{"id":5652,"date":"2014-08-28T14:00:54","date_gmt":"2014-08-28T14:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=5652"},"modified":"2014-08-27T23:59:35","modified_gmt":"2014-08-27T23:59:35","slug":"restam-apenas-250-oncas-pintadas-na-mata-atlantica-alertam-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/restam-apenas-250-oncas-pintadas-na-mata-atlantica-alertam-especialistas\/","title":{"rendered":"Restam apenas 250 on\u00e7as-pintadas na Mata Atl\u00e2ntica, alertam especialistas"},"content":{"rendered":"<p><b><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/onca_pintada_mata_atlantica.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-5653\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/onca_pintada_mata_atlantica.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Por Dem\u00e9trio Rocha Pereira<\/b><\/p>\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica abriga ainda cerca de 250 on\u00e7as-pintadas, dentre as quais apenas 50 em atividade reprodutiva. A on\u00e7a \u00e9 mais conhecida por enfeitar a nota de R$ 50. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil dar de cara com ela no dia a dia, pintada nova em folha no caixa eletr\u00f4nico, aninhada em grupo numa carteira bem-aventurada. S\u00edmbolo nacional, afinal de contas.<\/p>\n<p>O bicho de verdade, maior felino do hemisf\u00e9rio Ocidental, terceiro maior do mundo (tigre e le\u00e3o \u00e0 frente), rondava tamb\u00e9m o bioma Pampa, mas foi varrido pelos ga\u00fachos de todas as proced\u00eancias, com e sem acento. A meados dos 1930, a pintada podia ser vista at\u00e9 nos arredores de Porto Alegre, sempre solit\u00e1ria, que em grupo \u00e9 inven\u00e7\u00e3o de carteira cheia: o animal tem manhas de gato, gosta de viver s\u00f3.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul de agora, o n\u00famero de on\u00e7as se calcula em quatro ou cinco, punhado espremido no Parque Estadual do Turvo, em Derrubadas, esquina com Argentina e Santa Catarina. Esse assass\u00ednio gradual da esp\u00e9cie <i>Panthera onca<\/i> tem rela\u00e7\u00e3o direta com a devasta\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, reduzida a menos de 10% da sua cobertura pr\u00e9-coloniza\u00e7\u00e3o europeia. Das \u00e1reas restantes, apenas 24% s\u00e3o extensas o bastante para hospedar as on\u00e7as, e o animal est\u00e1 ocupando 7% desses retalhos, publicaram 13 cientistas brasileiros em janeiro na revista Science.<\/p>\n<p>&#8211; A on\u00e7a est\u00e1 praticamente extinta no Estado, e o nosso alerta \u00e9 que o Rio Grande do Sul n\u00e3o est\u00e1 sozinho. Em toda a costa brasileira est\u00e1 havendo decl\u00ednio &#8211; diz Eduardo Eizirik, professor da Faculdade de Bioci\u00eancias da PUCRS e coautor da carta-alerta na Science.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo Dante Meller, gestor do Parque do Turvo, reputa a sobreviv\u00eancia de on\u00e7as no Estado \u00e0 proximidade com a prov\u00edncia argentina de Misiones, cujas florestas se estendem at\u00e9 o Parque Nacional do Igua\u00e7u (PR).<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 um animal dif\u00edcil de ser avistado. Normalmente encontramos rastros. H\u00e1 poucos dias soubemos de pegadas num munic\u00edpio pr\u00f3ximo \u00e0 Reserva Ind\u00edgena do Guarita, a 15 quil\u00f4metros daqui. Achamos que a on\u00e7a faz esse trajeto de ida e volta &#8211; sugere Dante, lamentando o conflito com agricultores e pecuaristas. &#8211; Procuramos trabalhar, mas h\u00e1 pouca gente. O povo se estabeleceu nessa cultura de ca\u00e7ar e explorar a floresta.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 muito melhor no Igua\u00e7u, onde a popula\u00e7\u00e3o de on\u00e7as caiu de 180 para 18, informam Marina Xavier da Silva e Ronaldo Morato, que coordenam, respectivamente, o projeto Carn\u00edvoros do Igua\u00e7u e o Centro Nacional de Pesquisa e Conserva\u00e7\u00e3o de Mam\u00edferos Carn\u00edvoros (Cenap).<\/p>\n<p>Uma das solu\u00e7\u00f5es para estancar a sangria \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de corredores interligando todos os<br \/>\nbiomas, da Argentina ao M\u00e9xico (abaixo, no Uruguai, e acima, nos EUA, a on\u00e7a j\u00e1 era). O internacional Panthera Project tenta desenhar essas rotas convencendo fazendeiros e comunidades da import\u00e2ncia de deixar a on\u00e7a viajar em seguran\u00e7a. Em um trabalho exibido nas televis\u00f5es de 53 pa\u00edses, o Instituto On\u00e7a-Pintada (IOP) acompanhou a jornada da jaguar ?Lenda?, que emigrava do Cerrado para o rio Araguaia, corredor natural at\u00e9 a Amaz\u00f4nia, esperan\u00e7a de sobreviv\u00eancia e acasalamento.<\/p>\n<p><b>Detetive ecol\u00f3gico<\/b><\/p>\n<p>Tirar as on\u00e7as do isolamento n\u00e3o \u00e9 apenas conservar vivo um bicho majestosamente bonito, felino da mordida mais forte, por meses morador de \u00e1rvores, por quil\u00f4metros nadador de rios. Predador do topo da cadeia alimentar, ele cumpre papel fundamental no equil\u00edbrio do ecossistema, controlando popula\u00e7\u00f5es de capivaras, veados, queixadas, raposas, guaxinins, porcos do mato e tudo o mais que, demais, vira praga de fazenda.<\/p>\n<p>Presidente do IOP, o bi\u00f3logo Leandro Silveira aponta que o maior algoz da on\u00e7a na Mata Atl\u00e2ntica tem sido a falta de alimento decorrente da ca\u00e7a ilegal a suas presas. Leandro diz que, extinta a on\u00e7a, perseguida como amea\u00e7a ao gado, os ca\u00e7adores dariam cabo tamb\u00e9m das eventuais pragas, mas o desequil\u00edbrio estaria instaurado.<\/p>\n<p>&#8211; J\u00e1 est\u00e1 acontecendo. A falta de on\u00e7as e suas presas est\u00e1 afetando a diversidade de plantas e, assim, toda a fauna associada a elas &#8211; aponta.<\/p>\n<p>Uma floresta em que os reis s\u00e3o herb\u00edvoros \u00e9 uma floresta com os dias contados. Destru\u00edda a vegeta\u00e7\u00e3o, animais como insetos precisariam se mudar. E que lugar melhor para insetos retirantes do que uma lavoura? Viessem os carn\u00edvoros menores tomar o lugar da on\u00e7a, as v\u00edtimas da vez poderiam ser as aves, h\u00e1beis semeadoras da floresta. Fica pior: \u00e1reas hoje protegidas se abririam mais facilmente \u00e0 festa do desmatamento, que j\u00e1 autografa 15% das emiss\u00f5es de gases do efeito estufa. Para n\u00e3o arriscar muita previs\u00e3o, d\u00e1 para resumir assim: quanto menos mata, menos on\u00e7a, e quanto menos on\u00e7a, menos mata.<\/p>\n<p>Entre 2002 e 2004, o IOP esteve em acordo com 14 fazendas que cobriam 400 mil hectares do Pantanal (onde, ali\u00e1s, 95% das terras s\u00e3o privadas): ningu\u00e9m podia matar on\u00e7a nenhuma, e qualquer carca\u00e7a de boi encontrada e certificada como obra da pintada era indenizada pelo instituto. As propriedades compromissadas com o meio ambiente tamb\u00e9m recebiam assist\u00eancia m\u00e9dica, odontol\u00f3gica e educacional.<\/p>\n<p>&#8211; Todas as fazendas parceiras melhoraram o seu manejo do gado. Os preju\u00edzos por causa das on\u00e7as eram em m\u00e9dia 90% menores do que os relatados antes do projeto. A maior li\u00e7\u00e3o foi de que \u00e9 infinitamente mais barato e socialmente correto ter o fazendeiro como parceiro da conserva\u00e7\u00e3o do que trat\u00e1-lo como vil\u00e3o. Dar assist\u00eancia m\u00ednima \u00e9 mais barato do que desapropriar, manter e fiscalizar 400 mil hectares na forma de uma reserva &#8211; conclui Leandro.<\/p>\n<p>A t\u00e1tica desaguou na Alian\u00e7a para a Conserva\u00e7\u00e3o da On\u00e7a-Pintada, que atua no Pantanal, no Cerrado, na Amaz\u00f4nia e na Caatinga. Quanto \u00e0 Mata Atl\u00e2ntica, Leandro tem poucas esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8211; Em 2008, o IOP publicou um artigo sobre a situa\u00e7\u00e3o da on\u00e7a-pintada nos diferentes biomas do Brasil. A Mata Atl\u00e2ntica teve a pior classifica\u00e7\u00e3o. O desenvolvimento urbano e as densidades humanas no entorno das poucas \u00e1reas de reservas deixam poucas alternativas para reconectar as popula\u00e7\u00f5es restantes &#8211; lamenta, acrescentando que &#8220;est\u00e1 passando da hora de ficar apenas pesquisando&#8221;.<\/p>\n<p>Veterin\u00e1rio e chefe do Cenap, Ronaldo Morato ressalta que o centro vem articulando projetos como o Plano de A\u00e7\u00e3o para a Conserva\u00e7\u00e3o da On\u00e7a Pintada e a pr\u00f3pria Alian\u00e7a, que busca concentrar os trabalhos dos diversos agentes, evitando a duplica\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os. Como exemplo da colabora\u00e7\u00e3o crescente entre pesquisadores, Morato menciona a Rede Sisbiota ? Predadores de Topo, coordenada pelo professor Pedro Galetti, da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (SP).<\/p>\n<p>Para Morato, h\u00e1 lugar para otimismo &#8211; ao norte do equador, o reflorestamento, a reintrodu\u00e7\u00e3o e a transloca\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos v\u00eam recuperando popula\u00e7\u00f5es de carn\u00edvoros. Por outro lado, o trip\u00e9 ca\u00e7a\/h\u00e1bitat degradado\/aquecimento global \u00e9 r\u00e9u em v\u00e1rios outros processos de extin\u00e7\u00e3o, como o dos tubar\u00f5es e arraias, que devem ser talhados aos 25% nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, divulgou no m\u00eas passado a Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e dos Recursos Naturais. Segundo o geneticista da PUCRS Eduardo Eizirik, &#8220;a vis\u00e3o realista n\u00e3o \u00e9 boa&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ficar otimista. Temos de reverter a estrutura como os humanos interagem com recursos naturais, o lixo, a gera\u00e7\u00e3o e o consumo de energia. Precisamos pensar nos impactos que causamos. \u00c9 necess\u00e1rio e \u00e9 bom que a humanidade amadure\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Dem\u00e9trio Rocha Pereira A Mata Atl\u00e2ntica abriga ainda cerca de 250 on\u00e7as-pintadas, dentre as<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5653,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/onca_pintada_mata_atlantica.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/onca_pintada_mata_atlantica.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/onca_pintada_mata_atlantica.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/onca_pintada_mata_atlantica.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/onca_pintada_mata_atlantica.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/onca_pintada_mata_atlantica.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/onca_pintada_mata_atlantica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/onca_pintada_mata_atlantica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/onca_pintada_mata_atlantica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/onca_pintada_mata_atlantica.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Dem\u00e9trio Rocha Pereira A Mata Atl\u00e2ntica abriga ainda cerca de 250 on\u00e7as-pintadas, dentre as","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5652"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5652"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5652\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5653"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5652"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5652"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}