{"id":56488,"date":"2016-12-27T08:31:28","date_gmt":"2016-12-27T11:31:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=56488"},"modified":"2016-12-27T08:31:29","modified_gmt":"2016-12-27T11:31:29","slug":"quais-sao-as-chances-de-uma-megaestrutura-alienigena-bloquear-uma-estrela-distante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/quais-sao-as-chances-de-uma-megaestrutura-alienigena-bloquear-uma-estrela-distante\/","title":{"rendered":"Quais s\u00e3o as chances de uma megaestrutura alien\u00edgena bloquear uma estrela distante?"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/quais-sao-as-chances-de-uma-megaestrutura-alienigena-bloquear-uma-estrela-distante\/universo-2\/\" rel=\"attachment wp-att-56489\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-56489\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/universo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/universo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/universo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>N<\/span>este momento, a estrela KIC 8462852 <a href=\"http:\/\/www.slate.com\/blogs\/bad_astronomy\/2015\/10\/14\/weird_star_strange_dips_in_brightness_are_a_bit_baffling.html\" target=\"_blank\">est\u00e1 muito quente<\/a> \u2014 e n\u00e3o apenas por ser uma estrela da classe F \u2014, mas porque o telesc\u00f3pio espacial Kepler descobriu que ela pisca de forma bastante incomum, como se algo estivesse escurecendo-a. Esses \u201cmergulhos\u201d na luz s\u00e3o diferentes do que aconteceria caso planetas estivessem bloqueando a estrela.<\/p>\n<p>Cientistas n\u00e3o conseguem chegar a uma explica\u00e7\u00e3o para o fen\u00f4meno se baseando em processos astrof\u00edsicos naturais, portanto a aten\u00e7\u00e3o tem se voltado para a chance de alguma <strong>megaestrutura alien\u00edgena<\/strong> estar bloqueando a luz. Mas o que seria exatamente uma estrutura do tipo e qual \u00e9 a probabilidade do Kepler ter identificado uma?<\/p>\n<p><em><strong>Muitas possibilidades<\/strong><\/em><br \/>\n\u00c9 verdade que imers\u00f5es na luz da estrela s\u00e3o algo estranho, tanto em forma como em tempo. \u00c9 improv\u00e1vel que elas sejam envolvidas por uma nuvem de poeira, j\u00e1 que a estrela \u00e9 muito antiga para ter o formato de disco. Mas o que dizer sobre uma tempestade de cometas? Elas n\u00e3o s\u00e3o realmente muito bons em escurecer estrelas, ent\u00e3o a possibilidade tamb\u00e9m \u00e9 pequena. Fragmentos de uma colis\u00e3o planet\u00e1ria poderiam ser o caso, exceto pelo fato de que eventos assim s\u00e3o t\u00e3o raros que dificilmente seriam captados pelo <strong>Kepler<\/strong>.<\/p>\n<p>A falta de explica\u00e7\u00f5es simples deixou muitas perguntas silenciosas \u2014 ou n\u00e3o t\u00e3o silenciosas \u2014 sobre a chance disso ser uma megaestrutura alien\u00edgena, conhecida como a <strong>esfera Dyson<\/strong>. A esfera Dyson foi descrita pela primeira vez por Freeman Dyson, em 1960, que argumentou que uma civiliza\u00e7\u00e3o alien\u00edgena tecnologicamente avan\u00e7ada usaria cada vez mais energia conforme crescesse. Como a maior fonte de energia em qualquer <strong>sistema solar<\/strong> \u00e9 a estrela em seu centro, faria sentido que a civiliza\u00e7\u00e3o constru\u00edsse <a href=\"http:\/\/earthsky.org\/space\/what-is-a-dyson-sphere\" target=\"_blank\">pain\u00e9is solares em \u00f3rbita<\/a> para tentar captur\u00e1-la. Estruturas como essa ocupariam cada vez mais espa\u00e7o at\u00e9 que eventualmente cobrissem a estrela inteira, como uma esfera. Contudo, uma esfera completa seria invis\u00edvel para o telesc\u00f3pio Kepler porque absorveria toda a luz da estrela, ent\u00e3o sinais dessa estrutura teriam que vir de algo ainda em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Seria esse o caso? Eu duvido. Meu argumento b\u00e1sico \u00e9 esse: se uma civiliza\u00e7\u00e3o constr\u00f3i uma esfera Dyson, \u00e9 improv\u00e1vel que ela se mantenha pequena por um per\u00edodo longo. Assim como colis\u00f5es planet\u00e1rias s\u00e3o t\u00e3o raras a ponto de n\u00e3o poderem ser vistas pelo Kepler, o tempo que leva para fazer uma esfera Dyson \u00e9 muito curto: v\u00ea-la em constru\u00e7\u00e3o \u00e9 improv\u00e1vel. Mesmo se soub\u00e9ssemos que uma esfera pudesse eventualmente ser constru\u00edda em um sistema solar, a chance de testemunhar isso \u00e9 pequena.<\/p>\n<p>Como sabemos disso? Para construir uma esfera Dyson, seria necess\u00e1rio \u201cdesmontar\u201d um corpo pr\u00f3ximo, como um <strong>planeta<\/strong>, para fornecer o material para os captores solares. Em um artigo recente que escrevi com um colega, calculamos que <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0094576513001148\" target=\"_blank\">desmontar Merc\u00fario para fazer uma estrutura Dyson<\/a> parcial poderia levar 31 anos. Uma maneira de fazer isso seria desmontando o planeta mecanicamente, como fazemos em nossas ind\u00fastrias de alum\u00ednio e a\u00e7o. Por essas ind\u00fastrias, sabemos os custos energ\u00e9ticos desse tipo de trabalho, ent\u00e3o o truque \u00e9 usar material j\u00e1 extra\u00eddo para construir mais equipamentos de minera\u00e7\u00e3o e coletores solares para aliment\u00e1-lo, atingindo um ciclo de realimenta\u00e7\u00e3o exponencial.<\/p>\n<p>O tempo que levaria para desmontar qualquer planeta terrestre <a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20090616110337\/http:\/\/www.aeiveos.com\/%7Ebradbury\/MatrioshkaBrains\/PlntDssmbly.html\" target=\"_blank\">n\u00e3o \u00e9 muito maior<\/a> do que no caso de <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/noticia\/2016\/06\/nasa-divulga-video-do-transito-de-mercurio.html\" target=\"_blank\">Merc\u00fario<\/a>, enquanto os planetas gasosos demorariam alguns s\u00e9culos. Nosso objetivo com o artigo foi mostrar que, ao usar uma pequena fra\u00e7\u00e3o de recursos no sistema solar, \u00e9 poss\u00edvel aproveitar energia suficiente para lan\u00e7ar uma enorme iniciativa de coloniza\u00e7\u00e3o espacial (literalmente alcan\u00e7ando todas as gal\u00e1xias poss\u00edveis, eventualmente todos os sistemas solares), mas a quest\u00e3o importante \u00e9 que esse tipo de engenharia planet\u00e1ria \u00e9 r\u00e1pida em escalas de tempo astron\u00f4micas.<\/p>\n<p>Durante a hist\u00f3ria de uma estrela F5 como a KIC 8462852, at\u00e9 mesmo mil anos para construir uma esfera n\u00e3o seria muito. Considerando a massa estimada da estrela como 1,46 massas solares, ela ter\u00e1 uma vida \u00fatil de 4,1 bilh\u00f5es de anos. A chance de v\u00ea-la enquanto estiver sendo revestida por uma esfera Dyson \u00e9 uma em 4,1 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a probabilidade se existir de fato uma dessas esferas. Presumo que apenas algumas estrelas teriam alien\u00edgenas e elas estariam escondidas desta forma, ent\u00e3o a probabilidade real de ver uma no meio do processo \u00e9 muito menor. Das 150 mil estrelas que o Kepler observa, n\u00e3o podemos esperar que alguma delas esteja nesse estado.<\/p>\n<p><em><strong>Planeta abandonado ou alien\u00edgenas despreocupados<\/strong><\/em><br \/>\nOutra possibilidade \u00e9 que a estrutura seja uma \u201ccasca\u201d Dyson abandonada. Uma estrutura dessas provavelmente <a href=\"http:\/\/orfe.princeton.edu\/%7Ervdb\/tex\/talks\/PACM07\/RingTalk.pdf\" target=\"_blank\">teria se aglomerado<\/a> em rios de destro\u00e7os com o tempo, o que de in\u00edcio parece ser uma explica\u00e7\u00e3o promissora. S\u00e3o maiores as chances de vermos as ru\u00ednas dessas estruturas do que suas constru\u00e7\u00f5es. Assim como ru\u00ednas normais, elas normalmente durariam mais tempo do que o per\u00edodo usado para constru\u00ed-las.<\/p>\n<p>E se os <strong>alien\u00edgenas<\/strong> estivessem construindo a esfera lentamente? Isso \u00e9, at\u00e9 certo ponto, o que estamos fazendo aqui na Terra ao lan\u00e7ar um sat\u00e9lite de cada vez. Portanto, se uma civiliza\u00e7\u00e3o alien\u00edgena quisesse crescer em um ritmo lento ou s\u00f3 precisasse de parte da esfera Dyson, eles poderiam fazer isso.<\/p>\n<p>Contudo, se voc\u00ea precisa de algo como 30 quintilh\u00f5es de watts (o que corresponde a um coletor de 100 mil quil\u00f4metros em uma unidade astron\u00f4mica em torno da estrela), suas demandas n\u00e3o s\u00e3o modestas. Dyson prop\u00f4s esse conceito baseado originalmente no fato de que as necessidades de energia dos humanos foram crescendo aos poucos. Mesmo com uma taxa de crescimento de 1%, uma civiliza\u00e7\u00e3o precisa, em alguns mil\u00eanios, da maior parte da energia estelar. Para obter uma probabilidade razoavelmente alta de detectar uma esfera incompleta, precisamos supor que as taxas de crescimento dessa <strong>civiliza\u00e7\u00e3o<\/strong> s\u00e3o extremamente baixas. Embora n\u00e3o seja imposs\u00edvel, parece pouco prov\u00e1vel considerando a maneira como a vida e as sociedades tendem a se desenvolver.<\/p>\n<p><em><strong>Outras estruturas alien\u00edgenas?<\/strong><\/em><br \/>\nEsferas Dyson n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas megaestruturas capazes de causar tr\u00e2nsitos estelares intrigantes. Pesquisas sugerem que uma <strong>civiliza\u00e7\u00e3o extraterrestre<\/strong> poderia, por exemplo, <a href=\"http:\/\/strathprints.strath.ac.uk\/43126\/\" target=\"_blank\">separar materiais compostos por asteroides<\/a> usando uma leve press\u00e3o, <a href=\"http:\/\/strathprints.strath.ac.uk\/18413\/1\/strathprints018413.pdf\" target=\"_blank\">controlar o clima usando sombras e espelhos<\/a> ou viajar atrav\u00e9s de mecanismos com os ventos solares. A maioria dessas ferramentas s\u00e3o pequenas se comparadas \u00e0s estrelas, mas o Kepler poderia not\u00e1-las caso existissem em quantidade suficiente.<\/p>\n<p>Outro estudo calculou a possibilidade de detec\u00e7\u00e3o de motores estelares \u2014 espelhos gigantescos usados para mover sistemas solares inteiros \u2014 com base em curvas de luz. Infelizmente, os c\u00e1lculos n\u00e3o correspondem \u00e0 estrela KIC 8462852.<\/p>\n<p>Precisamos, afinal, de mais dados. As apostas s\u00e3o altas. Se n\u00e3o existe vida inteligente no <strong>espa\u00e7o<\/strong>, significa que somos muito sortudos \u2014 ou que <a href=\"http:\/\/www.nickbostrom.com\/extraterrestrial.pdf\" target=\"_blank\">esp\u00e9cies inteligentes s\u00e3o extintas rapidamente<\/a>. Mas se existe (ou j\u00e1 existiu) outra civiliza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, seria bastante reconfortante: saber\u00edamos que vida inteligente pode sobreviver por um tempo consider\u00e1vel. Na verdade, acho que aprenderemos que processos comuns da astrof\u00edsica podem produzir estranhas curvas de tr\u00e2nsito, talvez devido a objetos estranhos (lembra de quando ach\u00e1vamos ex\u00f3tica a ideia de <a href=\"http:\/\/www.nickbostrom.com\/extraterrestrial.pdf\" target=\"_blank\">J\u00fapiters quentes<\/a> [classe de planetas extrassolares com massa similar \u00e0 do planeta J\u00fapiter]?) O <strong>universo<\/strong> \u00e9 cheio de coisas estranhas, o que me deixa feliz por viver nele. Mas faz sentido observar as estrelas, s\u00f3 para garantir.<\/p>\n<p><em>*Anders Sandberg \u00e9 membro do Instituto do Futuro da Humanidade, na Universidade de Oxford. Este artigo foi originalmente publicado em ingl\u00eas pelo <\/em><a href=\"https:\/\/theconversation.com\/what-are-the-odds-of-an-alien-megastructure-blocking-light-from-a-distant-star-49311\" target=\"_blank\">The Conversation<\/a><em>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste momento, a estrela KIC 8462852 est\u00e1 muito quente \u2014 e n\u00e3o apenas por ser<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":56489,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/universo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/universo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/universo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/universo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/universo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/universo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/universo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/universo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/universo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/universo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Neste momento, a estrela KIC 8462852 est\u00e1 muito quente \u2014 e n\u00e3o apenas por ser","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56488"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56488"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56488\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56489"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56488"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56488"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56488"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}