{"id":57402,"date":"2017-01-08T23:11:36","date_gmt":"2017-01-09T02:11:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=57402"},"modified":"2017-01-08T23:11:36","modified_gmt":"2017-01-09T02:11:36","slug":"as-pendencias-ocultas-da-contaminacao-por-ozonio-no-brasil%e2%80%8b","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/as-pendencias-ocultas-da-contaminacao-por-ozonio-no-brasil%e2%80%8b\/","title":{"rendered":"As pend\u00eancias ocultas da contamina\u00e7\u00e3o por oz\u00f4nio no Brasil\u200b"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-content\" data-first_letter=\"E\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"attachment-hive-single-image  wp-post-image\" src=\"https:\/\/blogpontodeonibus.files.wordpress.com\/2017\/01\/2623950398_73326a856e_o.jpg?w=1024\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/blogpontodeonibus.files.wordpress.com\/2017\/01\/2623950398_73326a856e_o.jpg?w=1024 1024w, https:\/\/blogpontodeonibus.files.wordpress.com\/2017\/01\/2623950398_73326a856e_o.jpg?w=150 150w, https:\/\/blogpontodeonibus.files.wordpress.com\/2017\/01\/2623950398_73326a856e_o.jpg?w=300 300w, https:\/\/blogpontodeonibus.files.wordpress.com\/2017\/01\/2623950398_73326a856e_o.jpg?w=768 768w, https:\/\/blogpontodeonibus.files.wordpress.com\/2017\/01\/2623950398_73326a856e_o.jpg 1200w\" alt=\"2623950398_73326a856e_o\" width=\"639\" height=\"519\" data-attachment-id=\"30616\" data-permalink=\"https:\/\/diariodotransporte.com.br\/2017\/01\/03\/artigo-as-pendencias-ocultas-da-contaminacao-por-ozonio-no-brasil%e2%80%8b\/2623950398_73326a856e_o\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogpontodeonibus.files.wordpress.com\/2017\/01\/2623950398_73326a856e_o.jpg\" data-orig-size=\"1200,976\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"2623950398_73326a856e_o\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/blogpontodeonibus.files.wordpress.com\/2017\/01\/2623950398_73326a856e_o.jpg?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/blogpontodeonibus.files.wordpress.com\/2017\/01\/2623950398_73326a856e_o.jpg?w=940\" \/>Em recente artigo publicado em 19.12.2016 no site do UOL \u201c<em>N\u00e3o basta plantar \u00e1rvores. Polui\u00e7\u00e3o por oz\u00f4nio s\u00f3 vai cair com menos carros<\/em>\u201d o Prof. Paulo Artaxo da Universidade de S\u00e3o Paulo comenta o trabalho do pesquisador J\u00falio Barboza Chiquetto, que fez simula\u00e7\u00f5es para estudar diferentes cen\u00e1rios de impacto na atmosfera urbana, onde o foco principal foi o oz\u00f4nio (O3). Esse poluente secund\u00e1rio \u00e9 cr\u00edtico para a sa\u00fade p\u00fablica, conforme enfatiza o artigo; \u00e9 formado na atmosfera em complexas rea\u00e7\u00f5es fotoqu\u00edmicas, a partir da intera\u00e7\u00e3o sob radia\u00e7\u00e3o solar de dois poluentes prim\u00e1rios emitidos na atmosfera diretamente durante a queima de combust\u00edveis: os hidrocarbonetos evaporados e os hidrocarbonetos n\u00e3o queimados totalmente na combust\u00e3o (chamados em seu conjunto de HC ou compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis \u2013 COV), e os \u00f3xidos de nitrog\u00eanio (NO+NO2 \u2013 conhecidos por NOx). O O3 \u00e9 o contaminante que mais preocupa as autoridades ambientais e de sa\u00fade p\u00fablica em todo planeta, depois do material particulado fino (MP2.5), contaminante atmosf\u00e9rico cancer\u00edgeno, tamb\u00e9m de origem predominantemente veicular.<\/p>\n<p>O artigo est\u00e1 aqui: <em><a href=\"http:\/\/antp.org.br\/noticias\/clippings\/nao-basta-plantar-arvores-poluicao-por-ozonio-so-vai-cair-com-menos-carros.html\" rel=\"nofollow\">http:\/\/antp.org.br\/noticias\/clippings\/nao-basta-plantar-arvores-poluicao-por-ozonio-so-vai-cair-com-menos-carros.html<\/a><\/em><\/p>\n<p>Mirando o equacionamento de alguns problemas relevantes, que comp\u00f5em esse quadro preocupante, \u00e9 oportuno fazer algumas considera\u00e7\u00f5es essenciais sobre as principais pend\u00eancias, pouco conhecidas (quase ocultas), que permeiam o cen\u00e1rio do estacionado controle da contamina\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica no Brasil:<\/p>\n<p><strong>Toxicologia do Oz\u00f4nio<\/strong><\/p>\n<p>Os estudos e not\u00edcias que conhecemos sobre os danos \u00e0 sa\u00fade dos poluentes atmosf\u00e9ricos urbanos em grandes cidades brasileiras est\u00e3o concentrados \u2013 com raz\u00e3o \u2013 no material particulado fino. Da\u00ed os alarmantes dados citados no artigo sobre mortalidade por doen\u00e7as cardiorrespirat\u00f3rias no Brasil, tem foco exclusivamente nos efeitos do MP. O autor tamb\u00e9m cita a eleva\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de mortalidade em 0,3% relativos a cada aumento das concentra\u00e7\u00f5es em 10 microgramas\/m3 de oz\u00f4nio na Europa \u2013 dados obtidos a partir de complexos estudos, que nada tem a ver com a diversa realidade atmosf\u00e9rica brasileira. Assim, \u00e9 fundamental que os especialistas e pesquisadores em toxicologia atmosf\u00e9rica concentrem esfor\u00e7os para obter conclus\u00f5es cient\u00edficas espec\u00edficas para os grandes centros urbanos brasileiros, que carecem desses estudos. Aqui, por enquanto, estamos no escuro.<\/p>\n<p><strong>Pro\u00e1lcool e os epis\u00f3dios de altas concentra\u00e7\u00f5es de Oz\u00f4nio<\/strong><\/p>\n<p>Da mesma forma como no caso dos estudos de toxicidade para o oz\u00f4nio \u2013 incrivelmente \u2013 ainda n\u00e3o h\u00e1 no Brasil estudos locais com suficiente aprofundamento cient\u00edfico relacionados com o efeito, sobre a contamina\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica por O3, da utiliza\u00e7\u00e3o em larga escala do etanol como combust\u00edvel veicular \u2013 tanto o hidratado, tanto na forma pura, como nas diferentes misturas do etanol hidratado com gasool em ve\u00edculos flex; e do pr\u00f3prio gasool puro (gasolina misturada ao etanol anidro na porcentagem regulamentada no momento, que varia geralmente entre 22 e 27%).<\/p>\n<p>H\u00e1, por\u00e9m, um estudo \u2013 internacional \u2013 sobre evid\u00eancias de efeito negativo do Proalcool na contamina\u00e7\u00e3o pelo O3 em S\u00e3o Paulo. Trata-se de um recente trabalho publicado pelo brasileiro radicado em Londres Alberto Salvo e Franz M. Geiger na Revista Nature \u2013 \u201c<em>Reduction in local ozone levels in urban S\u00e3o Paulo due to a shift from ethanol to gasoline use<\/em>\u201c. Esse estudo parece ser o \u00fanico sobre o tema e at\u00e9 o momento n\u00e3o foi contradito; \u00e9, portanto, uma importante sinaliza\u00e7\u00e3o de que se faz necess\u00e1rio colocar luz local de alta qualidade sobre essa mancha quase obscura que paira sobre o Proalcool no Brasil e no mundo, que aponta para um suposto dano grave sobre a sa\u00fade de dezenas de milh\u00f5es de brasileiros; e ainda, \u00e9 um alerta, para o setor de produ\u00e7\u00e3o de etanol, para a inviabilidade da expans\u00e3o do Proalcool para pa\u00edses que colocam em primeiro plano a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Emiss\u00f5es evaporativas n\u00e3o controladas de COV\u2019s em processos de transfer\u00eancia de combust\u00edvel no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Tanto nos processos de transfer\u00eancia de combust\u00edvel das refinarias para as bases de distribui\u00e7\u00e3o e dessas para os caminh\u00f5es-tanque, como dos caminh\u00f5es para os reservat\u00f3rios subterr\u00e2neos dos postos de abastecimento, assim como na transfer\u00eancia dos postos para os tanques dos ve\u00edculos, ocorre invariavelmente no Brasil a emiss\u00e3o bruta de milhares de toneladas de combust\u00edveis na forma de vapor. Em muitos pa\u00edses, h\u00e1 algumas d\u00e9cadas \u2013 tanto pela motiva\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o ambiental, quanto pela economia de combust\u00edvel \u2013 as emiss\u00f5es, durante esses tr\u00eas diferentes momentos, ao longo do processo de transfer\u00eancia dos combust\u00edveis, \u00e9 controlada segundo normas e procedimentos devidamente regulamentados pelos organismos de prote\u00e7\u00e3o ambiental. Lembre-se, os HC s\u00e3o t\u00f3xicos por si s\u00f3 (contem produtos cancer\u00edgenos como o benzeno da gasolina) e tamb\u00e9m s\u00e3o formadores do O3.<\/p>\n<p>Esse tema, no entanto, vem sendo sistematicamente adiado na agenda ambiental brasileira do Conselho Nacional do Meio Ambiente \u2013 Conama, tanto pela aus\u00eancia de protagonismo e autonomia das lideran\u00e7as pol\u00edticas e autoridades ambientais que influenciam fortemente as decis\u00f5es desse Conselho, quanto pela vigorosa e eficaz resist\u00eancia dos agentes do setor produtivo envolvidos na cadeia do processo de transfer\u00eancia de combust\u00edvel, a saber: ind\u00fastria de combust\u00edveis, distribuidores, postos de abastecimento e, finalmente, a pr\u00f3pria ind\u00fastria automotiva brasileira \u2013 esta sim, protagonista principal nas comiss\u00f5es e grupos de trabalho e c\u00e2maras t\u00e9cnicas do Conama.<\/p>\n<p>Todas as etapas do processo de transfer\u00eancia de combust\u00edvel poderiam ser controladas com efici\u00eancia quase total, inclusive na etapa final, durante o abastecimento dos ve\u00edculos. Nos Estados Unidos, por exemplo, os autom\u00f3veis s\u00e3o equipados desde 1995 com um dispositivo chamado ORVR \u2013 On-Road Vapor Recovery System, que nada mais \u00e9 do que um canister (pequeno reservat\u00f3rio de carv\u00e3o ativado) pouco maior do que aquele que utilizamos em nossos ve\u00edculos para controlar as emiss\u00f5es evaporativas do motor e dos componentes internos dos ve\u00edculos. Um upgrade de canister para ORVR nos ve\u00edculos brasileiros, seria um pequeno passo tecnol\u00f3gico necess\u00e1rio, que traria benef\u00edcios a custo zero para a sociedade, devido \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica, ao longo da vida do ve\u00edculo, do combust\u00edvel evaporado durante os abastecimentos. Os investimentos nas bases de distribui\u00e7\u00e3o e caminh\u00f5es-tanque tamb\u00e9m s\u00e3o de pequena monta e recuper\u00e1veis ao longo da opera\u00e7\u00e3o, e dependem exclusivamente de vontade pol\u00edtica e articula\u00e7\u00e3o simples das autoridades competentes \u2013 e, principalmente, um pouco de independ\u00eancia dos interesses privados imediatos, sempre permeados por muita \u201cchoradeira\u201d. Mas a genu\u00edna choradeira dos que s\u00e3o afetados pela eleva\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de morbi-mortalidade, esta n\u00e3o vem sendo ouvida nesse caso.<\/p>\n<p><strong>Emiss\u00f5es de HC e NOx n\u00e3o controladas no mundo real das ruas<\/strong><\/p>\n<p>Em tempos de esc\u00e2ndalo mundial da VolksWagen, flagrada nos Estados Unidos e Uni\u00e3o Europeia fraudando a lei ambiental com modelos de ve\u00edculos que emitem nas ruas at\u00e9 quarenta vezes mais NOx do que o aferido nos ensaios oficiais laboratoriais de licenciamento ambiental, o Conama deveria abrir imediatamente sua agenda para avaliar este problema, que diz respeito \u00e0s emiss\u00f5es reais nas ruas das motocicletas, autom\u00f3veis, motores e ve\u00edculos pesados licenciados e comercializados no Brasil.<\/p>\n<p>Esse esc\u00e2ndalo de propor\u00e7\u00f5es mundiais ensinou de modo mais did\u00e1tico, que os processos de licenciamento ambiental de ve\u00edculos, tem que ser radicalmente melhorados, de modo a incorporar requisitos que garantam que os limites de emiss\u00e3o homologados em laborat\u00f3rio no processo de licenciamento sejam de fato atendidos em uso normal nas ruas, ao longo da vida \u00fatil dos ve\u00edculos. Isso s\u00f3 acontecer\u00e1 se os procedimentos de certifica\u00e7\u00e3o de modelos exigirem testes de emiss\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o normal em vias p\u00fablicas ao longo de centenas de milhares de quil\u00f4metros rodados. Trata-se de uma revolu\u00e7\u00e3o conceitual do processo de licenciamento, que j\u00e1 est\u00e1 em processo de implementa\u00e7\u00e3o na Europa e Estados Unidos com a tecnologia Euro 6. No Brasil, ainda aguardamos o in\u00edcio desse processo, com a esperada entrada da pr\u00f3xima fase do Programa de Controle de Polui\u00e7\u00e3o por Ve\u00edculos Automotores \u2013 Proconve para ve\u00edculos pesados, equivalente ao Euro 6. Entretanto, o assunto est\u00e1 sendo discutido h\u00e1 alguns anos nos f\u00f3runs de regulamenta\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es veiculares do Conama, mas, at\u00e9 o momento, nada foi sinalizado.\u00a0 Al\u00e9m dos testes comprova\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es em opera\u00e7\u00e3o real nas ruas, essa nova fase do Proconve para os pesados (Euro 6), chamada por aqui de P8, tamb\u00e9m trar\u00e1 avan\u00e7os inquestion\u00e1veis relacionados com o controle do MP, pois os limites m\u00e1ximos de emiss\u00e3o permitidos obrigar\u00e3o a incorpora\u00e7\u00e3o de filtros nos ve\u00edculos a diesel, derrubando drasticamente as emiss\u00f5es da fuligem cancer\u00edgena.<\/p>\n<p>Com esse inc\u00f4modo e injustificado atraso da entrada de P8, parece que come\u00e7aremos as mudan\u00e7as no Brasil pela imprescind\u00edvel corre\u00e7\u00e3o da regulamenta\u00e7\u00e3o de certifica\u00e7\u00e3o ambiental das motocicletas. Depois de forte resist\u00eancia da ind\u00fastria de ve\u00edculos de duas rodas e at\u00e9 mesmo dos pr\u00f3prios \u00f3rg\u00e3os ambientais oficiais, o Conama, finalmente, abriu a discuss\u00e3o em sua agenda oficial, em 16.02.2016, no sentido de avaliar a persistente proposta das entidades ambientalistas de revisar o leniente requisito de durabilidade dos catalisadores das motos da Resolu\u00e7\u00e3o Conama 432\/2011, que regulamentou o Promot-4.<\/p>\n<p>Atualmente, os fabricantes devem comprovar por meio de testes laboratoriais de medi\u00e7\u00e3o durante o processo de licenciamento ambiental pr\u00e9vio de cada modelo a ser comercializado que os limites de emiss\u00e3o s\u00e3o efetivamente atendidos at\u00e9 apenas 18 mil km de uso normal para os modelos de menor cilindrada, abaixo de 250cc. O mesmo requisito para motos id\u00eanticas europeias \u00e9 de 30 mil km. Essa diferen\u00e7a pode n\u00e3o parecer t\u00e3o grande, afinal estamos num pa\u00eds de terceiro mundo, onde a vida vale muito pouco e as exig\u00eancias ambientais s\u00e3o sempre mais fracas; mas, as motos na Europa tem m\u00e9dia de rodagem anual extremamente baixa (uso predominantemente recreativo), de cerca de 6 mil km\/ano. Portanto, os 30 mil km equivalem l\u00e1 a uma durabilidade m\u00e9dia de 5 anos \u2026.. bingo! \u2026.. Essa \u00e9 a regra alg\u00e9brica de ouro para defini\u00e7\u00e3o do requisito regulamentar de durabilidade de catalisadores \u2013 para carros e motos: (quilometragem estat\u00edstica anual m\u00e9dia local) x (5 anos) = xx mil km para comprova\u00e7\u00e3o de durabilidade da efici\u00eancia dos equipamentos de controle de emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas, no Brasil, o motofrete roda mais de 20 mil km\/ano, podendo chegar a 50 mil km\/ano; isso representa menos, ou muito menos que um ano de uso de atendimento pleno aos limites de emiss\u00e3o do Promot-4, \u00e0 luz do atual requisito legal brasileiro de comprova\u00e7\u00e3o da durabilidade da efici\u00eancia do catalisador (18 mil km). Somente na Cidade de S\u00e3o Paulo, h\u00e1 registro de cerca de 250 mil ve\u00edculos de moto-frete, sem contar as \u201cCabritas\u201d que evadem de suas obriga\u00e7\u00f5es legais do licenciamento anual, mas permanecem na clandestinidade, rodando e poluindo muito mais do que o ambientalmente aceit\u00e1vel. V\u00ea-se assim, que o problema ambiental das motocicletas em S\u00e3o Paulo \u00e9 bem mais grave que o colocado no artigo acima citado publicado pelo UOL.<\/p>\n<p>Lembrando sempre que 50% da frota circulante de motos n\u00e3o realizam o licenciamento nem a inspe\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria \u2013 inclu\u00eddas as Cabritas n\u00e3o-licenciadas, que fazem entregas e rodam muito \u2013 se for considerado somente o parque veicular das motos \u201cmais comportadas\u201d, que compareciam \u00e0 inspe\u00e7\u00e3o veicular em S\u00e3o Paulo, a m\u00e9dia estat\u00edstica de rodagem constatada desse nicho \u00e9 de 12 mil km\/ano segundo a Companhia Ambiental Paulista \u2013 Cetesb, devido provavelmente ao uso exclusivo para lazer de boa parte dessas \u2013 ainda assim, \u00e9 o dobro da rodagem europeia; pela nossa regra de ouro, demandaria a comprova\u00e7\u00e3o de durabilidade at\u00e9 os (12 mil x 5 anos) 60 mil km ou 5 anos de uso normal nas grandes metr\u00f3poles brasileiras. Eis a l\u00f3gica simples (mas n\u00e3o praticada) do dimensionamento de engenharia que deveria prevalecer para garantia de um per\u00edodo de funcionamento m\u00ednimo dos sistemas de controle de emiss\u00f5es no Brasil.<\/p>\n<p>Ocorre, que ningu\u00e9m faz produtos de boa qualidade ambiental sem encarecer o produto. Um catalisador que tenha uma camada ativa mais densa de metais nobres, e assim demore mais para se desgastar e perder sua efici\u00eancia na convers\u00e3o dos poluentes, custar\u00e1 um pouco mais caro, \u00e9 \u00f3bvio \u2013 e natural. Por sua vez, os ensaios de certifica\u00e7\u00e3o da durabilidade dos prot\u00f3tipos dos modelos licenciados pelos \u00f3rg\u00e3os ambientais, requerem, de fato, complexos testes de comprova\u00e7\u00e3o de atendimento aos limites de emiss\u00f5es ao longo de 60 mil km, ao inv\u00e9s de apenas 18 mil km, e isso custar\u00e1 um pouco mais para a ind\u00fastria \u2013 naturalmente. Isso jamais deveria ser motivo para \u201cesperneio\u201d por parte das montadoras e complac\u00eancia de reguladores ambientais cativados por injustificadas demandas do poluidor.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a raz\u00e3o natural da resist\u00eancia dos fabricantes de produtos de qualidade inferior em um mercado competitivo, onde cada centavo conta \u2026. mas, esse par\u00e2metro jamais poderia pautar a pr\u00e1tica de advocacia administrativa* por agentes p\u00fablicos em f\u00f3runs reguladores em favor de um requisito legal leniente, contr\u00e1rio ao interesse do meio ambiente e da prec\u00e1ria sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p><em>* O crime de Advocacia Administrativa no C\u00f3digo Penal Brasileiro Artigo 321: segundo a lei vigente, o crime de advocacia administrativa consiste em \u201cpatrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, valendo-se da qualidade de funcion\u00e1rio.\u201d A pena \u00e9 de deten\u00e7\u00e3o, de um a tr\u00eas meses, ou multa. Trata-se de pr\u00e1tica muito comum que ocorre geralmente a partir do ass\u00e9dio de empresas privadas junto a empregados e dirigentes de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos reguladores. \u00c9 a utiliza\u00e7\u00e3o indevida das facilidades do cargo ou fun\u00e7\u00e3o, por funcion\u00e1rio p\u00fablico, no intuito de fazer prevalecer ou influir com o seu peso funcional sobre a pr\u00e1tica de atos administrativos que favore\u00e7am interesses dos agentes comerciais privados. O autor articula com colegas do pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico e\/ou de outro(s) \u00f3rg\u00e3os, usando seu poder funcional, em favor de terceiros privados com interesse em decis\u00f5es administrativas p\u00fablicas espec\u00edficas. <\/em><\/p>\n<p>Mas, veja que interessante: a proposta de mudan\u00e7a do requisito de durabilidade brasileiro para catalisadores de motos de 18 mil km para 60 mil km, tamb\u00e9m converge com a durabilidade m\u00e9dia de um sistema de escapamento original de qualidade satisfat\u00f3ria. Esse cont\u00e9m em seu interior o catalisador, fundido e integrado na mesma pe\u00e7a, o que inviabiliza sua simples reposi\u00e7\u00e3o, sem que seja necess\u00e1rio trocar o sistema de escapamento inteiro. Uma feliz coincid\u00eancia, porque aos 60 mil km, quando o catalisador estiver chegando ao final de seu per\u00edodo de efici\u00eancia aceit\u00e1vel na convers\u00e3o de poluentes (pr\u00e9 inoperante), o sistema de escapamento como um todo tamb\u00e9m dever\u00e1 estar chegando em seu momento adequado de reposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m lembrar, que a inexist\u00eancia dos programas de inspe\u00e7\u00e3o veicular (exceto no Rio de Janeiro) \u2013 obrigat\u00f3rios por lei, mas lamentavelmente n\u00e3o cumprido pelos impunes mandat\u00e1rios dos estados, devido \u00e0 outra grav\u00edssima defici\u00eancia da regulamenta\u00e7\u00e3o ambiental emanada pelo Conama \u2013 aumenta sobremaneira a import\u00e2ncia da defini\u00e7\u00e3o de um requisito de durabilidade de catalisadores condizente com a realidade de uso dos ve\u00edculos nas ruas nas grandes cidades brasileiras \u2013 onde dezenas de milh\u00f5es de cidad\u00e3os est\u00e3o expostos a alt\u00edssimos n\u00edveis de contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ou seja, com o requisito de durabilidade aumentado para 60 mil km, n\u00e3o dever\u00e1 ocorrer o \u201cabsurdo\u201d no qual motos seminovas de uso intenso bem mantidas rodam al\u00e9m dos 18 mil km com catalisadores inoperantes, emitindo muito mais do que a regulamenta\u00e7\u00e3o permite; e por outro lado, mesmo que as motos n\u00e3o sejam bem mantidas e inspecionadas anualmente quanto \u00e0s emiss\u00f5es de gases poluentes \u2013 pelo menos at\u00e9 os 60 mil km \u2013 o catalisador estar\u00e1 ainda atuante, eficiente, dando conta de eliminar grandes excessos de gases t\u00f3xicos, que seriam de outra forma emitidos na atmosfera.<\/p>\n<p>Finalmente, \u00e9 sempre bom lembrar, que a durabilidade regulamentada para os catalisadores dos autom\u00f3veis nos pa\u00edses desenvolvidos \u00e9, no m\u00ednimo, o dobro (100% maior \u2013 160 mil km) daquela regulamentada pelo Programa Nacional de Controle da Polui\u00e7\u00e3o do Ar por Ve\u00edculos Automotores \u2013 Proconve: 80 mil km. Talvez haja uma explica\u00e7\u00e3o para essas aparentes aberra\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias brasileiras \u2013 mas jamais a de que os pulm\u00f5es e cora\u00e7\u00f5es dos brasileiros sejam duas vezes mais resistentes que aqueles dos exigentes e bem nutridos irm\u00e3os que habitam o primeiro mundo.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O problema dos altos \u00edndices de contamina\u00e7\u00e3o por O3 nas grandes \u00e1reas urbanas brasileiras persiste e n\u00e3o apresenta sinais de arrefecimento. Mas, \u00e9 importante ter em mente, que a li\u00e7\u00e3o de casa no Brasil n\u00e3o est\u00e1 sendo feita completamente. Cidades como Los Angeles e M\u00e9xico, solucionaram situa\u00e7\u00f5es grav\u00edssimas de conting\u00eancia de O3, atuando resignadamente nas diversas frentes de controle e com autonomia dos organismos de prote\u00e7\u00e3o ambiental e sa\u00fade p\u00fablica. N\u00e3o h\u00e1 porque duvidar que podemos repetir o sucesso dessas cidades preenchendo as lacunas aqui reveladas. \u00c9 quest\u00e3o de refletir, querer e fazer.<\/p>\n<p><strong><em>Olimpio Alvares<\/em><\/strong><em> \u00e9 Diretor da L\u2019Avis Eco-Service, especialista em transporte sustent\u00e1vel, inspe\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e emiss\u00f5es veiculares; concebeu o Projeto do Transporte Sustent\u00e1vel do Estado de S\u00e3o Paulo; \u00e9 membro fundador da Comiss\u00e3o de Meio Ambiente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Transportes P\u00fablicos \u2013 ANTP; Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades \u2013 SOBRATT; colaborador do Instituto Sa\u00fade e Sustentabilidade, Instituto Mobilize, Clean Air Institute, Climate and Clean Air Coalition \u2013 CCAC e do International Council on Clean Transportation \u2013 ICCT; \u00e9 ex-gerente da \u00e1rea de controle de emiss\u00f5es veiculares da Cetesb; \u00e9 membro da coordena\u00e7\u00e3o da Semana da Virada da Mobilidade.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em recente artigo publicado em 19.12.2016 no site do UOL \u201cN\u00e3o basta plantar \u00e1rvores. 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