{"id":5703,"date":"2014-08-29T13:00:26","date_gmt":"2014-08-29T13:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=5703"},"modified":"2014-08-28T23:05:33","modified_gmt":"2014-08-28T23:05:33","slug":"captacao-de-biogas-pode-servir-como-solucao-para-os-residuos-solidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/captacao-de-biogas-pode-servir-como-solucao-para-os-residuos-solidos\/","title":{"rendered":"Capta\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s pode servir como solu\u00e7\u00e3o para os res\u00edduos s\u00f3lidos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/aterro_biogas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-5704\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/aterro_biogas.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>\u201cCom a constru\u00e7\u00e3o de novos aterros, como est\u00e1 previsto na legisla\u00e7\u00e3o, podemos incluir sempre uma capta\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s e, nesse sentido, ser\u00e1 poss\u00edvel tratar o lixo hospitalar, por exemplo. S\u00f3 em Goi\u00e2nia calculamos, seis anos atr\u00e1s, uma capacidade de 3,5 megawatts de energia el\u00e9trica que pode ser produzida atrav\u00e9s de biog\u00e1s de res\u00edduos oriundos do aterro\u201d, diz o pesquisador Joachim Werner Zang.<\/p>\n<p>Apesar do potencial energ\u00e9tico para produzir biog\u00e1s, o Brasil ainda investe pouco nesta fonte energ\u00e9tica. Os motivos s\u00e3o claros: \u201co desconhecimento da tecnologia e a falta de necessidade\u201d, j\u00e1 que 70% da energia produzida no pa\u00eds \u00e9 oriunda de hidrel\u00e9tricas, explica Joachim Zang, em entrevista concedida \u00e0 IHU On-Line por telefone.<\/p>\n<p>O pesquisador esclarece que o biog\u00e1s, implantado na Alemanha h\u00e1 20 anos, seria uma solu\u00e7\u00e3o adequada n\u00e3o s\u00f3 como fonte de energia, mas para resolver outro problema ambiental brasileiro: a quantidade de lixo produzido e mal armazenado. Zang menciona que \u201csegundo o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, o pa\u00eds produz mais ou menos 300 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos da agroind\u00fastria, por ano (\u2026) e cem milh\u00f5es de toneladas de lixo org\u00e2nico domiciliar\u201d.<\/p>\n<p>Esse total de 400 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos org\u00e2nicos, assinala, \u201cpoderia ser aproveitado, desde que separado devidamente de outros materiais, na produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s ou na produ\u00e7\u00e3o de condicionador de solo ou biofertilizante. Essas seriam maneiras de reaproveitar os res\u00edduos, ao inv\u00e9s de simplesmente deix\u00e1-los depositados em algum lugar\u201d.<\/p>\n<p>Embora atualmente o Brasil n\u00e3o esteja aproveitando o biog\u00e1s para garantir o abastecimento de energia, como a exemplo da Alemanha h\u00e1 duas d\u00e9cadas, o pa\u00eds \u201ctem a grande chance de dar o salto tecnol\u00f3gico que a Alemanha deu h\u00e1 mais de 20 anos\u201d, destaca o pesquisador.<\/p>\n<p>Zang menciona ainda que o biog\u00e1s contribui para amenizar os problemas relativos \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e ao aquecimento global. \u201cDo ponto de vista ecol\u00f3gico do aquecimento global, essa pol\u00edtica tamb\u00e9m \u00e9 muito boa, porque os res\u00edduos org\u00e2nicos depositados em aterro sanit\u00e1rio v\u00e3o gerar biog\u00e1s de qualquer jeito, pois o biog\u00e1s \u00e9 gerado quando a mat\u00e9ria org\u00e2nica, sob condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, acima de 20 graus c\u00e9lsius, e na aus\u00eancia de oxig\u00eanio \u00e9 transformada por um cons\u00f3rcio de microrganismos que produzir\u00e3o biog\u00e1s\u201d, pontua.<\/p>\n<p>E acrescenta: \u201cO lixo municipal tem cerca de 65% de mat\u00e9ria org\u00e2nica, e se conseguirmos separar esses res\u00edduos org\u00e2nicos e produzir biog\u00e1s, ser\u00e1 excelente para o pa\u00eds, porque vai diminuir os custos de dep\u00f3sito e n\u00e3o vamos gerar tantos res\u00edduos. Pelo contr\u00e1rio, vamos gerar dois produtos, ou seja, primeiro o biog\u00e1s, que d\u00e1 para produzir energia e segundo um fertilizante org\u00e2nico, diminuindo assim a necessidade de importa\u00e7\u00e3o dessas grandes quantidades de fertilizantes minerais, mais de 21 milh\u00f5es de toneladas em 2013.\u201d.<\/p>\n<p>Joachim Zang \u00e9 doutor em Ci\u00eancias Naturais na \u00c1rea de Geoci\u00eancias da Johannes Gutenberg Universit\u00e4t Mainz, reconhecido pela Universidade de Bras\u00edlia \u2013 UnB. \u00c9 professor de Qu\u00edmica Tecnol\u00f3gica e do Mestrado em Tecnologias de Processos Sustent\u00e1veis do Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia de Goi\u00e1s \u2013 IFG. Respons\u00e1vel no IFG pela coopera\u00e7\u00e3o com a Ag\u00eancia de Coopera\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 GIZ e pelo interc\u00e2mbio do IFG com a Universidade de Ci\u00eancias Aplicadas de Trier, Alemanha (Hochschule Trier), apoiado pelo DAAD (Servi\u00e7o Alem\u00e3o de Interc\u00e2mbio Acad\u00eamico), e outras institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e do ensino superior na Alemanha, como o Centro Alem\u00e3o de Pesquisa em Biomassas DBFZ, a universidade de Rostock, a Universidade de Mainz e o centro de pesquisa J\u00fclich (FZ J\u00fclich), Leibniz Centre for Agricultural Landscape Research (ZALF), o Instituto Fraunhofer, o grupo de biotecnologia CLIB2021, entre outros. Atua juntamente com a Escola de Agronomia da UFG e LANAGRO\/GO nos projetos de coopera\u00e7\u00e3o bilateral PURESBIO e i-NoPa com a Alemanha.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista:<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como se d\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s no Brasil atualmente e qual \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o do biog\u00e1s na matriz energ\u00e9tica brasileira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Joachim Werner Zang<\/strong> \u2013 Hoje no Brasil temos um grande potencial de produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s e ele j\u00e1 est\u00e1 sendo produzido na \u00e1rea de tratamento de efluentes, ou seja, h\u00e1 muito biog\u00e1s produzido, mas ele ainda n\u00e3o \u00e9 aproveitado. De todo modo, h\u00e1 chance de se desenvolver mais biog\u00e1s por conta do movimento iniciado pelo governo brasileiro em parceria com a Ag\u00eancia de Coopera\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 GIZ e o Minist\u00e9rio das Cidades.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Quais as raz\u00f5es de se produzir pouco biog\u00e1s no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/03ea81c5c.183681291.140x185.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-119091\" title=\"Biog\u00e1s como solu\u00e7\u00e3o para os res\u00edduos s\u00f3lidos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/03ea81c5c.183681291.140x185.jpg\" alt=\"03ea81c5c.183681291.140x185 Biog\u00e1s como solu\u00e7\u00e3o para os res\u00edduos s\u00f3lidos\" width=\"140\" height=\"185\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Joachim Werner Zang \u2013<\/strong> As raz\u00f5es s\u00e3o o desconhecimento da tecnologia e a falta de necessidade, porque o Brasil tem muitas fontes de energia, sendo que mais de 70% da energia el\u00e9trica \u00e9 produzida pelas usinas hidrel\u00e9tricas.<\/p>\n<p>Por outro lado, hoje o Brasil enfrenta problemas com o tratamento de res\u00edduos, inclusive com o lixo domiciliar. Segundo o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, o pa\u00eds produz mais ou menos 300 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos das agroind\u00fastrias, por ano. Adicione a esse valor cem milh\u00f5es de toneladas de lixo org\u00e2nico domiciliar produzidas anualmente. D\u00e1 um total de 400 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos org\u00e2nicos que poderiam ser aproveitadas na produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s ou na produ\u00e7\u00e3o de condicionador de solo e fertilizante. Essas seriam maneiras de reaproveitar os res\u00edduos, ao inv\u00e9s de simplesmente deix\u00e1-los depositados em algum lugar.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Qual \u00e9 o potencial energ\u00e9tico do biog\u00e1s, considerando o lixo produzido no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Joachim Werner Zang \u2013<\/strong> O nosso grupo de pesquisa internacional est\u00e1 discutindo e testando diferentes tecnologias para a produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s. A tecnologia mais simples de aproveitamento do biog\u00e1s faz uma purifica\u00e7\u00e3o preliminar, tira enxofre e \u00e1gua e faz uma queima do biog\u00e1s para cogera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica e calor\u00edfica. Essa \u00e9 a grande diferen\u00e7a: se \u00e9 feita uma cogera\u00e7\u00e3o com aproveitamento de calor, aproveita-se at\u00e9 80% da energia, se \u00e9 realizada s\u00f3 a produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, aproveita-se somente at\u00e9 40% da energia. Mas no Brasil ainda n\u00e3o temos a urg\u00eancia de utilizar biog\u00e1s como energia calor\u00edfica para aquecimento, como se faz na Europa, mas o calor poderia ser aproveitado em processos industriais.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Mas no Brasil n\u00e3o h\u00e1 tanto investimento em biog\u00e1s por falta de tecnologia ou por falta de necessidade de ter mais uma fonte energ\u00e9tica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Joachim Werner Zang \u2013<\/strong> N\u00e3o falta tecnologia; ela j\u00e1 existe. Falta conhecimento; temos de transferir essa tecnologia. Sou alem\u00e3o e para mim \u00e9 mais f\u00e1cil cooperar e fazer parcerias de pesquisa com institutos alem\u00e3es e outros pa\u00edses europeus, como a Fran\u00e7a e a Finl\u00e2ndia, no projeto \u201cNo-Waste\u201d, financiado pela Comiss\u00e3o Europeia. J\u00e1 temos parcerias com o Centro Alem\u00e3o de Pesquisa de Biomassa em Leipzig, com v\u00e1rias universidades, como a universidade de Rostock, de Trier, com empresas l\u00edderes do ramo, como a Schaumann Biotechnology, que t\u00eam conhecimento profundo dessa tecnologia e disposi\u00e7\u00e3o de dividir suas pesquisas conosco. Diante disso, o Brasil tem a grande chance de dar o pulo tecnol\u00f3gico que a Alemanha precisava e deu h\u00e1 mais de 20 anos. A Alemanha hoje tem quase 8 mil usinas industriais de biog\u00e1s, enquanto o Brasil tem em torno de 20 usinas com uma capacidade de 19 MW produzindo cerca de 0,06% da energia el\u00e9trica. De todo modo, temos de lembrar que a Alemanha tamb\u00e9m come\u00e7ou nessa faixa h\u00e1 20 anos: no in\u00edcio dos anos 1990 tinha cerca de cem usinas e hoje tem quase 8 mil usinas fornecendo cerca de 15% da energia el\u00e9trica calorifica que o pa\u00eds necessita.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Todo o lixo produzido na Alemanha \u00e9 revertido em biog\u00e1s?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Joachim Werner Zang \u2013<\/strong> N\u00e3o, nem todo o lixo \u00e9 revertido em biog\u00e1s. A Alemanha tem uma estrat\u00e9gia bem diferente de lidar com o lixo em compara\u00e7\u00e3o ao Brasil. Hoje, o lixo n\u00e3o \u00e9 mais depositado; o lixo que n\u00e3o d\u00e1 para ser aproveitado de outra forma, ou seja, que n\u00e3o pode ser utilizado na produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s ou reciclado, \u00e9 queimado. Todos os aterros sanit\u00e1rios l\u00e1 est\u00e3o fechados e aqueles que ainda existem servir\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s nos pr\u00f3ximos 20, 30 anos, fornecendo cerca de 0,5% de energia el\u00e9trica. Nos pr\u00f3ximos 50 anos, com certeza, poderemos produzir biog\u00e1s com muita facilidade nos aterros sanit\u00e1rios do Brasil para produzir energia el\u00e9trica e calor\u00edfica.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Tendo em vista a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos \u2013 PNRS, promulgada em 2010, qual a expectativa em rela\u00e7\u00e3o ao aumento da produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Joachim Werner Zang \u2013<\/strong> A Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos foi bem pensada, mas a realiza\u00e7\u00e3o dela ser\u00e1 o grande desafio. No que se refere ao tratamento de esgoto, por exemplo, esse esgoto gera um lodo prim\u00e1rio que tem grande capacidade na gera\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s. Na cidade de Goi\u00e2nia, por exemplo, temos 90 toneladas de lodo por dia para produzir biog\u00e1s e fertilizantes. O tratamento microbiano de \u00e1gua tamb\u00e9m pode gerar biog\u00e1s.<\/p>\n<p>Na Alemanha \u2014 permita que eu fa\u00e7a as compara\u00e7\u00f5es, porque elas s\u00e3o importantes para vislumbrarmos o que est\u00e1 sendo feito \u2014, a maioria das esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto (ETE\u2019s) s\u00e3o em cidades a partir de 40, 50 mil habitantes que produzem a pr\u00f3pria energia el\u00e9trica, contribuindo assim com quase 1% da produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica; muitos inserem a energia na rede a partir do tratamento de esgoto. Esse \u00e9 um processo muito interessante, o qual poder\u00edamos adotar no Brasil para suprir uma boa parte da energia el\u00e9trica das ETE\u2019s no pa\u00eds. Geralmente as ETE\u2019s s\u00e3o operadas por empresas p\u00fablicas ou p\u00fablico-privadas.<\/p>\n<p>O lixo municipal no Brasil tem cerca de 6065% de mat\u00e9ria org\u00e2nica, e se conseguirmos separar esse lixo e fazer a produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s, ser\u00e1 excelente para o pa\u00eds, porque vai diminuir os custos de dep\u00f3sito e n\u00e3o vamos gerar tantos res\u00edduos. Pelo contr\u00e1rio, vamos gerar dois produtos, ou seja, primeiro o biog\u00e1s, que d\u00e1 para produzir energia, e segundo um fertilizante org\u00e2nico, diminuindo assim a necessidade de importa\u00e7\u00e3o dessas grandes quantidades de fertilizantes minerais, mais de 21 milh\u00f5es de toneladas em 2013. Do ponto de vista ecol\u00f3gico do aquecimento global, essa pol\u00edtica tamb\u00e9m seria muito boa, porque o lixo org\u00e2nico depositado em aterro sanit\u00e1rio vai gerar biog\u00e1s de qualquer jeito, pois o biog\u00e1s \u00e9 gerado quando a mat\u00e9ria org\u00e2nica, sob condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, acima de 20 graus c\u00e9lsius e na aus\u00eancia de oxig\u00eanio \u00e9 transformada por um cons\u00f3rcio de microrganismos que produzir\u00e3o biog\u00e1s. Nesse sentido, todos os lix\u00f5es brasileiros est\u00e3o contribuindo bastante para o aquecimento global.<\/p>\n<p>Mas com a constru\u00e7\u00e3o de novos aterros, como est\u00e1 previsto na legisla\u00e7\u00e3o, podemos incluir sempre uma capta\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s e, nesse sentido, ser\u00e1 poss\u00edvel tratar o lixo hospitalar aproveitando o calor da cogera\u00e7\u00e3o de energia a partir desse biog\u00e1s, por exemplo. S\u00f3 em Goi\u00e2nia calculamos, seis anos atr\u00e1s, uma capacidade de 3,5 megawatts de energia el\u00e9trica que pode ser produzida atrav\u00e9s de biog\u00e1s de res\u00edduos oriundos do aterro.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 O senhor est\u00e1 apontando vantagens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s. H\u00e1, por outro lado, desvantagens nesse tipo de energia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Joachim Werner Zang \u2013<\/strong> Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s desvantagens, novamente quero citar o caso da Alemanha, porque l\u00e1 eles cometeram um grande erro, o qual n\u00e3o precisamos reproduzir no Brasil. Na Alemanha, 60% do material que entra na usina de biog\u00e1s \u00e9 milho, neste caso a planta inteira. Ent\u00e3o, usam uma planta que pode ser nutricional para produzir biog\u00e1s. Houve muitas discuss\u00f5es sobre essa quest\u00e3o, mas no Brasil n\u00e3o podemos reproduzir isso. Nesse sentido, a pol\u00edtica brasileira quer que a produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s seja feita apenas a partir dos res\u00edduos, os quais temos o suficiente.<\/p>\n<p>Ainda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s desvantagens, precisamos de investimento. Se queremos aproveitar biog\u00e1s da queima, esse investimento \u00e9 m\u00e9dio, mas se queremos purificar esse biog\u00e1s para um combust\u00edvel, temos de ter tecnologia de purifica\u00e7\u00e3o \u2014 existem empresas no mercado que est\u00e3o dominando essa energia \u2014, porque \u00e9 preciso purificar o biog\u00e1s para metano puro, j\u00e1 que biog\u00e1s \u00e9 uma mistura de cerca de 60% de metano e de 40% de di\u00f3xido de carbono e outros gases. Tem de retirar o di\u00f3xido de carbono e alguns outros gases, porque ningu\u00e9m quer transportar di\u00f3xido de carbono junto para queimar somente o metano depois. Outra desvantagem \u00e9 o fato de que algumas usinas de biog\u00e1s no Brasil n\u00e3o funcionam direito; falta investimento em pesquisa. Nesse sentido, temos de investigar bastante o processo de produ\u00e7\u00e3o do biog\u00e1s para manter um processo eficiente. Para isso, precisamos formar uma gera\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos, tecn\u00f3logos, mestres, engenheiros e pesquisadores que dominem essa tecnologia.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 O biog\u00e1s tem alguma implica\u00e7\u00e3o nas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, j\u00e1 que \u00e9 composta essencialmente de metano e di\u00f3xido de carbono, ou o tratamento dos gases \u00e9 suficiente para n\u00e3o gerar problemas ambientais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Joachim Werner Zang &#8211;<\/strong> Implica\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica tem quando o biog\u00e1s for liberado direto, ou seja, sem tratamento, na atmosfera. O metano \u00e9 23 vezes mais problem\u00e1tico para o aquecimento global e para o efeito estufa do que o di\u00f3xido de carbono. Ent\u00e3o, se n\u00e3o tiver aproveitamento de biog\u00e1s, o melhor \u00e9 queim\u00e1-lo e transform\u00e1-lo assim em di\u00f3xido de carbono. Todo o CO2 liberado com a queima do biog\u00e1s foi incorporado durante o crescimento das plantas. Ent\u00e3o, se aproveitarmos o esquema do biog\u00e1s, estamos na realidade favorecendo a atmosfera.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Em que consiste o projeto brasileiro-alem\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de biometano? Pode nos explicar em que consiste o biometano e quais suas vantagens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gasolina, por exemplo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Joachim Werner Zang \u2013<\/strong> Na coopera\u00e7\u00e3o Brasil-Alemanha tem v\u00e1rios projetos, mas neste caso trata-se de um projeto intergovernamental com a ag\u00eancia de coopera\u00e7\u00e3o alem\u00e3 GIZ e o Minist\u00e9rio das Cidades, especialmente sobre biog\u00e1s a partir de tratamento de efluentes e biog\u00e1s derivado de res\u00edduos de aterros sanit\u00e1rios. A Alemanha est\u00e1 apoiando as pesquisas realizadas no Brasil e o dinheiro utilizado para o desenvolvimento das pesquisas \u00e9 oriundo de fundos de clima europeus, ou seja, entre outros, de cr\u00e9ditos de carbono. Ent\u00e3o, empresas que n\u00e3o investiram o suficiente, ou n\u00e3o conseguiram diminuir suficientemente a emiss\u00e3o de CO2, pagam taxas ou projetos para outros pa\u00edses atrav\u00e9s do Protocolo de Kyoto. Esse dinheiro e o de outros fundos europeus s\u00e3o aproveitados para ajudar no desenvolvimento de pesquisa e tecnologia no Brasil, porque o pa\u00eds produz centenas de milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos por ano, que podem fazer uma grande diferen\u00e7a nas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O biometano \u00e9 uma fonte renov\u00e1vel de energia, que podem ser visto como praticamente inesgot\u00e1vel tendo em vista a vida humana. Alguns podem argumentar que o carv\u00e3o e o petr\u00f3leo tamb\u00e9m s\u00e3o renov\u00e1veis em alguma medida, mas considerando os milh\u00f5es de anos necess\u00e1rios para a sua forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o vistos como renov\u00e1veis. Nesse sentido, o biog\u00e1s \u00e9 considerado realmente renov\u00e1vel porque n\u00e3o gera mais CO2, o qual j\u00e1 foi consumido pelas plantas. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gasolina, tem grandes vantagens. O ciclo completo de gera\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s \u00e9 igual ao etanol, que \u00e9 90% renov\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Qual t\u00eam sido a aceitabilidade e o uso do biometano na Europa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Joachim Werner Zang \u2013<\/strong> O biometano est\u00e1 em fase inicial de implanta\u00e7\u00e3o na Alemanha; ainda h\u00e1 poucas frotas que o utilizam. Mas essa \u00e9 uma quest\u00e3o pol\u00edtica e, nesse sentido, o pa\u00eds est\u00e1 oferecendo subs\u00eddios e garantias para que o biometano seja utilizado. A grande vantagem do biog\u00e1s, por exemplo, al\u00e9m da energia renov\u00e1vel, \u00e9 que ele \u00e9 produzido no local, ent\u00e3o n\u00e3o precisa transport\u00e1-lo de um local a outro. Nesse sentido, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de gastar energia, por exemplo, para que um caminh\u00e3o leve a gasolina a v\u00e1rios locais do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como v\u00ea a atua\u00e7\u00e3o do Brasil em encontrar alternativas energ\u00e9ticas? O pa\u00eds est\u00e1 avan\u00e7ando ou ainda h\u00e1 dificuldades em pensar alternativas energ\u00e9ticas pelo fato de o pa\u00eds dispor de muitos recursos naturais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Joachim Werner Zang \u2013<\/strong> No Brasil n\u00e3o havia, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a necessidade de procurar alternativas energ\u00e9ticas, mas agora estamos observando a escassez de \u00e1gua, os problemas de fornecimento de energia, e ent\u00e3o o foco dos governos federal e estaduais \u00e9 procurar alternativas e solu\u00e7\u00f5es. A dificuldade \u00e9 que nem sempre h\u00e1 leis municipais, estaduais ou federal que obriguem, por exemplo, que cada nova casa constru\u00edda tenha aquecimento solar para \u00e1gua. Se tivesse uma lei, resolveria um problema em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 energia.<\/p>\n<p>De todo modo, tem a energia solar, que funciona muito bem, mas temos de pesquisar ainda sobre o sistema fotovoltaico, porque quando a placa solar aquece o rendimento cai pela metade. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 energia e\u00f3lica, o desempenho \u00e9 fant\u00e1stico em algumas regi\u00f5es do Brasil, porque poderia ter energia dia e noite, se houver vento, mas em outras regi\u00f5es n\u00e3o, e, portanto, tamb\u00e9m trata-se de uma energia flutuante. Energia de biomassa d\u00e1 para controlar desde a queima at\u00e9 o armazenamento, ent\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer um mix de energias alternativas que podem substituir as energias f\u00f3sseis na produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, devido \u00e0 escassez de \u00e1gua e \u00e0 falta de chuva nos \u00faltimos anos. Ent\u00e3o, precisamos de um mix de hidrel\u00e9tricas, energia e\u00f3lica, energia solar, energia de biomassa e ainda outras energias alternativas que poder\u00edamos pesquisar.<\/p>\n<p><em>* Publicado originalmente no site <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/534328-biogas-como-solucao-para-os-residuos-solidos-entrevista-especial-com-joachim-werner-zang\" target=\"_blank\">IHU On-Line<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cCom a constru\u00e7\u00e3o de novos aterros, como est\u00e1 previsto na legisla\u00e7\u00e3o, podemos incluir sempre uma<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5704,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/aterro_biogas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/aterro_biogas.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/aterro_biogas.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/aterro_biogas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/aterro_biogas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/aterro_biogas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/aterro_biogas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/aterro_biogas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/aterro_biogas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/aterro_biogas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u201cCom a constru\u00e7\u00e3o de novos aterros, como est\u00e1 previsto na legisla\u00e7\u00e3o, podemos incluir sempre uma","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5703"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5703"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5703\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5704"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5703"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5703"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5703"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}