{"id":57282,"date":"2017-01-07T18:01:12","date_gmt":"2017-01-07T21:01:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=57282"},"modified":"2017-01-07T18:01:12","modified_gmt":"2017-01-07T21:01:12","slug":"circulo-virtuoso-entrevista-com-alexandre-garrido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/circulo-virtuoso-entrevista-com-alexandre-garrido\/","title":{"rendered":"C\u00edrculo virtuoso: Entrevista com Alexandre Garrido"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"attachment- size- wp-post-image\" src=\"https:\/\/novo.brasilturis.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/istock_000012898791medium.jpg\" sizes=\"(max-width: 1701px) 100vw, 1701px\" srcset=\"https:\/\/novo.brasilturis.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/istock_000012898791medium-300x199.jpg 300w, https:\/\/novo.brasilturis.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/istock_000012898791medium-768x510.jpg 768w, https:\/\/novo.brasilturis.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/istock_000012898791medium-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/novo.brasilturis.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/istock_000012898791medium.jpg 1701w, https:\/\/novo.brasilturis.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/istock_000012898791medium-300x199@2x.jpg 600w, https:\/\/novo.brasilturis.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/istock_000012898791medium-768x510@2x.jpg 1536w\" alt=\"istock_000012898791medium\" width=\"640\" height=\"425\" \/><\/p>\n<p><em>Alexandre Garrido defende a sustentabilidade como catalizador para fidelizar clientes e rentabilizar neg\u00f3cios<\/em><\/p>\n<p>Por Camila Lucchesi<\/p>\n<p>Na <a href=\"https:\/\/issuu.com\/editoravia\/docs\/bj-796-issuu\">edi\u00e7\u00e3o de janeiro <\/a>do Brasilturis, em circula\u00e7\u00e3o nesta semana, publicamos um compilado da entrevista com Alexandre Garrido, coordenador do Grupo de Trabalho de Turismo Sustent\u00e1vel da ISO e refer\u00eancia do segmento no Brasil. Foram quase duas horas de conversa que renderam informa\u00e7\u00f5es fundamentais e dicas valiosas para os empres\u00e1rios que optarem por pautar a gest\u00e3o de seus neg\u00f3cios sob a \u00f3tica da sustentabilidade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-73778 alignleft\" src=\"http:\/\/novo.brasilturis.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Entrevista-300x260.jpg\" sizes=\"(max-width: 278px) 100vw, 278px\" srcset=\"https:\/\/novo.brasilturis.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Entrevista-300x260.jpg 300w, https:\/\/novo.brasilturis.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Entrevista-768x665.jpg 768w, https:\/\/novo.brasilturis.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Entrevista.jpg 845w, https:\/\/novo.brasilturis.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Entrevista-300x260@2x.jpg 600w\" alt=\"entrevista\" width=\"278\" height=\"241\" \/>No Brasil, a atividade que est\u00e1 mais avan\u00e7ada nesse segmento \u00e9 a que envolve meios de hospedagem. Isso se deve \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da NBR 15.401, norma publicada em 2006 e revista em 2014, que explica como os hoteleiros podem fazer a gest\u00e3o sustent\u00e1vel de meios de hospedagem de qualquer porte.<\/p>\n<p>O exemplo serviu de inspira\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o de uma norma internacional no escopo da ISO, que est\u00e1 sendo delineada desde o ano passado.\u00a0 Garrido foi escolhido para coordenar o grupo de trabalho internacional e defende que a norma ajuda a administrar e rentabilizar o neg\u00f3cio. \u201c\u00c9 uma ferramenta de gest\u00e3o com vis\u00e3o moderna\u201d, resume.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como as normas s\u00e3o criadas dentro da ABNT?<\/strong><\/p>\n<p>A ABNT \u00e9 a entidade respons\u00e1vel pelo processo de elabora\u00e7\u00e3o, mas quem faz as normas s\u00e3o os especialistas nos assuntos. N\u00e3o s\u00e3o os funcion\u00e1rios da ABNT que fazem as normas, eles convidam as partes interessadas para discutir e, ent\u00e3o elaborar o documento t\u00e9cnico. No caso de normas para hotelaria, chamamos hot\u00e9is, entidades de classe, operadoras, professores universit\u00e1rios, consultores e representantes de ONGs. Esse grupo foi chamado de Comiss\u00e3o de Estudos para Gest\u00e3o da Sustentabilidade em Meios de Hospedagem.<\/p>\n<p>A NBR 15.401, Gest\u00e3o de Sustentabilidade nos Meios de Hospedagem, foi elaborada por essa comiss\u00e3o, em 2006. Em 2012, o grupo foi reativado para fazer revisar o documento. A gente tinha experi\u00eancia porque v\u00e1rios hot\u00e9is j\u00e1 haviam usado a norma e percebemos que era poss\u00edvel melhorar o texto. Em 2014, emitimos a vers\u00e3o modernizada.<\/p>\n<p><strong>E quando essa discuss\u00e3o avan\u00e7ou para o n\u00edvel internacional?<\/strong><\/p>\n<p>Quando come\u00e7amos a revisar o texto, percebemos que poderia existir uma chance de transform\u00e1-lo em norma internacional. Isso n\u00e3o significa apenas traduzir o conte\u00fado, mas oferecer a norma para o resto do mundo e debat\u00ea-la com os interessados. Em 2014, passamos a participar das reuni\u00f5es para conhecer as demandas dos 58 pa\u00edses participantes de um comit\u00ea t\u00e9cnico que faz as normas voltadas ao turismo dentro da ISO. A ideia era ver como seria a receptividade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 proposta, pois \u00e9 preciso ter uma vota\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses para iniciar um projeto. \u00c9 um misto de convencimento, articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, demonstra\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de viabilidade. Cada pa\u00eds tem um voto, ent\u00e3o o nosso vale o mesmo que o de Trinidad &amp; Tobago, da \u00c1frica do Sul, das Ilhas Seychelles, da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em 2015, apresentamos formalmente a ideia de transformar a norma brasileira em um documento internacional. A repercuss\u00e3o foi positiva e a aprova\u00e7\u00e3o veio em maio de 2016, quando criamos um grupo espec\u00edfico de Turismo Sustent\u00e1vel. A primeira reuni\u00e3o aconteceu na Mal\u00e1sia e eu tive o prazer de ser eleito para coordenar esse grupo. \u00a0Continuo \u00e0 frente dos trabalhos da comiss\u00e3o brasileira, mas agora tenho essa responsabilidade dentro da ISO tamb\u00e9m. Esse trabalho s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 parceria com o Sebrae Nacional que apoiou a comiss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Esse grupo trata de assuntos relacionados ao Turismo Sustent\u00e1vel de forma ampla ou apenas para meios de hospedagem?<\/strong><\/p>\n<p>Aprovamos o grupo para tratar de todos os assuntos para que, no futuro, tenhamos a oportunidade de us\u00e1-lo para discutir outros temas. Hotelaria \u00e9 superimportante, a gente come\u00e7a por hotelaria, mas temos muita coisa para discutir dentro da sustentabilidade no turismo. A ideia \u00e9 que o grupo comece a receber e tratar as demandas que a ISO j\u00e1 recebe em rela\u00e7\u00e3o a sustentabilidade no turismo.<\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o da Mal\u00e1sia, em maio, propus que a segunda reuni\u00e3o acontecesse no Brasil, o que ocorreu no fim de novembro de 2016. Os representantes que participaram da discuss\u00e3o ficaram impactados com a norma e ao ver que ela, de fato, funciona e d\u00e1 resultado para a hotelaria.<\/p>\n<p><strong>Quando acontece a pr\u00f3xima reuni\u00e3o? E em que fase do processo o grupo internacional est\u00e1 agora?<\/strong><\/p>\n<p>A pr\u00f3xima reuni\u00e3o est\u00e1 prevista para maio, na Cidade do Panam\u00e1. O documento brasileiro come\u00e7ar\u00e1 a ser revisado com base nas sugest\u00f5es recebidas pelos outros pa\u00edses. Estamos construindo esse novo texto, com inputs de Argentina, Mal\u00e1sia, Portugal, \u00c1frica do Sul\u2026<\/p>\n<p><strong>Imagino que seja dif\u00edcil coordenar as demandas de diferentes pa\u00edses, cada qual com sua especificidade\u2026<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil. Mas tamb\u00e9m \u00e9 interessante, pois renova o papel de uma norma internacional. Existem, hoje, pelo menos 140 normas t\u00e9cnicas de turismo sustent\u00e1vel em uso pelo mundo. A maioria para hotelaria, outras para operadoras, parques, restaurantes\u2026 Quando criamos um modelo internacional depois de um debate consensual, com um grande acordo entre todas as partes, a gente tende a simplificar essa loucura que \u00e9 atuar com 140 normas.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a expectativa de conclus\u00e3o desse trabalho?<\/strong><\/p>\n<p>A estimativa inicial \u00e9 de tr\u00eas anos, mas depende do andamento do trabalho, do quanto esses pa\u00edses v\u00e3o deixar a gente avan\u00e7ar ou retroceder. Estamos indo bem. A rigor, podemos fazer reuni\u00f5es uma vez por ano, mas fizemos duas em 2016. O encontro no Brasil deu uma acelerada no processo, al\u00e9m de divulgar o trabalho que a gente faz por aqui. Estamos pulando uma fase, mas ainda n\u00e3o consigo dizer se vamos reduzir o tempo em seis meses ou um ano. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Meu papel agora \u00e9 interessante. Como coordenador, eu n\u00e3o sou mais delegado ou especialista brasileiro. Tenho de mediar opini\u00f5es, n\u00e3o dou a minha avalia\u00e7\u00e3o na discuss\u00e3o do texto. Tenho de estimular a contribui\u00e7\u00e3o e resolver os impasses.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os pontos mais cr\u00edticos at\u00e9 chegar a um consenso?<\/strong><\/p>\n<p>As pessoas n\u00e3o conheciam o documento, est\u00e3o come\u00e7ando a entend\u00ea-lo. Primeiro, \u00e9 preciso mostrar o que o texto significa e como est\u00e1 sendo aplicada no Brasil. A norma est\u00e1 muito bem estruturada na dimens\u00e3o ambiental e razoavelmente bem fundamentada no sociocultural, mas \u00e9 resumida na dimens\u00e3o econ\u00f4mica. Tudo o que \u00e9 importante est\u00e1 l\u00e1, mas de uma forma concentrada. Alguns pa\u00edses acham que deve ser mais detalhada nesse aspecto.<\/p>\n<p><strong>Por exemplo?<\/strong><\/p>\n<p>O ponto b\u00e1sico \u00e9 que um empreendimento que pretende ser sustent\u00e1vel deve ter um plano de neg\u00f3cios. H\u00e1 itens m\u00ednimos que devem constar e isso n\u00e3o entra no texto, porque a norma n\u00e3o diz como deve ser feito, ela s\u00f3 diz o que \u00e9 importante. Por exemplo, voc\u00ea deve ter objetivos relacionados \u00e0 sustentabilidade. Meu foco est\u00e1 em aumentar a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o e o seu est\u00e1 em aumentar a rentabilidade e a preserva\u00e7\u00e3o no entorno. N\u00f3s dois seremos sustent\u00e1veis, cada um da sua maneira.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 ser sustent\u00e1vel na vis\u00e3o da norma?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 fazer a gest\u00e3o do processo. Primeiro \u00e9 preciso definir os impactos que a opera\u00e7\u00e3o gera nas dimens\u00f5es ambiental, sociocultural e econ\u00f4mica. A partir disso, estabelecer os objetivos para minimizar os impactos negativos e\/ou potencializar os positivos e come\u00e7ar a implantar pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis \u2013 a\u00e7\u00f5es para atingir os objetivos definidos no plano de neg\u00f3cios \u2013 e montar um sistema de monitoramento para ver se as pr\u00e1ticas est\u00e3o atingindo o objetivo. Se n\u00e3o, vale revisar o objetivo, rever os impactos e implantar novas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Por onde come\u00e7ar?<\/strong><\/p>\n<p>Os anexos que falam sobre as tr\u00eas dimens\u00f5es d\u00e3o um roteiro para o hotel. Apontam os principais impactos no escopo ambiental (\u00e1gua, energia, res\u00edduos, \u00e1rea natural onde est\u00e1 inserido e outros), no social (comunidade local, popula\u00e7\u00e3o tradicional, colaboradores do hotel, gera\u00e7\u00e3o de renda e iniciativas para transferir renda para o local, como levar o artes\u00e3o para o hotel ou o turista para conhecer o artes\u00e3o, etc) e no econ\u00f4mico (cuidar da viabilidade do neg\u00f3cio, sa\u00fade e seguran\u00e7a do turista e do colaborador, satisfa\u00e7\u00e3o do turista).<\/p>\n<p>Se o hoteleiro identificar os impactos, estabelecer as a\u00e7\u00f5es e depois medir para ver se est\u00e1 chegando aos resultados propostos no plano de neg\u00f3cios ele est\u00e1 fazendo a gest\u00e3o da sustentabilidade. Quem percebe isso, v\u00ea que a norma ajuda a administrar o neg\u00f3cio. \u00c9 uma ferramenta de gest\u00e3o com vis\u00e3o moderna. O hotel pode usar os resultados para melhorar a experi\u00eancia do turista e a imagem perante a opini\u00e3o publicada e, com isso, dar mais visibilidade ao empreendimento, aumentar a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o e a rentabilidade.<\/p>\n<p>Para ajudar a implantar, escrevemos um guia que \u00e9 traz a mesma norma com uma apresenta\u00e7\u00e3o mais did\u00e1tica. S\u00e3o 16 passos de como o hoteleiro pode implantar de forma pr\u00f3pria, sem a necessidade de contratar consultoria.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 muito caro investir em a\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel fazer de uma maneira barata e de outra mais cara. Se voc\u00ea identificou, por exemplo, que tem um consumo alto de energia e que gerenciar esse aspecto \u00e9 importante para o meio ambiente e para o seu operacional, h\u00e1 v\u00e1rias formas de conduzir esse processo. D\u00e1 para contratar pain\u00e9is solares e colocar sistema de chave com cart\u00e3o que corta a energia. \u00c9 um investimento mais alto, mas que ser\u00e1 retornado em forma de economia em cerca de dois anos, dependendo do tamanho e da ocupa\u00e7\u00e3o do hotel.<\/p>\n<p>Se o hoteleiro n\u00e3o tem recurso, ele pode falar com o h\u00f3spede na recep\u00e7\u00e3o, colocar um lembrete na porta, ao lado do interruptor. A efic\u00e1cia \u00e9 diferente, mas se metade dos h\u00f3spedes responder dessa maneira j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel diminuir o custo. Isso vale para a \u00e1gua tamb\u00e9m. Ou seja, a norma permite ser sustent\u00e1vel com ideias criativas e que cabem em qualquer bolso. Isso acaba retroalimentando a quest\u00e3o da competitividade, da gest\u00e3o do neg\u00f3cio.<\/p>\n<p><strong>A norma serve para hot\u00e9is de qualquer porte? Independentes e de rede?<\/strong><\/p>\n<p>Sim! Essa uma das grandes d\u00favidas das pessoas. O segredo da norma brasileira \u00e9 que voc\u00ea trabalha a sustentabilidade sob a \u00f3tica da gest\u00e3o do neg\u00f3cio, ent\u00e3o ela cabe em um hotel pequeno, m\u00e9dio ou grande; no resort, no hostel, no spa, no hotel fazenda, no hotel urbano e at\u00e9 em um cama e caf\u00e9; pode ser usada na China, Tail\u00e2ndia, Brasil, Abu Dhabi ou em Pret\u00f3ria\u2026<\/p>\n<p>O spa Dom Ramon, em Canela (RS), tem 12 apartamentos e \u00e9 um dos militantes desse assunto. A pousada Blumenberg, tamb\u00e9m de Canela, tem 32 apartamentos e a norma implementada. O Mabu, um resort de 400 apartamentos, \u00e9 certificado pela norma; o Maraca Hostel, do Rio de Janeiro, tamb\u00e9m. E tem o Hotel Fazenda Campo dos Sonhos que n\u00e3o \u00e9 certificado, mas faz a\u00e7\u00f5es de sustentabilidade fant\u00e1sticas.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as vantagens de aderir \u00e0 norma?<\/strong><\/p>\n<p>No caso do Dom Ramon, ele cita aumento da taxa de ocupa\u00e7\u00e3o, aumento de lucratividade e redu\u00e7\u00e3o de custo operacional. A norma \u00e9 voltada para o <em>business<\/em>, ela melhora a gest\u00e3o e faz o neg\u00f3cio ficar mais competitivo. Ao adotar as a\u00e7\u00f5es, o hoteleiro tamb\u00e9m melhora a experi\u00eancia do turista.<\/p>\n<p>Algumas dessas quest\u00f5es, quando implementadas, resultam na melhora da gest\u00e3o, ou seja, a norma cumpre uma fun\u00e7\u00e3o que \u00e9 fazer o neg\u00f3cio ficar mais competitivo. Ao apostar na gest\u00e3o da sustentabilidade, voc\u00ea est\u00e1 reduzindo o custo operacional, potencializando os impactos positivos, minimizando os negativos e melhorando a qualidade de experi\u00eancia do turista.<\/p>\n<p><strong>E experi\u00eancia \u00e9 algo muito valorizado atualmente. <\/strong><\/p>\n<p>Sim! No caso do Campo dos Sonhos, eles t\u00eam um programa de reflorestamento da fazenda que utilizaram como ferramenta de fideliza\u00e7\u00e3o. A dire\u00e7\u00e3o convida os clientes a plantar uma \u00e1rvore e coloca nela uma placa com os nomes da esp\u00e9cie e do h\u00f3spede. A cada seis meses, esse h\u00f3spede recebe um e-mail com fotos e um convite para retornar ao hotel. Olha como \u00e9 poss\u00edvel vincular a dimens\u00e3o ambiental com a econ\u00f4mica traduzida na satisfa\u00e7\u00e3o do h\u00f3spede! Isso faz o neg\u00f3cio girar. \u00c9 por isso que a sustentabilidade \u00e9 t\u00e3o transformadora, ela consegue conectar o h\u00f3spede com o processo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acredita que j\u00e1 exista um movimento crescente de turistas que pautam a escolha do meio de hospedagem com um vi\u00e9s sustent\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o chegamos \u2013 e talvez nunca cheguemos \u2013 ao ponto de escolher ficar em um hotel porque ele \u00e9 sustent\u00e1vel. Isso est\u00e1 restrito a um grupo muito seleto de clientes que \u00e9 militante da \u00e1rea. A escolha da maioria \u00e9 baseada em pre\u00e7o, localiza\u00e7\u00e3o e indica\u00e7\u00e3o. Mas quando voc\u00ea chega a um hotel e essas quest\u00f5es se mostram, sua experi\u00eancia de hospedagem aumenta. Voc\u00ea fala bem, volta, indica, se lembra da viagem e do sabor da geleia deliciosa que era feita por uma senhora da comunidade. Isso n\u00e3o pode ser mau neg\u00f3cio j\u00e1 que \u00e9 poss\u00edvel gerenciar o operacional do hotel e ainda aumentar o v\u00ednculo com o h\u00f3spede.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es mais aplicadas Brasil afora?<\/strong><\/p>\n<p>Do ponto de vista ambiental, as a\u00e7\u00f5es mais comuns est\u00e3o relacionadas \u00e0 economia de energia e \u00e1gua; em terceiro lugar vem a quest\u00e3o da conserva\u00e7\u00e3o da flora e fauna, depois est\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o com a gest\u00e3o dos res\u00edduos gerados. No Sociocultural, as iniciativas est\u00e3o baseadas no relacionamento com a comunidade local e no uso da hist\u00f3ria e das tradi\u00e7\u00f5es locais, inclusive em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. Ou oferecem org\u00e2nicos plantados em hortas locais ou adquirem esses produtos com os produtores locais. A quest\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 mais capenga por conta da falta de cultura de gest\u00e3o empresarial no Brasil, mas segue na linha de aumentar a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o por meio da crescente satisfa\u00e7\u00e3o do h\u00f3spede.<\/p>\n<p><strong>A norma pode servir de base para a cria\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es para outros neg\u00f3cios?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, como ela trada de gest\u00e3o, pode ser usada por restaurantes, operadoras e at\u00e9 ag\u00eancias de viagens, com algumas adapta\u00e7\u00f5es. Ainda h\u00e1 muito espa\u00e7o para trabalhar sustentabilidade no Brasil. Hotelaria \u00e9 o primeiro passo, mas j\u00e1 existe um movimento internacional para discuss\u00e3o sobre destinos sustent\u00e1veis que \u00e9 algo mais complexo porque envolve muitos atores, p\u00fablicos e privados. Temos uma discuss\u00e3o inicial e, talvez, seja criada uma nova comiss\u00e3o dentro da ABNT para discutir destinos sustent\u00e1veis no Brasil. \u00c9 uma tend\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a mensagem que voc\u00ea gostaria de deixar para os empres\u00e1rios do trade de turismo?<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 que 2017 foi lan\u00e7ado como o ano do turismo sustent\u00e1vel, est\u00e1 mais do que na hora de criar estrat\u00e9gia nacional tendo a sustentabilidade como quest\u00e3o central. Parece que n\u00e3o, mas quando voc\u00ea re\u00fane as pessoas, v\u00ea que existem muitas iniciativas nesse sentido no Brasil. Avan\u00e7amos na \u00faltima d\u00e9cada, mas n\u00e3o temos algo que una todas as inciativas em uma mesma dire\u00e7\u00e3o. \u00c9 hora de montar uma estrat\u00e9gia sistematizada em documento, construir uma agenda e aproveitar nossa posi\u00e7\u00e3o para levar esse movimento para o mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandre Garrido defende a sustentabilidade como catalizador para fidelizar clientes e rentabilizar neg\u00f3cios Por Camila<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Alexandre Garrido defende a sustentabilidade como catalizador para fidelizar clientes e rentabilizar neg\u00f3cios Por Camila","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57282"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57282"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57282\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57282"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57282"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57282"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}