{"id":58287,"date":"2017-01-21T15:02:28","date_gmt":"2017-01-21T18:02:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=58287"},"modified":"2020-03-09T19:34:11","modified_gmt":"2020-03-09T22:34:11","slug":"entrevista-com-desiree-ruas-para-o-blog-ecopedagogia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-com-desiree-ruas-para-o-blog-ecopedagogia\/","title":{"rendered":"Entrevista com Desir\u00e9e Ruas para o Blog Ecopedagogia"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-122498\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/crianca-3-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/crianca-3-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/crianca-3.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\u00a0\u00a0<img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/portal.rebia.org.br\/images\/15107282_1151077944987500_1005924546775188921_n.png\" alt=\"\" width=\"637\" height=\"258\" \/><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/portal.rebia.org.br\/images\/15032308_1151077998320828_1317122421075191843_n.jpg\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"425\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Desir\u00e9e (\u00e0 direita) e integrantes da Rebrinc durante evento em BH<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/portal.rebia.org.br\/images\/download%204.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"169\" \/><\/p>\n<p><strong>A Inf\u00e2ncia e o Consumo, a publicidade infantil e as a\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas que valorizam a cidadania ambiental no Brasil <\/strong><\/p>\n<p><strong>Por Luciana Ribeiro &#8211; colaboradora do Portal do meio ambiente\/Rebia<\/strong><\/p>\n<p><strong>Desir\u00e9e Ruas \u2013 <\/strong>\u00e9 uma Jornalista, especialista em Educa\u00e7\u00e3o Ambiental e Sustentabilidade. Criadora do Movimento Consci\u00eancia e Consumo, de Belo Horizonte (MG), ela faz parte da Rede Brasileira Inf\u00e2ncia e Consumo, Rebrinc (fonte: Rebrinc &#8211; <a href=\"http:\/\/rebrinc.com.br\/\">http:\/\/rebrinc.com.br\/<\/a>) Desir\u00e9e Ruas atua na comunica\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o da Rebrinc que vislumbra a implementa\u00e7\u00e3o de projetos que polemizam a import\u00e2ncia das brincadeiras e do consumo sustent\u00e1vel; al\u00e9m disso, os canais pedag\u00f3gicos priorizam a divulga\u00e7\u00e3o de artigos, de entrevistas e de publica\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas que valorizam o zelo inerente \u00e0 cidadania que precisa ser vivenciada pelas crian\u00e7as, pelos adolescentes e pelas fam\u00edlias brasileiras.<\/p>\n<p>Com muito carinho e com muita honra pedag\u00f3gica, convidei a jornalista para dialogar sobre as ang\u00fastias, os anseios humanos e sobre alguns dos projetos educativos que recomendam a inser\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas no Brasil, portanto, carecendo da nossa ajuda, do apoio dos especialistas, dos empres\u00e1rios, dos pesquisadores, dos gestores p\u00fablicos para reverem a posi\u00e7\u00e3o das empresas, das ind\u00fastrias e das institui\u00e7\u00f5es que lidam com as quest\u00f5es capitalistas, mas que de fato, na sua maioria t\u00eam menosprezado a sa\u00fade do homem e do planeta Terra.<\/p>\n<p>Neste caminho reeducador, Desir\u00e9e Ruas tem atuado com amor e consci\u00eancia pedag\u00f3gica para confrontar, protestar e colaborar com todos que fazem parte desse triste e complexo cen\u00e1rio, retrato da realidade social, econ\u00f4mica, cultural e ambiental do nosso Brasil, inclusive, uma situa\u00e7\u00e3o enfrentada em v\u00e1rias partes do mundo. <strong>Segue a entrevista com ela:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luciana Ribeiro: O que a Rebrinc faz pela inf\u00e2ncia no Brasil por meio da publica\u00e7\u00e3o das pesquisas acad\u00eamicas, das discuss\u00f5es realizadas com a participa\u00e7\u00e3o dos pais e dos cidad\u00e3os em geral nas palestras? Existe algum acordo pol\u00edtico e pedag\u00f3gico por meio dessa mobiliza\u00e7\u00e3o social que moraliza o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Desir\u00e9e Ruas <\/strong>: A Rede Brasileira Inf\u00e2ncia e Consumo \u2013 Rebrinc foi criada em 2013 e desde ent\u00e3o ela re\u00fane pessoas, organiza\u00e7\u00f5es e movimentos relacionados \u00e0 causa do consumismo infantil. Sua miss\u00e3o \u00e9 \u201cser uma Rede capaz de despertar a sociedade, especialmente a comunidade escolar e os que produzem conte\u00fado nas m\u00eddias, para as consequ\u00eancias do consumismo na inf\u00e2ncia\u201d. Por aglutinar educadores, pesquisadores e estudantes das \u00e1reas da inf\u00e2ncia e do consumo, a Rebrinc contribui para divulgar importantes pesquisas e iniciativas que questionam o incentivo ao consumo que, sabidamente, tem um impacto negativo sobre as crian\u00e7as e os adolescentes. N\u00f3s tamb\u00e9m mobilizamos pais e m\u00e3es tanto no mundo virtual quanto no mundo real pois sempre realizamos encontros e rodas de conversa para refletir sobre a educa\u00e7\u00e3o nos dias de hoje. Enquanto a m\u00eddia incentiva o consumo e valores materialistas, precisamos nos unir para questionar o que tem sido oferecido para nossas crian\u00e7as. Quanto ao Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, o que vemos \u00e9 um distanciamento entre a teoria e a pr\u00e1tica j\u00e1 que s\u00e3o muitos os desrespeitos di\u00e1rios aos direitos estabelecidos pelo ECA. Mas vemos tamb\u00e9m uma mobiliza\u00e7\u00e3o de grupos que contribuem para refor\u00e7ar a import\u00e2ncia de se divulgar e exigir o cumprimento dos artigos do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente.<\/p>\n<p><strong>Luciana Ribeiro: Fale sobre o anivers\u00e1rio da Rebrinc que fez tr\u00eas anos no ano de 2016 e dos resultados pedag\u00f3gicos que foram alcan\u00e7ados at\u00e9 o momento atual.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Desir\u00e9e Ruas: <\/strong>2016 foi um ano muito especial para n\u00f3s da Rede Brasileira Inf\u00e2ncia e Consumo. Completamos tr\u00eas anos de exist\u00eancia e lan\u00e7amos o movimento \u201cRebrinc pelo Brasil \u2013 Eventos Colaborativos pela Inf\u00e2ncia\u201d. Realizamos de junho a agosto, feiras de troca, palestras e semin\u00e1rios que levaram para um p\u00fablico ainda maior a discuss\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia aos apelos para o consumo, da adultiza\u00e7\u00e3o, da import\u00e2ncia do brincar&#8230; Discutimos alternativas para os educadores levarem para seus alunos em sala de aula, contribuindo para sensibilizar toda a comunidade escolar. Pais, m\u00e3es, educadores e outros profissionais participaram de atividades em v\u00e1rios pontos do Brasil, como Belo Horizonte, S\u00e3o Paulo, Campinas, Porto Alegre e Bras\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>Luciana Ribeiro: Fale sobre a publicidade infantil que fere os direitos das crian\u00e7as no Brasil e a forma como tem sido tratada pelos gestores p\u00fablicos no Brasil. Poderia recomendar alguns conselhos para os estudantes de faculdades e de universidades poderem ajudar os cidad\u00e3os a manifestar seus sentimentos referentes \u00e0s ind\u00fastrias que ousam fazer as propagandas enganosas, inclusive, n\u00e3o resguardando e penalizando a sa\u00fade da crian\u00e7a e do adolescente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Desir\u00e9e Ruas:<\/strong> O C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, no seu artigo 37, pro\u00edbe a publicidade abusiva. Dentre outros tipos, \u00e9 abusiva a publicidade que faz uso da falta de experi\u00eancia e julgamento da crian\u00e7a. Como a crian\u00e7a n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de entender o que se esconde na publicidade, seus reais interesses, toda comunica\u00e7\u00e3o mercadol\u00f3gica que incentive a crian\u00e7a a consumir algo deveria ser proibida. Infelizmente, ainda temos comerciais e outras a\u00e7\u00f5es de marketing que tentam persuadir a crian\u00e7a para o consumo. Em 2014, foi publicada a Resolu\u00e7\u00e3o 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente \u2013 Conanda. Ela refor\u00e7ou esta proibi\u00e7\u00e3o j\u00e1 que deu mais clareza para a identifica\u00e7\u00e3o dos elementos que caracterizam a publicidade infantil. H\u00e1 in\u00fameros movimentos, assim como a Rebrinc, que est\u00e3o nessa luta, denunciando as a\u00e7\u00f5es ilegais e pressionando a ind\u00fastria, as ag\u00eancias de publicidade e os \u00f3rg\u00e3os do governo. Mas precisamos de mais pessoas engajadas. Os estudantes das universidades podem, por exemplo, pesquisar sobre o tema e produzir trabalhos acad\u00eamicos que ajudem a sensibilizar a sociedade sobre os preju\u00edzos da m\u00eddia e da publicidade sobre a inf\u00e2ncia. Quem est\u00e1 na m\u00eddia pode ajudar tamb\u00e9m produzindo conte\u00fado sobre o tema. O Sistema de Garantia dos Direitos das Crian\u00e7as \u00e9 formado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, pela Defensoria P\u00fablica e pelos Conselhos Tutelares, que devem ser acionados em caso de desrespeito aos direitos da crian\u00e7a. Saiba mais no site <a href=\"http:\/\/prioridadeabsoluta.org.br\/denuncie\/\">http:\/\/prioridadeabsoluta.org.br\/denuncie\/<\/a><\/p>\n<p><strong>Luciana Ribeiro: Poderia citar algumas publica\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas que servem como fundamento para estudos nas faculdades e para universidades brasileiras, democratizando as informa\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rios para os debates das pol\u00edticas p\u00fablicas que denunciam as armadilhas capitalistas, as quais ferem os direitos das crian\u00e7as e dos adolescentes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Desir\u00e9e Ruas: <\/strong>Felizmente temos cada vez mais conte\u00fados que nos ajudam a entender a situa\u00e7\u00e3o do consumismo infantil. E n\u00e3o s\u00e3o apenas livros, mas reportagens, document\u00e1rios e at\u00e9 pe\u00e7as de teatro que levam \u00e0 reflex\u00e3o do tema. O livro \u201cCrian\u00e7as do Consumo \u2013 A Inf\u00e2ncia Roubada\u201d, de Susan Linn, ajuda a entender a press\u00e3o do consumo sobre a inf\u00e2ncia. Muitas outras sugest\u00f5es de leitura est\u00e3o no site do Projeto Crian\u00e7a e Consumo, do Instituto Alana. O livro comemorativo dos 10 anos do Projeto Crian\u00e7a e Consumo tamb\u00e9m est\u00e1 dispon\u00edvel para download e vale a pena ser lido. (<a href=\"http:\/\/criancaeconsumo.org.br\/publicacoes\/\">http:\/\/criancaeconsumo.org.br\/publicacoes\/<\/a>)<\/p>\n<p><strong>Luciana Ribeiro: As fam\u00edlias brasileiras carecem de esclarecimentos nas escolas para compreenderem como os malef\u00edcios da publicidade infantil, por exemplo, afetam as crian\u00e7as por meio da obesidade infantil. Qual a sua vis\u00e3o cr\u00edtica dessa realidade que tende a agravar-se no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Desir\u00e9e Ruas: <\/strong>A quest\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 muito s\u00e9ria e envolve v\u00e1rios fatores. Atualmente, as fam\u00edlias costumam ter menos tempo para preparar as refei\u00e7\u00f5es em casa. N\u00e3o temos em todas as fam\u00edlias uma divis\u00e3o justa das tarefas dom\u00e9sticas. Vemos muitas m\u00e3es sobrecarregadas com muitas atividades, dentre elas comprar e preparar os alimentos. Nesse contexto, a ind\u00fastria dos alimentos ultraprocessados ganha cada vez mais espa\u00e7o. O marketing \u00e9 poderoso e promete aquilo que muitas fam\u00edlias procuram: alimentos prontos ou de f\u00e1cil preparo, com grande prazo de validade. Junto a isso, temos ainda os apelos para o p\u00fablico infantil como os personagens estampados nas embalagens. Muitos alimentos ricos em a\u00e7\u00facar e gordura est\u00e3o associados a personagens queridos pelas crian\u00e7as. Enfim, os comerciais, as embalagens, as promo\u00e7\u00f5es s\u00e3o pensados para persuadir as fam\u00edlias que vivem em um contexto que dificulta o cozinhar. Por isso, tanto o excesso de tarefas que costuma recair sobre as mulheres quanto o poder do marketing entram nesse cen\u00e1rio onde as crian\u00e7as est\u00e3o cada vez mais obesas e at\u00e9 com doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis, DCNTs. Uma alimenta\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel depende de tempo e da op\u00e7\u00e3o pela \u201ccomida de verdade\u201d<strong>. <\/strong>Quanto mais publicidade um alimento tem, menos saud\u00e1vel ele \u00e9. E as escolas tamb\u00e9m precisam repensar o que oferecem em suas cantinas e lanchonetes. Precisamos de um amplo debate sobre a alimenta\u00e7\u00e3o nas escolas pois n\u00e3o podemos ter dentro de sala um incentivo \u00e0 consci\u00eancia na alimenta\u00e7\u00e3o e na hora do recreio refrigerantes, bebidas a\u00e7ucaradas, salgadinhos e doces para a crian\u00e7a comprar. \u00c9 necess\u00e1rio ter coer\u00eancia, sen\u00e3o n\u00e3o adianta o esfor\u00e7o do educador.<\/p>\n<p><strong>Luciana Ribeiro: Poderia recomendar algumas atividades socioambientais que valorizam o debate das solu\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas que inserem o respeito pela crian\u00e7a, pelo adolescente e pelo meio ambiente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Desir\u00e9e Ruas: <\/strong>A intera\u00e7\u00e3o do aluno com o ambiente em que vive \u00e9 fundamental para que ele entenda a import\u00e2ncia da natureza. E \u00e9 a natureza pensada de uma forma ampla, sendo o aluno tamb\u00e9m parte dessa natureza. E a rua, o bairro, a cidade fazem parte deste meio ambiente. Acho que as escolas podem promover atividades como hortas, jardinagem, passeios pelo bairro para identifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, teatro, concursos liter\u00e1rios, oficinas que permitam que as crian\u00e7as possam refletir e ter contato com a terra, com sementes, com plantas etc. Para despertar nos alunos uma vis\u00e3o cr\u00edtica sobre o futuro do planeta, o educador deve falar do tr\u00e2nsito, da polui\u00e7\u00e3o do ar, do lixo jogado na rua, da polui\u00e7\u00e3o das nascentes, da permeabiliza\u00e7\u00e3o do solo dos centros urbanos, dos desafios da mobilidade, dos projetos da C\u00e2mara dos Vereadores relacionados \u00e0 sa\u00fade nas cidades, das a\u00e7\u00f5es do Prefeito, da forma como as construtoras est\u00e3o engolindo as \u00faltimas \u00e1reas verdes das cidades e as mineradoras destruindo a paisagem e a \u00e1gua. Todas s\u00e3o quest\u00f5es urgentes e que se referem \u00e0 vida nas cidades e falam sobre respeito: o respeito \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras. Afinal, o que estamos deixando para elas?<\/p>\n<p><strong>Luciana Ribeiro: Qual foi a motiva\u00e7\u00e3o crucial que deu vida pedag\u00f3gica para o site da Rede Brasileira Inf\u00e2ncia e Consumo? De que forma pol\u00edtica visou-se a divulga\u00e7\u00e3o dele para os especialistas diversos e para os cidad\u00e3os brasileiros beneficiarem-se por meio dos conhecimentos socioambientais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Desir\u00e9e Ruas: <\/strong>Como a Rebrinc \u00e9 uma rede, o seu processo \u00e9 horizontal e colaborativo. A rede se constr\u00f3i por meio de la\u00e7os de confian\u00e7a, sempre buscando garantir a inclus\u00e3o de novas pessoas e ideias. E com a ajuda dos seus integrantes, a Rebrinc vai buscando mobilizar cada vez mais pessoas, falando sobre educa\u00e7\u00e3o e m\u00eddia, alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, combate ao consumismo infantil, combate \u00e0 adultiza\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia, educa\u00e7\u00e3o para o consumo, educa\u00e7\u00e3o para a sustentabilidade, dentre outros temas.<\/p>\n<p>O site da Rebrinc, o grupo de discuss\u00e3o e a p\u00e1gina no Facebook foram criados com o objetivo de promover a troca de informa\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias entre todos os interessados nas tem\u00e1ticas crian\u00e7a e consumo. Recebemos artigos escritos por educadores, estudantes, pais, m\u00e3es e pessoas de v\u00e1rias \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o. Todos buscam espa\u00e7o para dar voz aos seus questionamentos e preocupa\u00e7\u00f5es com a inf\u00e2ncia que hoje est\u00e1 t\u00e3o mercantilizada e desrespeitada. Dialogamos com todos os interessados que nos procuram pedindo ajuda para pesquisas, projetos escolares e eventos da \u00e1rea. E assim vamos tecendo a nossa rede&#8230;<\/p>\n<p><strong>Luciana Ribeiro: Poderia falar sobre o computador e a crian\u00e7a? O que voc\u00ea acha da democratiza\u00e7\u00e3o da tecnologia no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Desir\u00e9e Ruas: <\/strong>Falando em direitos das crian\u00e7as, sempre pensamos na quest\u00e3o do avan\u00e7o da tecnologia. Ao mesmo tempo que ela nos permitiu acesso a experi\u00eancias antes inimagin\u00e1veis, seja no campo do lazer ou da educa\u00e7\u00e3o, pensamos como as crian\u00e7as est\u00e3o viciadas em tais dispositivos. O questionamento que fazemos na Rebrinc \u00e9 at\u00e9 que ponto o uso de tablets e celulares pelas crian\u00e7as est\u00e1 tomando o lugar das brincadeiras criativas, das rela\u00e7\u00f5es concretas e da movimenta\u00e7\u00e3o f\u00edsica que s\u00e3o t\u00e3o necess\u00e1rias para o desenvolvimento delas. \u00c9 importante que a gente tenha cada vez mais democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0s tecnologias mas precisamos ficar atentos \u00e0s crian\u00e7as e aos adolescentes no que se refere ao tempo que ficam conectados e ao conte\u00fado que est\u00e3o acessando. Vemos hoje crian\u00e7as e adolescentes tendo acesso a conte\u00fados adultos o tempo todo, em casa ou na escola. E n\u00f3s, adultos, sem saber como proteger os filhos e alunos de tais conte\u00fados. \u00c9 um desafio para pais, m\u00e3es e educadores.<\/p>\n<p><strong>Luciana Ribeiro: Fale sobre a parceria que existe entre a Rebrinc e o Instituto Alana (<\/strong><strong><a href=\"http:\/\/criancaeconsumo.org\/\">ht<\/a>tp\/<\/strong><strong>criancaeconsumo.org<\/strong><strong>. br\/) <\/strong><strong>que tamb\u00e9m publica estudos acad\u00eamicos e os debates acerca das pol\u00edticas p\u00fablicas que respeitam a inf\u00e2ncia no Brasil.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Desir\u00e9e Ruas: <\/strong>Existem muitos grupos, movimentos e institui\u00e7\u00f5es que trabalham pela prote\u00e7\u00e3o dos direitos da inf\u00e2ncia no Brasil. Para potencializar e aumentar sua escala e efetividade, muitos deles se articulam formando redes. Sobre os temas inf\u00e2ncia e consumo tamb\u00e9m encontramos muitos atores sociais interessados em dialogar e alguns movimentos e organiza\u00e7\u00f5es j\u00e1 empenhados na causa. Mas n\u00e3o t\u00ednhamos ainda uma rede com o foco na prote\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a aos apelos do consumo. Pensando nisso, em junho de 2013, um grupo de quase 50 pessoas se reuniu para dar in\u00edcio \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da Rede Brasileira Inf\u00e2ncia e Consumo. O convite foi feito pelo Instituto Alana, organiza\u00e7\u00e3o que trabalha pela inf\u00e2ncia e desenvolve o projeto Crian\u00e7a e Consumo que existe h\u00e1 dez anos. O processo de constru\u00e7\u00e3o da Rebrinc contou com algumas reuni\u00f5es presenciais e com o apoio decisivo do Instituto Alana, que tamb\u00e9m faz parte da Rede. Especialistas e interessados nos temas inf\u00e2ncia e consumismo, que j\u00e1 participavam do Projeto Crian\u00e7a e Consumo, ajudaram a construir a Rebrinc.\u00a0 O trabalho do Instituto Alana, que concentra diversos projetos, \u00e9 incr\u00edvel e nos inspira a buscar novas formas, a\u00e7\u00f5es e linguagens pela defesa da inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>Luciana Ribeiro: Como voc\u00ea v\u00ea a quest\u00e3o do envolvimento<\/strong> <strong>das fam\u00edlias na constru\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia que proteja a inf\u00e2ncia dos malef\u00edcios do consumismo? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Desir\u00e9e Ruas: <\/strong>\u00c9 fundamental pensarmos a crian\u00e7a e o consumo dentro do seu contexto familiar. Se os adultos de uma fam\u00edlia consomem sem consci\u00eancia, desperdi\u00e7ando recursos e dinheiro, se endividando e dando uma import\u00e2ncia para a acumula\u00e7\u00e3o de bens em detrimento de outras a\u00e7\u00f5es mais conscientes, essa crian\u00e7a vai aprender com esses exemplos. Dessa forma, \u00e9 crucial um trabalho amplo, que envolva as escolas, a m\u00eddia, as comunidades repensando quest\u00f5es como trabalho, dinheiro, qualidade de vida e avaliando o que o ser humano tem vivido para manter o n\u00edvel de consumo que a sociedade definiu como normal. \u00c9 um desafio imenso, que envolve toda a l\u00f3gica do capitalismo, mas que precisa ser iniciado.<\/p>\n<p><strong>Veja as fotos &#8211; REDE BRASILEIRA INF\u00c2NCIA E CONSUMO Rebrinc<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0 &nbsp; Desir\u00e9e (\u00e0 direita) e integrantes da Rebrinc durante evento em BH A Inf\u00e2ncia<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":122498,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/crianca-3.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/crianca-3-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/crianca-3-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/crianca-3.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/crianca-3.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/crianca-3.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/crianca-3.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/crianca-3.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/crianca-3.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/crianca-3.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u00a0\u00a0 &nbsp; Desir\u00e9e (\u00e0 direita) e integrantes da Rebrinc durante evento em BH A Inf\u00e2ncia","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58287"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58287"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58287\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/122498"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}