{"id":58757,"date":"2017-01-28T14:57:39","date_gmt":"2017-01-28T17:57:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=58757"},"modified":"2017-01-28T14:57:39","modified_gmt":"2017-01-28T17:57:39","slug":"monitoramento-revela-comportamento-de-peixes-boi-amazonicos-durante-rota-migratoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/monitoramento-revela-comportamento-de-peixes-boi-amazonicos-durante-rota-migratoria\/","title":{"rendered":"Monitoramento revela comportamento de peixes-boi amaz\u00f4nicos durante rota migrat\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/monitoramento-revela-comportamento-de-peixes-boi-amazonicos-durante-rota-migratoria\/peixe_boi-9\/\" rel=\"attachment wp-att-58758\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-58758\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/peixe_boi-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/peixe_boi-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/peixe_boi.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O calend\u00e1rio marca junho e as mudan\u00e7as come\u00e7am a ser sentidas na regi\u00e3o do M\u00e9dio Solim\u00f5es, estado do Amazonas. O n\u00edvel da \u00e1gua na v\u00e1rzea n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo e pelos pr\u00f3ximos cinco meses s\u00f3 vai diminuir. \u00c9 tempo de se mover e os peixes-boi amaz\u00f4nicos (<em>Trichechus inunguis<\/em>) sabem disso.<\/p>\n<p>Come\u00e7a ent\u00e3o uma jornada rumo ao lago Aman\u00e3, dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (RDS) Aman\u00e3, que n\u00e3o seca mesmo em anos de seca extrema e serve de ref\u00fagio contra a ca\u00e7a predat\u00f3ria e o encalhe para esses mam\u00edferos aqu\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Um grupo de pesquisadores analisou durante 11 anos o trajeto de peixes-boi amaz\u00f4nicos para entender melhor o papel da varia\u00e7\u00e3o da profundidade das \u00e1guas nesse processo migrat\u00f3rio. \u201cPeixes-boi possuem um mapa cognitivo atualiz\u00e1vel do ambiente e s\u00e3o comportamentalmente pl\u00e1sticos\u201d, argumenta o estudo realizado conjuntamente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Instituto Mamirau\u00e1 \u2013 unidades de pesquisa do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es \u2013 e Universidade de Oxford e Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa est\u00e3o no artigo \u201cGargalos na rota migrat\u00f3ria do peixe-boi amaz\u00f4nico e a amea\u00e7a das barragens hidrel\u00e9tricas\u201d, publicado, em ingl\u00eas, na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista especializada Acta Amazonica. Veja <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0044-59672017000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Os \u201cgargalos\u201d do t\u00edtulo s\u00e3o os trechos mais rasos no sentido \u00e1reas de v\u00e1rzea-lago Aman\u00e3 e que secaram no final da maioria das vazantes. Um verdadeiro bloqueio na rota de fuga desses animais.<\/p>\n<p>\u201cOs peixes-boi come\u00e7aram a migra\u00e7\u00e3o em tempo justo para atravessar os gargalos mais distantes, sugerindo que a sintonizaram para maximizar o per\u00edodo se alimentando sem comprometer a seguran\u00e7a\u201d, relata o artigo, coordenado pelo pesquisador do INPE, Eduardo Moraes Arraut.<\/p>\n<p>\u201cEsperar muito para fazer a travessia pode impedir a passagem dos peixes-boi pelo gargalo migrat\u00f3rio. Por outro lado, sair bem antes da vazante significa ficar menos tempo se alimentando. Eles precisam acumular gordura pra aguentar a \u00e9poca seca, quando o alimento \u00e9 escasso\u201d, informa Arraut. \u201cPelo monitoramento, n\u00f3s identificamos que os peixes-boi passam por esses gargalos migrat\u00f3rios em m\u00e9dia quatro, tr\u00eas e \u00e0s vezes dois dias antes do gargalo secar\u201d.<\/p>\n<p>O levantamento de dados do estudo foi feito pelo acompanhamento de 10 exemplares machos de peixes-boi amaz\u00f4nicos. Eles foram rastreados atrav\u00e9s da emiss\u00e3o de sinais emitidos por radiotransmissores adaptados \u00e0 cauda por meio de cintos. O sistema tecnol\u00f3gico, chamado telemetria, \u00e9 conduzido por equipes do Instituto Mamirau\u00e1. Os pesquisadores tamb\u00e9m recorreram a 30 anos de imagens de sat\u00e9lite do territ\u00f3rio estudado, 14 de hidrografia e um modelo 3D de medi\u00e7\u00e3o de profundidade de rios e lagos.<\/p>\n<p>Os dados indicam que os peixes-boi amaz\u00f4nicos sabem o momento certo da partida para o lago Aman\u00e3, uma decis\u00e3o que parece se relacionar diretamente com a no\u00e7\u00e3o de profundidade nos gargalos migrat\u00f3rios. \u201cEles t\u00eam uma grande percep\u00e7\u00e3o do ambiente todo, s\u00e3o animais que vivem em uma \u00e1gua turva e conseguem decidir quando \u00e9 o momento de partir\u201d, afirma Miriam Marmontel, coordenadora do Grupo de Pesquisa em Mam\u00edferos Aqu\u00e1ticos Amaz\u00f4nicos do Instituto Mamirau\u00e1 e integrante da pesquisa.<\/p>\n<p>Miriam acredita que, al\u00e9m do aspecto profundidade, o sistema de percep\u00e7\u00e3o de <em>Trichechus inunguis <\/em>se d\u00e1 por uma combina\u00e7\u00e3o de fatores, como a qu\u00edmica das \u00e1guas de v\u00e1rzea, que lhes servem de ambiente, a varia\u00e7\u00e3o de quantidade de nutrientes de acordo com a mudan\u00e7a das esta\u00e7\u00f5es e a pr\u00f3pria profundidade. \u201cOs peixes-boi possuem pelos bem ralinhos ao longo do corpo e pelos mais modificados na face, as vibrissas (conhecidas popularmente como \u201cbigodes\u201d), que s\u00e3o poderosos \u00f3rg\u00e3os sensoriais\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Barragens &#8211;<\/strong> Al\u00e9m dos gargalos migrat\u00f3rios, forma\u00e7\u00f5es naturais, tempor\u00e1rias e a que os peixes-boi amaz\u00f4nicos da regi\u00e3o das Reservas Aman\u00e3 e Mamirau\u00e1 j\u00e1 est\u00e3o habituados, o futuro aponta para outros, muito mais perigosos, se os planos de constru\u00e7\u00f5es de barragens hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia se concretizarem. \u201cAs barragens criariam mais gargalos e regimes de inunda\u00e7\u00f5es menos previs\u00edveis, dificultando a migra\u00e7\u00e3o e consequentemente aumentando a mortalidade dos peixes-boi\u201d, assinala a pesquisa. Um problema n\u00e3o apenas para esses mam\u00edferos, mas tamb\u00e9m para botos, ariranhas e v\u00e1rias esp\u00e9cies de peixe que vivem nesses ecossistemas.<\/p>\n<p>De acordo com <a href=\"http:\/\/science.sciencemag.org\/content\/351\/6269\/128\">artigo<\/a> publicado recentemente na revista Science, existem 416 usinas hidrel\u00e9tricas em opera\u00e7\u00e3o ou constru\u00e7\u00e3o em toda bacia amaz\u00f4nica. Outras 334 foram propostas ou est\u00e3o em fase de planejamento.<\/p>\n<p>Pesquisas como o monitoramento dos peixes-boi amaz\u00f4nicos no processo migrat\u00f3rio fornecem informa\u00e7\u00f5es sobre um cen\u00e1rio com amea\u00e7as de mudan\u00e7as irrevers\u00edveis. \u201cAt\u00e9 recentemente n\u00e3o se tinha o \u2018antes\u2019, ficava dif\u00edcil dizer o quanto as barragens afetaram a biodiversidade, mas agora estamos come\u00e7ando a ter experi\u00eancia e a oportunidade de analisar as barragens antes de serem constru\u00eddas\u201d, conta Miriam Marmontel.<\/p>\n<p>Em abril de 2016, uma <em>e-letter\u00a0<\/em>(carta eletr\u00f4nica) escrita pela pesquisadora e por Eduardo Arraut e tamb\u00e9m publicada na<em> Science<\/em>\u00a0j\u00e1 levantava um alerta sobre o modelo dos projetos energ\u00e9ticos na Amaz\u00f4nia e o futuro dos peixes-boi. Esses animais de reprodu\u00e7\u00e3o lenta (uma f\u00eamea gera, em m\u00e9dia, um filhote em tr\u00eas a cinco anos) j\u00e1 foram abundantes na regi\u00e3o, mas depois de 200 anos de ca\u00e7a comercial, a esp\u00e9cie sofreu um colapso populacional e corre o risco de desaparecer. &#8220;A busca pelo crescimento econ\u00f4mico da Am\u00e9rica do Sul, em geral, e do Brasil, em particular, n\u00e3o deve vir \u00e0s custas da extin\u00e7\u00e3o do peixe-boi amaz\u00f4nico&#8221;, afirma a carta (acesse o conte\u00fado completo <a href=\"https:\/\/d2ufo47lrtsv5s.cloudfront.net\/sites\/default\/files\/response_attachments\/2016\/04\/Arraut_and_Marmontel_Manatees_mega-dams_Science_Letter_Submission.pdf\">aqui<\/a>).<\/p>\n<pre><strong>Estimativa -<\/strong> Para a pesquisadora do Instituto Mamirau\u00e1, o estudo tamb\u00e9m pode abrir caminhos para resolver uma das grandes quest\u00f5es ainda n\u00e3o respondidas sobre o peixes-boi amaz\u00f4nicos: quantos ao certo existem. \r\n\u201cO lago Aman\u00e3 n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico lago que serve de ref\u00fagio para todos os peixes-boi amaz\u00f4nicos que est\u00e3o em v\u00e1rzea, existem dezenas de outros\u201d, diz. \u201cSe monitorarmos esses animais nos diversos pontos de ref\u00fagio durante a vazante e a seca, vamos come\u00e7ar a ter uma ideia de abund\u00e2ncia em locais pontuais e a\u00ed a partir disso pode ser desenvolvido um modelo matem\u00e1tico que fa\u00e7a uma estimativa para a \u00e1rea toda, at\u00e9 porque a Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 uma s\u00f3\u201d. \r\n<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O calend\u00e1rio marca junho e as mudan\u00e7as come\u00e7am a ser sentidas na regi\u00e3o do M\u00e9dio<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":58758,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/peixe_boi.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/peixe_boi-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/peixe_boi-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/peixe_boi.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/peixe_boi.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/peixe_boi.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/peixe_boi.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/peixe_boi.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/peixe_boi.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/peixe_boi.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O calend\u00e1rio marca junho e as mudan\u00e7as come\u00e7am a ser sentidas na regi\u00e3o do M\u00e9dio","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58757"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58757"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58757\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58758"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}