{"id":5884,"date":"2014-08-31T19:00:04","date_gmt":"2014-08-31T19:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=5884"},"modified":"2014-08-31T14:37:22","modified_gmt":"2014-08-31T14:37:22","slug":"tribos-pastoras-e-mercadores-de-sal-sobrevivem-em-uma-paisagem-surreal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/tribos-pastoras-e-mercadores-de-sal-sobrevivem-em-uma-paisagem-surreal\/","title":{"rendered":"Tribos pastoras e mercadores de sal sobrevivem em uma paisagem surreal"},"content":{"rendered":"<div class=\"text-event\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/sal_terra.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-5885\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/sal_terra.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Parecia uma cena produzida por um est\u00fadio de efeitos especiais em Hollywood. Em setembro de 2005, pastores afares do norte da Eti\u00f3pia viram, estarrecidos, a terra abrir um bocejo e engolir suas cabras e seus camelos. Peda\u00e7os de obsidiana irromperam de cavernas e voaram pelos ares, \u201ccomo enormes p\u00e1ssaros pretos\u201d, disse uma testemunha. Por tr\u00eas dias, uma encrespada nuvem de cinzas obscureceu o sol durante a erup\u00e7\u00e3o do maior vulc\u00e3o da regi\u00e3o, o Erta Ale \u2013 \u201cMontanha Fumacenta\u201d, na l\u00edngua afar.<\/p>\n<p>O que desencadeou esses eventos assustadores? Quil\u00f4metros abaixo da superf\u00edcie, um colossal arroto de magma subira por entre duas placas tect\u00f4nicas. Na superf\u00edcie, centenas de fissuras abriram-se ao longo de 60 quil\u00f4metros de deserto e engoliram os pobres animais. Outros sismos menores abalaram a \u00e1rea nos anos seguintes.<\/p>\n<p>A depress\u00e3o de Afar, na \u00c1frica, \u00e9 uma das regi\u00f5es mais hiperativas do mundo em termos geol\u00f3gicos. Para quem a sobrevoa de avi\u00e3o, ou em um paraglider motorizado, como fez in\u00fameras vezes o fot\u00f3grafo George Steinmetz, ela pode parecer im\u00f3vel como o gelo no \u00c1rtico. Mas a fachada atemporal de Afar esconde sua real natureza. Sob a superf\u00edcie, a casca rochosa da Terra est\u00e1 se rasgando, e c\u00e2maras subterr\u00e2neas de magma alimentam 12 vulc\u00f5es ativos, al\u00e9m de g\u00eaiseres, caldeiras borbulhantes e um revolto lago de lava.<\/p>\n<p>Os terremotos de 2005 e os sacolejos subsequentes s\u00e3o os mais recentes de uma longa s\u00e9rie de abalos s\u00edsmicos iniciados h\u00e1 30 milh\u00f5es de anos, quando o magma subiu pela crosta terrestre e come\u00e7ou a separar a pen\u00ednsula Ar\u00e1bica da \u00c1frica, criando o mar Vermelho e o golfo de \u00c1den. Depois de aflorar, o magma resfria, torna-se mais denso e afunda. Algumas partes de Afar agora se encontram mais de 150 metros abaixo do n\u00edvel do mar.<\/p>\n<p>Por estar t\u00e3o baixa, a depress\u00e3o de Afar foi muitas vezes inundada pelo mar Vermelho; a \u00faltima vez em que isso ocorreu foi h\u00e1 30 mil anos. Depois de cada incurs\u00e3o, a \u00e1gua marinha evapora e deixa grossas camadas de sal. Esse \u201couro branco\u201d tem sido uma importante fonte de renda para os afares, que permanecem leais \u00e0 sua terra de extremos, apesar de temperaturas que no ver\u00e3o podem superar os 49\u00b0C.<\/p>\n<p>Cientistas enfrentam o deserto por outra raz\u00e3o. Afar \u00e9 um dos poucos lugares da Terra em que uma dorsal submarina \u2013 uma saliente linha de jun\u00e7\u00e3o por onde o magma verte e forma o novo assoalho oce\u00e2nico \u2013 emerge no solo. Para os estudiosos da Terra, \u00e9 uma rara chance de investigar processos geol\u00f3gicos que, via de regra, acontecem muito abaixo da superf\u00edcie do oceano.<\/p>\n<p>Com tempo suficiente \u2013 no m\u00ednimo v\u00e1rios milh\u00f5es de anos \u2013, esses processos geol\u00f3gicos produzir\u00e3o mudan\u00e7as dr\u00e1sticas na geografia da \u00c1frica: a depress\u00e3o de Afar e todo o Grande Vale Rift ser\u00e3o o ber\u00e7o de um mar que ligar\u00e1 o Vermelho ao oceano \u00cdndico e separar\u00e1 o Chifre da \u00c1frica do continente.<\/p>\n<p><img title=\"Rios de lava - Afar\" src=\"http:\/\/imgms.viajeaqui.abril.com.br\/67\/foto-galeria-materia-620-uj4n.jpeg?1330442323\" alt=\"Rios de lava - Afar\" \/><\/p>\n<p>Antigos rios de lava lembram vertebras de um animal fossilizado<\/p>\n<p><img title=\"Vulac\u00e3o Erta Ale - Afar\" src=\"http:\/\/imgms.viajeaqui.abril.com.br\/67\/foto-galeria-materia-620-wx.jpeg?1330436591\" alt=\"Vulac\u00e3o Erta Ale - Afar\" \/><\/p>\n<p>Um lago de lava borbulha no topo do ativo vulc\u00e3o Erta Ale<\/p>\n<p><img title=\"Lago Abble - Afar\" src=\"http:\/\/imgms.viajeaqui.abril.com.br\/67\/foto-galeria-materia-620-dy.jpeg?1330436604\" alt=\"Lago Abble - Afar\" \/><\/p>\n<p>A \u00e1gua subterr\u00e2nea ferve e sobe, em forma de vapor, no campo de g\u00eaisers a nordeste do lago Abble<\/p>\n<p><img title=\"Cena b\u00edblica - Afar\" src=\"http:\/\/imgms.viajeaqui.abril.com.br\/67\/foto-galeria-materia-620-j3.jpeg?1330436617\" alt=\"Cena b\u00edblica - Afar\" \/><\/p>\n<p>Em uma cena b\u00edblica, caravanas chegam \u00e0s minas de sal do lago Asele, 116 metros abaixo do n\u00edvel do mar. Por s\u00e9culos, blocos de sal chamados <em>amole <\/em>foram usados como dinheiro em toda a Eti\u00f3pia<\/p>\n<p><img title=\"Montanha Dallol - Afar\" src=\"http:\/\/imgms.viajeaqui.abril.com.br\/67\/foto-galeria-materia-620-96.jpeg?1330436543\" alt=\"Montanha Dallol - Afar\" \/><\/p>\n<p>Parapeitos de sal, lama e potassa, alguns com 25 metros de altura, erguem-se em um labirinto de c\u00e2nions e penhascos no flanco da montanha Dallol. As formas tortuosas s\u00e3o produtos de tempestades e enchentes repentinas<\/p>\n<p><img title=\"Barchans - Afar\" src=\"http:\/\/imgms.viajeaqui.abril.com.br\/67\/foto-galeria-materia-620-z3.jpeg?1330436557\" alt=\"Barchans - Afar\" \/><\/p>\n<p>Esculpidas por ventos que sopram sempre de leste para oeste, dunas de areia conhecidas como <em>barchans<\/em> migram por um antigo assoalho oce\u00e2nico, alcan\u00e7ando at\u00e9 2 metros de altura e de 6 a 9 metros de largura<\/p>\n<p><img title=\"Crosta de sais e minerais - Afar\" src=\"http:\/\/imgms.viajeaqui.abril.com.br\/67\/foto-galeria-materia-620-d3.jpeg?1330436579\" alt=\"Crosta de sais e minerais - Afar\" \/><\/p>\n<p>Enxofre e algas criam fontes termais de cores vivas. A \u00e1gua \u00e9 a condensa\u00e7\u00e3o de gases quentes que emanam de c\u00e2maras de magma. Quando evapora, sais e minerais formam uma crosta<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parecia uma cena produzida por um est\u00fadio de efeitos especiais em Hollywood. 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