{"id":56312,"date":"2016-12-24T09:15:02","date_gmt":"2016-12-24T12:15:02","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=56312"},"modified":"2016-12-24T09:15:02","modified_gmt":"2016-12-24T12:15:02","slug":"morcego-da-especie-tadarida-brasiliensis-e-o-mais-rapido-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/morcego-da-especie-tadarida-brasiliensis-e-o-mais-rapido-do-mundo\/","title":{"rendered":"Morcego da esp\u00e9cie Tadarida brasiliensis  \u00e9 o mais r\u00e1pido do mundo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/morcego-da-especie-tadarida-brasiliensis-e-o-mais-rapido-do-mundo\/morcego_\/\" rel=\"attachment wp-att-56313\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-56313\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/morcego_-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/morcego_-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/morcego_.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quando a noite cai e o morcego-sem-rabo-brasileiro (<em>Tadarida brasiliensis<\/em>) ocupa o c\u00e9u em manobras rasantes e acrob\u00e1ticas, o m\u00e1ximo que os olhos humanos conseguem capturar s\u00e3o vultos cortando o ar. Ao estudar esse comportamento detalhadamente, um grupo de pesquisadores do Instituto Max Planck e da Universidade de Constan\u00e7a, na Alemanha, e das universidades do Tennessee e de Boston, nos Estados Unidos, verificou que esses morcegos atingem velocidades de at\u00e9 160 quil\u00f4metros por hora (km\/h) em voos horizontais, o que faz dessa esp\u00e9cie de mam\u00edfero o animal voador mais r\u00e1pido conhecido. As conclus\u00f5es foram apresentadas em um <a href=\"http:\/\/rsos.royalsocietypublishing.org\/content\/3\/11\/160398\" target=\"_blank\">artigo<\/a> publicado em novembro na revista <em>Royal Society Open Science<\/em>. At\u00e9 agora, o recorde de velocidade de voo na horizontal medido por pesquisadores pertencia a p\u00e1ssaros da fam\u00edlia Apodidae, como o andorinh\u00e3o-preto (<em>Apus apus<\/em>) presente em todos os continentes, exceto na Ant\u00e1rtida e nas Am\u00e9ricas, e capaz de alcan\u00e7ar 100 km\/h.<\/p>\n<p>Apesar do nome, o <em>T. brasiliensis<\/em> n\u00e3o \u00e9 exclusivo do Brasil. Tamb\u00e9m pode ser encontrado no Chile, Argentina, Uruguai e nos Estados Unidos. Os autores do estudo usaram cola cir\u00fargica para acoplar r\u00e1dios transmissores de cerca de meio grama nas costas de sete morcegos f\u00eameas com peso entre 11 e 12 gramas. Os animais foram capturados na entrada da caverna Frio, no Texas, estado norte-americano. Usando um receptor m\u00f3vel a bordo de uma pequena aeronave, os pesquisadores captaram o sinal sonoro emitido pelo equipamento e monitoraram os padr\u00f5es de voo dos morcegos e a velocidade com a qual se deslocavam pelo ar. Os dados foram analisados e cruzados com as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas do local. Desse modo, a equipe descartou a possibilidade de que o vento pudesse exercer qualquer influ\u00eancia no deslocamento.<\/p>\n<p>A capacidade de voo evoluiu de forma independente em aves e morcegos. A partir de um ancestral que provavelmente era capaz de subir em \u00e1rvores e planar, a evolu\u00e7\u00e3o do voo nesses dois grupos passou por diversas modifica\u00e7\u00f5es estruturais. Algumas delas se deram de forma similar em ambos as esp\u00e9cies. Outras, no entanto, deram-se de modo espec\u00edfico, refletindo a hist\u00f3ria evolutiva pr\u00f3pria de cada grupo.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto o voo dos morcegos envolve a atividade orquestrada de v\u00e1rios m\u00fasculos, o das aves, por exemplo, envolve apenas dois\u201d, explica o ec\u00f3logo Ariovaldo Cruz-Neto, do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro. O pesquisador n\u00e3o participou do estudo sobre o morcego-sem-rabo-brasileiro que saiu na <em>Royal Society Open Science<\/em>, mas \u00e9 um especialista na \u00e1rea.<\/p>\n<p>Segundo ele, os morcegos tamb\u00e9m passaram por modifica\u00e7\u00f5es no sistema respirat\u00f3rio e circulat\u00f3rio para assegurar que esses m\u00fasculos conseguissem receber oxig\u00eanio suficiente para funcionar. \u201cQuando comparado a mam\u00edferos que n\u00e3o voam, os morcegos t\u00eam pulm\u00f5es com maior volume, e seu sangue \u00e9 capaz de transportar oxig\u00eanio de forma mais r\u00e1pida e eficiente\u201d, explica Cruz-Neto. \u201cEssas modifica\u00e7\u00f5es devem melhorar a efici\u00eancia mec\u00e2nica do voo em morcegos, de modo a torn\u00e1-lo t\u00e3o eficiente quanto o das aves\u201d, diz.<\/p>\n<p>Cruz-Neto desenvolveu um <a href=\"http:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s13272-016-0212-5\" target=\"_blank\">modelo aerodin\u00e2mico<\/a> capaz de determinar a efici\u00eancia mec\u00e2nica do voo dos morcegos. Diferentemente dos modelos cl\u00e1ssicos, o m\u00e9todo criado por ele com a colabora\u00e7\u00e3o de dois pesquisadores australianos leva em conta aspectos diversos da morfologia desses animais. \u201cEm geral, os modelos aerodin\u00e2micos cl\u00e1ssicos atuais consideravam a \u00e1rea da asa como sendo a \u00fanica estrutura a impor resist\u00eancia ao ar durante o voo desses animais\u201d, diz Cruz-Neto. Al\u00e9m das tradicionais medidas associadas \u00e0 morfologia das asas, o estudo tamb\u00e9m mediu a \u00e1rea da cabe\u00e7a, orelha, patas e cauda. Essas medidas permitiram aos pesquisadores calcular a resist\u00eancia ao ar que esses membros ofereciam ao voo dos morcegos.<\/p>\n<p>Em seguida, com base no modelo que desenvolveram, os pesquisadores usaram esses dados para gerar valores de velocidade de voo esperadas em diferentes tipos de h\u00e1bitats que os morcegos podem encontrar e a efici\u00eancia mec\u00e2nica associada a essas velocidades. Com os dados em m\u00e3os, eles acompanharam o deslocamento de voo de 30 morcegos de diferentes esp\u00e9cies da Austr\u00e1lia por meio de radares especiais que permitiam medidas acuradas da velocidade de voo.<\/p>\n<p>Ao compararem os dados de voo como os valores esperados que haviam calculado, verificaram que o modelo conseguiu calcular a efici\u00eancia mec\u00e2nica do voo com precis\u00e3o de at\u00e9 95%. \u201cMostramos que existem outras vari\u00e1veis que influenciam a capacidade de voo dos morcegos em diferentes ambientes\u201d, esclarece o pesquisador. \u201cConseguir determinar esses par\u00e2metros com maior precis\u00e3o pode ajudar no desenvolvimento de estudos ecol\u00f3gicos.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a noite cai e o morcego-sem-rabo-brasileiro (Tadarida brasiliensis) ocupa o c\u00e9u em manobras rasantes<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":56313,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/morcego_.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/morcego_-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/morcego_-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/morcego_.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/morcego_.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/morcego_.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/morcego_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/morcego_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/morcego_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/morcego_.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Quando a noite cai e o morcego-sem-rabo-brasileiro (Tadarida brasiliensis) ocupa o c\u00e9u em manobras rasantes","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56312"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56312"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56312\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56313"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}