{"id":56583,"date":"2016-12-28T14:00:13","date_gmt":"2016-12-28T17:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=56583"},"modified":"2016-12-28T10:48:42","modified_gmt":"2016-12-28T13:48:42","slug":"rio-grande-do-sul-produz-primeira-variedade-de-arroz-para-sushi-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/rio-grande-do-sul-produz-primeira-variedade-de-arroz-para-sushi-no-brasil\/","title":{"rendered":"Rio Grande do Sul produz primeira variedade de arroz para sushi no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=56585\" rel=\"attachment wp-att-56585\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-56585\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/arroz-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/arroz-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/arroz.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Para recuperar a queda de consumo de arroz no mercado interno nos \u00faltimos anos, produtores e ind\u00fastria v\u00eam apostando em novas cultivares, mais resistentes e saborosas. Variedade especial da culin\u00e1ria japonesa, a primeira desenvolvida no Brasil por pesquisadores da Embrapa, e produzida pela Josapar, dona de marcas tradicionais como Tio Jo\u00e3o e Biju, come\u00e7a a chegar \u00e0 mesa dos consumidores ga\u00fachos. A novidade \u00e9 a variedade BRS 358, de gr\u00e3o curto e com baixo teor de amilose, qualidade que deixa o arroz mais pegajoso ap\u00f3s o cozimento \u2014 bastante popular na culin\u00e1ria japonesa.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, as empresas brasileiras eram obrigadas a pagar mais ao importar o gr\u00e3o diretamente do Jap\u00e3o ou investir em variedades de baixa produtividade para garantir o produto na mesa brasileira. As cultivares trazidas do Oriente e produzidas no pa\u00eds n\u00e3o se adaptaram bem ao ambiente local.<\/p>\n<div class=\"materia-foto\">\n<p><img src=\"http:\/\/zh.rbsdirect.com.br\/imagesrc\/22284598.jpg?w=640\" \/><\/p>\n<div class=\"legenda\">Lara construiu sistema de irriga\u00e7\u00e3o para plantar arroz onde antes criava gado <span class=\"credito\">Foto: Omar Freitas \/ Agencia RBS<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u2014 A produtividade de uma determinada cultivar vem metade da carga gen\u00e9tica e outra metade do ambiente. A vantagem da BRS 358 \u00e9 que ela tem os mesmos padr\u00f5es de qualidade do gr\u00e3o jap\u00f4nico, mas com adapta\u00e7\u00e3o para o clima brasileiro \u2014 explica um dos pesquisadores respons\u00e1veis, Ariano Magalh\u00e3es, referindo-se ao porte baixo do vegetal.<\/p>\n<div class=\"materia-foto\">\n<p><img src=\"http:\/\/zh.rbsdirect.com.br\/imagesrc\/22287842.jpg?w=640\" \/><span class=\"credito\">Foto: Carlos Garcia \/ RBS<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A caracter\u00edstica a torna resistente ao acamamento, e com folhas eretas, o que significa maior capacidade fotossint\u00e9tica, conferindo maior potencial produtivo.<\/p>\n<p>A variedade \u00e9 at\u00e9 30 cent\u00edmetros menor em compara\u00e7\u00e3o com outras cultivares \u2014 e tem potencial para alcan\u00e7ar recordes de produtividade, o que abre portas para produ\u00e7\u00e3o em escala no pa\u00eds nos pr\u00f3ximos anos. \u00c9 resultado de mais de dez anos de trabalho dos pesquisadores da Embrapa Clima Temperado (Pelotas), da Embrapa Arroz e Feij\u00e3o (GO) e de outros centros de pesquisa ligados ao programa de melhoramento de arroz especial da Embrapa.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o exclusiva coube \u00e0 Josapar por leil\u00e3o, que em parceria com produtores locais, cultiva as sementes em solo ga\u00facho. Ao todo s\u00e3o 210 hectares dedicados exclusivamente para a variedade.<\/p>\n<p><b>Remunera\u00e7\u00e3o maior<\/b><\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia adotada pela ind\u00fastria para incentivar o plantio \u00e9 remunerar mais pela produ\u00e7\u00e3o: a produtividade da lavoura \u00e9 multiplicada por 1,5. Assim, aquele que colher 150 quilos por hectare da nova cultivar, por exemplo, tem o mesmo ganho daquele que colhe 225 quilos do popular gr\u00e3o longo e fino. \u00c9 o mesmo expediente que a Josapar utiliza no programa 100% Gr\u00e3os Nobres, em que a empresa paga mais para garantir que produtores invistam em variedades de menor rendimento, mas de maior qualidade.<\/p>\n<p>Um dos arrozeiros parceiros da variedade jap\u00f4nica \u00e9 Antonio de Ara\u00fajo Lara, que arrenda propriedade de 540 hectares em Pedro Os\u00f3rio, no sul do Estado. A colabora\u00e7\u00e3o do produtor \u00e9 fundamental. Ele det\u00e9m uma dos raros solos ainda &#8220;virgens&#8221; no Estado, peda\u00e7os de terra onde nunca foi plantado arroz antes. Esse atributo garante que a cultivar n\u00e3o seja &#8220;contaminada&#8221; por outras variedades de arroz que ficam no solo de ciclos anteriores.<\/p>\n<p>Com a ajuda da Josapar, uma \u00e1rea de campo antes destinada \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de gado foi adaptada para receber o plantio e montada estrutura de irriga\u00e7\u00e3o. Lara recebe ainda uma remunera\u00e7\u00e3o extra devido \u00e0 escassez de \u00e1reas virgens. No restante da propriedade h\u00e1 tr\u00eas planos de lavoura, com revezamento entre cultivo de arroz e soja e tamb\u00e9m pecu\u00e1ria. A cada dois anos acontece a rota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 A BRS 358 \u00e9 uma variedade com boa arrancada. Outras demoram a brotar. Evita a necessidade de replantio por causa de chuva, muito comum em outros tipos. Tamb\u00e9m \u00e9 r\u00fastica, reage bem ao frio \u2014 conta Lara, que produziu a cultivar pela primeira vez ano passado, quando chegou a m\u00e9dia de 142 quilos por hectare.<\/p>\n<p>\u2014 Multiplicado por 1,5, fui remunerado como se tivesse colhido m\u00e9dia de 213 quilos do gr\u00e3o convencional. Um n\u00famero muito bom. Este ano quero chegar a 150, 155 se o clima ajudar. Ainda estou me adaptando \u2014 conta.<\/p>\n<p><b>Produtividade em alta e \u00e1rea est\u00e1vel<\/b><\/p>\n<p>Favorecidas pelo clima das \u00faltimas semanas, a semeadura do arroz se encaminha para a reta final \u2014 resta menos de 1% de \u00e1rea ainda a ser plantada. Com os reservat\u00f3rios em n\u00edvel m\u00e1ximo de armazenagem de \u00e1gua para a irriga\u00e7\u00e3o, produtores preparam-se para trabalhar no controle de invasoras e pragas com a aplica\u00e7\u00e3o de fertilizantes.<\/p>\n<p>Estimativa do Instituto Riograndense do Arroz (Irga) \u00e9 que em 2017 sejam colhidos entre 8,2 e 8,4 milh\u00f5es de toneladas no Estado \u2014 resultado bastante pr\u00f3ximo da m\u00e9dia de 8,3 milh\u00f5es de toneladas alcan\u00e7adas entre 2010 e 2015.<b><br \/>\n<\/b><\/p>\n<p>\u2014 Ap\u00f3s um ano de quebra de safra, devemos retornar \u00e0 normalidade \u2014 afirma Tiago Barata, diretor comercial do Irga.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o de produtividade m\u00e9dia para o Rio Grande do Sul \u00e9 de 7.554 quilos\/hectare a (151 sacas\/hectare), tamb\u00e9m similar \u00e0 m\u00e9dia observada pelo Irga nos cinco anos agr\u00edcolas anteriores \u00e0 quebra da \u00faltima safra. Se confirmado ser\u00e1 9% maior do que a produtividade m\u00e9dia do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p><b>10 anos antes de chegar ao campo<\/b><\/p>\n<p>Em uma \u00e1rea de 65 hectares em Pelotas e arredores, a Embrapa desenvolve pesquisas de diferentes cultivares. A maior parte \u00e9 voltada para gr\u00e3o longo fino, o &#8220;agulhinha&#8221;, preferido dos brasileiros. Tamb\u00e9m h\u00e1 espa\u00e7o para outras variedades, ainda menos populares, mas que vem conquistando o paladar dos consumidores.<\/p>\n<p>Antes de chegar \u00e0 ind\u00fastria pesquisadores se debru\u00e7am sobre a cultivar por cerca de 10 anos. Neste per\u00edodo, s\u00e3o realizados cruzamentos para encontrar a melhor unidade poss\u00edvel. As selecionadas servem de modelo para a gera\u00e7\u00e3o seguinte de sementes. Isso \u00e9 feito no m\u00ednimo por seis anos. S\u00f3 depois come\u00e7am as avalia\u00e7\u00f5es de rendimento da variedade.<\/p>\n<p>\u2014 A pesquisa chega a envolver 10 mil plantas em um \u00fanico cruzamento, o que obriga os cientistas a caminharem muito nas lavouras experimentais do sul do Estado \u2014 conta o pesquisador Ariano Magalh\u00e3es, que tem 26 anos de experi\u00eancia em melhoramento de arroz.<\/p>\n<p>O teste final, aplicado pelo Minist\u00e9rio da Agricultura, antes da variedade chegar ao mercado, chama-se DHE: \u00e9 quando \u00e9 avaliado se a semente \u00e9 distingu\u00edvel (diferente de qualquer outra j\u00e1 existente), homog\u00eanea (as plantas geradas tem caracter\u00edsticas semelhantes) e est\u00e1vel (a semente n\u00e3o mudar\u00e1 ao longo do tempo). S\u00f3 depois de aprovado, \u00e9 feito o registro da semente.<\/p>\n<p><b>Maior escala com tecnologia resistente<\/b><\/p>\n<div class=\"materia-foto\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/zh.rbsdirect.com.br\/imagesrc\/22284611.jpg?w=640\" width=\"640\" height=\"426\" \/>Meta \u00e9 desenvolver variedade resistente a herbicidas, diz Magalh\u00e3es <span class=\"credito\">Foto: Omar Freitas \/ Agencia RBS<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Embrapa j\u00e1 trabalha para lan\u00e7ar a variedade jap\u00f4nica com tecnologia Clearfield (CL), o que permitiria a produ\u00e7\u00e3o do gr\u00e3o em maior escala. O sistema &#8220;CL&#8221;, como \u00e9 conhecido, \u00e9 um m\u00e9todo de controle qu\u00edmico que permite utilizar herbicida que elimine o &#8220;arroz vermelho&#8221;, uma das principais pragas da lavoura ga\u00facha, sem prejudicar o gr\u00e3o de qualidade. Cultivares convencionais, sem a tecnologia, s\u00e3o sens\u00edveis a herbicidas mais potentes e, por isso, exigem cuidados extras que limitam o espa\u00e7o da \u00e1rea plantada.<\/p>\n<p>A cultivar convencional precisa ser plantada em \u00e1reas limpas \u2014 terrenos que n\u00e3o receberam outro tipo de variedade de arroz por pelo menos seis anos. Sem controle qu\u00edmico, a alternativa \u00e9 apostar em \u00e1reas de rota\u00e7\u00e3o de soja.<\/p>\n<p>\u2014 Uma das nossas metas \u00e9 criar a BRS 358 CL. O produtor tamb\u00e9m sinaliza o que precisa \u2014 diz Ariano Magalh\u00e3es, pesquisador da Embrapa.<\/p>\n<p>Atualmente, a Josapar comercializa produtos com a variedade convencional voltada ao mercado japon\u00eas, como o bolinho de arroz, com escala reduzida. Com a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, visualiza utilizar tamb\u00e9m em outros alimentos.<\/p>\n<p>\u2014 A ideia \u00e9 aumentar o programa conforme a aceita\u00e7\u00e3o do mercado. Com uma cultivar brasileira, o produto ficar\u00e1 competitivo em termos de pre\u00e7o. Temos outros projetos em desenvolvimento. Em 2017 tem mais novidade da marca Tio Jo\u00e3o \u2014 adianta Gilsomar Farias da Silveira, diretor-adjunto de Abastecimento e Insumos.<\/p>\n<p>Silveira admite que a crise econ\u00f4mica afeta o desempenho de marcas premium, mas garante que o investimento continua.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 importante para o cliente ver nossa preocupa\u00e7\u00e3o com ele. Atingimos mais consumidores lan\u00e7ando produtos novos, sempre com um trabalho seletivo, trazendo mais qualidade \u2014 diz.<\/p>\n<p><b>Saiba mais<\/b>:<\/p>\n<p>Irga aponta que nos \u00faltimos 20 anos o consumo de arroz caiu 17% no Rio Grande do Sul. De 1995 para c\u00e1, a m\u00e9dia por habitante passou de 60 quilos para 49,8 quilos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para recuperar a queda de consumo de arroz no mercado interno nos \u00faltimos anos, produtores<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":56585,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/arroz.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/arroz-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/arroz-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/arroz.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/arroz.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/arroz.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/arroz.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/arroz.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/arroz.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/arroz.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Para recuperar a queda de consumo de arroz no mercado interno nos \u00faltimos anos, produtores","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56583"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56583"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56583\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56585"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56583"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56583"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56583"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}