{"id":57717,"date":"2017-01-13T22:59:18","date_gmt":"2017-01-14T01:59:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=57717"},"modified":"2017-01-13T22:59:18","modified_gmt":"2017-01-14T01:59:18","slug":"plastico-como-seria-bom-voltar-no-tempo-e-desinventa-lo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/plastico-como-seria-bom-voltar-no-tempo-e-desinventa-lo\/","title":{"rendered":"Pl\u00e1stico, como seria bom voltar no tempo e desinvent\u00e1-lo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-51153 \" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/plastic-bottles-388679_1280-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/plastic-bottles-388679_1280-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/plastic-bottles-388679_1280-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/plastic-bottles-388679_1280-600x400.jpg 600w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/plastic-bottles-388679_1280-278x185.jpg 278w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/plastic-bottles-388679_1280.jpg 1152w\" alt=\"plastic-bottles-388679_1280\" width=\"638\" height=\"425\" \/><\/p>\n<p>O pl\u00e1stico tem causado danos terr\u00edveis ao meio ambiente e \u00e0 sa\u00fade humana. Em menos de 100 anos, quando iniciou-se seu uso em larga escala, o estrago tem sido avassalador e crescente. A vontade nesse, e em outros tantos exemplos danosos causados pela humanidade, \u00e9 rebobinar o filme da hist\u00f3ria, at\u00e9 que se voltasse ao momento da inven\u00e7\u00e3o do pl\u00e1stico em 1907, feita por Leo Beekeland, para que pud\u00e9ssemos alterar o destino. Imagino que nem ele e nem os cientistas que anos depois trabalharam no aprimoramento do pl\u00e1stico, o ganhador do Pr\u00eamio Nobel, <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hermann_Staudinger\">Hermann Staudinger<\/a>, conhecido como o \u201cpai da qu\u00edmica dos pol\u00edmeros\u201d, e <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Herman_Francis_Mark\">Herman Mark<\/a>, chamado de \u201cpai da f\u00edsica dos pol\u00edmeros\u201d, imaginavam o estrago que causariam ao planeta com suas inven\u00e7\u00f5es. Na verdade, a culpa n\u00e3o \u00e9 do pl\u00e1stico em si e nem de seus inventores, mas da irresponsabilidade dos que o usam em larga escala, j\u00e1 que hoje \u00e9 vasta a evid\u00eancia dos seus efeitos nefastos.<\/p>\n<p>O pl\u00e1stico passou a ser utilizado em maior escala durante a segunda guerra mundial por conta da escassez de materiais comuns \u00e0 \u00e9poca como metais e vidros. Em menos de 100 anos o pl\u00e1stico transformou o mundo e, infelizmente, na maioria dos casos n\u00e3o para melhor! O fato \u00e9 que hoje estamos t\u00e3o acostumados a facilidades que os utens\u00edlios pl\u00e1sticos nos propiciam, que nem imaginamos a vida sem ele. Em muitas situa\u00e7\u00f5es ajudou e ajuda a resolver problemas s\u00e9rios para a humanidade, mas na maioria dos casos seu uso \u00e9 totalmente irrespons\u00e1vel pela falta de perspectivas de solucionar seus efeitos.<\/p>\n<p>Por que resolvi escrever sobre isso? As not\u00edcias sobre danos causados por pl\u00e1sticos \u00e0 fauna e ao ambiente se sucedem pelas redes sociais e outros meios de comunica\u00e7\u00e3o. S\u00e3o baleias, golfinhos, peixes, tartarugas, arraias que morrem ao ingerir pl\u00e1sticos ou por se atrelarem a dejetos encontrados nos oceanos. Este \u00e9 o resultado do ac\u00famulo de lixo desproporcional jogado nos mares. Um <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NatGeoOcean\/videos\/10153677542575378\/\">filme da National Geographic Ocean<\/a> afirma que s\u00e3o 8 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de pl\u00e1stico por ano jogados nos oceanos, o que equivale a cinco sacolas pl\u00e1sticas por cada metro e meio de toda a extens\u00e3o da costa marinha do mundo. A entrevistada, Ellen MacArthur, sugere uma total mudan\u00e7a nos par\u00e2metros de produ\u00e7\u00e3o para que o pl\u00e1stico nunca se torne lixo. Para tal, \u00e9 necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a radical em todos os segmentos do processo produtivo, com o envolvimento dos principais <i>players <\/i>do cen\u00e1rio. Mas, o importante \u00e9 que ela acredita ser poss\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Por toda a parte<\/strong><\/p>\n<p>O lixo nos oceanos est\u00e1 espalhado por toda parte, mas, devido a correntes marinhas, se aglutinou em duas por\u00e7\u00f5es, ambas no Oceano Pac\u00edfico e cada uma delas do tamanho dos Estados Unidos. J\u00e1 que o pl\u00e1stico praticamente n\u00e3o se decomp\u00f5e, acaba predominando nos cen\u00e1rios dos dejetos. Um ter\u00e7o do lixo dom\u00e9stico \u00e9 composto por embalagens e 80% delas \u00e9 jogado fora depois de apenas um uso. <a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/responsabilidade-socioambiental\/producao-e-consumo-sustentavel\/consumo-consciente-de-embalagem\/impacto-das-embalagens-no-meio-ambiente\">S\u00e3o 25 mil toneladas de embalagens por dia s\u00f3 no Brasil<\/a>, o que equivale a 2.000 caminh\u00f5es de lixo enfileirados numa extens\u00e3o de 20 quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>O pl\u00e1stico descartado causa problemas graves. Mesmo sendo ultrapassados e at\u00e9 proibidos por lei, os lix\u00f5es ainda est\u00e3o presentes em 40% dos 5.570 munic\u00edpios brasileiros. O\u00a0pl\u00e1stico causa a morte de animais que comem restos de alimentos ainda dentro de embalagens. Isso ocorre mesmo fora dos lix\u00f5es. Filmes passados em locais de turismo na \u00c1frica mostram animais comendo nos lixos deixados pela atividade tur\u00edstica em parques nacionais.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, segundo dados da <a href=\"http:\/\/www.plasticpollutioncoalition.org\/\">Plastic Pollution Coalition<\/a>, o consumo \u00e9 de quase 88 mil toneladas de pl\u00e1stico por dia. Como o pl\u00e1stico vem do petr\u00f3leo, apenas para produzir garrafas de \u00e1gua, s\u00e3o usados 17 milh\u00f5es de barris de \u00f3leo por ano, e esta \u00e9 a conta somente dos EUA. Essa quantidade de \u00f3leo seria o suficiente para fornecer combust\u00edvel para um milh\u00e3o de carros por ano. Segundo a Plastic Pollution Coalition, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9znvqIkIM-A\">h\u00e1 seis vezes mais peda\u00e7os de pl\u00e1stico nos oceanos do que vida marinha<\/a>. Pl\u00e1stico comp\u00f5e 90% do lixo mar\u00edtimo e estima-se que h\u00e1 46 mil peda\u00e7os de pl\u00e1stico para cada milha quadrada do oceano.<\/p>\n<p>No Brasil, s\u00f3 <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=xwKvDLKGJXo\">20% do pl\u00e1stico \u00e9 reciclado<\/a>. N\u00e3o \u00e9 apenas falta de vontade, mas de tecnologias adequadas que aproveitem os diferentes pl\u00e1sticos existentes e at\u00e9 a necessidade de se melhorar detalhes no design dos produtos descartados, para facilitar sua reciclagem. No cen\u00e1rio atual, grande parte do que consumimos acaba em locais inadequados como lix\u00f5es, aterros e em cursos d\u2019\u00e1gua que levam aos mares. S\u00e3o muitos os rios gravemente contaminados por garrafas PET e outras embalagens, a exemplo do Rio Negro que banha Manaus. Em alguns trechos, a \u00e1gua nem \u00e9 vis\u00edvel devido ao ac\u00famulo de embalagens pl\u00e1sticas que flutuam na mesma \u00e1gua que \u00e9 consumida pela popula\u00e7\u00e3o local. Manaus tem abund\u00e2ncia de \u00e1gua, mas de baixa qualidade.<\/p>\n<p><strong>Riscos\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Em termos da sa\u00fade humana, dados mostram que o pl\u00e1stico causa toda sorte de enfermidades. H\u00e1 elementos qu\u00edmicos no pl\u00e1stico (como o <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Bisfenol_A\">BPA<\/a>) que, quando absorvidos pelo corpo humano, provocam danos ao sistema hormonal e end\u00f3crino, o que resulta em riscos card\u00edacos, c\u00e2ncer do c\u00e9rebro, mama e pr\u00f3stata, doen\u00e7as sexuais, puberdade precoce, infertilidade, diabetes e obesidade, entre outros males. E o que \u00e9 pior, muito do que comemos vem embalado em pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00e3o sobre o assunto existe em abund\u00e2ncia e est\u00e1 dispon\u00edvel para quem quiser. Todos deveriam mergulhar na busca de substitutos para o pl\u00e1stico, do fabricante ao consumidor. Deveria haver investimento em tecnologias que permitam a reciclabilidade do que \u00e9 fabricado, trazendo viabilidade econ\u00f4mica e solu\u00e7\u00f5es menos danosas ao ambiente e a nossa sa\u00fade.<\/p>\n<p>S\u00e3o variadas as iniciativas de tentar minimizar os efeitos do desperd\u00edcio. Mas, por mais louv\u00e1veis, ainda s\u00e3o insignificantes diante do volume e da grandeza do problema que a pr\u00f3pria humanidade criou. Recentemente, a Nike lan\u00e7ou um t\u00eanis fabricado com pl\u00e1stico reciclado advindo dos mares e outra <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NowThisNews\/videos\/1230252157064906\/\">iniciativa de cal\u00e7ados feita com PET<\/a> tamb\u00e9m tem sido divulgada nas redes sociais. Outros exemplos de reutiliza\u00e7\u00e3o vem de pastilhas para recobrir paredes e at\u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de casas feitas com garrafas PET. Lindas iniciativas que merecem nossos aplausos. Dois surfistas inventaram um <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CollectiveEvolutionPage\/videos\/10153840711338908\/\">balde que suga lixo<\/a> e \u00e9 de f\u00e1cil retirada, com intuito de limpar o mar que tanto amam. Outro caso \u00e9 do jovem escoc\u00eas,<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ROW9F-c0kIQ\"> Boyant Slat (TED-X Boyant Slat)<\/a>, que criou um sistema de retirar lixo dos oceanos que ele garante que al\u00e9m de funcional seria lucrativo. O processo criado por Boyant baseia-se nas correntes marinhas e, por isso, as telas s\u00e3o colocadas de maneira a aproveitar o movimento das \u00e1guas para coletar o pl\u00e1stico que circula.<\/p>\n<p>Mas, para qualquer dessas iniciativas, fica a pergunta: para onde ir\u00e1 o lixo coletado? Se voltar para os oceanos todo trabalho ser\u00e1 em v\u00e3o.<\/p>\n<p>Criatividade h\u00e1, mas a quest\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grave que merece uma mudan\u00e7a substancial em nossos sistemas de produ\u00e7\u00e3o. Todos somos respons\u00e1veis pelo destino adequado, do fabricante ao distribuidor e consumidor, ou seja, toda a cadeia produtiva. Se levado a s\u00e9rio, o n\u00famero de garrafas PET ou de embalagens de alimentos, cosm\u00e9ticos, brinquedos, e tantos outros itens de consumo tenderia a diminuir drasticamente, o que \u00e9 urgente. O ideal seria ir al\u00e9m de qualquer puni\u00e7\u00e3o a quem n\u00e3o age corretamente, com recompensas financeiras e outros benef\u00edcios para favorecer aqueles que s\u00e3o ambientalmente respons\u00e1veis. Esse \u00e9 um tema que mereceria encontros com setores m\u00faltiplos da sociedade para que pesquisadores, setor privado, governos e todos os envolvidos nas cadeias de produ\u00e7\u00e3o e de consumo pudessem buscar sa\u00edda para uma crise inusitada que come\u00e7ou sutilmente, mas adquire cada vez maior dimens\u00e3o.<\/p>\n<p>Permanece a vontade de passar o filme da hist\u00f3ria ao rev\u00e9s at\u00e9 o ponto em que o pl\u00e1stico n\u00e3o era consumido em t\u00e3o larga escala como agora . Mas, como \u00e9 imposs\u00edvel, que a gente consiga aprender com os erros e tamb\u00e9m colocar nossa criatividade para resolvermos algo t\u00e3o s\u00e9rio como o uso inapropriado e a disposi\u00e7\u00e3o inadequada do pl\u00e1stico e outros res\u00edduos, j\u00e1 que afetam t\u00e3o negativamente a vida no planeta.<\/p>\n<p><em>Obs. Agrade\u00e7o as fontes variadas que consultei que me permitiram perceber que vemos apenas uma ponta \u00ednfima do problema e a N\u00edcia Mafra, Mestrando e profunda conhecedora dessa tem\u00e1tica, al\u00e9m de Gustavo Pinto, que me instigou a escrever esse artigo com suas preocupa\u00e7\u00f5es pertinentes.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pl\u00e1stico tem causado danos terr\u00edveis ao meio ambiente e \u00e0 sa\u00fade humana. 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