{"id":5660,"date":"2014-08-28T16:00:52","date_gmt":"2014-08-28T16:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=5660"},"modified":"2014-08-28T00:12:37","modified_gmt":"2014-08-28T00:12:37","slug":"das-entranhas-da-terra-cientistas-conseguem-desvendar-a-alma-do-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/das-entranhas-da-terra-cientistas-conseguem-desvendar-a-alma-do-sol\/","title":{"rendered":"Das entranhas da Terra, cientistas conseguem desvendar a alma do Sol"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/alma_sol.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-5661\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/alma_sol.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Nos subterr\u00e2neos de uma montanha, cientistas conseguiram observar pela primeira vez o n\u00facleo do Sol atrav\u00e9s de suas emiss\u00f5es de neutrinos, escorregadias part\u00edculas elementares que demonstram que nossa estrela continuar\u00e1 brilhando por pelo menos mais 100.000 anos.<\/p>\n<p>&#8220;Se \u00e9 certo que os olhos s\u00e3o o espelho da alma, ent\u00e3o, com esses neutrinos n\u00e3o estamos vendo apenas a face do Sol, mas tamb\u00e9m seu n\u00facleo. Conseguimos vislumbrar a alma do Sol&#8221;, anunciou o f\u00edsico Andrea Pocar, da Universidade de Massachusetts, em Amherst (nordeste dos Estados Unidos), que participou dessa descoberta feita gra\u00e7as ao detector Borexino.<\/p>\n<p>O detector est\u00e1 enterrado sob 1.400 metros de rocha no laborat\u00f3rio do Gran Sasso, na It\u00e1lia (centro).<\/p>\n<p>A energia do Sol prov\u00e9m, em 99%, da fus\u00e3o de n\u00facleos de hidrog\u00eanio no cora\u00e7\u00e3o da estrela. Essa rea\u00e7\u00e3o transforma os pr\u00f3tons (part\u00edculas com carga positiva) em um n\u00facleo de deut\u00e9rio (uma forma de hidrog\u00eanio) e libera, entre outras part\u00edculas, um neutrino de baixa energia denominado &#8220;neutrino pp&#8221; (&#8220;pr\u00f3ton-pr\u00f3ton&#8221;) &#8211; resumiu o Centro Nacional de Pesquisa Cient\u00edfica (CNRS) da Fran\u00e7a, que tamb\u00e9m participou da experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Desprovidos de carga el\u00e9trica e muito pouco sens\u00edveis \u00e0 gravidade, os neutrinos interagem escassamente com os \u00e1tomos e, portanto, atravessam a mat\u00e9ria, quase sem consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Essas caracter\u00edsticas permitem aos &#8220;neutrinos pp&#8221;, produzidos pelo n\u00facleo solar, atravessar em poucos segundos o plasma solar e chegar \u00e0 Terra apenas oito minutos mais tarde, a uma velocidade pr\u00f3xima \u00e0 da luz. Trata-se de um bombardeio maci\u00e7o, mas indolor ao nosso planeta, na raz\u00e3o de dezenas de milhares de part\u00edculas por cent\u00edmetro quadrado por segundo.<\/p>\n<p>Inversamente, a energia produzida por essa rea\u00e7\u00e3o \u00e9 transportada sob a forma de f\u00f3tons e demorar\u00e1 &#8220;uma ou duas centenas de milhares de anos para atravessar a mat\u00e9ria densa do Sol&#8221;, antes de chegar \u00e0 sua superf\u00edcie e depois \u00e0 Terra, explicou o CNRS.<\/p>\n<p>&#8211; Testemunhas diretas &#8211;<\/p>\n<p>Os neutrinos observados na experi\u00eancia Borexino s\u00e3o efetivamente &#8220;testemunhas diretas do que acontece atualmente no cora\u00e7\u00e3o da estrela, enquanto sua energia nos aquece&#8221; sob a forma de raios luminosos. Energia essa que foi produzida h\u00e1 dezenas de milhares de anos.<\/p>\n<p>&#8220;Ao comparar esses dois tipos de energia emitida pelo Sol, obtemos informa\u00e7\u00f5es sobre seu equil\u00edbrio termodin\u00e2mico por um per\u00edodo de uns 100.000 anos&#8221;, destacou Andrea Pocar.<\/p>\n<p>Os resultados mostram que a atividade do Sol praticamente n\u00e3o mudou desde ent\u00e3o e &#8220;confirmam que nossa estrela continuar\u00e1 funcionando de forma an\u00e1loga durante, pelo menos, mais 100 mil anos&#8221;, continua o CNRS.<\/p>\n<p>Essa prim\u00edcia mundial p\u00f4de ser obtida gra\u00e7as \u00e0 experi\u00eancia Borexino, da qual participa uma centena de cientistas do mundo todo em um t\u00fanel escavado sob os Apeninos. Suas rochas absorvem os raios c\u00f3smicos que bombardeiam permanentemente a Terra e que poderiam falsificar as medi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 ali que, em uma esfera inoxid\u00e1vel de 14 metros de di\u00e2metro, por sua vez protegida por um enorme dep\u00f3sito d&#8217;\u00e1gua, o detector consegue captar os escorregadios neutrinos do Sol em um entorno o mais isolado poss\u00edvel das intera\u00e7\u00f5es do mundo exterior.<\/p>\n<p>Para consegui-lo, Borexino utiliza um &#8220;centelhador org\u00e2nico&#8221; cheio de um hidrocarboneto l\u00edquido resultante de &#8220;um petr\u00f3leo realmente muito, muito antigo&#8221;, de v\u00e1rios milh\u00f5es de anos de idade, acrescentou Andrea Pocar.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s o usamos para eliminar todo o carbono 14 poss\u00edvel&#8221;, j\u00e1 que essa forma naturalmente radioativa de carbono, que desaparece com o tempo, &#8220;cobre os sinais de neutrinos que queremos detectar&#8221;.<\/p>\n<p>O l\u00edquido ultrapuro dentro do detector cont\u00e9m uma radioatividade dez bilh\u00f5es de vezes maior do que um copo d&#8217;\u00e1gua, segundo o CNRS. S\u00e3o &#8220;caracter\u00edsticas \u00fanicas&#8221; que permitiram observar &#8220;quase em tempo real&#8221; os fluxos de neutrinos lan\u00e7ados pelo Sol.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos subterr\u00e2neos de uma montanha, cientistas conseguiram observar pela primeira vez o n\u00facleo do Sol<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5661,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/alma_sol.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/alma_sol.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/alma_sol.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/alma_sol.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/alma_sol.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/alma_sol.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/alma_sol.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/alma_sol.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/alma_sol.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/alma_sol.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nos subterr\u00e2neos de uma montanha, cientistas conseguiram observar pela primeira vez o n\u00facleo do Sol","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5660"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5660"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5660\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5661"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5660"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5660"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}