sanit\u00e1rio Estadual enviou Em\u00edlio Ribas ao munic\u00edpio.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Pr\u00e9dio ocupa lugar de antigo hotel onde o cientista ficou hospedado e fez experi\u00eancias em S\u00e3o Sim\u00e3o (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ETPV)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/S11bbOyj3BO7ewuBNtBoVUg4yCQ=\/620x465\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2017\/01\/28\/hotem_onde_ficou_emilio_ribas_recorte.jpg\" alt=\"Pr\u00e9dio ocupa lugar de antigo hotel onde o cientista ficou hospedado e fez experi\u00eancias em S\u00e3o Sim\u00e3o (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ETPV)\" width=\"639\" height=\"479\" \/><strong>Pr\u00e9dio do antigo hotel onde Em\u00edlio Ribas (foto) ficou hospedado em S\u00e3o Sim\u00e3o (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ETPV)<\/strong><\/div>\n<p>Fernanda conta que o sanitarista j\u00e1 sabia que a doen\u00e7a n\u00e3o era contagiosa, mas a popula\u00e7\u00e3o ainda negava a descoberta. Foi ent\u00e3o que Ribas protagonizou uma cena que se tornou famosa no meio cient\u00edfico: colocou o dedo nas secre\u00e7\u00f5es de um paciente com febre amarela e o levou \u00e0 boca.<\/p>\n<p>A passagem tamb\u00e9m \u00e9 relatada em uma pesquisa do infectologista da Faculdade de Medicina da USP em Ribeir\u00e3o Preto (SP), Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, explicando que a inten\u00e7\u00e3o de Ribas, com aquela atitude, era convencer as pessoas de que o cont\u00e1gio n\u00e3o se dava por contato.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Mosquito Aedes aegypti \u00e9 alvo de campanha em todo pa\u00eds para combater dengue, chikungunya e zika (Foto: Paulo Whitaker\/Reuters)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/pmgtm7n1muH-4YwFdABCNSdLRRM=\/620x465\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/12\/09\/paulo_whitaker.jpg\" alt=\"Mosquito Aedes aegypti \u00e9 alvo de campanha em todo pa\u00eds para combater dengue, chikungunya e zika (Foto: Paulo Whitaker\/Reuters)\" width=\"640\" height=\"480\" \/><strong>Mosquito Aedes aegypti \u00e9 transmissor da febre amarela (Foto: Paulo Whitaker\/Reuters)<\/strong><\/div>\n<p><strong>O Aedes aegypti<\/strong><br \/>\nAinda segundo o pesquisador da USP, Ribas j\u00e1 estudava a rela\u00e7\u00e3o entre a febre amarela e o Aedes aegypti &#8211; um amigo havia levado para S\u00e3o Paulo larvas do mosquito coletadas em S\u00e3o Sim\u00e3o. O sanitarista colocou ent\u00e3o volunt\u00e1rios em um quarto de hotel infestado por Aedes.<\/p>\n<p>Desta forma, conseguiu comprovar que &#8220;a febre amarela era transmitida pelo pernilongo que picava um doente e depois picava um s\u00e3o. Que esses mosquitos se proliferavam em \u00e1guas paradas e que o meio de debelar a doen\u00e7a era combater os mosquitos&#8221;, consta na pesquisa.<\/p>\n<p>A partir das experi\u00eancias feitas por Ribas no interior de S\u00e3o Paulo, Oswaldo Cruz conseguiu acabar com a epidemia de febre amarela no Rio de Janeiro, em 1904, um ano depois que a doen\u00e7a j\u00e1 havia sido extinta em S\u00e3o Sim\u00e3o, por meio do combate ao Aedes.<\/p>\n<p>Solo f\u00e9rtil para culturas de cana-de-a\u00e7\u00facar e caf\u00e9, o munic\u00edpio no interior paulista ainda era uma vila em pleno crescimento quando foi atingido pela febre amarela. A dificuldade em exterminar a mol\u00e9stia fez com que passasse a ser encarado como um local insalubre pelos potenciais imigrantes.<\/p>\n<p>&#8220;Quando as pessoas come\u00e7aram a morrer de febre amarela, os produtores passaram a transferir a sede das fazendas para Ribeir\u00e3o Preto. Essa cidade, que era distrito, deslanchou, enquanto S\u00e3o Sim\u00e3o acabou ficando como est\u00e1 at\u00e9 hoje: uma cidade pequena&#8221;, diz o historiador Dirceu Carvalho, presidente do Museu Simonense Alaor da Mata.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Igreja matriz de S\u00e3o Sim\u00e3o nos dias atuais (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/EPTV)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/n2b_8R92pNPIUMJQuQQklelSGy8=\/620x465\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2017\/01\/28\/cemiteri2.jpg\" alt=\"Igreja matriz de S\u00e3o Sim\u00e3o nos dias atuais (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/EPTV)\" width=\"639\" height=\"479\" \/><strong>Igreja matriz de S\u00e3o Sim\u00e3o nos dias atuais (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/EPTV)<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A confirma\u00e7\u00e3o de 101 casos e 47 mortes por febre amarela no pa\u00eds &#8211; o<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":58867,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/febre_amarela-4.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/febre_amarela-4-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/febre_amarela-4-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/febre_amarela-4.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/febre_amarela-4.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/febre_amarela-4.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/febre_amarela-4.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/febre_amarela-4.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/febre_amarela-4.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/febre_amarela-4.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A confirma\u00e7\u00e3o de 101 casos e 47 mortes por febre amarela no pa\u00eds &#8211; o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58866"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58866"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58866\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58867"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}