{"id":57104,"date":"2017-01-05T08:00:18","date_gmt":"2017-01-05T11:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=57104"},"modified":"2017-01-04T21:31:20","modified_gmt":"2017-01-05T00:31:20","slug":"saiba-qual-o-papel-dos-gases-interestelares-na-evolucao-das-galaxias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/saiba-qual-o-papel-dos-gases-interestelares-na-evolucao-das-galaxias\/","title":{"rendered":"Saiba qual o papel dos gases interestelares na evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=57105\" rel=\"attachment wp-att-57105\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-57105\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/galaxia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/galaxia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/galaxia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um dos temas mais fascinantes da <strong><a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/ciencia\/\">cosmologia<\/a><\/strong> trata do estudo da evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias. O objetivo \u00e9 compreender como as nuvens primordiais de g\u00e1s, no Universo rec\u00e9m-nascido, condensaram-se at\u00e9 formar estrelas e gal\u00e1xias \u2013 e como estas evolu\u00edram at\u00e9 se tornar espirais magn\u00edficas como a Via L\u00e1ctea.<\/p>\n<p>Um trabalho de astrof\u00edsicos brasileiros e espanh\u00f3is, publicado no <i>Monthly Notices of the Royal Astronomical Society<\/i>, procurou estimar como, ao longo de bilh\u00f5es de anos, processou-se a queda do g\u00e1s interestelar das regi\u00f5es externas do disco em espiral em dire\u00e7\u00e3o ao n\u00facleo gal\u00e1ctico, atra\u00eddo por sua tremenda for\u00e7a gravitacional.<\/p>\n<p>Descobrir qual a taxa da queda do g\u00e1s interestelar no tempo e no espa\u00e7o \u00e9 fundamental para saber a raz\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o de estrelas \u2013 pois \u00e9 daquele g\u00e1s que elas s\u00e3o feitas. Ou seja, quanto mais g\u00e1s cai atrav\u00e9s do disco, mais estrelas se formam e mais brilhante se torna a gal\u00e1xia.<\/p>\n<div class=\"teads-inread\"><\/div>\n<p>Mas h\u00e1 um problema. Os instrumentos b\u00e1sicos dos astr\u00f4nomos para estudar a evolu\u00e7\u00e3o gal\u00e1ctica s\u00e3o os observat\u00f3rios. S\u00f3 que, salvo raras exce\u00e7\u00f5es, a tecnologia atual n\u00e3o permite a observa\u00e7\u00e3o de gal\u00e1xias quando o Universo era jovem, ou seja, quando tinha metade da idade atual, que \u00e9 de aproximadamente 13,8 bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>\u201cA imagem \u00e9 muito t\u00eanue, difusa, de baixa resolu\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 problem\u00e1tico, principalmente quando se sabe que a primeira metade da vida do Universo foi o per\u00edodo mais din\u00e2mico na evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias\u201d, disse Oscar Cavichia, professor do Instituto de F\u00edsica e Qu\u00edmica da Universidade Federal de Itajub\u00e1, um dos autores do estudo.<\/p>\n<p>Para tentar entender como eram as gal\u00e1xias quando jovens, os pesquisadores usaram o <i>cluster<\/i> computacional Alphacrucis, instalado no Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas (IAG) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>Trata-se de um dos maiores aglomerados de processadores (s\u00e3o 192 servidores que agregam 2.304 processadores) unicamente dedicados ao estudo da Astronomia. Inaugurado em 2012, o Alphacrucis \u00e9 um dos maiores supercomputadores do Brasil e foi adquirido com apoio da FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cFizemos simula\u00e7\u00f5es de 144 modelos diferentes de queda de g\u00e1s. Eles variavam, por exemplo, de acordo com a massa e o tamanho da gal\u00e1xias. A pot\u00eancia computacional do Alphacrucis permitiu que realiz\u00e1ssemos todas as simula\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo, em vez de separadamente, o que economizou muito tempo e acelerou o trabalho\u201d, disse Cavichia.<\/p>\n<p>Foram feitas simula\u00e7\u00f5es com gal\u00e1xias espirais hipot\u00e9ticas de tr\u00eas tamanhos. M\u00e9dias, como a vizinha Tri\u00e2ngulo (M33), que tem 40 bilh\u00f5es de estrelas. Grandes, como a Via L\u00e1ctea, com 400 bilh\u00f5es de estrelas. E gigantes, como a vizinha mais pr\u00f3xima, Andr\u00f4meda (M31), com 1 trilh\u00e3o de estrelas.<\/p>\n<p>As simula\u00e7\u00f5es envolveram a queda do g\u00e1s naqueles tr\u00eas tipos de gal\u00e1xias a partir da sua forma\u00e7\u00e3o inicial, quando o Universo contava apenas 1 bilh\u00e3o de anos (<i>redshift 6<\/i>), e prosseguiram ao longo do tempo para estimar o que acontecia quando o Universo tinha 1,5 bilh\u00e3o de anos (<i>redshift 4<\/i>), 3 bilh\u00f5es (<i>redshift 2<\/i>), 6 bilh\u00f5es (<i>redshift 1<\/i>) e 9 bilh\u00f5es de anos (<i>redshift 0,5<\/i>). Redshift, ou \u201cdesvio para o vermelho\u201d, \u00e9 a altera\u00e7\u00e3o na forma como a frequ\u00eancia das ondas de luz \u00e9 observada em fun\u00e7\u00e3o da velocidade relativa entre a fonte emissora e o receptor.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se procurou analisar a varia\u00e7\u00e3o da queda do g\u00e1s a partir da dist\u00e2ncia que ele se encontrava do n\u00facleo gal\u00e1ctico, sob argumento de que quanto mais perto do n\u00facleo maior \u00e9 a gravidade e mais r\u00e1pida a queda. Por outro lado, quanto mais longe do n\u00facleo, menor \u00e9 a gravidade e mais lenta a queda.<\/p>\n<p>\u201cA hip\u00f3tese do trabalho era de que as gal\u00e1xias de maior massa se formariam mais rapidamente do que as de menor massa, pois quanto maior a massa da gal\u00e1xia, maior \u00e9 a sua for\u00e7a gravitacional\u201d, disse Cavichia.<\/p>\n<p>\u201cDa mesma forma, nossa hip\u00f3tese sugeria que o g\u00e1s deveria cair mais rapidamente nas partes internas da gal\u00e1xia do que nas externas\u201d, disse o pesquisador que teve bolsas de mestrado, doutorado e p\u00f3s-doutorado da FAPESP.<\/p>\n<p><b>Gases em queda<\/b><\/p>\n<p>O resultado das simula\u00e7\u00f5es foi na dire\u00e7\u00e3o do que os astrof\u00edsicos esperavam, mas trouxe uma surpresa. \u201cA queda do g\u00e1s \u00e9 mais ou menos constante, com exce\u00e7\u00e3o das regi\u00f5es centrais\u201d, contou Cavichia.<\/p>\n<p>De fato, quanto mais pr\u00f3ximo do n\u00facleo da gal\u00e1xia est\u00e1 o g\u00e1s, mais acelerada \u00e9 a sua queda. E, conforme teorizado, o g\u00e1s cai de forma mais lenta nas gal\u00e1xias de menor massa.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o quer dizer que as gal\u00e1xias pequenas se formaram mais lentamente do que as grandes \u2013 e as grandes, por sua vez, mais devagar do que as gigantes.<\/p>\n<p>\u201cO que a simula\u00e7\u00e3o revelou foi que todas as gal\u00e1xias, tanto gigantes quanto grandes e pequenas, capturam g\u00e1s a uma taxa muito similiar \u00e0 medida que o tempo passa\u201d, explicou Cavichia.<\/p>\n<p>A maior parte do g\u00e1s interestelar dispon\u00edvel para a forma\u00e7\u00e3o de novas estrelas j\u00e1 teria ca\u00eddo quando o Universo completou 9 bilh\u00f5es de anos, o que est\u00e1 de acordo com as observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas.<\/p>\n<p>O passo atual dessa pesquisa \u00e9 estudar a abund\u00e2ncia qu\u00edmica de elementos, como por exemplo o oxig\u00eanio, nos discos das gal\u00e1xias simuladas. O objetivo \u00e9 determinar a quantidade correspondente de cada elemento qu\u00edmico no g\u00e1s presente nos discos formados e avaliar se a similaridade observada na taxa de queda de g\u00e1s para gal\u00e1xias de diferentes massas tem algum reflexo na distribui\u00e7\u00e3o dos elementos qu\u00edmicos ao longo do tempo nestas gal\u00e1xias.<\/p>\n<p>O artigo <i>The role of gas infall in the evolution of disc galaxies<\/i> (doi: 10.1093\/mnras\/stw1723), de Mercedes Moll\u00e1, \u00c1ngeles I. D\u00edaz, Brad K. Gibson, Oscar Cavichia e \u00c1ngel-R. L\u00f3pez-S\u00e1nchez, pode ser lido por assinantes <a href=\"https:\/\/mnras.oxfordjournals.org\/content\/early\/2016\/07\/18\/mnras.stw1723?related-urls=yes&amp;legid=mnras;stw1723v1.\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos temas mais fascinantes da cosmologia trata do estudo da evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias. 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