{"id":56550,"date":"2016-12-28T09:00:10","date_gmt":"2016-12-28T12:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=56550"},"modified":"2016-12-27T21:23:06","modified_gmt":"2016-12-28T00:23:06","slug":"plantas-que-estao-nos-canteiros-das-ruas-e-ate-em-nosso-quintal-tem-enorme-potencial-nutritivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/plantas-que-estao-nos-canteiros-das-ruas-e-ate-em-nosso-quintal-tem-enorme-potencial-nutritivo\/","title":{"rendered":"Plantas que est\u00e3o nos canteiros das ruas e at\u00e9 em nosso quintal t\u00eam enorme potencial nutritivo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-56551\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/mato_prato-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/mato_prato-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/mato_prato.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Neste ano, a vida de cerca de 500 pequenos agricultores paranaenses que cultivam fumo (atividade que exp\u00f5e o trabalhador a subst\u00e2ncias t\u00f3xicas) ser\u00e1 um pouco melhor. Cada um deles cedeu 1 hectare de terra para cultivar uma trepadeira que parece ter ca\u00eddo do c\u00e9u: n\u00e3o precisa de pesticidas, cresce em pouco espa\u00e7o, \u00e9 gostosa e, para completar, carrega uma bela cota de nutrientes.<\/p>\n<p>Falando assim, d\u00e1 a impress\u00e3o de que se trata de uma nova variedade. Que nada! O nome da santa \u00e9 ora-pro-n\u00f3bis. Embora os mineiros j\u00e1 a aproveitem na cozinha, o resto do Brasil s\u00f3 vinha usando a planta como cerca viva.<\/p>\n<p>Definitivamente, trata-se de um baita desperd\u00edcio. Afinal, 100 gramas de suas folhas ostentam 20% de prote\u00edna, fora as caprichadas doses de vitamina C e minerais. \u201cEla tamb\u00e9m tem alto teor de mucilagem, fibra que \u00e9 excelente para o intestino\u201d, destaca a nutricionista Andr\u00e9a Esquivel, do Centro de Diagn\u00f3sticos em Gastroenterologia, na capital paulista.<\/p>\n<p>A ora-pro-n\u00f3bis \u00e9 s\u00f3 uma das centenas de plantas aliment\u00edcias n\u00e3o convencionais \u2014 batizadas pelos pesquisadores de Pancs \u2014 que s\u00e3o encontradas em qualquer cantinho de terra. \u201cA gente acha que \u00e9 mato ou erva-daninha, mas os poucos estudos que existem mostram que elas s\u00e3o at\u00e9 mais ricas do que as verduras comuns\u201d, diz o bot\u00e2nico Valdely Kinupp, professor do Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia do Amazonas, em Manaus.<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais silvestre \u00e9 a esp\u00e9cie, menos agrot\u00f3xicos requer e melhor o aproveitamento de nutrientes do solo\u201d, completa Kinupp, autor do \u00fanico guia brasileiro sobre o assunto, que elenca mais de 350 plantas nacionais desconhecidas e ainda ensina como reconhec\u00ea-las e inclu\u00ed-las no card\u00e1pio.<\/p>\n<p>Algumas variedades at\u00e9 j\u00e1 sentiram o gostinho da fama um dia, caso da bertalha e da araruta. \u201cElas eram criadas nos quintais, mas foram caindo em desuso\u201d, conta Nuno Madeira, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa). O departamento de Madeira estuda 50 hortali\u00e7as chamadas de tradicionais, mas que n\u00e3o fazem parte do grupinho que frequenta o circuito popular de saladas \u2014 como a dupla alface e tomate. \u201cA mudan\u00e7a do nosso padr\u00e3o de vida fez com que privilegi\u00e1ssemos o que pode ser comprado sempre, embora n\u00e3o saibamos o real custo disso\u201d, completa o agr\u00f4nomo, que trabalha no \u00fanico setor da Embrapa dedicado \u00e0s Pancs.<\/p>\n<p>E, se voc\u00ea acha que a fam\u00edlia das plantas n\u00e3o convencionais \u00e9 formada s\u00f3 por hortali\u00e7as e ervas, fique sabendo que no cl\u00e3 tamb\u00e9m entram gr\u00e3os e tub\u00e9rculos \u2014 eles podem virar pur\u00eas, molhos e recheios. Enquanto os especialistas descrevem as virtudes dessa gama cada vez maior de alimentos, j\u00e1 h\u00e1 uma por\u00e7\u00e3o de gente que aposta as fichas neles para promover sa\u00fade e sustentabilidade.<\/p>\n<p>Um dos principais argumentos para valorizar o mato (e todo o resto) que brota ao nosso redor \u00e9 tirar proveito daquilo que a natureza oferta. Segundo a FAO, departamento de agricultura e alimenta\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, somente 30 esp\u00e9cies de plantas fornecem 95% da demanda humana por comida em um universo de incr\u00edveis 30 mil variedades. A monotonia no card\u00e1pio tem alto custo para a sa\u00fade, j\u00e1 que acabamos ingerindo sempre os mesmos nutrientes.<br \/>\nPara ter ideia, segundo a Embrapa, a monocultura \u2014 \u00e1reas gigantes dedicadas a um s\u00f3 vegetal \u2014 j\u00e1 levou \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de 10% nos teores de prote\u00edna da soja cultivada em certas regi\u00f5es do pa\u00eds. Sem contar que, para abastecer as prateleiras o ano inteiro com os vegetais campe\u00f5es de audi\u00eancia, \u00e9 preciso fazer uso pesado de fertilizantes e defensivos qu\u00edmicos na lavoura. Entre eles est\u00e1 o glifosato, definido como \u201cprovavelmente cancer\u00edgeno\u201d pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>As Pancs surgem, ent\u00e3o, como luz no fim da colheita. Al\u00e9m de concentrar micronutrientes, elas tendem a ser livres de agrot\u00f3xicos. Diversos estudos comprovam que nessas plantas h\u00e1 alto teor de c\u00e1lcio, vitamina C, zinco, f\u00f3sforo e compostos fen\u00f3licos, poderosos antioxidantes.<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea come de forma mais diversa, consegue suprir a necessidade de vitaminas e minerais\u201d, observa L\u00facia Guerra, nutricionista e pesquisadora da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<h3>Um jardim comest\u00edvel<\/h3>\n<p>Algumas Pancs, como o peixinho-da-horta (a planta leva esse nome por causa do sabor que lembra frutos do mar) e o hibisco, s\u00e3o vendidas como variedades ornamentais em floriculturas. Mas dificilmente um ma\u00e7o de caruru fresco \u00e9 encontrado no supermercado.<\/p>\n<p>Eis a\u00ed um desafio: fazer com que o consumo desses vegetais n\u00e3o convencionais deixe de ser restrito a grupos ligados \u00e0s causas ecol\u00f3gicas. \u201c\u00c9 preciso divulg\u00e1-los mais\u201d, opina Kinupp. \u201cA produ\u00e7\u00e3o s\u00f3 aumenta quando h\u00e1 demanda. E isso acontece quando falamos sobre o assunto, experimentamos no dia a dia e encomendamos variedades com pequenos produtores\u201d, defende Madeira.<\/p>\n<p>Planta \u00e9 o que n\u00e3o falta. Para essa roda girar, os entusiastas dos vegetais n\u00e3o convencionais lutam para apresent\u00e1-los ao grande p\u00fablico. O projeto Panc na City, em S\u00e3o Paulo, por exemplo, promove buscas por matos comest\u00edveis pela cidade. Os chefs de cozinha tamb\u00e9m atuam na difus\u00e3o do movimento. \u201cTemos como miss\u00e3o a preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade brasileira, e as Pancs s\u00e3o importantes nesse cen\u00e1rio\u201d, afirma o chef Ivan Ralston, que, no seu restaurante, o Tuju, na capital paulista, n\u00e3o s\u00f3 utiliza v\u00e1rias delas como as cultiva em uma estufa.<br \/>\nSe ainda n\u00e3o d\u00e1 para comprar as plantinhas diferentosas na feira, uma das sa\u00eddas \u00e9 cultiv\u00e1-las em casa. \u201cBertalha e vinagreira s\u00e3o esp\u00e9cies muito f\u00e1ceis de serem mantidas. Assim como a azedinha, que chega a dar 50 folhas por semana\u201d, indica Madeira.<\/p>\n<p>As mudas podem ser obtidas a partir de galhos recolhidos na rua mesmo \u2014 mas sempre observe se o solo est\u00e1 pr\u00f3ximo de locais polu\u00eddos e se certifique de que o exemplar \u00e9 mesmo seguro para consumo. Informa\u00e7\u00e3o \u00e9 o melhor mapa para nos colocar na rota desses tesouros perdidos por a\u00ed.<\/p>\n<h3>H\u00e1 matos\u2026e matos<\/h3>\n<p>Antes de sair catando folhas pela rua ou pelo jardim de casa, o ideal \u00e9 se informar bastante sobre elas, uma vez que h\u00e1 risco de confus\u00e3o com variedades similares e intoxica\u00e7\u00e3o. A taioba brava, para citar um caso, parece com a taioba que substitui a couve, mas \u00e9 t\u00f3xica. Fora que muitas delas ainda n\u00e3o t\u00eam seus efeitos totalmente elucidados pela ci\u00eancia. A dica \u00e9 preferir esp\u00e9cies mais conhecidas, como serralha, caruru e beldroega. Veja outras op\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p><strong>Peixinho:<\/strong> as folhas carnudas dessa parente da s\u00e1lvia ficam uma del\u00edcia empanadas e assadas. Mas use uma grelha para n\u00e3o grudarem.<\/p>\n<p><strong>Feij\u00e3o-guandu:<\/strong> o\u00a0gr\u00e3o \u00e9 origin\u00e1rio da \u00cdndia, mas cresce h\u00e1 s\u00e9culos no Brasil. Tem sabor marcante.<\/p>\n<p><strong>Capuchinha:<\/strong> as folhas s\u00e3o picantes e v\u00e3o bem na salada. Tamb\u00e9m d\u00e1 para comer as flores.<\/p>\n<h3>O valor de talos, folhas, cascas\u2026<\/h3>\n<p>Algumas plantas s\u00e3o convencionais, mas tem partes que descartamos e caberiam no prato, como o cora\u00e7\u00e3o da bananeira, cheio de prote\u00ednas e minerais. J\u00e1 a casca da batata tem mais compostos ben\u00e9ficos do que a polpa \u2014 s\u00f3 que tamb\u00e9m costuma ir para o lixo. O ideal \u00e9 tentar aproveitar os alimentos integralmente. Mas vale dar uma pesquisada antes. \u201c\u00c0s vezes, folhas e talos carregam subst\u00e2ncias que prejudicam o paladar ou fazem mal\u201d, alerta Andr\u00e9a Esquivel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste ano, a vida de cerca de 500 pequenos agricultores paranaenses que cultivam fumo (atividade<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":56551,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/mato_prato.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/mato_prato-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/mato_prato-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/mato_prato.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/mato_prato.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/mato_prato.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/mato_prato.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/mato_prato.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/mato_prato.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/mato_prato.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Neste ano, a vida de cerca de 500 pequenos agricultores paranaenses que cultivam fumo (atividade","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56550"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56550"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56550\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56551"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56550"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56550"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56550"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}