{"id":58042,"date":"2017-01-18T14:00:44","date_gmt":"2017-01-18T17:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=58042"},"modified":"2017-01-17T21:03:28","modified_gmt":"2017-01-18T00:03:28","slug":"abelhas-removem-larvas-mortas-para-reduzir-transmissao-de-doencas-na-colmeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/abelhas-removem-larvas-mortas-para-reduzir-transmissao-de-doencas-na-colmeia\/","title":{"rendered":"Abelhas removem larvas mortas para reduzir transmiss\u00e3o de doen\u00e7as na colmeia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=58043\" rel=\"attachment wp-att-58043\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-58043\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/abelha-3-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/abelha-3-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/abelha-3.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os insetos sociais, como formigas, cupins e abelhas, costumam apresentar um mecanismo de defesa em que removem crias mortas ou doentes a fim de reduzir a transmiss\u00e3o de doen\u00e7as por parasitas e pat\u00f3genos dentro da col\u00f4nia.<\/p>\n<p>Esse mecanismo, denominado \u201ccomportamento higi\u00eanico\u201d, j\u00e1 tinha sido observado e estudado detalhadamente em abelhas com ferr\u00e3o <i>Apis mellifera<\/i>, cujas oper\u00e1rias abrem com a mand\u00edbula as c\u00e9lulas de cria onde est\u00e3o uma larva ou pupa morta ou doente e as removem do ninho.<\/p>\n<p>Agora, um grupo de pesquisadores da University of Sussex, da Inglaterra, em colabora\u00e7\u00e3o com colegas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq-USP), estudou por meio de um <b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/88186\/comportamento-higienico-em-abelhas-sem-ferrao-apidae-meliponini\/\">projeto<\/a><\/b> apoiado pela FAPESP o comportamento higi\u00eanico em tr\u00eas esp\u00e9cies brasileiras de abelhas sem ferr\u00e3o: a jata\u00ed (<i>Tetragonisca angustula<\/i>), a mandaguari (<i>Scaptotrigona depilis<\/i>) e a uru\u00e7u (<i>Melipona scutellaris<\/i>).<\/p>\n<p>Os resultados do estudo foram descritos em um artigo publicado na revista <i>Biology Open<\/i>.<\/p>\n<p>\u201cAvaliamos o comportamento higi\u00eanico nessas tr\u00eas esp\u00e9cies porque s\u00e3o algumas das mais utilizadas no Brasil para produ\u00e7\u00e3o de mel e poliniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola\u201d, disse Denise de Araujo Alves, p\u00f3s-doutoranda na Esalq-USP e uma das autoras do estudo, \u00e0 <b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>Os pesquisadores coletaram favos de col\u00f4nias dessas tr\u00eas esp\u00e9cies de abelhas e os congelaram durante dois dias, a fim de matar as pupas e larvas e simular o efeito causado por um agente patog\u00eanico.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s contar a quantidade de c\u00e9lulas de cria com pupas e larvas mortas nos favos congelados, eles os reintroduziram em oito ninhos das tr\u00eas esp\u00e9cies de abelhas que foram monitorados a cada 24 horas, durante seis dias, para contabilizar os n\u00fameros de c\u00e9lulas abertas e de larvas e pupas removidas.<\/p>\n<p>Os resultados do experimento indicaram que todas as tr\u00eas esp\u00e9cies de abelhas sem ferr\u00e3o apresentaram n\u00edveis elevados de comportamento higi\u00eanico, removendo rapidamente as larvas e pupas mortas por congelamento.<\/p>\n<p>As abelhas uru\u00e7u demonstraram melhor desempenho em executar essa tarefa. Em 48 horas ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o do favo congelado em suas col\u00f4nias, as oper\u00e1rias dessa esp\u00e9cie de abelha removeram mais de 99% das pupas e larvas mortas.<\/p>\n<p>J\u00e1 as abelhas mandaguari removeram 80% da cria morta e as jata\u00ed eliminaram 62%.<\/p>\n<p>\u201cO comportamento higi\u00eanico dessas tr\u00eas esp\u00e9cies de abelhas sem ferr\u00e3o \u00e9 t\u00e3o eficiente quanto o de abelhas com ferr\u00e3o\u201d, comparou Alves.<\/p>\n<p>Curiosamente, os pesquisadores observaram que, em uma das col\u00f4nias de mandaguari que apresentou desempenho mais lento na remo\u00e7\u00e3o de crias congeladas, 15% das abelhas adultas que emergiam de suas c\u00e9lulas tinham as asas deformadas \u2013 indicando a possibilidade da exist\u00eancia de doen\u00e7a ou desordem ainda n\u00e3o identificadas, mas com sintomas semelhantes aos causados pelo v\u00edrus da asa deformada em abelhas <i>Apis mellifera<\/i>.<\/p>\n<p>Para avaliar a capacidade das abelhas mandaguari de identificar e remover as larvas e pupas contaminadas, os pesquisadores realizaram um segundo experimento: introduziram favos com crias vivas de col\u00f4nia que apresentaram esse problema em outras colmeias saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Os resultados desse experimento indicaram que as abelhas das col\u00f4nias com n\u00edveis mais altos de comportamento higi\u00eanico no primeiro experimento tamb\u00e9m foram mais eficientes em detectar e remover a cria insalubre (com 12,5% de remo\u00e7\u00e3o) em compara\u00e7\u00e3o com as abelhas das colmeias menos saud\u00e1veis ou \u201chigi\u00eanicas\u201d, que removeram apenas 1% das pupas.<\/p>\n<p>\u201cIsso mostra que h\u00e1 uma varia\u00e7\u00e3o dentro da esp\u00e9cie: quanto mais higi\u00eanica for a col\u00f4nia, mais r\u00e1pida ser\u00e1 a detec\u00e7\u00e3o e remo\u00e7\u00e3o de larvas e pupas insalubres\u201d, afirmou Alves.<\/p>\n<p>\u201cComo encontramos um n\u00famero elevado de oper\u00e1rias com asas deformadas do lado de fora dos ninhos, acreditamos que essas abelhas acabam saindo ou sendo expulsas pelas outras oper\u00e1rias adultas e mais saud\u00e1veis\u201d, afirmou Alves.<\/p>\n<p>\u201cSe a deforma\u00e7\u00e3o das asas delas for causada por um agente patog\u00eanico, n\u00e3o \u00e9 positivo que permane\u00e7am na col\u00f4nia\u201d, avaliou.<\/p>\n<p><b>Manejo de col\u00f4nias<\/b><\/p>\n<p>De acordo com estudos anteriores, o comportamento higi\u00eanico em abelhas n\u00e3o \u00e9 aprendido: trata-se de um tra\u00e7o heredit\u00e1rio instintivo desses insetos sociais.<\/p>\n<p>Em <i>Apis mellifera<\/i> esse mecanismo de defesa ajuda no controle de parasitas e pat\u00f3genos que atacam esses insetos \u2013 como o \u00e1caro da esp\u00e9cie varroa e o v\u00edrus da asa deformada. No caso desse grupo, os pesquisadores obtiveram colmeias totalmente higi\u00eanicas selecionando abelhas rainhas provenientes de colmeias altamente higi\u00eanicas.<\/p>\n<p>Estudos realizados nos \u00faltimos 10 anos por pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Apicultura e Insetos Sociais da University of Sussex indicaram que col\u00f4nias de abelhas com ferr\u00e3o com rainhas higi\u00eanicas obtidas por sele\u00e7\u00e3o apresentam n\u00edveis mais reduzidos de v\u00edrus de asa deformada e \u00e1caro varroa e maiores taxas de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, produzem tanto ou mais mel do que as abelhas de col\u00f4nias n\u00e3o higi\u00eanicas, o que indica que as oper\u00e1rias das col\u00f4nias higi\u00eanicas n\u00e3o removem a cria saud\u00e1vel por engano.<\/p>\n<p>\u201cTalvez esse mesmo procedimento tamb\u00e9m possa ser usado no futuro pr\u00f3ximo com as abelhas sem ferr\u00e3o para obter col\u00f4nias mais saud\u00e1veis para serem usadas para poliniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em larga escala\u201d, afirmou Alves.<\/p>\n<p>\u201cEssa sele\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ocorrer durante a cria\u00e7\u00e3o <i>in vitro<\/i> de rainha, produzindo col\u00f4nias que apresentem altos n\u00edveis de comportamento higi\u00eanico para uso comercial\u201d, indicou.<\/p>\n<p>Estima-se que no Brasil existam cerca de 250 esp\u00e9cies nativas de abelhas sem ferr\u00e3o, que t\u00eam sido cada vez mais usadas para a produ\u00e7\u00e3o de mel e poliniza\u00e7\u00e3o e culturas agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>As doen\u00e7as que acometem esse grande grupo de abelhas, encontradas em regi\u00f5es tropicais em todo o mundo, contudo, s\u00e3o menos conhecidas em compara\u00e7\u00e3o com as abelhas com ferr\u00e3o, apontam os pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201cComo \u00e9 um grupo de abelhas muito diverso e ainda n\u00e3o t\u00e3o estudado como \u00e9 a <i>Apis mellifera<\/i>, acreditamos que as abelhas sem ferr\u00e3o apresentem doen\u00e7as que ainda n\u00e3o foram identificadas. Contudo, talvez os baixos n\u00edveis de doen\u00e7a que observamos geralmente nessas abelhas se deva a mecanismos eficazes de controle dessas doen\u00e7as\u201d, avaliou Alves.<\/p>\n<p>\u201cNesse sentido, o comportamento higi\u00eanico pode desempenhar um papel importante na sa\u00fade das abelhas sem ferr\u00e3o\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Segundo Jos\u00e9 Maur\u00edcio Bento, professor da Esalq-USP e um dos coautores do trabalho, a comunica\u00e7\u00e3o qu\u00edmica nos insetos sociais \u00e9 fundamental para sua manuten\u00e7\u00e3o. Contudo ainda \u00e9 pouco conhecida para as abelhas sem ferr\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPossivelmente, os sinais qu\u00edmicos produzidos pela cria indicam \u00e0s oper\u00e1rias adultas o seu estado de sa\u00fade, facilitando a detec\u00e7\u00e3o e remo\u00e7\u00e3o das larvas e pupas doentes. Estamos agora interessados na composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica destes vol\u00e1teis, o que abre novas e interessantes perspectivas de estudos\u201d, afirmou Bento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os insetos sociais, como formigas, cupins e abelhas, costumam apresentar um mecanismo de defesa em<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":58043,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/abelha-3.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/abelha-3-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/abelha-3-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/abelha-3.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/abelha-3.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/abelha-3.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/abelha-3.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/abelha-3.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/abelha-3.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/abelha-3.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Os insetos sociais, como formigas, cupins e abelhas, costumam apresentar um mecanismo de defesa em","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58042"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58042"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58042\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58043"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}