{"id":57373,"date":"2017-01-09T11:00:04","date_gmt":"2017-01-09T14:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=57373"},"modified":"2017-01-09T07:27:30","modified_gmt":"2017-01-09T10:27:30","slug":"corrente-do-golfo-pode-parar-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/corrente-do-golfo-pode-parar-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Corrente do Golfo pode parar devido ao aquecimento global, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=57374\" rel=\"attachment wp-att-57374\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-57374\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/golfo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/golfo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/golfo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Cientistas chineses trabalhando nos EUA trouxeram na \u00faltima quarta-feira (4) uma not\u00edcia agridoce sobre um dos efeitos mais temidos do aquecimento global. Um modelo clim\u00e1tico feito por eles mostra que a corrente oce\u00e2nica que leva calor dos tr\u00f3picos \u00e0 Europa \u00e9 mais vulner\u00e1vel do que se imaginava \u00e0s mudan\u00e7as do clima, e desligar\u00e1 completamente caso a quantidade de g\u00e1s carb\u00f4nico na atmosfera siga aumentando. Por outro lado, esse desligamento ocorreria em s\u00e9culos, n\u00e3o em anos ou d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Conhecida como circula\u00e7\u00e3o termoalina do Atl\u00e2ntico, essa imensa esteira oce\u00e2nica \u00e9 um dos principais sistemas de regula\u00e7\u00e3o do clima da Terra. Sua face mais conhecida \u00e9 a Corrente do Golfo, uma corrente quente que migra pela superf\u00edcie do Atl\u00e2ntico tropical at\u00e9 as imedia\u00e7\u00f5es do \u00c1rtico. No Atl\u00e2ntico Norte, ela fica mais fria e mais salgada (devido \u00e0 evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no caminho), afundando e retornando aos tr\u00f3picos na forma de uma corrente fria submarina. A dissipa\u00e7\u00e3o de calor dessa corrente \u00e9 o que mant\u00e9m a Inglaterra e o norte da Europa com um clima relativamente t\u00e9pido, mesmo estando em uma latitude elevada.<\/p>\n<p>Desde os anos 1980 os cientistas t\u00eam postulado que o aquecimento global, ao derreter o gelo e a neve do \u00c1rtico, lan\u00e7aria grande quantidade de \u00e1gua doce no oceano, diluindo o sal da corrente e impedindo que ela afundasse. O efeito imediato seria a suspens\u00e3o do transporte do calor para a Europa, que mergulharia numa esp\u00e9cie de era do gelo. Isso j\u00e1 aconteceu h\u00e1 8.200 anos e resfriou o Velho Continente por dois s\u00e9culos. Poderia acontecer de novo de forma r\u00e1pida e causar problemas s\u00e9rios \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o, caricaturados no filme-cat\u00e1strofe\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Ku_IseK3xTc\">O Dia Depois de Amanh\u00e3<\/a><\/em>, de 2004.<\/p>\n<p>Observa\u00e7\u00f5es feitas at\u00e9 aqui, que s\u00e3o esparsas, t\u00eam mostrado que justamente desde 2004 esteira oce\u00e2nica est\u00e1 em sua\u00a0<a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/degelo-nao-desliga-corrente-do-golfo-ainda\/\">menor pot\u00eancia nos \u00faltimos mil anos<\/a>, provavelmente por causa do aquecimento global. Alguns cientistas temem que o colapso j\u00e1 tenha come\u00e7ado.<\/p>\n<p>Ocorre que os modelos computacionais que simulam o clima da Terra no futuro, usados pelo IPCC (o painel do clima da ONU), t\u00eam falhado sistematicamente em apontar instabilidade no sistema. Por consequ\u00eancia, o desligamento repentino da corrente \u00e9 considerado pouco prov\u00e1vel pelo painel.<\/p>\n<p>Entram em cena Wei Liu, da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Diego (hoje na outra costa do pa\u00eds, na Universidade Yale), e colegas. Em estudo publicado nesta quarta-feira no site da revista\u00a0<em><a href=\"http:\/\/advances.sciencemag.org\/\">Science Advances<\/a><\/em>, o grupo aponta que os modelos padecem de um vi\u00e9s: uma distor\u00e7\u00e3o faz a corrente parecer artificialmente mais est\u00e1vel do que \u00e9 de fato.<\/p>\n<p>A origem do problema est\u00e1 longe da Europa, no Atl\u00e2ntico Sul. Essa regi\u00e3o do oceano tropical, perto do equador, recebe chuvas constantes na chamada Zona de Converg\u00eancia Intertropical, o cintur\u00e3o de tempestades onde massas de ar aquecido dos dois hemisf\u00e9rios se encontram.<\/p>\n<p>Liu e colegas dizem que os modelos do IPCC assumem que h\u00e1 mais \u00e1gua doce oriunda dessas chuvas na corrente do que h\u00e1 de fato. Isso causaria nos modelos uma ilus\u00e3o de estabilidade \u2013 quanto mais \u00e1gua doce no tr\u00f3pico, menor a diferen\u00e7a de salinidade perto do \u00c1rtico, portanto, menos suscet\u00edvel a perturba\u00e7\u00f5es a corrente seria. Esse vi\u00e9s, afirma Liu, j\u00e1 havia sido sugerido por outros estudos no passado.<\/p>\n<p>O que o chin\u00eas e seu grupo fizeram foi ajustar um dos modelos de acordo com par\u00e2metros de salinidade que eles consideravam mais realistas. Mas n\u00e3o apenas isso: a corre\u00e7\u00e3o do vi\u00e9s tornou a corrente mais inst\u00e1vel e vulner\u00e1vel ao pr\u00f3prio aquecimento da \u00e1gua do mar \u2013 algo que casa melhor com as observa\u00e7\u00f5es. \u201cO aquecimento reduz a densidade da \u00e1gua e impede a convec\u00e7\u00e3o\u201d, disse Liu ao\u00a0<em>OC<\/em>.\u00a0 \u201cO m\u00e9todo n\u00e3o \u00e9 perfeito, mas \u00e9 o melhor que podemos fazer agora para corrigir o vi\u00e9s e fazer uma proje\u00e7\u00e3o mais confi\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p>Os pesquisadores usaram o modelo ajustado para estimar o que acontece com a esteira oce\u00e2nica caso o n\u00edvel de CO<sub>2<\/sub>\u00a0na atmosfera duplique \u2013 algo que acontecer\u00e1 por volta de meados do s\u00e9culo se medidas radicais de controle de emiss\u00f5es n\u00e3o forem tomadas.<\/p>\n<p>Aqui vem a nota de al\u00edvio do estudo: o colapso da corrente ocorre nas simula\u00e7\u00f5es apenas 300 anos ap\u00f3s a quantidade de CO<sub>2<\/sub>\u00a0dobrar na atmosfera. Questionado sobre se isso era uma boa not\u00edcia, Liu foi cauteloso: \u201cSim, 300 anos s\u00e3o muita coisa comparado a uma vida humana, mas mudan\u00e7as not\u00e1veis podem ocorrer antes de a circula\u00e7\u00e3o colapsar\u201d, disse. \u201cAl\u00e9m disso, nosso resultado \u00e9 baseado em um modelo e em um cen\u00e1rio simples de aquecimento.\u201d Liu e seus colegas n\u00e3o consideraram, por exemplo, o fator que at\u00e9 agora tem sido invocado para explicar a redu\u00e7\u00e3o da corrente: o efeito do degelo da Groenl\u00e2ndia. Ao lan\u00e7ar excesso de \u00e1gua doce sobre o oceano no \u00c1rtico, o derretimento poderia agravar a situa\u00e7\u00e3o de uma corrente que j\u00e1 seria impactada pelo aquecimento da superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Um efeito esperado dessa redu\u00e7\u00e3o na corrente, por exemplo, \u00e9 uma mudan\u00e7a nos padr\u00f5es de chuva em v\u00e1rias regi\u00f5es do planeta. Um dos lugares que seriam afetados \u00e9 o Brasil. Estudos do grupo do ge\u00f3logo de Francisco Cruz, da USP, j\u00e1 mostraram que fases de redu\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o termoalina no passado corresponderam a chuvas torrenciais no Brasil, devido ao deslocamento da Zona de Converg\u00eancia Intertropical para o sul.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos aplicar essa metodologia a mais modelos clim\u00e1ticos e a cen\u00e1rios de aquecimento global mais realistas\u201d, afirmou Liu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas chineses trabalhando nos EUA trouxeram na \u00faltima quarta-feira (4) uma not\u00edcia agridoce sobre um<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":57374,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/golfo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/golfo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/golfo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/golfo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/golfo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/golfo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/golfo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/golfo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/golfo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/golfo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Cientistas chineses trabalhando nos EUA trouxeram na \u00faltima quarta-feira (4) uma not\u00edcia agridoce sobre um","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57373"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57373"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57373\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57374"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57373"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57373"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57373"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}