{"id":56399,"date":"2016-12-25T10:51:35","date_gmt":"2016-12-25T13:51:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=56399"},"modified":"2016-12-25T10:52:20","modified_gmt":"2016-12-25T13:52:20","slug":"o-ano-de-2017-batera-mais-um-recorde-de-calor-na-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-ano-de-2017-batera-mais-um-recorde-de-calor-na-terra\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que o ano de 2017 bater\u00e1 mais um recorde de calor na Terra?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-ano-de-2017-batera-mais-um-recorde-de-calor-na-terra\/calor-16\/\" rel=\"attachment wp-att-56400\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-56400\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/calor-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/calor-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/calor.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O ano de 2016 foi campe\u00e3o em aquecimento global. At\u00e9 o momento presente, caminha para\u00a0 terminar como o mais quente desde que come\u00e7aram os registros em 1850. Essa era a previs\u00e3o em meados de dezembro do Met Office, instituto de meteorologia do Reino Unido, e <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/ciencia-e-meio-ambiente\/blog-do-planeta\/noticia\/2016\/11\/2016-batera-mais-um-recorde-e-sera-12c-mais-quente-que-o-normal1.html\">da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Meteorologia<\/a>. Antes disso, o ano de 2016 conseguiu uma fa\u00e7anha in\u00e9dita na hist\u00f3ria da meteorologia. Dos 11 primeiros meses do ano, dez deles bateram o recorde hist\u00f3rico de calor. Apenas outubro n\u00e3o bateu o recorde. Mesmo assim, foi o segundo outubro mais quente da hist\u00f3ria. O recorde de 2016 ser\u00e1 o terceiro seguido, j\u00e1 que <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/colunas-e-blogs\/blog-do-planeta\/noticia\/2016\/01\/aquecimento-global-fez-de-2015-o-ano-mais-quente-ja-registrado.html\">2014 e 2015 tamb\u00e9m bateram recordes sucessivos<\/a>.<\/p>\n<p>O ano de 2017 bater\u00e1 o quarto recorde? \u00c9 improv\u00e1vel. As temperaturas chegaram ao teto por conta de uma jun\u00e7\u00e3o entre o <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/colunas-e-blogs\/blog-do-planeta\/noticia\/2015\/12\/o-que-e-o-el-nino-e-por-que-altera-o-clima-no-mundo.html\">fen\u00f4meno El Ni\u00f1o<\/a> (que transfere calor do Oceano Pac\u00edfico para a atmosfera) e a tend\u00eancia de aquecimento global causado pela a\u00e7\u00e3o humana. Agora, o El Ni\u00f1o j\u00e1 se desfez. Mas a tend\u00eancia gerada pelo aquecimento global continua. Ou seja, 2017 dever\u00e1 ser mais quente do que a m\u00e9dia do s\u00e9culo passado, mas n\u00e3o t\u00e3o extremo quanto estamos vivendo agora. Os eventos extremos de chuvas e secas decorrentes desse novo patamar de clima ajudar\u00e3o a pressionar por medidas mais duras para controlar o clima.<\/p>\n<p>Apesar do tamanho do desafio &#8211; e de sua urg\u00eancia &#8211; n\u00e3o est\u00e3o claros quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos passos do Brasil e do mundo na luta para administrar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Parte das consequ\u00eancias pol\u00edticas e econ\u00f4micas ser\u00e3o consequ\u00eancia de como os pa\u00edses executar\u00e3o ou n\u00e3o as metas autodeterminadas que apresentaram no Acordo de Paris, de dezembro de 2015. As Na\u00e7\u00f5es Unidas declararam que o <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/ciencia-e-meio-ambiente\/blog-do-planeta\/noticia\/2016\/11\/acordo-de-paris-entra-em-vigor-com-metas-insuficientes-para-o-clima.html\">tratado entrou em vigor em 2016<\/a>. Dos 195 signat\u00e1rios, 117 ratificaram o acordo em seus parlamentos nacionais, para ter for\u00e7a de lei.<\/p>\n<p>As dificuldades, no entanto, come\u00e7am com os Estados Unidos, o segundo maior poluidor do mundo (atr\u00e1s da China), respons\u00e1vel por 13% das emiss\u00f5es mundias. <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/colunas-e-blogs\/blog-do-planeta\/noticia\/2016\/11\/por-que-eleicao-de-trump-ameaca-o-clima-da-terra.html\">Donald Trump foi eleito dizendo que o aquecimento global n\u00e3o existe<\/a>. Escolheu, para sua equipe de transi\u00e7\u00e3o, nomes conhecidos por serem contr\u00e1rios a qualquer pol\u00edtica de combate a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Um deles \u00e9 Myron Ebell, diretor de um think thank americano financiado pela ind\u00fastria de carv\u00e3o. Outro, que provavelmente chefiar\u00e1 a EPA (o Ibama americano), \u00e9 Scott Pruitt, um promotor de Oklahoma que processou a administra\u00e7\u00e3o Obama para tentar derrubar regulamenta\u00e7\u00f5es ambientais. Seu Secret\u00e1rio de Estado \u00e9 Rex Tillerson, CEO da multinacional do petr\u00f3leo ExxonMobil. Essas escolhas indicam que o presidente eleito n\u00e3o se afastar\u00e1 de suas promessas de campanha: acabar com as regras ambientais e liberar a explora\u00e7\u00e3o desenfreada de combust\u00edveis f\u00f3sseis. E talvez, <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/ciencia-e-meio-ambiente\/blog-do-planeta\/noticia\/2016\/11\/donald-trump-pode-acabar-com-o-acordo-de-paris.html\">at\u00e9 mesmo se retirar do Acordo de Paris<\/a>.<\/p>\n<div class=\"youtube componente_materia\"><object width=\"320\" height=\"204\"><embed allowfullscreen=\"allowfullscreen\" allowscriptaccess=\"always\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/iPRYoZhKVv8\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" height=\"204\" width=\"320\" \/><\/object><\/div>\n<p>Por\u00e9m, nem tudo est\u00e1 na m\u00e3o do presidente americano. Parte das emiss\u00f5es depende dos estados, munic\u00edpios e do setor privado. Se esses atores fizerem a sua parte, a influ\u00eancia do novo presidente nas pol\u00edticas clim\u00e1ticas pode n\u00e3o ser t\u00e3o forte. Isso j\u00e1 est\u00e1 acontecendo. Entre os estados, a Calif\u00f3rnia \u00e9 um dos que se destacam. Os californianos j\u00e1 geram quase 30% de sua energia com renov\u00e1veis. Na pr\u00f3xima d\u00e9cada, devem chegar a 50%. Entre o setor privado, h\u00e1 um crescente interesse das empresas, e algumas do Vale do Sil\u00edcio, como Google a Apple, que se comprometeram a operar s\u00f3 com energia limpa. O setor privado est\u00e1 embarcando nas energias renov\u00e1veis n\u00e3o porque quer enfrentar o aquecimento global, mas porque sabe que energia limpa tamb\u00e9m \u00e9 lucrativa.<\/p>\n<p>No Brasil, o presidente <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/colunas-e-blogs\/blog-do-planeta\/noticia\/2016\/09\/brasil-ratifica-o-acordo-de-paris-e-agora.html\">Michel Temer ratificou o acordo em setembro de 2016<\/a>. Mas da\u00ed \u00e0s metas serem cumpridas \u00e9 outra coisa. Para come\u00e7ar, o Brasil se prop\u00f4s a acabar, at\u00e9 2030, com o desmatamento ilegal na Amaz\u00f4nia Legal. Quando a meta foi proposta, o desmatamento acumulava uma d\u00e9cada de tend\u00eancia de queda. <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/colunas-e-blogs\/blog-do-planeta\/noticia\/2016\/09\/desmatamento-na-amazonia-cresceu-24-de-2014-para-2015.html\">Mas voltou a crescer em 2016<\/a>. H\u00e1 sinais que as pol\u00edticas de controle de cr\u00e9dito para pecuaristas em munic\u00edpios com alto \u00edndice de desmatamento ilegal esgotaram sua efic\u00e1cia. Segundo Justiniano Netto, secret\u00e1rio executivo do Programa Munic\u00edpios Verdes do Par\u00e1, o desafio agora \u00e9 enfrentar de vez a grilagem. Isso envolve fiscalizar o com\u00e9rcio ilegal de lotes dentro de \u00e1reas de assentamento. E atacar as quadrilhas que invadem terras p\u00fablicas, desmatam e tentam regularizar a posse mais tarde. Outro desafio para o Brasil ser\u00e1 come\u00e7ar a monitorar e controlar o desmatamento do Cerrado.\u00a0 Al\u00e9m disso, o Brasil se comprometeu a recuperar 12 milh\u00f5es de hectares de florestas desmatadas ilegalmente. &#8220;Cumprir isso vai depender de programas que incentivem os propriet\u00e1rios rurais a recuperar o que desmataram&#8221;, diz Karin K\u00e4ssmayer, consultora legislativa do Senado para assuntos ambientais. O problema \u00e9 que esses programas n\u00e3o t\u00eam chance de receber verba em tempos de ajuste fiscal.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 em jogo \u00e9 quanto aquecimento teremos que enfrentar. As pesquisas cient\u00edficas indicam que, para reduzir as chances de cen\u00e1rios apocal\u00edpticos, \u00e9 importante ficar abaixo de um aumento de 2 graus da temperatura m\u00e9dia da Terra em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia de 1951 a 1980. E desej\u00e1vel ficar abaixo de 1,5 grau. Hoje j\u00e1 passamos de 1 grau de aquecimento. A ci\u00eancia das previs\u00f5es \u00e9 imprecisa. A diferen\u00e7a entre o aquecimento de hoje e o de mais de 2 graus \u00e9 relevante. No aquecimento j\u00e1 empenhado, teremos que administrar uma eleva\u00e7\u00e3o do mar que come algumas praias. Acima de 2 graus, cidades e pa\u00edses inteiros ficam embaixo d\u2019\u00e1gua na metade do s\u00e9culo. Pelo padr\u00e3o em curso, teremos mais secas e mudan\u00e7as em \u00e1reas agr\u00edcolas. Com mais de 2 graus, a Amaz\u00f4nia vira uma savana e bilh\u00f5es de pessoas passar\u00e3o fome no mundo. Hoje, lidamos com perdas de corais, importantes para reprodu\u00e7\u00e3o de peixes. Acima de 2 graus, a vida marinha entra em colapso.<\/p>\n<p>Ficar dentro do limite de 2 graus n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. Segundo um estudo da Ag\u00eancia Internacional de Energia, exige que a demanda por petr\u00f3leo atinja seu m\u00e1ximo em 2020 pouco acima do consumo atual. O uso de derivados de petr\u00f3leo para transporte de passageiros e cargas deveria cair nos pr\u00f3ximos 25 anos, para dar lugar a eletricidade, g\u00e1s natural e biocombust\u00edveis. As metas do Acordo de Paris n\u00e3o tra\u00e7am esse cen\u00e1rio. Mas h\u00e1 uma transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica em curso. O custo de baterias, pain\u00e9s solares e geradores e\u00f3licos vem caindo, numa tend\u00eancia de bater fontes como carv\u00e3o e derivados de petr\u00f3leo. \u201cVemos vencedores claros nos pr\u00f3ximos 25 anos: g\u00e1s natural e especialmente energia do vento e do sol. Eles substituir\u00e3o o carv\u00e3o, que predominou nos 25 anos anteriores\u201d, diz Fatih Birol, diretor executivo da Ag\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas essa transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica sozinha e as metas do Acordo de Paris n\u00e3o s\u00e3o suficientes para evitar o pior do aquecimento. N\u00e3o nos salvariam a tempo de evitar o aumento de 2 graus. Por isso, h\u00e1 uma press\u00e3o crescente para acelerar a implanta\u00e7\u00e3o das metas de Paris e aumentar seu rigor. A quest\u00e3o \u00e9 quantos <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/colunas-e-blogs\/blog-do-planeta\/noticia\/2016\/10\/o-destruidor-furacao-matthew-ficou-mais-forte-por-causa-do-aquecimento-global.html\">furac\u00f5es devastadores como o Matthew<\/a> ser\u00e3o necess\u00e1rios para criar a mobiliza\u00e7\u00e3o popular necess\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2016 foi campe\u00e3o em aquecimento global. 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