{"id":58032,"date":"2017-01-18T13:00:34","date_gmt":"2017-01-18T16:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=58032"},"modified":"2017-01-18T07:06:26","modified_gmt":"2017-01-18T10:06:26","slug":"como-falar-com-seu-cao-segundo-a-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-falar-com-seu-cao-segundo-a-ciencia\/","title":{"rendered":"Como falar com seu c\u00e3o, animal que entende a comunica\u00e7\u00e3o humana, segundo a ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=58033\" rel=\"attachment wp-att-58033\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-58033\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/cao_crinaca-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/cao_crinaca-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/cao_crinaca.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/perros\/a\">c\u00e3es<\/a> s\u00e3o especiais. Qualquer pessoa que tem um como <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/animales_compania\/a\">animal de companhia<\/a> sabe disso. Al\u00e9m disso, a maioria dos donos tem a sensa\u00e7\u00e3o de que <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/08\/30\/ciencia\/1472548512_509383.html\">seu cachorro entende tudo o que eles dizem e qualquer gesto que fazem<\/a>. As pesquisas realizadas nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas demonstram que os c\u00e3es s\u00e3o capazes de entender a comunica\u00e7\u00e3o humana como nenhuma outra esp\u00e9cie. E agora um novo estudo confirma que, se algu\u00e9m quer adestrar um filhote e ter o m\u00e1ximo de possibilidade para que o <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/animales\/a\">animal<\/a> fa\u00e7a o que se pede dele, \u00e9 preciso falar com ele de uma determinada maneira.<\/p>\n<p>As pesquisas j\u00e1 trouxeram uma boa quantidade de evid\u00eancias de que a forma como nos comunicamos com os c\u00e3es \u00e9 diferente de como fazemos isso com os seres humanos. Quando <a href=\"http:\/\/science.sciencemag.org\/content\/296\/5572\/1435\">falamos com um cachorro<\/a> utilizamos <a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/journal-of-child-language\/article\/doggerel-motherese-in-a-new-context\/79FF5CF27F5B78316BBD8976A309A46B\">o que se denomina \u201clinguagem dirigida aos c\u00e3es\u201d<\/a>. Isso quer dizer que mudamos a estrutura das frases, encurtando-as e simplificando-as. Tamb\u00e9m costumamos adotar um tom de voz mais agudo. Fazemos o mesmo quando n\u00e3o estamos certos de que algu\u00e9m nos entende ou <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/08\/23\/estilo\/1471939634_956060.html\">quando nos dirigimos a crian\u00e7as pequenas<\/a>.<\/p>\n<p>O novo estudo descobriu que, quando falamos com um filhote de cachorro, empregamos um tom ainda mais agudo, e que essa t\u00e1tica, de fato, ajuda os animais a prestar mais aten\u00e7\u00e3o. O estudo, publicado na revista <a href=\"http:\/\/rspb.royalsocietypublishing.org\/lookup\/doi\/10.1098\/rspb.2016.2429\" target=\"_blank\"><em>Proceedings of the Royal Society B<\/em><\/a>, mostrou que quando se fala com filhotes usando a linguagem dirigida aos c\u00e3es, eles reagem e atendem melhor o instrutor humano do que quando se utiliza a linguagem normal.<\/p>\n<p>Para comprovar isso, os pesquisadores utilizaram os chamados experimentos em playback. Gravaram pessoas dizendo a frase \u201cOl\u00e1! Ol\u00e1, meu querido! Quem \u00e9 bonzinho? Vem c\u00e1! Muito bem! Bom menino! Isso! Vem c\u00e1, meu amor! Que menino bonzinho!\u201d v\u00e1rias vezes. A cada vez, uma pessoa olhava fotos de filhotes, de c\u00e3es adultos e de c\u00e3es idosos, ou que n\u00e3o olhassem para foto alguma. A an\u00e1lise das grava\u00e7\u00f5es mostrou que os volunt\u00e1rios mudavam a forma com que falavam aos c\u00e3es de diferentes idades.<\/p>\n<p>Em seguida, os pesquisadores reproduziram as grava\u00e7\u00f5es a v\u00e1rios filhotes e c\u00e3es adultos e registraram o comportamento de resposta. Notaram que os filhotes reagiam mais intensamente \u00e0s grava\u00e7\u00f5es feitas enquanto os volunt\u00e1rios olhavam imagens de c\u00e3es adultos (a linguagem dirigida aos c\u00e3es).<\/p>\n<p>O estudo n\u00e3o comprovou o mesmo efeito quando se tratava dos cachorros adultos escutando as mesmas grava\u00e7\u00f5es. Mas <a href=\"http:\/\/linkinghub.elsevier.com\/retrieve\/pii\/S0960982211013935?via=sd&amp;cc=y\">outras pesquisas<\/a> que registraram a rea\u00e7\u00e3o dos animais em intera\u00e7\u00f5es humanas cara a cara, <a href=\"http:\/\/www.eva.mpg.de\/documents\/Wiley-Blackwell\/Kaminski_How-dogs_DevScience_2012_1563374.pdf\">incluindo o que foi feito na minha pr\u00f3pria pesquisa<\/a>, indicam que a linguagem dirigida aos c\u00e3es pode ser \u00fatil para se comunicar com esses animais, qualquer que seja sua idade.<\/p>\n<h3>Seguir um dedo que aponta<\/h3>\n<p>Tamb\u00e9m foi demonstrado que podemos nos comunicar com esses animais atrav\u00e9s de gestos. Desde que s\u00e3o filhotes, os c\u00e3es reagem a gestos humanos, como o de apontar, de uma maneira que outras esp\u00e9cies n\u00e3o conseguem. A <a href=\"http:\/\/science.sciencemag.org\/content\/298\/5598\/1634\">experi\u00eancia \u00e9 muito simples<\/a>. Coloque diante de seu c\u00e3o duas vasilhas id\u00eanticas cobrindo pequenas por\u00e7\u00f5es de comida, e certifique-se de que o animal n\u00e3o pode enxergar o alimento e n\u00e3o tem nenhum tipo de informa\u00e7\u00e3o sobre o conte\u00fado das vasilhas. Em seguida, aponte com o dedo para um dos recipientes enquanto estabelece contato visual com o cachorro. Ele seguir\u00e1 seu gesto at\u00e9 a vasilha para a qual est\u00e1 apontando e a examinar\u00e1 na esperan\u00e7a de encontrar algo sob ela.<\/p>\n<p>Isso ocorre porque o c\u00e3o entende que a a\u00e7\u00e3o do dono \u00e9 uma tentativa de se comunicar. Trata-se de algo fascinante porque aparentemente nem chimpanz\u00e9s, que s\u00e3o nossos parentes vivos mais pr\u00f3ximos, entendem a inten\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o dos humanos nessa situa\u00e7\u00e3o. <a href=\"http:\/\/linkinghub.elsevier.com\/retrieve\/pii\/S096098220300263X?via=sd\">Nem mesmo os lobos<\/a> \u2013 os parentes vivos mais pr\u00f3ximos dos c\u00e3es -, mesmo quando foram criados em um entorno humano.<\/p>\n<p>Isso levou cientistas a pensarem que, na realidade, as habilidades e o comportamento dos c\u00e3es nesse terreno <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/287265047_The_Social_Dog_History_and_Evolution\">s\u00e3o adapta\u00e7\u00f5es ao ambiente humano<\/a>. Ou seja, viver em estreito contato com os seres humanos durante mais de 30.000 anos fez com que os cachorros desenvolvessem aptid\u00f5es comunicativas praticamente iguais \u00e0s das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>No entanto, existem diferen\u00e7as significativas entre a maneira com que os c\u00e3es percebem nossa comunica\u00e7\u00e3o e como a realizam as crian\u00e7as. Segundo a teoria, diferentemente das crian\u00e7as, os c\u00e3es entendem o gesto de apontar como <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0023969013000325\">uma esp\u00e9cie de ordem suave<\/a> que lhes indica para onde se dirigir, mais do que uma forma de transmitir informa\u00e7\u00e3o. Por outro lado, quando esse gesto \u00e9 feito para uma crian\u00e7a ela pensa que estamos informando-a sobre algo.<\/p>\n<p>Essa capacidade dos c\u00e3es de reconhecer as \u201cdiretrizes espaciais\u201d poderia ser a adapta\u00e7\u00e3o perfeita \u00e0 vida com os humanos. Por exemplo, durante milhares de anos esses animais foram usados como uma esp\u00e9cie de \u201cferramenta social\u201d para ajudar no pastoreio e na ca\u00e7a. Nessas ocasi\u00f5es era necess\u00e1rio conduzi-los por longas dist\u00e2ncias mediante instru\u00e7\u00f5es gestuais. As \u00faltimas pesquisas confirmam a ideia de que os c\u00e3es n\u00e3o s\u00f3 desenvolveram a capacidade de reconhecer gestos como tamb\u00e9m uma sensibilidade especial para a voz humana, o que os ajuda a distinguir quando t\u00eam que responder ao que lhes \u00e9 dito.<\/p>\n<p><strong>Juliane Kaminski<\/strong> \u00e9 professora de Psicologia na Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, e consultora da Dognition.<\/p>\n<p>Este artigo foi publicado originalmente em ingl\u00eas no site <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/\" target=\"_blank\">The Conversation.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os c\u00e3es s\u00e3o especiais. 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