{"id":5789,"date":"2014-08-30T15:02:11","date_gmt":"2014-08-30T15:02:11","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=5789"},"modified":"2014-08-30T15:02:11","modified_gmt":"2014-08-30T15:02:11","slug":"entrevista-especial-com-mauricio-waldman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-especial-com-mauricio-waldman\/","title":{"rendered":"Entrevista especial com Maur\u00edcio Waldman"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"contentheading\">Decifrar o lixo, decifrar perspectivas<\/h2>\n<p><em>Por Patricia Fachin<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cO meio urbano se tornou a express\u00e3o mais pura da Civiliza\u00e7\u00e3o do Lixo\u201d, constata o ge\u00f3grafo. <\/strong><\/p>\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img style=\"margin: 10px; float: right;\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/so3.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: xx-small;\">Foto: Envolverde\u00a0<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">As evid\u00eancias demonstram que a quantidade de lixo gerada tem crescido consideravelmente nos \u00faltimos anos, mas quando se trata de quantificar os dados, \u201cas disparidades nos levantamentos estat\u00edsticos constituem controv\u00e9rsia end\u00eamica entre os especialistas em res\u00edduos\u201d, assinala Maur\u00edcio Waldman, autor de Lixo: Cen\u00e1rios e Desafios (Cortez Editora, 2010), em entrevista concedida por e-mail \u00e0 IHU On-Line.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa \u201cradiografia quantitativa\u201d a partir de estudos franceses, \u00e9 poss\u00edvel que os res\u00edduos urbanos globais oscilem entre 2,5 e 4 bilh\u00f5es de toneladas, com uma \u201cmargem de erro\u201d, conforme destaca o pesquisador, \u201cnote-se bem: uma margem de erro de \u2018apenas\u2019 1,9 bilh\u00e3o de toneladas de sobras\u201d. No Brasil, a conta gira em torno de \u201c78,4 milh\u00f5es de toneladas, uma massa de refugos consider\u00e1vel sob qualquer ponto de vida\u201d, pontua. E informa: \u201cA popula\u00e7\u00e3o brasileira aumentou 15,6% entre 1991 e 2000. Entretanto, neste mesmo per\u00edodo, o lixo domiciliar expandiu-se 49%, tr\u00eas vezes o \u00edndice demogr\u00e1fico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Doutor em Geografia e refer\u00eancia em pesquisas sobre a problem\u00e1tica do lixo no Brasil, Waldman est\u00e1 cursando o terceiro p\u00f3s-doutorado, estudando especialmente a reciclagem dos res\u00edduos s\u00f3lidos, e alerta para a amplia\u00e7\u00e3o acelerada de novas toneladas de lixo produzidas no Brasil. \u201cAs cidades brasileiras ampliaram os descartes no bi\u00eanio 2012-2013, de 201.058 toneladas de lixo por dia para 209.280 toneladas. Uma expans\u00e3o assombrosa de 4,1% em apenas doze meses! Uma calamidade se pensarmos as formas de gest\u00e3o de res\u00edduos em curso no pa\u00eds, a come\u00e7ar pelas 20 mil toneladas di\u00e1rias que sequer s\u00e3o coletadas, dos mais de 3.500 lix\u00f5es ativos e a continuidade do descaso com o trabalho dos catadores\u201d, menciona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Waldman<\/strong> chama a aten\u00e7\u00e3o para as propagandas em torno do <strong>\u201clixo zero\u201d<\/strong>, lembrando que \u201cn\u00e3o existe erradica\u00e7\u00e3o total do lixo\u201d, porque \u201ctoda atividade humana gera res\u00edduo, sendo que deste montante devemos excluir os rejeitos, sobras n\u00e3o pass\u00edveis de reaproveitamento\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img style=\"margin: 10px; float: right;\" src=\"http:\/\/oi59.tinypic.com\/2cpx54z.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: xx-small;\">Foto: enviada pelo entrevistado<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Maur\u00edcio Waldman \u00e9 doutor em Geografia, mestre em Antropologia e graduado em Sociologia pela Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 USP. Cursou p\u00f3s-doutorado em Geoci\u00eancias pela Universidade de Campinas &#8211; UNICAMP e em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela USP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Waldman iniciou em janeiro de 2014 seu 3\u00ba p\u00f3s- doutorado, pesquisa centrada na \u00e1rea do meio ambiente com foco na quest\u00e3o dos catadores, incinera\u00e7\u00e3o e reciclagem dos res\u00edduos s\u00f3lidos. A investiga\u00e7\u00e3o possui respaldo institucional da Universidade do Oeste Paulista &#8211; UNOESTE, de Presidente Prudente, e financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico &#8211; CNPq. Maur\u00edcio Waldman foi Chefe da Coleta Seletiva de Lixo da Capital paulista e Coordenador do Meio Ambiente em S\u00e3o Bernardo do Campo. Realizou duas tradu\u00e7\u00f5es de monta: El Ecologismo de los Pobres &#8211; Conflictos Ambientales y Lenguajes de Valoraci\u00f3n (de Joan Martinez Alier) e Fifty Major Philosophers (de Dian\u00e9 Collinson). Mais informa\u00e7\u00e3o no Portal Acad\u00eamico do Professor Maur\u00edcio Waldman: www.mw.pro.br.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Sabe-se que a gera\u00e7\u00e3o de lixo no Planeta tem crescido incessantemente. Existem dados a este respeito?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Sim e n\u00e3o. Retenha-se que as disparidades nos levantamentos estat\u00edsticos constituem controv\u00e9rsia end\u00eamica entre os especialistas em res\u00edduos.\u00a0Seguramente, tal assertiva poderia ser estendida \u00e0 totalidade dos prontu\u00e1rios cont\u00e1beis devotados ao tema. Citando um exemplo paradigm\u00e1tico, os res\u00edduos urbanos globais oscilariam numa radiografia quantitativa da lavra de especialistas franceses, entre 2,5 e 4 bilh\u00f5es de toneladas. Note-se bem: uma margem de erro de \u201capenas\u201d 1,9 bilh\u00e3o de toneladas de sobras. Assim sendo, \u00e9 obrigat\u00f3rio ressalvar que qualquer n\u00famero apresentado pode apresentar discrep\u00e2ncias de \u00edndole diversa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; \u00c9 poss\u00edvel estimar quantas toneladas de lixo s\u00e3o produzidas no Brasil anualmente?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> No caso brasileiro, para nos atermos aos \u00faltimos dados disponibilizados pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Empresas de Limpeza P\u00fablica e Res\u00edduos Especiais &#8211; ABRELPE, os refugos urbanos descartados pelos domic\u00edlios brasileiros durante o ano de 2013 girariam em torno de 78,4 milh\u00f5es de toneladas, uma massa de refugos consider\u00e1vel sob qualquer ponto de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 a principal tend\u00eancia da gera\u00e7\u00e3o de lixo no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> O que salta aos olhos \u00e9 a expans\u00e3o vertiginosa do lixo brasileiro. Levando-se em conta dados da ABRELPE e do Instituto Brasileiro de Administra\u00e7\u00e3o Municipal &#8211; IBAM, um recorte matricial \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o exponencial da eje\u00e7\u00e3o de lixos em todo o territ\u00f3rio nacional. Indo direto ao ponto, este fen\u00f4meno fica demonstrado quando observamos que a popula\u00e7\u00e3o brasileira aumentou 15,6% entre 1991 e 2000. Entretanto, neste mesmo per\u00edodo, o lixo domiciliar expandiu-se 49%, tr\u00eas vezes o \u00edndice demogr\u00e1fico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste particular, relat\u00f3rio t\u00e9cnico elaborado pela ABRELPE constata para 2009 um crescimento de 6,6% na gera\u00e7\u00e3o per capita de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos com rela\u00e7\u00e3o a 2008. Mas, para o mesmo ano, o crescimento populacional foi de somente 1%. Nos \u00faltimos dez anos, a popula\u00e7\u00e3o do Brasil expandiu 9,65%. Contudo, no mesmo dec\u00eanio a gera\u00e7\u00e3o de lixo cresceu mais do que o dobro este percentual, batendo a casa dos 21%. As cidades brasileiras ampliaram os descartes no bi\u00eanio 2012-2013, de 201.058 toneladas de lixo por dia para 209.280 toneladas. Uma expans\u00e3o assombrosa de 4,1% em apenas doze meses! Uma calamidade se pensarmos as formas de gest\u00e3o de res\u00edduos em curso no pa\u00eds, a come\u00e7ar pelas 20 mil toneladas di\u00e1rias que sequer s\u00e3o coletadas, dos mais de 3.500 lix\u00f5es ativos e a continuidade do descaso com o trabalho dos catadores.<\/p>\n<table style=\"width: 174px; height: 66px; margin: 15px;\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\"><img style=\"margin: 1px; vertical-align: bottom;\" src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/2duk1vp.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" \/><\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\">\u201cO Brasil figura entre os maiores geradores planet\u00e1rios de descartes\u201d<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Qual propor\u00e7\u00e3o desta tonelagem recebe destino adequado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Depende do que se entende por \u201cadequado\u201d. Certo \u00e9 que a Lei 12.305 (de 02-08-2010), instituindo o Plano Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos &#8211; PNRS, estabelece como destina\u00e7\u00f5es ambientalmente adequadas procedimentos como a reutiliza\u00e7\u00e3o, a reciclagem e a compostagem, um elenco de pr\u00e1ticas que desfrutam de consenso entre os especialistas. Por outro lado, admite o chamado \u201caproveitamento energ\u00e9tico do lixo\u201d \u2014 processos de incinera\u00e7\u00e3o Waste to Energy \u2014 e a disposi\u00e7\u00e3o final dos res\u00edduos em aterros sanit\u00e1rios como normas operacionais aceit\u00e1veis, inclusive do ponto de vista ambiental. Trata-se de uma posi\u00e7\u00e3o no m\u00ednimo question\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Por que os incineradores e os aterros seriam question\u00e1veis?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Assinale-se que do ponto de vista legal, o Senado suprimiu na \u00faltima hora em sess\u00e3o noturna o dispositivo que enquadrava a queima do lixo como op\u00e7\u00e3o apenas na eventualidade de outras medidas n\u00e3o serem vi\u00e1veis. Com base neste subterf\u00fagio, os senadores encaminharam sem demora o texto para san\u00e7\u00e3o da Presid\u00eancia, ent\u00e3o exercida por Lula. Isso ao arrepio das mobiliza\u00e7\u00f5es mundiais contr\u00e1rias \u00e0 expans\u00e3o dos incineradores, que em pa\u00edses como o Brasil tem como um dos pontos program\u00e1ticos mais fortes o apoio aos catadores urbanos. Quanto aos aterros, bastaria recordar as pesquisas de William Rathje, famoso antrop\u00f3logo estadunidense fundador da Garbology (Lixologia em portugu\u00eas), que os classifica como mausol\u00e9us de lixos, uma representa\u00e7\u00e3o emblem\u00e1tica da inc\u00faria ambiental da civiliza\u00e7\u00e3o moderna. Formando verdadeiras montanhas de detritos, os aterros sanit\u00e1rios configuram a etapa final da parte do le\u00e3o de muitos restos urbanos, impostados da condi\u00e7\u00e3o de parceiros de uma civiliza\u00e7\u00e3o que esgota sem piedade as reservas de insumos naturais, com isso catalisando os pr\u00e9-requisitos de sua pr\u00f3pria autoextin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, como julgar \u201cadequado\u201d um equipamento cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 enterrar materiais que, podendo ser compostados e recuperados, geram, pelo contr\u00e1rio, uma colet\u00e2nea de estorvos ambientais? Isso \u00e9 solu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; E no Brasil, o que est\u00e1 acontecendo com os materiais descartados nas lixeiras?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Para come\u00e7o de conversa \u2014 para focarmos as quest\u00f5es relacionadas \u00e0 massa dos itens descartados \u2014 \u00e9 importante sublinhar que o Brasil corresponde a 2,8% da popula\u00e7\u00e3o mundial e praticamente 3% do PIB global. Mas, por outro lado, seria origem de um montante estipulado entre 5,5% do total mundial dos res\u00edduos s\u00f3lidos. Isso para lembrarmos que a responsabilidade brasileira na gera\u00e7\u00e3o mundial de lixo \u00e9 inquestion\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora o fato escape \u00e0 percep\u00e7\u00e3o da maioria da popula\u00e7\u00e3o, o Brasil figura entre os maiores geradores planet\u00e1rios de descartes. Um segundo apontamento diria respeito \u00e0 modelagem das cifras pelas estat\u00edsticas, que em alguns contextos afetam uma exata compreens\u00e3o do problema. Recorde-se que os relat\u00f3rios da ABRELPE acusam a exist\u00eancia de \u201calguma iniciativa de coleta seletiva\u201d em 62% dos 5.570 munic\u00edpios brasileiros em 2013, concentradamente nas regi\u00f5es Sul (34%) e Sudeste (52%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; No que esta defini\u00e7\u00e3o seria problem\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman \u2013<\/strong> Ora, suponha que eu convide algu\u00e9m para almo\u00e7ar na minha casa e o convidado indague sobre o que iremos comer. Imagine se eu responder que vamos nos fartar com \u201calgum tipo de comida\u201d. Bem, \u201calgum tipo de alimento\u201d pode ser qualquer coisa: o que sobrou do jantar de ontem, p\u00e3o amanhecido, uma ma\u00e7\u00e3 devorada pela metade ou alguns peda\u00e7os de pizza. Na mesma l\u00f3gica \u201calguma iniciativa de coleta seletiva\u201d significa que uma cidade pode ter um ecoponto isolado na rodovi\u00e1ria ou uma \u201cilha recicladora\u201d em algum parque e, apesar desta precariedade, ser brindada com o status de disponibilizar servi\u00e7o de Coleta Seletiva de Lixo &#8211; CSL.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Mas a propor\u00e7\u00e3o dos materiais reciclados tem aumentado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> De um modo geral, sim. Mas, como sempre, muitos passos aqu\u00e9m do necess\u00e1rio. Em princ\u00edpio o Brasil tem marcado algumas boas posi\u00e7\u00f5es no ranking mundial da reciclagem. A recupera\u00e7\u00e3o da lata de alum\u00ednio atinge \u00edndices verdadeiramente ic\u00f4nicos, da ordem de 97,9%, imbat\u00edvel no mundo inteiro. Quatro outros materiais \u2014 latas de a\u00e7o, papel, pl\u00e1stico e embalagens longa vida \u2014 tamb\u00e9m apresentam porcentagens expressivas de reciclagem: 47%, 45,7%, 58,9% e 27%. Contudo, entenda-se que ocorre uma procura pelas sobras que auferem maior valor nas bolsas de recicl\u00e1veis. Dito de outro modo, s\u00e3o resgatados os res\u00edduos mais bem posicionados junto aos polos mais capitalizados da economia. Sem contar a irris\u00f3ria porcentagem da compostagem da fra\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do lixo \u2014 em torno de 2%, uma das mais baixas do mundo \u2014, ainda assim existem falhas gritantes atingindo ciclos produtivos que deveriam dispor de uma log\u00edstica mais azeitada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Em qual sentido?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Confira-se o caso da ind\u00fastria t\u00eaxtil. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, o Brasil est\u00e1 importando pl\u00e1stico PET do Paraguai para abastecer a linha de produ\u00e7\u00e3o de camisetas. Tamb\u00e9m compra no exterior restos de roupa para fazer estopa. Isso porque a capta\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio nacional \u00e9 insuficiente para atender a demanda das recicladoras. Damo-nos ao luxo de perder em torno de 50% do pl\u00e1stico PET nas sarjetas e desperdi\u00e7amos 90% dos restos t\u00eaxteis. Atentemos que o Brasil importou mais de 223 mil toneladas de res\u00edduos nos anos 2008-2009. Isso num pa\u00eds em que o lixo transborda por todos os lados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; A importa\u00e7\u00e3o de lixo evidencia problemas de gest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Sem d\u00favida alguma. Uma pondera\u00e7\u00e3o se imp\u00f5e: estamos dando solu\u00e7\u00e3o ao lixo dos outros e permitindo que nossos rios regurgitem garrafas pl\u00e1sticas e os aterros fiquem entupidos com retalhos das confec\u00e7\u00f5es. Esses s\u00e3o claros exemplos das falhas estruturais nos esquemas de intercepta\u00e7\u00e3o das sobras. Neste cen\u00e1rio \u00e9 dif\u00edcil ficar deslumbrado com apontamentos indicando crescimento de munic\u00edpios com CSL, divulgados pelo Compromisso Empresarial para a Reciclagem &#8211; CEMPRE. Na realidade, mesmo que o n\u00famero de municipalidades com programas de CSL tenha passado de 405 em 2008 para 766 no ano de 2012, a popula\u00e7\u00e3o brasileira atendida pela CSL passou de 26 para 27 milh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em s\u00edntese: um desempenho manifestadamente med\u00edocre. Para arrematar, a efici\u00eancia do servi\u00e7o p\u00fablico \u00e9, no geral, muito baixa. A porcentagem de rejeitos na composi\u00e7\u00e3o gravim\u00e9trica se mant\u00e9m elevada, principalmente pela aus\u00eancia de investimentos em educa\u00e7\u00e3o ambiental. A falta de profici\u00eancia t\u00e9cnica gera perdas indevidas de materiais coletados. As metr\u00f3poles brasileiras enterram fra\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel dos recicl\u00e1veis colocados pela popula\u00e7\u00e3o nos cont\u00eaineres das prefeituras. N\u00e3o fosse o trabalho digno e honrado dos catadores, tecnicamente n\u00e3o existiria reciclagem no Brasil.<\/p>\n<table style=\"width: 222px; height: 147px; margin: 15px;\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\"><img style=\"margin: 1px; vertical-align: bottom;\" src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/2duk1vp.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" \/><\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\">\u201cN\u00e3o fosse o trabalho digno e honrado dos catadores, tecnicamente n\u00e3o existiria reciclagem no Brasil\u201d<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Este panorama tem se alterado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Sim, mas do mesmo modo que a reciclagem como um todo. Qual seja: v\u00e1rios passos atr\u00e1s do que de fato a sociedade precisaria. Rubrique-se que, embora o PNRS reconhe\u00e7a o res\u00edduo s\u00f3lido reutiliz\u00e1vel e recicl\u00e1vel como bem econ\u00f4mico, dotado de valor social, gerador de trabalho, de renda e promotor de cidadania, a resist\u00eancia em firmar parcerias com entidades dos catadores \u00e9 manifesta. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica &#8211; IBGE, dentre os programas de CSL em curso nos munic\u00edpios brasileiros em 2008, apenas 43% destes envolviam a participa\u00e7\u00e3o de cooperativas de catadores. Mesmo assim, tais iniciativas oscilam enormemente quanto \u00e0 vontade pol\u00edtica das prefeituras em cal\u00e7\u00e1-las com apoio efetivo. Certificando esta \u00faltima postura, a nota oficial divulgada pelo Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicl\u00e1veis &#8211; MNCR, em 05-08-2010, \u00e9 lapidar. O MNCR alertou que somente 142 munic\u00edpios brasileiros (2,5% do total) mant\u00eam parceria com associa\u00e7\u00f5es e cooperativas de catadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Qual a origem desta aus\u00eancia de di\u00e1logo como os catadores?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Existe toda uma carga de estere\u00f3tipos que impregnam negativamente a percep\u00e7\u00e3o dos catadores junto a um segmento ponder\u00e1vel da opini\u00e3o p\u00fablica, particularmente devido \u00e0 pr\u00f3pria natureza da atividade destes trabalhadores, que manipulam materiais classificados pelo c\u00f3digo cultural dominante como lixo. Existem muitos relatos de inc\u00eandios criminosos de galp\u00f5es utilizados pelos catadores para a triagem dos recicl\u00e1veis, apreens\u00f5es ilegais de carro\u00e7as, diversos tipos de impedimentos \u00e0 cata\u00e7\u00e3o e atos de viol\u00eancia direta perpetrados com apoio de for\u00e7as policiais. Mant\u00e9m-se um relacionamento contradit\u00f3rio com os grupos de catadores: necess\u00e1rios por proverem poderosos grupos empresariais das cobi\u00e7adas sobras que sustentam suas linhas de produ\u00e7\u00e3o; rejeitados por for\u00e7a de estigmas culturais, raciais e sociais que se abatem contra a popula\u00e7\u00e3o pobre do pa\u00eds, agravados, no caso da popula\u00e7\u00e3o catadora, por singularidades que os tornam incompat\u00edveis com o padr\u00e3o sociocultural hegem\u00f4nico. Apenas a mobiliza\u00e7\u00e3o permanente da categoria, apoiada por organiza\u00e7\u00f5es religiosas e\/ou ambientalistas, tem garantido a manuten\u00e7\u00e3o das suas conquistas, a defesa dos seus direitos e o avan\u00e7o das suas reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Quais s\u00e3o as principais problem\u00e1ticas do lixo domiciliar no pa\u00eds? Quais s\u00e3o os resultados da sua pesquisa sobre o tema, considerando o per\u00edodo de 2006-2010?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Num prisma conceitual, a obra do ge\u00f3grafo Milton Santos, pontuando a import\u00e2ncia dos processos nas configura\u00e7\u00f5es materializadas no espa\u00e7o geogr\u00e1fico, nos proporciona um excelente marco te\u00f3rico. A c\u00e9lebre m\u00e1xima pela qual o espa\u00e7o resulta de uma acumula\u00e7\u00e3o desigual de tempos \u00e9 matricial para analisar os refugos e suas vari\u00e1veis junto \u00e0 realidade concreta e nas flex\u00f5es do imagin\u00e1rio social. Retenha-se que a express\u00e3o modernidade \u00e9 das que mais incorrem em afeta\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas. Portanto, n\u00e3o pode ser utilizada aleatoriamente. Citando Milton Santos uma vez mais, o ge\u00f3grafo advertia que a globaliza\u00e7\u00e3o se especifica diferentemente no espa\u00e7o mundial. Da\u00ed ser falho pressupor uma sociedade moderna abstrata. Coerentemente, numa forma\u00e7\u00e3o socioespacial como a brasileira, uma gest\u00e3o atendendo a princ\u00edpios quanto aos materiais descartados n\u00e3o pode copiar metodologias \u2014 modernas ou n\u00e3o, tanto faz \u2014 em vigor na Fran\u00e7a, M\u00e9xico, Noruega ou Egito. Conforme consta na Pesquisa de P\u00f3s-Doutorado pela UNICAMP e em Lixo: Cen\u00e1rios e Desafios, o que se tem no pa\u00eds s\u00e3o res\u00edduos s\u00f3lidos brasileiros, aos quais cabem solu\u00e7\u00f5es brasileiras. Neste quesito, medidas de incentivo e apoio aos catadores, desobriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria da reciclagem, programas de lixo-educa\u00e7\u00e3o, valoriza\u00e7\u00e3o de materiais aut\u00f3ctones, revis\u00e3o da matriz energ\u00e9tica e, inevitavelmente, a reforma do Estado, s\u00e3o todas urgentes, indispens\u00e1veis. Este \u00e9 o debate central e fundamental. Mas ignorado quando se trata de esclarecer a quest\u00e3o te\u00f3rica do lixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 o impacto do lixo nas cidades? Quais os principais entraves gerados por conta da destina\u00e7\u00e3o incorreta do lixo? E os impactos em cidades brasileiras?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Esta quest\u00e3o pode ser colocada em m\u00e3o dupla: os impactos do lixo nas cidades e os que ocorrem a partir das cidades. O meio urbano se tornou, desde o s\u00e9culo XIX, o epicentro da civiliza\u00e7\u00e3o moderna, eixo de um estilo de vida cada vez mais identificado com o consumismo e a utiliza\u00e7\u00e3o perdul\u00e1ria dos insumos naturais. Para comprovar esta coloca\u00e7\u00e3o basta situar o c\u00e1lculo de que as 29 mais glamorosas metr\u00f3poles europeias, visando manter em funcionamento sua engenharia urbana, arrebanham recursos de territ\u00f3rios 1.130 vezes mais extensos do que a \u00e1rea que ocupam. Outra colet\u00e2nea de dados sobre o apetite urbano por insumos \u00e9 a informa\u00e7\u00e3o de que as cidades ocupam 6% da superf\u00edcie terrestre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, reclamam para si 60% das \u00e1guas doces e 75% dos recursos naturais planet\u00e1rios. Na \u00f3tica do relacionamento com o ambiente, a titularidade do meio urbano \u00e9 inquestion\u00e1vel: as metr\u00f3poles mant\u00eam o conjunto da biosfera sob seu tac\u00e3o, submetida na condi\u00e7\u00e3o de ref\u00e9m das expectativas, desejos e vontades citadinas. Assim sendo, pressionadas por demandas crescentes e correndo o risco de serem asfixiadas sob o ac\u00famulo de dejetos gerados por elas mesmas, as cidades promovem impactos que se estendem numa escala extremamente vasta do espa\u00e7o-tempo. Em suma: o meio urbano se tornou a express\u00e3o mais pura da Civiliza\u00e7\u00e3o do Lixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; No que isso implica?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Significa que, a partir desta linha de abordagem, n\u00e3o vem muito ao caso a magnitude da cidade. Tampouco sua inser\u00e7\u00e3o numa l\u00f3gica mais tecnificada ou menos tecnificada. O conjunto das cidades est\u00e1 impactado pelos descartes que produzem e pari passu est\u00e3o impactando o ambiente numa escala sem precedentes. N\u00e3o importam as dist\u00e2ncias nem as especificidades. \u00c9 neste seguimento que, para exemplificar, na regi\u00e3o do Oeste Paulista \u2014 onde atualmente desenvolvo minha terceira investiga\u00e7\u00e3o de p\u00f3s-doutorado \u2014, informa\u00e7\u00f5es coligidas pelo N\u00facleo de Estudos Ambientais e Geoprocessamento &#8211; NEAGEO, da Universidade do Oeste Paulista &#8211; UNOESTE, radiografaram 22 aterros ativos. Existem pistas de que \u00e9 um para cada munic\u00edpio. O \u00fanico aterro sanit\u00e1rio em opera\u00e7\u00e3o \u2014 situado em Presidente Venceslau \u2014 \u00e9 prova cabal da fal\u00e1cia em imaginar que esta modalidade seja solu\u00e7\u00e3o para a destina\u00e7\u00e3o final dos res\u00edduos. Apesar das boas notas da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental &#8211; CETESB, \u00f3rg\u00e3o do governo paulista, o aterro, ao menos at\u00e9 recentemente, era frequentado por popula\u00e7\u00e3o do lixo, n\u00e3o tratava o chorume e fazia vista grossa para a libera\u00e7\u00e3o de g\u00e1s metano na atmosfera. Isso ocorre numa regi\u00e3o onde os horizontes texturais admitem ampla capilaridade para infiltra\u00e7\u00e3o, em especial pela configura\u00e7\u00e3o pedol\u00f3gica, caracterizada por rochas sedimentares com por\u00e7\u00f5es de areia e argila. Pelo fato de todo o Oeste Paulista apresentar solos arenosos e nesta senda, com maior capacidade de percola\u00e7\u00e3o do chorume em face do meio poroso, \u00e9 poss\u00edvel concluir que os majestosos recursos h\u00eddricos da regi\u00e3o estejam em franca destrui\u00e7\u00e3o. Uma trag\u00e9dia dentre muitas com foco nos refugos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Neste eixo de an\u00e1lises, qual seria a rela\u00e7\u00e3o entre lixo e economia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Este \u00e9 um verdadeiro n\u00f3 g\u00f3rdio da economia moderna, comentado mais recentemente pelo economista ecol\u00f3gico catal\u00e3o Joan Martinez Alier. Por\u00e9m, consiste num tema antecipado pelo genial fil\u00f3sofo franc\u00eas Abraham Moles. Na avalia\u00e7\u00e3o desse pensador, o dinamismo do mercado implica a indu\u00e7\u00e3o do descarte cont\u00ednuo dos bens, ejetados por um carrossel do consumo. No seu entrosamento mais literal, sua argumenta\u00e7\u00e3o sinaliza que vivemos numa civiliza\u00e7\u00e3o consumidora que produz para consumir e cria para produzir, um ciclo onde a no\u00e7\u00e3o fundamental \u00e9 a de acelera\u00e7\u00e3o. Numa \u00fanica palavra, vivemos numa Civiliza\u00e7\u00e3o do Lixo. Em termos do sistema de produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, \u00e9 importante notar que a fun\u00e7\u00e3o deste modelo \u00e9 impulsionar os ciclos de reprodu\u00e7\u00e3o do capital. Quanto mais r\u00e1pida as mercadorias forem substitu\u00eddas, tanto mais encorpado ser\u00e1 o giro do dinheiro. Quanto mais lixo, mais giro de capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Quais seriam os dilemas em torno da gest\u00e3o do lixo, tendo em vista as posi\u00e7\u00f5es defendidas pelos catadores, empres\u00e1rios, defensores do processo de reciclagem e do processo de incinera\u00e7\u00e3o do lixo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Os dilemas resultam das contradi\u00e7\u00f5es que grassam em meio \u00e0 materialidade social, refletida nas propostas defendidas pelos diferentes atores que disputam os res\u00edduos. \u00c9 ineg\u00e1vel a exist\u00eancia de um rol de problem\u00e1ticas declinando em antagonismos e crispa\u00e7\u00f5es no campo empresarial, colocando setores do empresariado uns contra os outros, embates que afetam diretamente o avan\u00e7o de pol\u00edticas p\u00fablicas de apoio aos catadores e de conserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Como ocorrem estes atritos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Pontuando melhor a afirma\u00e7\u00e3o, para as recicladoras os res\u00edduos constituem mat\u00e9ria-prima. Contudo, para muitas empresas do segmento fabril, a reciclagem funciona apenas como uma possibilidade de minimizar custos de produ\u00e7\u00e3o. Simultaneamente, para os setores envolvidos no esquema Waste to Energy, os rejeitos configuram meramente um combust\u00edvel, uma sucata energ\u00e9tica e n\u00e3o algo reaproveit\u00e1vel. Ou seja: o lixo n\u00e3o constitui insumo para o processo produtivo em si e tampouco \u00e9 percebido como fator para a minimiza\u00e7\u00e3o de custos. Por sua vez, para os grupos empenhados com o gerenciamento dos aterros e coleta dos rejeitos, o que interessa \u00e9 a quantidade de refugos dom\u00e9sticos dispon\u00edveis para serem coletados. Ignoram, portanto, a reciclabilidade dos materiais e a recupera\u00e7\u00e3o da energia. Fechando o c\u00edrculo, aspectos econ\u00f4micos envolvidos na atividade n\u00e3o s\u00e3o vistos na mesma perspectiva pelos catadores \u201cavulsos\u201d ou pelas cooperativas. Existem tamb\u00e9m contraposi\u00e7\u00f5es entre os que lidam com o com\u00e9rcio de sucatas, entre os que as adquirem e os que retiram estes materiais das ruas, isto \u00e9, os catadores.<\/p>\n<table style=\"width: 192px; height: 110px; margin: 15px;\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\"><img style=\"margin: 1px; vertical-align: bottom;\" src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/2duk1vp.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" \/><\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\">\u201cO que se tem no pa\u00eds s\u00e3o res\u00edduos s\u00f3lidos brasileiros, aos quais cabem solu\u00e7\u00f5es brasileiras\u201d<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Neste fogo cruzado, como fica a gest\u00e3o p\u00fablica?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Percebem-se neste imbr\u00f3glio discord\u00e2ncias entre os gestores p\u00fablicos e a plataforma defendida pelos catadores, discrep\u00e2ncias dos prefeitos frente \u00e0s propostas das empresas que atuam com o lixo e todo um leque de contraposi\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas no seio das pr\u00f3prias administra\u00e7\u00f5es. Particularmente, \u00e9 obrigat\u00f3rio destacar a perpetua\u00e7\u00e3o de modelos ultrapassados de gest\u00e3o, solenemente ignorando a reciclagem enquanto pol\u00edtica p\u00fablica efetiva e, quando muito, voltados para despachar os restos para um aterro sanit\u00e1rio qualquer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Por que, mesmo com a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos, os munic\u00edpios encontram dificuldades em acabar com os lix\u00f5es, considerando que n\u00e3o conseguiram cumprir a meta de erradicar os lix\u00f5es at\u00e9 agosto?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Antes de qualquer pontua\u00e7\u00e3o, seria absolutamente fundamental recordar que a caprichosa forma como a pol\u00edtica \u00e9 gerida no pa\u00eds n\u00e3o garante que a aprova\u00e7\u00e3o de uma lei pressuponha for\u00e7a normativa. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa \u2014 confirmando a leni\u00eancia observada no cumprimento das normas legais \u2014 que o linguajar popular brasileiro predica que as leis possam \u201cpegar\u201d ou \u201cn\u00e3o pegar\u201d. Nesta linha de argui\u00e7\u00e3o, ter\u00edamos igualmente \u201cn\u00e3o-leis que pegam\u201d. Este \u00e9 o caso bastante conhecido da \u201clegisla\u00e7\u00e3o\u201d autogerida pelos condom\u00ednios impondo o uso do elevador de servi\u00e7o para pobres, pessoas malvestidas, negros, mesti\u00e7os e outros \u201cindesej\u00e1veis\u201d. Este \u201cc\u00f3digo legal\u201d apenas deixou de vigorar com a promulga\u00e7\u00e3o de lei oficial proibindo essa pr\u00e1tica discriminat\u00f3ria e pela press\u00e3o social, particularmente a movida pelo movimento negro. E para al\u00e9m da condicionalidade, existem tamb\u00e9m embara\u00e7os quanto \u00e0 consecu\u00e7\u00e3o das legisla\u00e7\u00f5es, sujeitas em ser erodidas pelo mandonismo local, pelos interesses das grandes corpora\u00e7\u00f5es, pelo arb\u00edtrio dos poderes governamentais e por intrus\u00f5es pol\u00edticas de todo o tipo. Nessa perspectiva, a cobertura legal assentada nas legisla\u00e7\u00f5es torna-se letra morta ou \u00e9 acometida de achaques constantes, visando inviabiliz\u00e1-las ou pavimentar seu desmanche.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Quais os impasses na aplica\u00e7\u00e3o da Lei 12.305?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> O que estamos observando condiz em tudo com o que acabei de colocar. Os fatos est\u00e3o a\u00ed \u00e0 vista de todos. Creio que n\u00e3o houve qualquer voluntarismo na forma como se esbo\u00e7ou a legisla\u00e7\u00e3o. O simples fato de ter circulado duas d\u00e9cadas pelos corredores do poder comprova a for\u00e7a dos interesses que pretendem sufocar qualquer normatiza\u00e7\u00e3o relacionada aos res\u00edduos no pa\u00eds. Mais ainda, a persist\u00eancia dos segmentos de opini\u00e3o que percebem a gravidade da problem\u00e1tica do lixo. Contudo, o modo que marcou a atua\u00e7\u00e3o dos atores institucionais favor\u00e1veis \u00e0 Lei est\u00e1 diretamente relacionado com as obstru\u00e7\u00f5es que t\u00eam perpassado pela sua aplica\u00e7\u00e3o. Isto pela simples raz\u00e3o de que os impasses jamais poderiam ser imputados exclusivamente aos advers\u00e1rios da Lei. Cabe aqui um papel importante \u00e0 cr\u00edtica pol\u00edtica, dirigida em especial aos que, transitando por espa\u00e7os institucionais, imaginaram que o exerc\u00edcio do senso p\u00fablico possa ser sumarizado por discursos pirot\u00e9cnicos. E pior, que lan\u00e7ar m\u00e3o de rompantes &#8211; tipo Esta Lei j\u00e1 pegou &#8211; seja por si s\u00f3 suficiente, desmentidos, ali\u00e1s, pelo frigir dos acontecimentos. Transparece, pois, numa dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 arrog\u00e2ncia destes c\u00edrculos e de assessorias anexas, que a pr\u00e1tica se mant\u00e9m como crit\u00e9rio central da verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Como o senhor v\u00ea as propostas em torno da produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s a partir do uso de res\u00edduos s\u00f3lidos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Esta proposta \u00e9 bastante atraente, mas cabem corre\u00e7\u00f5es e reparos. Acredito que antes de pautarmos pol\u00edticas para aproveitar o metano dos aterros, precisamos retroagir nos processos e radiografarmos o problema na origem. Nesta averba\u00e7\u00e3o se imp\u00f5e o imperativo em reciclar nos pr\u00f3prios lares os restos culin\u00e1rios. A saber: no geral a reciclagem da fra\u00e7\u00e3o \u00famida ou org\u00e2nica do lixo domiciliar recebe pouqu\u00edssima aten\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os, das autoridades e dos especialistas. Seria c\u00f4mico se n\u00e3o fosse s\u00e9rio consignar que, mesmo na literatura t\u00e9cnica e nos planos de gest\u00e3o do lixo em todos os n\u00edveis administrativos, sequer se destaca que os org\u00e2nicos podem ser reciclados. Nesta vertente, temos imensa potencialidade colocada pelos refugos org\u00e2nicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Como isso poderia ser feito?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> \u00c9 perfeitamente poss\u00edvel compost\u00e1-los nas resid\u00eancias. \u00c9 o que comprova a not\u00e1vel iniciativa de entidades como Morada na Floresta, atuante na capital paulista, que tem divulgado e estimulado o uso residencial de minhoc\u00e1rios. Reciclar res\u00edduos org\u00e2nicos em casa permanece como pr\u00e1tica essencial para solucionar o problema do lixo urbano. Entenda-se que no pa\u00eds as sobras de cozinha constituem fra\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria dos descartes residenciais. Normalmente 60% do total. Mesmo os res\u00edduos municipais da cidade de S\u00e3o Paulo \u2014 a mais cosmopolita das metr\u00f3poles brasileiras \u2014 perfazem 51% de org\u00e2nicos da sua composi\u00e7\u00e3o. Tais emolumentos estat\u00edsticos falam por si mesmos. Implantando-se a compostagem residencial, mais da metade do lixo simplesmente desaparece, se tornando um recompositor de solo da melhor qualidade. Deste modo, transformamos um problema em solu\u00e7\u00e3o a beneficiar o conjunto da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Existem experi\u00eancias realizadas nesta dire\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman \u2013<\/strong> Sim, claro. S\u00e3o muitas as experi\u00eancias significativas de pa\u00edses europeus, sempre a partir da segrega\u00e7\u00e3o na fonte. Hoje em dia, menos de 3% dos res\u00edduos org\u00e2nicos do lixo domiciliar da \u00c1ustria \u00e9 encaminhado para os aterros. Na Alemanha e nos Pa\u00edses Baixos mais de 80% da popula\u00e7\u00e3o colabora com a coleta seletiva de org\u00e2nicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aproximadamente 33% dos belgas composta o lixo culin\u00e1rio. Complementando, seria oportuno registrar a possibilidade de gera\u00e7\u00e3o de metano nas resid\u00eancias, poupando o contribuinte dos caros e nem sempre eficientes equipamentos geridos pelo Estado. Para comprovar, existe o sucesso dos planos chineses de gera\u00e7\u00e3o de metano no \u00e2mbito dom\u00e9stico. Em 2004, 15 mih\u00f5es de domic\u00edlios chineses utilizavam biog\u00e1s alimentado pelo pr\u00f3prio n\u00facleo residencial. Esse n\u00famero cresceu para 27 milh\u00f5es de lares em 2010. No dec\u00eanio 2003-2013, foram constru\u00eddos 41,7 milh\u00f5es de biodigestores de pequena escala no meio rural da China. Gestores p\u00fablicos dos EUA, Canad\u00e1 e de muitos pa\u00edses europeus t\u00eam demonstrado simpatia pelo biog\u00e1s residencial, basicamente por solucionar na raiz dois graves problemas: a destina\u00e7\u00e3o final do lixo e a produ\u00e7\u00e3o de energia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Neste contexto, qual seria a melhor maneira de erradicar o lixo produzido ou reaproveit\u00e1-lo de algum modo, considerando o contexto brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Certifique-se de que n\u00e3o existe erradica\u00e7\u00e3o total do lixo. O chamado Zero Waste pode at\u00e9 encantar os ouvidos. Contudo, deve ser avaliado com base em dados objetivos. Objetivamente Lixo M\u00ednimo soaria mais correto. Assinale-se que toda atividade humana gera res\u00edduo, sendo que deste montante devemos excluir os rejeitos, sobras n\u00e3o pass\u00edveis de reaproveitamento. Claro que existe um avan\u00e7o cont\u00ednuo do aparato tecnol\u00f3gico abrindo brechas para o ingresso de materiais dantes descartados nos circuitos da recupera\u00e7\u00e3o. A caixinha longa vida e o isopor comprovam este racioc\u00ednio. N\u00e3o eram recicl\u00e1veis, mas passaram a ser. Todavia, tal como registrado em Lixo: Cen\u00e1rios e Desafios, a quest\u00e3o mais profunda que o lixo nos coloca \u00e9 a quest\u00e3o do estilo de vida, dos padr\u00f5es de consumo, das perspectivas imagin\u00e1rias que modelam o comportamento da maioria das pessoas. No Brasil como em qualquer parte do mundo, o que a Era do Lixo est\u00e1 expondo de modo radical \u00e9 a impossibilidade de mantermos o modus vivendi e o modus operandi que lastreou o surgimento e a difus\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. Ao menos da forma como se tornou conhecida. Hoje, nos deparamos com uma vers\u00e3o contempor\u00e2nea do enigma filosoficamente colocado pela Esfinge pela mitologia da Gr\u00e9cia antiga. \u00c9 como se o lixo estivesse nos dizendo: Decifra-me ou devoro-te.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Ent\u00e3o na sua avalia\u00e7\u00e3o o mundo j\u00e1 chegou numa situa\u00e7\u00e3o limite em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quantidade de lixo produzido e \u00e0s possibilidades de dar um destino adequado a ele, ou o desenvolvimento de tecnologias dar\u00e1 conta de solucionar esse problema?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Seria uma vez mais merit\u00f3rio advertir que os lixos j\u00e1 assumiram os contornos de uma calamidade civilizat\u00f3ria. Em termos mundiais, apenas a massa de lixo municipal coletado, estimada em 1,2 bilh\u00e3o de toneladas, supera nos dias de hoje a produ\u00e7\u00e3o global de a\u00e7o, or\u00e7ada em 1 bilh\u00e3o de toneladas. Por sua vez, as cidades, estacas geogr\u00e1ficas da Modernidade, ejetam 2 bilh\u00f5es de toneladas de refugos, superando no m\u00ednimo em 20% a produ\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria de cereais. Os n\u00fameros falam por si mesmos. Hoje, o mundo est\u00e1 mais voltado para gerar refugo do que produzir carboidrato b\u00e1sico. Neste quadro marcado por uma profunda invers\u00e3o de valores, n\u00e3o creio que mais tecnologia seja a solu\u00e7\u00e3o. Por sinal, a <strong>crise do lixo<\/strong> que presenciamos resultou exatamente da imposi\u00e7\u00e3o radical de gradientes t\u00e9cnicos no ambiente de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Qual seria a solu\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maur\u00edcio Waldman &#8211;<\/strong> Caso o problema seja t\u00e9cnico, precisamos ent\u00e3o rever o que entendemos por t\u00e9cnica. Entre os antigos gregos, a no\u00e7\u00e3o de tekhne \u2014 origem das palavras t\u00e9cnica e tecnologia \u2014 estava impregnada de no\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas, incluindo a beleza e o bem-estar das popula\u00e7\u00f5es. \u00c9 exatamente disto que precisamos: repensar padr\u00f5es, rever prioridades, reconsiderar a\u00e7\u00f5es e procedimentos. Precisamos acima de tudo de mais Humanidade, mais respeito ao meio ambiente e \u00e0s futuras gera\u00e7\u00f5es. Debate este em cujo seio o Lixo desponta como uma preocupa\u00e7\u00e3o essencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: IHU On-Line<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Decifrar o lixo, decifrar perspectivas Por Patricia Fachin \u201cO meio urbano se tornou a express\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Decifrar o lixo, decifrar perspectivas Por Patricia Fachin \u201cO meio urbano se tornou a express\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5789"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5789"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5789\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}