{"id":56381,"date":"2016-12-25T10:23:22","date_gmt":"2016-12-25T13:23:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=56381"},"modified":"2016-12-25T10:23:38","modified_gmt":"2016-12-25T13:23:38","slug":"seca-historica-da-cara-de-sertao-a-zona-da-mata-e-ao-litoral-no-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/seca-historica-da-cara-de-sertao-a-zona-da-mata-e-ao-litoral-no-nordeste\/","title":{"rendered":"Seca hist\u00f3rica d\u00e1 cara de sert\u00e3o \u00e0 zona da mata e ao litoral no Nordeste"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/seca-historica-da-cara-de-sertao-a-zona-da-mata-e-ao-litoral-no-nordeste\/seca-36\/\" rel=\"attachment wp-att-56382\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-56382\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/seca-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/seca-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/seca-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quando Ant\u00f4nio Conselheiro bradava, no final do s\u00e9culo 19, na Bahia, que &#8220;o sert\u00e3o vai virar mar e o mar vai virar sert\u00e3o&#8221;, ele n\u00e3o podia imaginar que a severa estiagem no Nordeste no s\u00e9culo 21 colocaria a seca e o mar lado a lado.<\/p>\n<p>A seca que atinge a regi\u00e3o h\u00e1 cinco anos \u00e9 considerada a maior em pelo menos 106 anos de medi\u00e7\u00f5es e trouxe uma nova caracter\u00edstica: a falta de chuvas nas regi\u00f5es de zona de mata e at\u00e9 no litoral nordestino.<\/p>\n<section class=\"mod-embed-infografico mod-imagem\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/6b\/2016\/12\/16\/seca-nordeste-1481919973009_615x425.png\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"442\" \/><\/section>\n<p>Segundo um mapa da vegeta\u00e7\u00e3o feito por sat\u00e9lite pelo Lapis (Laborat\u00f3rio de An\u00e1lise e Processamento de Imagens de Sat\u00e9lites), da Universidade Federal de Alagoas, a \u00e1rea atingida pela seca cresceu ao longo dos anos e encostou no mar. Em compara\u00e7\u00e3o a anos anteriores, \u00e9 poss\u00edvel ver como o estrago aumentou ao longo de 2016.<img src=\"http:\/\/t.dynad.net\/pc\/?dc=5550001892;ord=1482668598470\" \/><img src=\"https:\/\/t.dynad.net\/pc\/?dc=5550001580;ord=1482671919479\" \/><\/p>\n<p>Uni\u00e3o dos Palmares, na zona da mata alagoana, \u00e9\u00a0marcada por chuvas intensas, mas o cen\u00e1rio mais lembra o sert\u00e3o. Apesar de ficar a apenas 60 km do litoral, a cidade enfrenta uma estiagem neste ano que mudou a cara da vegeta\u00e7\u00e3o. Mesmo o rio Munda\u00fa &#8211;que em 2010 foi respons\u00e1vel por destruir moradias na maior inunda\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da cidade&#8211; parou de correr e, praticamente seco, tem apenas bols\u00f5es de \u00e1gua acumulada.<\/p>\n<p>&#8220;Nasci e vivo aqui h\u00e1 72 anos. Nunca vi o rio numa situa\u00e7\u00e3o dessa. J\u00e1 vi ele ficar mais cheio, mais seco algumas vezes, mas agora t\u00e1 muito pior. N\u00e3o corre mais \u00e1gua e at\u00e9 pescar hoje \u00e9 dif\u00edcil. Meus animais n\u00e3o morreram porque Deus \u00e9 pai, porque capim para eles comerem secou&#8221;, conta Ant\u00f4nio Alves, 72, aposentado e criador de gado \u00e0s margens do rio.<\/p>\n<p>Para alimentar as vacas que possui, ele pega cana de uma planta\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima. Mesmo assim, os animais de seu Ant\u00f4nio est\u00e3o magros. &#8220;Quem diria que depois daquilo de 2010 ir\u00edamos ver isso agora. Na \u00e9poca eu perdi as 15 casinhas que tinha aqui pr\u00f3ximo. A \u00e1gua levou todas. Agora, nem \u00e1gua para abastecer a cidade mais tem&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o em Uni\u00e3o dos Palmares \u00e9 a mesma de v\u00e1rias outras cidades pr\u00f3ximas ao litoral. Segundo o coordenador do Lapis, o meteorologista e professor Humberto Barbosa, as caracter\u00edsticas e a \u00e1rea da seca atual s\u00e3o maiores que todas j\u00e1 acompanhadas pela ci\u00eancia at\u00e9 hoje.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\"><span class=\"credito\">Beto Mac\u00e1rio\/UOL<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img loading=\"lazy\" class=\"pinit-img\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/88\/2016\/12\/16\/13dez2016---antonio-alves-72-nasceu-e-morou-na-beira-do-rio-em-uniao-dos-palmares-e-conta-que-nunca-viu-seca-semelhante-1481899305259_615x300.jpg\" width=\"640\" height=\"312\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Ant\u00f4nio Alves, 72, nasceu e morou na beira do rio em Uni\u00e3o dos Palmares<\/span><\/div>\n<p>&#8220;A seca tamb\u00e9m tem afetado a regi\u00e3o litor\u00e2nea do Nordeste, mas com menos intensidade do que o semi\u00e1rido nordestino. Todavia, a imagem de sat\u00e9lite mostra que a seca est\u00e1 cobrindo quase todo o Nordeste&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Segundo o mapa, com exce\u00e7\u00e3o da Bahia e do Maranh\u00e3o, praticamente toda a zona da mata e o litoral dos Estados sofrem com danos \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o. &#8220;Dentre os efeitos desta seca que j\u00e1 se prolonga pelo sexto ano na regi\u00e3o, est\u00e3o as expressivas mudan\u00e7as na cobertura dos solos, como eros\u00e3o superficial, aus\u00eancia de vegeta\u00e7\u00e3o, baixa fertilidade e, consequentemente, a intensifica\u00e7\u00e3o da desertifica\u00e7\u00e3o&#8221;, explica.<\/p>\n<h3>Seca hist\u00f3rica<\/h3>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\"><span class=\"credito\">Beto Mac\u00e1rio\/UOL<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img loading=\"lazy\" class=\"pinit-img\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/67\/2016\/12\/16\/13dez2016---criancas-atravessam-o-rio-mundau-de-bicicleta-ou-a-pe-ja-que-a-pouca-agua-permite-1481899241176_615x300.jpg\" width=\"640\" height=\"312\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Crian\u00e7as atravessam o rio Munda\u00fa de bicicleta ou a p\u00e9, j\u00e1 que a pouca \u00e1gua permite<\/span><\/div>\n<p>Dados da Funceme (Funda\u00e7\u00e3o Cearense de Meteorologia e Recursos H\u00eddricos) apontam que desde 1910 &#8211;quando os n\u00fameros come\u00e7aram a ser registrados&#8211; nunca houve cinco anos com pouca chuva como a sequ\u00eancia entre 2012 e 2016. A maior seca havia sido registrada entre 1979 e 1983, mas a chuva no quinqu\u00eanio que se encerra neste ano est\u00e1 apenas 10% menor.<\/p>\n<p>Meteorologista da Funceme, Raul Fritz\u00a0afirma que &#8220;nada escapou&#8221; \u00e0 severa estiagem nesta d\u00e9cada. &#8220;A seca sai do semi\u00e1rido e est\u00e1 alcan\u00e7ando praticamente o mar. Isso nunca tinha ocorrido antes. A seca sempre atinge, de certa forma, a regi\u00e3o pr\u00f3xima ao litoral, mas nunca no grau que dessa vez aconteceu&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Segundo ele, as caracter\u00edsticas dessa regi\u00e3o sempre a fizeram passar mais imune \u00e0s secas. &#8220;O litoral geralmente \u00e9 menos atingido porque ele tem brisa, mais umidade que vem do mar. Mas, desta vez, todo o litoral cearense foi afetado&#8221;, revela.<\/p>\n<p>No Cear\u00e1, por exemplo, os reservat\u00f3rios da zona da mata est\u00e3o com cotas muito abaixo da m\u00e9dia. Os dois grandes a\u00e7udes de Pacoti e Pacajus, no litoral leste do Estado, por exemplo, est\u00e3o com apenas 10% da capacidade. A regi\u00e3o metropolitana de Fortaleza tamb\u00e9m foi afetada em seu abastecimento urbano por conta da seca do a\u00e7ude do Castanh\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\"><span class=\"credito\">Beto Mac\u00e1rio\/UOL<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img loading=\"lazy\" class=\"pinit-img\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/95\/2016\/12\/16\/13dez2016---rio-mundau-que-em-2010-causou-maior-enchente-da-historia-de-alagoas-esta-praticamente-seco-e-nao-corre-mais-agua-1481899036143_615x300.jpg\" width=\"640\" height=\"312\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Rio Munda\u00fa, que em 2010 causou a maior enchente de Alagoas, tem s\u00f3 bols\u00f5es de \u00e1gua<\/span><\/div>\n<h3>Ainda sem previs\u00e3o para 2017<\/h3>\n<p>Segundo Fritz, a perspectiva para 2017 ainda \u00e9 uma inc\u00f3gnita. &#8220;N\u00f3s n\u00e3o temos ainda elementos cient\u00edficos para assegurar que vai chover acima da m\u00e9dia. Temos que esperar janeiro para fazer um primeiro progn\u00f3stico, quando temos um quadro atmosf\u00e9rico e oceanogr\u00e1fico mais claro&#8221;, explica.<\/p>\n<p>A possibilidade otimista aponta para chuvas no primeiro trimestre. &#8220;Estamos no per\u00edodo de pr\u00e9-esta\u00e7\u00e3o chuvosa, entre dezembro e janeiro. Normalmente, as chuvas v\u00eam no volume maior em fevereiro e mar\u00e7o. Eventualmente, em um ano ou outro temos um janeiro mais chuvoso, como foi 2016 aqui no Cear\u00e1, mas que n\u00e3o foi suficiente para encher os reservat\u00f3rios que sofreram esses anos todos&#8221;, completa Fritz.<\/p>\n<p>O professor Humberto Barbosa, por\u00e9m, diz que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas estabelecidas apontam para dificuldades futuras para a regi\u00e3o. &#8220;Proje\u00e7\u00f5es de impactos decorrentes da mudan\u00e7a do clima indicam que a seca se tornar\u00e1 mais frequente e intensa no semi\u00e1rido brasileiro, agravando os problemas j\u00e1 existentes e ampliando a vulnerabilidade da popula\u00e7\u00e3o&#8221;, define.<\/p>\n<p><strong>Maiores secas no Cear\u00e1 desde 1910:<\/strong><\/p>\n<p>Anos &#8211; M\u00e9dia anual de chuvas<br \/>\n1951-1955 &#8211; 608 mm\u00b3<br \/>\n1979-1983 &#8211; 566 mm\u00b3<br \/>\n2012-2016* &#8211; 516 mm\u00b3<\/p>\n<p>* Dados at\u00e9 o final de novembro de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Ant\u00f4nio Conselheiro bradava, no final do s\u00e9culo 19, na Bahia, que &#8220;o sert\u00e3o vai<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":56382,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/seca-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/seca-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/seca-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/seca-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/seca-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/seca-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/seca-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/seca-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/seca-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/seca-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Quando Ant\u00f4nio Conselheiro bradava, no final do s\u00e9culo 19, na Bahia, que &#8220;o sert\u00e3o vai","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56381"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56381"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56381\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56382"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56381"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56381"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56381"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}