{"id":5637,"date":"2014-08-28T10:00:25","date_gmt":"2014-08-28T10:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=5637"},"modified":"2014-08-27T23:26:46","modified_gmt":"2014-08-27T23:26:46","slug":"neurocientistas-afirmam-que-e-possivel-reescrever-mas-lembrancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/neurocientistas-afirmam-que-e-possivel-reescrever-mas-lembrancas\/","title":{"rendered":"Neurocientistas afirmam que \u00e9 poss\u00edvel reescrever m\u00e1s lembran\u00e7as"},"content":{"rendered":"<div id=\"materia-letra\" class=\"materia-conteudo entry-content\">\n<div>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/cerebro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-2698\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/cerebro.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>As emo\u00e7\u00f5es relacionadas a lembran\u00e7as podem ser reescritas, fazendo com que eventos ruins do passado pare\u00e7am melhores e coisas boas, piores, descobriram cientistas do Jap\u00e3o e dos Estados Unidos, que deram detalhes de seu estudo em artigo publicado nesta quarta-feira (27) na revista cient\u00edfica brit\u00e2nica Nature.<\/p>\n<p>De acordo com eles, a descoberta do mecanismo por tr\u00e1s do processo ajuda a explicar o poder dos tratamentos atuais de psicoterapia para doen\u00e7as mentais, como a depress\u00e3o ou o Dist\u00farbio de Estresse P\u00f3s-traum\u00e1tico (DEPT), e pode abrir novas vias para o tratamento psiqui\u00e1trico.<\/p>\n<p>&#8220;Estas descobertas validam o sucesso da psicoterapia atual, ao revelarem seu mecanismo subjacente&#8221;, explicou \u00e0 AFP, em T\u00f3quio, o chefe das pesquisas, Susumu Tonegawa.<\/p>\n<p>A equipe de cientistas, formada a partir de uma colabora\u00e7\u00e3o entre o Instituto RIKEN, do Jap\u00e3o, e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, usaram a optogen\u00e9tica &#8211; uma nova t\u00e9cnica de controle cerebral que usa a luz &#8211; para compreender melhor o que acontece quando pensamos no passado.<\/p>\n<p>Eles descobriram que sentimentos acolhedores ou de medo intenso, provocados pela intera\u00e7\u00e3o entre o hipocampo &#8211; o &#8220;confession\u00e1rio&#8221; do c\u00e9rebro &#8211; e a am\u00edgdala &#8211; o local onde seria codificada a positividade ou a negatividade &#8211; s\u00e3o mais flex\u00edveis do que se pensava.<\/p>\n<p>&#8220;Depende da intensidade da preval\u00eancia (do aspecto bom ou ruim). H\u00e1 uma competi\u00e7\u00e3o entre as duas for\u00e7as de conex\u00e3o dos circuitos&#8221;, explicou Tonegawa.<\/p>\n<p>Os cientistas injetaram em dois grupos de camundongos machos prote\u00ednas de uma alga sens\u00edvel \u00e0 luz, permitindo a eles identificar a forma\u00e7\u00e3o de uma nova mem\u00f3ria na medida em que acontecia e, com isso, usar pulsos de luz para reativ\u00e1-la quando quisessem.<\/p>\n<p>Eles permitiram a um grupo de roedores brincar com as f\u00eameas, criando uma mem\u00f3ria positiva. O outro grupo levou um pequeno, por\u00e9m desagrad\u00e1vel, choque el\u00e9trico no ch\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Mem\u00f3ria dolorosa <\/strong><br \/>\nEm seguida, os cientistas reativaram artificialmente a mem\u00f3ria, usando os pulsos de luz, efetivamente fazendo os roedores se lembrarem do que tinha acontecido com eles.<\/p>\n<p>Enquanto os ratinhos &#8220;lembravam&#8221; o evento, eles vivenciavam a experi\u00eancia oposta: as cobaias com a mem\u00f3ria positiva levavam um choque, enquanto aqueles com a mem\u00f3ria dolorosa eram conduzidos a f\u00eameas.<\/p>\n<p>Tonegawa explicou que sua equipe descobriu que a emo\u00e7\u00e3o da nova experi\u00eancia subjugou a emo\u00e7\u00e3o original, reescrevendo a forma como o animal se sentiu a respeito.<\/p>\n<p>&#8220;Fizemos um teste na c\u00e2mara original e a mem\u00f3ria de medo original desapareceu&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>No entanto, reescrever a lembran\u00e7a s\u00f3 foi poss\u00edvel com a manipula\u00e7\u00e3o do hipocampo, que \u00e9 sens\u00edvel a contextos. O mesmo resultado n\u00e3o poderia ser alcan\u00e7ado manipulando-se a am\u00edgdala.<\/p>\n<p>Tonegawa disse que a conex\u00e3o entre a mem\u00f3ria contextual no hipocampo e as emo\u00e7\u00f5es &#8220;boas&#8221; ou &#8220;ruins&#8221; na am\u00edgdala ficaram mais fortes ou mais fracas, dependendo do que foi vivenciado.<\/p>\n<p>Os cientistas esperam que suas descobertas possam abrir novas possibilidades para tratar dist\u00farbios do humor, como depress\u00e3o ou estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico, uma condi\u00e7\u00e3o mais presente em determinados segmentos da sociedade, como os militares, em que as pessoas vivenciaram eventos particularmente tr\u00e1gicos ou de risco de morte.<\/p>\n<p>&#8220;No futuro, eu gostaria de pensar que, com a nova tecnologia, seremos capazes de controlar os neur\u00f4nios no c\u00e9rebro sem fios e sem ferramentas intrusivas, como os eletrodos&#8221;, disse Tonegawa, que ganhou o Pr\u00eamio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1987.<\/p>\n<p>&#8220;Poder\u00edamos fazer prevalecer as lembran\u00e7as boas sobre as ruins&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Em um coment\u00e1rio tamb\u00e9m publicado na Nature, os cientistas especializados em cogni\u00e7\u00e3o Tomonori Takeuchi e Richard Morris, da Universidade de Edimburgo, na Esc\u00f3cia, disseram que o estudo representa uma inova\u00e7\u00e3o na explora\u00e7\u00e3o de mecanismos da mem\u00f3ria, embora a optogen\u00e9tica tenha limita\u00e7\u00f5es como uma ferramenta para fazer isso.<\/p>\n<p>&#8220;Mas a engenharia molecular est\u00e1 lan\u00e7ando luz sobre nossa compreens\u00e3o das redes de mem\u00f3ria fisiol\u00f3gica subjacente&#8221;, escreveram.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As emo\u00e7\u00f5es relacionadas a lembran\u00e7as podem ser reescritas, fazendo com que eventos ruins do passado<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2698,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/cerebro.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/cerebro.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/cerebro.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"As emo\u00e7\u00f5es relacionadas a lembran\u00e7as podem ser reescritas, fazendo com que eventos ruins do passado","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5637"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5637"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5637\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2698"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5637"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5637"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5637"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}