{"id":5793,"date":"2014-08-30T19:00:42","date_gmt":"2014-08-30T19:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=5793"},"modified":"2014-08-30T15:14:43","modified_gmt":"2014-08-30T15:14:43","slug":"o-cardapio-faz-toda-a-diferenca-no-desenvolvimento-das-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-cardapio-faz-toda-a-diferenca-no-desenvolvimento-das-criancas\/","title":{"rendered":"O card\u00e1pio faz toda a diferen\u00e7a no desenvolvimento das crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/ordem_refeicoes.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-5794\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/ordem_refeicoes.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Muitos afazeres, pouco tempo e as crian\u00e7as a mil. Natural que falte disposi\u00e7\u00e3o para colocar a mesa, preparar um jantar balanceado e ainda encontrar for\u00e7as para tirar todo mundo da frente da TV e insistir que a fam\u00edlia se re\u00fana para a refei\u00e7\u00e3o. Mas um s\u00f3 argumento vai dar a energia necess\u00e1ria para voc\u00ea batalhar por bons h\u00e1bitos alimentares em casa: eles s\u00e3o t\u00e3o importantes quanto a escolha dos itens que se coloca no prato, quando o objetivo \u00e9 afastar a obesidade infantil e todas as doen\u00e7as graves que v\u00eam na cola dela, como hipertens\u00e3o, diabetes, colesterol alto e at\u00e9 mesmo problemas psicol\u00f3gicos decorrentes de bullying. E tem mais: com a rotina regrada, os itens saud\u00e1veis entram mais naturalmente na dieta da garotada. Confira a seguir as dicas de especialistas, mire-se no exemplo das fam\u00edlias ouvidas e em suas hist\u00f3rias de sucesso, e fa\u00e7a o seu esfor\u00e7o valer a pena, em prol da sa\u00fade do seu filho.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\"><strong>Longe da televis\u00e3o<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<p>Na ansiedade de fazer com que os filhos comam, muitos pais recorrem \u00e0 TV como um facilitador. A t\u00e1tica pode at\u00e9 resolver o problema de imediato, mas traz consequ\u00eancias no futuro. \u201cA crian\u00e7a entretida com a programa\u00e7\u00e3o come qualquer coisa em qualquer quantidade, sem prestar aten\u00e7\u00e3o ao alimento, \u00e0 mastiga\u00e7\u00e3o e aos pr\u00f3prios sinais de saciedade\u201d, explica a endocrinologista e pediatra Cristiane Kochi, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia \u2013 Regional S\u00e3o Paulo. Como consequ\u00eancia, a temida obesidade passa a espreitar. Para o pediatra Marcelo Reibscheid, da UTI Neonatal do Hospital S\u00e3o Luiz (SP), as refei\u00e7\u00f5es v\u00e3o al\u00e9m do aspecto nutricional. \u201cElas s\u00e3o sagradas. Devem ser momentos em que a fam\u00edlia converse sobre assuntos variados: escola, amigos, problemas e d\u00favidas.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 o que refor\u00e7a uma pesquisa realizada com 34 mil crian\u00e7as e adolescentes pelo Literacy Trust, uma institui\u00e7\u00e3o inglesa dedicada \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o e incentivo \u00e0 leitura. O estudo concluiu que conversar com os filhos durante as refei\u00e7\u00f5es torna-os mais confiantes. \u201cEm minhas pesquisas, cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que os pequenos constroem o vocabul\u00e1rio durante o jantar em fam\u00edlia. De cada 2 mil novas palavras, mil v\u00eam de conversas nesse momento\u201d, reitera a jornalista norte-americana Miriam Weistein, autora do livro <em>The Surprising Power of Family Meals<\/em> (O Poder Surpreendente das Refei\u00e7\u00f5es em Fam\u00edlia, em tradu\u00e7\u00e3o livre). Crian\u00e7as que fazem refei\u00e7\u00f5es em fam\u00edlia consomem mais frutas e vegetais, tomam menos refrigerantes e se alimentam melhor, mesmo quando est\u00e3o fora de casa, porque t\u00eam a oportunidade de se mirar no exemplo dos pais e de prestar mais aten\u00e7\u00e3o ao que comem.<\/p>\n<p>O publicit\u00e1rio Ricardo Fonseca, 41 anos, conhece bem a influ\u00eancia positiva desse h\u00e1bito. Seu filho, Jo\u00e3o Ricardo, 4 anos, andava agressivo e desobediente. Por indica\u00e7\u00e3o do psiquiatra do menino, os pais buscaram uma terapeuta de casal que exigiu que Jo\u00e3o tivesse pelo menos uma refei\u00e7\u00e3o ao dia em fam\u00edlia. \u201cNossa rela\u00e7\u00e3o se fortaleceu e ele se acalmou na hora da comida, que era de completa agita\u00e7\u00e3o. O comportamento dele mudou totalmente.\u201d<\/p>\n<p>Se est\u00e1 claro que na hora da refei\u00e7\u00e3o a televis\u00e3o e outros aparelhos devem ser proibidos, nos momentos de lazer \u00e9 quase imposs\u00edvel manter as crian\u00e7as longe das telas. A\u00ed fica\u00a0 praticamente imposs\u00edvel blindar seu filho das tenta\u00e7\u00f5es apresentadas nas propagandas. \u201cEstudos associam o h\u00e1bito de assistir \u00e0 TV a uma prefer\u00eancia pelos alimentos anunciados. A maioria dos industrializados \u00e9 mais cal\u00f3rica, o que leva a ingest\u00e3o energ\u00e9tica exagerada\u201d, alerta a nutricionista Patr\u00edcia Modesto, do Hospital Israelita Albert Einstein (SP). \u00c9 fundamental que os pais acompanhem o que os filhos veem na televis\u00e3o e na internet, aproveitando para explicar que itens industrializados n\u00e3o s\u00e3o saud\u00e1veis e, por isso, s\u00f3 est\u00e3o<br \/>\nliberados em algumas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\"><strong>Hora para comer<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<p>Parece mais do mesmo, mas a rotina tem papel fundamental no desenvolvimento das crian\u00e7as e n\u00e3o seria diferente com os h\u00e1bitos alimentares. \u00c9 preciso estabelecer hor\u00e1rios para as refei\u00e7\u00f5es, assim como \u00e9 feito com o banho, a li\u00e7\u00e3o e outras atividades. Dessa forma, seu filho consegue se organizar internamente, fica mais tranquilo e come de forma adequada.<\/p>\n<p>Claro que os hor\u00e1rios das refei\u00e7\u00f5es podem sofrer pequenas altera\u00e7\u00f5es, de acordo com a idade das crian\u00e7as e os h\u00e1bitos da fam\u00edlia. Mas, uma vez estabelecida, a rotina deve ser respeitada. \u201cSe o seu filho n\u00e3o est\u00e1 com fome no almo\u00e7o, por exemplo, n\u00e3o estimule a troca da refei\u00e7\u00e3o por alimentos de f\u00e1cil ingest\u00e3o, como sucos, bebidas l\u00e1cteas ou achocolatados. Fique tranquilo. Na hora em que ele estiver com fome, vai querer comer a refei\u00e7\u00e3o preparada\u201d, garante a nutricionista Patr\u00edcia. Ela aconselha a definir um card\u00e1pio balanceado para todas as refei\u00e7\u00f5es, assim como preparar o lanche escolar em casa, evitando que as crian\u00e7as comprem frituras e afins na cantina da escola.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, \u00e9 bem importante estabelecer quais alimentos podem ou n\u00e3o ser consumidos em casa e na rua, e quando. Durante a semana, o ideal \u00e9 evitar frituras, doces e refrigerantes. E, de novo, uma vez estabelecidas as regras, n\u00e3o deve haver exce\u00e7\u00f5es. Se necess\u00e1rio, combine com os educadores do seu filho. Nos fins de semana, as guloseimas podem ser liberadas, mas com modera\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o correr o risco de a crian\u00e7a querer compensar tudo que n\u00e3o comeu de segunda a sexta em dois dias.<\/p>\n<p>Como exemplo de rotina alimentar para as crian\u00e7as que j\u00e1 compartilham o card\u00e1pio com a fam\u00edlia, a nutricionista infantil Maria Em\u00edlia de Albuquerque, do Hospital Pequeno Pr\u00edncipe (PR), sugere um caf\u00e9 da manh\u00e3 ao acordar, um pequeno lanche duas horas depois, almo\u00e7o ap\u00f3s mais duas horas, outro lanche no meio da tarde, jantar e, dependendo do hor\u00e1rio em que for dormir, um lanche leve \u00e0 noite \u2013 sempre procurando manter os mesmos hor\u00e1rios.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\"><strong>Dieta para todos<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<p>De nada adianta caprichar no discurso e na rotina se os h\u00e1bitos alimentares da fam\u00edlia forem inadequados. Dizer que fazem mal, mas estocar \u2013 ou pior, comer em frente \u00e0s crian\u00e7as \u2013 bolachas, refrigerantes e outros produtos com calorias demais e nutrientes de menos \u00e9 uma cilada. Essa foi uma das dicas que a empres\u00e1ria Daniela Torres, 35 anos, recebeu<br \/>\nquando buscou uma nutricionista para ajud\u00e1-la com a filha Gabriela, 3 anos, que estava com sobrepeso. \u201cEla me convenceu de que a dieta come\u00e7a na compra de supermercado. Por isso, mudamos nossos h\u00e1bitos. Agora, tudo em casa \u00e9 integral e s\u00f3 tem \u00e1gua para beber. Nada de suco de caixinha, que tem muito a\u00e7\u00facar. No fim, ficou todo mundo mais saud\u00e1vel\u201d, conta Daniela, feliz da vida porque a filha perdeu um quilo em apenas 20 dias, o que \u00e9 significativo para a idade dela.<\/p>\n<p>Pais com h\u00e1bitos alimentares saud\u00e1veis tendem a criar filhos com o mesmo perfil. Afinal, o melhor jeito de educar qualquer crian\u00e7a \u00e9 pelo exemplo. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso um pouco de esfor\u00e7o para estimular os pequenos a experimentar novos sabores e aprender a gostar de verduras e legumes. A aposentada Carmen Malzone Carbone, 65, enfrentou certa resist\u00eancia dos netos, na \u00e9poca com 7 e 2 anos, quando passaram a se alimentar na casa dela. A solu\u00e7\u00e3o foi instituir o \u201cDia de Experimentar\u201d. \u201cFunciona assim: uma vez por semana, \u00e9 introduzido um item novo e h\u00e1 o compromisso de experiment\u00e1-lo. Discute-se, ent\u00e3o, se as crian\u00e7as gostaram ou n\u00e3o e por que, para poder alterar a receita e ajust\u00e1-la ao paladar. Hoje, tenho dois monstrinhos que devoram tudo. Na semana passada, inclusive, tivemos uma disputa acirrada pela pizza de br\u00f3colis\u201d, diverte-se a av\u00f3.<\/p>\n<p>Quanto antes a introdu\u00e7\u00e3o dos alimentos saud\u00e1veis come\u00e7ar, melhor. \u201c\u00c9 na inf\u00e2ncia que formamos nosso h\u00e1bito alimentar. Assim, os pais devem oferecer \u00e0 crian\u00e7a a maior variedade poss\u00edvel. Quando houver recusa, espere alguns dias e volte a apresentar o alimento de outra forma. Nesse processo, al\u00e9m do exemplo, pesa a determina\u00e7\u00e3o dos pais\u201d, destaca a nutricionista Patr\u00edcia Modesto.<\/p>\n<p>De determina\u00e7\u00e3o a arquiteta Helo\u00edsa Fernandes, 39, entende. Desde que o filho, Bruno, hoje com 7 anos, come\u00e7ou a comer papinhas, ela as cozinhava diariamente, sempre com sabores diferentes, sem congelar ou bater no liquidificador. \u201cD\u00e1 um trabalh\u00e3o, mas vale muito a pena mais tarde. Hoje, o Bruno come legumes e verduras todos os dias. Pede para levar minicenouras de lanche para a escola\u201d, conta, orgulhosa. E o menino ainda detesta refrigerante. Milagre? N\u00e3o, esfor\u00e7o. \u201cSempre demos suco a ele, nunca deixamos dar bicadinhas em refrigerantes quando pequeno. Tem pais que colocam na mamadeira! Agora, grandinho, o gosto do refrigerante n\u00e3o agrada. Ele diz que pinica a boca\u201d, comemora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos afazeres, pouco tempo e as crian\u00e7as a mil. 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