{"id":56882,"date":"2016-12-31T00:00:48","date_gmt":"2016-12-31T03:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=56882"},"modified":"2017-01-01T19:21:41","modified_gmt":"2017-01-01T22:21:41","slug":"mae-terra-ameacada-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mae-terra-ameacada-2\/","title":{"rendered":"M\u00e3e Terra amea\u00e7ada"},"content":{"rendered":"<h4>\u201cSe n\u00e3o come\u00e7armos com mudan\u00e7as substanciais, o futuro comum Terra-Humanidade corre risco. Vivemos tempos de urg\u00eancia e de irreversibilidade. A Terra nunca mais ser\u00e1 como antes.\u201d<\/h4>\n<div class=\"leituraHolder\">\n<div class=\"complementoTop\">\n<div class=\"autor\">\n<p>Leonardo Boff * redacao@revistaecologico.com.br<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"fotoMateria right\"><img class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/noticias\/aquecimento-global-credito-dominiopublico2.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p>H\u00e1 quatro amea\u00e7as que pesam sobre a nossa Casa Comum e que exigem de n\u00f3s especial cuidado. A primeira \u00e9 a vis\u00e3o pobre da Terra sem vida e sem prop\u00f3sito dos tempos modernos. Ela foi entregue \u00e0 explora\u00e7\u00e3o impiedosa em vista do enriquecimento. Tal vis\u00e3o, que trouxe benef\u00edcios ineg\u00e1veis, acarretou tamb\u00e9m um desequil\u00edbrio em todos os ecossistemas que provocaram a atual crise ecol\u00f3gica generalizada. Nesse af\u00e3 foram eliminados povos inteiros, como na Am\u00e9rica Latina devastaram a Floresta Atl\u00e2ntica e, em parte, a Amaz\u00f4nia e o Cerrado.<\/p>\n<p>Em janeiro de 2015, 18 cientistas publicaram na famosa revista Science o estudo \u201cOs limites planet\u00e1rios: um guia para um desenvolvimento humano num mundo em muta\u00e7\u00e3o\u201d. Elencaram nele nove dados fundamentais para a continuidade da vida. Entre eles estavam o equil\u00edbrio dos climas, a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade, a preserva\u00e7\u00e3o da camada de oz\u00f4nio e o controle da acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos. Todos os itens encontram-se em estado de eros\u00e3o. Mas dois s\u00e3o os mais degradados, que eles chamam de \u201climites fundamentais\u201d: a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e a extin\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. O rompimento dessas duas fronteiras fundamentais pode levar a civiliza\u00e7\u00e3o ao colapso.<\/p>\n<p>Cuidar da Terra nesse contexto significa que ao paradigma da conquista que devasta a natureza devemos opor o paradigma do cuidado que a preserva. Este cura as feridas passadas e evita as futuras. O cuidado nos leva a conviver amigavelmente com todos os demais seres e a respeitar os ritmos da natureza. Devemos, sim, produzir o que precisamos para viver, mas com cuidado e dentro dos limites suport\u00e1veis de cada regi\u00e3o e com a riqueza de cada ecossistema. \u00c0 Terra como ba\u00fa de recursos, devemos opor a sua compreens\u00e3o atual como Grande M\u00e3e e Gaia, superorganismo vivo.<\/p>\n<p>A segunda amea\u00e7a consiste na m\u00e1quina de morte das armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa: armas qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas e nucleares. Elas j\u00e1 est\u00e3o montadas e podem destruir toda a vida do planeta por 25 formas diferentes. Como a seguran\u00e7a nunca \u00e9 total, devemos cuidar para que n\u00e3o sejam usadas em guerras e que os mecanismos de seguran\u00e7a sejam cada vez mais severos.<\/p>\n<p>A essa amea\u00e7a devemos opor uma cultura da paz, do respeito aos direitos da vida, da natureza e da M\u00e3e Terra, da distens\u00e3o e do di\u00e1logo entre os povos. Em vez do ganha-perde, viver o ganha-ganha buscando converg\u00eancias nas diversidades. Isso significa criar equil\u00edbrio e gerar o cuidado.<\/p>\n<p>CUIDAR \u00c9 PRECISO<\/p>\n<p>A terceira amea\u00e7a \u00e9 a falta de \u00e1gua pot\u00e1vel. De toda a \u00e1gua que existe na Terra apenas 3% \u00e9 doce, o resto \u00e9 salgada. Destes, em torno de 10% v\u00e3o para a dessedenta\u00e7\u00e3o humana e animal. \u00c9 um volume irris\u00f3rio, o que explica que mais de um bilh\u00e3o de pessoas vivem com insufici\u00eancia de \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p>Cuidar da \u00e1gua da Terra \u00e9 cuidar das florestas, pois s\u00e3o elas as protetoras naturais de todas as \u00e1guas. Cuidar da \u00e1gua exige zelar para que as nascentes sejam cercadas de \u00e1rvores e todos os rios tenham sua mata ciliar, pois s\u00e3o elas que alimentam as nascentes. Ocorre que mais da metade das florestas \u00famidas foram desmatadas, alterando os climas, secando rios ou diminuindo a \u00e1gua dos aqu\u00edferos. O que melhor podemos sempre fazer \u00e9 reflorestar.<\/p>\n<p>A quarta grande amea\u00e7a \u00e9 representada pelo aquecimento crescente da Terra. Pertence \u00e0 geof\u00edsica do planeta que ele conhe\u00e7a fases de frio e fases de calor que sempre se alternam. Ocorre que este ritmo natural foi alterado pela excessiva interven\u00e7\u00e3o humana em todas as frentes da natureza e da Terra. O di\u00f3xido de carbono, o metano e outros gases do processo industrial criaram uma nuvem que circunda toda a Terra e que ret\u00e9m o calor aqui em baixo. Estamos pr\u00f3ximos a 2oC. Com essa temperatura pode-se ainda administrar os ciclos da vida.<\/p>\n<p>A COP-21 de Paris criou um consenso entre as 192 na\u00e7\u00f5es de fazer tudo para n\u00e3o chegar a dois graus Celsius, tendendo a 1,5oC ao n\u00edvel pr\u00e9-industrial. Se ultrapass\u00e1-lo, a esp\u00e9cie humana estar\u00e1 perigosamente amea\u00e7ada. Pena que tais decis\u00f5es n\u00e3o tenham valor legal. Mas sejam apenas volunt\u00e1rias.<\/p>\n<p>N\u00e3o sem raz\u00e3o os cientistas criaram uma nova palavra para qualificar nosso tempo: o antropoceno. Este configuraria uma nova era geol\u00f3gica, na qual o grande amea\u00e7ador da vida, o verdadeiro sat\u00e3 da Terra, \u00e9 o pr\u00f3prio ser humano em sua irresponsabilidade e falta de cuidado.<\/p>\n<p>Outros aventam a hip\u00f3tese de que a M\u00e3e Terra n\u00e3o nos quer mais vivendo em sua Casa. Ela arranjaria um modo de nos eliminar, seja por um desastre ecol\u00f3gico de propor\u00e7\u00f5es apocal\u00edpticas seja por alguma superbact\u00e9ria poderos\u00edssima e inatac\u00e1vel, permitindo assim que as outras esp\u00e9cies n\u00e3o se sentissem mais amea\u00e7adas por n\u00f3s e possam continuar no processo da evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contra o aquecimento global devemos buscar fontes alternativas de energia, como a da biomassa, a solar e a e\u00f3lica, pois a f\u00f3ssil e o petr\u00f3leo, este o motor de nossa civiliza\u00e7\u00e3o industrial, produz, em grande parte, o di\u00f3xido de carbono. Devemos viver os v\u00e1rios erres (Rs) da Carta da Terra: reduzir, reutilizar e reciclar, reflorestar, respeitar e rejeitar todo o apelo ao consumo. Tudo o que possa poluir o ar deve ser evitado para impedir o aquecimento global.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o come\u00e7armos com mudan\u00e7as substanciais, o futuro comum Terra-Humanidade corre risco. Vivemos tempos de urg\u00eancia e de irreversibilidade. A Terra nunca mais ser\u00e1 como antes. Temos que cuidar para que as transforma\u00e7\u00f5es que lhe temos introduzido sejam ben\u00e9ficas para a vida e n\u00e3o o seu holocausto.<\/p>\n<p>(*) Professor e te\u00f3logo.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSe n\u00e3o come\u00e7armos com mudan\u00e7as substanciais, o futuro comum Terra-Humanidade corre risco. 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