{"id":55999,"date":"2016-12-19T08:33:07","date_gmt":"2016-12-19T11:33:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=55999"},"modified":"2016-12-19T08:38:25","modified_gmt":"2016-12-19T11:38:25","slug":"deixe-de-comprar-comida-organica-se-quiser-salvar-o-planeta-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/deixe-de-comprar-comida-organica-se-quiser-salvar-o-planeta-2\/","title":{"rendered":"Deixe de comprar comida org\u00e2nica se quiser salvar o planeta"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/deixe-de-comprar-comida-organica-se-quiser-salvar-o-planeta\/tomate-10\/\" rel=\"attachment wp-att-55950\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-55950\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/tomate-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/tomate-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/tomate-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>N\u00e3o poucos r\u00f3tulos de produtos org\u00e2nicos (aqueles cujos produtores garantem n\u00e3o ter sido tratados com nenhum tipo de pesticida que n\u00e3o seja natural, que foram cultivados respeitando os ciclos pr\u00f3prios da natureza e n\u00e3o foram modificados geneticamente) prometem n\u00e3o apenas um sabor aut\u00eantico, mas que ao escolh\u00ea-los voc\u00ea contribuir\u00e1 para preservar a natureza. Na Espanha, 36% das pessoas que consomem produtos org\u00e2nicos o fazem movidos por motivos ambientais, segundo uma pesquisa de 2014 do Minist\u00e9rio da Agricultura. Se voc\u00ea \u00e9 dos que acreditam que ao comprar estes alimentos contribui para salvar o planeta, poderia estar incorrendo em um erro: um artigo recente publicado na New Scientist afirma que \u00e9 um tipo de agricultura menos eficiente, com a qual n\u00e3o se reduzem as emiss\u00f5es de CO2 e que, al\u00e9m disso seus produtos n\u00e3o s\u00e3o necessariamente mais saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1 na moda aderir ao org\u00e2nico pelo atrativo da palavra, mas ningu\u00e9m tem ideia de como \u00e9 produzido\u201d, sentencia o engenheiro agr\u00f4nomo Marco Antonio Oltra, professor associado de Fisiologia Vegetal na Universidade de Alicante. Para este especialista, uma produ\u00e7\u00e3o totalmente org\u00e2nica n\u00e3o abasteceria toda a popula\u00e7\u00e3o: \u201cSomos 7 bilh\u00f5es de pessoas diante de 1% de produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica. Mudar para uma agricultura org\u00e2nica faria com que metade da popula\u00e7\u00e3o mundial deixasse de comer. S\u00f3 se cultiva assim em regi\u00f5es onde faltam meios para a agricultura t\u00e9cnica, como na \u00cdndia ou em alguns pa\u00edses africanos. Mas n\u00e3o s\u00e3o levados pelo respeito ao meio ambiente, embora o consumidor ignore isto. Muitos consumidores associam o org\u00e2nico ao bom\u201d, opina o especialista.<\/p>\n<p>Embora voc\u00ea n\u00e3o perceba, a agricultura org\u00e2nica demanda a utiliza\u00e7\u00e3o de mais terras por causa de seu baixo rendimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 convencional, o que leva \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o de ecossistemas como as florestas nas zonas tropicais. Uma pesquisa publicada na Nature em 2012, baseada em uma meta-an\u00e1lise (um procedimento estat\u00edstico avan\u00e7ado) de todos os dados publicados, conclu\u00eda que a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica produz entre 5% e 34% menos que a convencional. \u201cPara satisfazer as necessidades da crescente popula\u00e7\u00e3o [em 2050 ter\u00e1 aumentado em 1 bilh\u00e3o de habitantes, segundo a FAO], haver\u00e1 a necessidade de mais superf\u00edcie para o cultivo, e isso significa que, se forem respeitadas as normas da agricultura org\u00e2nica, seria preciso desmatar florestas. No entanto, com a agricultura convencional, tecnologicamente muito avan\u00e7ada, seria poss\u00edvel cultivar em regi\u00f5es de estepe e at\u00e9 em desertos\u201d, afirma Emilio Montesinos, microbiologista, catedr\u00e1tico em Patologia Vegetal e diretor do Instituto de Tecnologia Agroalimentar \u2013 CIDSAV da Universidade de Girona.<\/p>\n<p><strong>Maior rastro ecol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p>Quando se fala dos gases do efeito estufa, certamente que a primeira coisa que vem \u00e0 mente \u00e9 a imagem de uma metr\u00f3pole superpovoada ou a das fumegantes chamin\u00e9s de uma ind\u00fastria. Mas a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola joga tamb\u00e9m seu papel nessas emiss\u00f5es nocivas para o planeta. \u201cNa verdade, a org\u00e2nica implica, em m\u00e9dia, uma maior emiss\u00e3o de di\u00f3xido de carbono do que a convencional. \u00c9 preciso levar em conta os trabalhos do campo, a m\u00e3o de obra, a menor efici\u00eancia dos produtos fitossanit\u00e1rios para o controle de pragas e doen\u00e7as ou da fertiliza\u00e7\u00e3o\u201d, explica Montesinos.<\/p>\n<p>\u201cEm um programa de produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica de ma\u00e7\u00e3s, por exemplo, o controle de uma doen\u00e7a muito frequente denominada sarna-da-ma\u00e7\u00e3 requer aplica\u00e7\u00f5es semanais ou mais frequentes, durante tr\u00eas meses, de produtos pouco eficazes como o bicarbonato de pot\u00e1ssio, o enxofre e o caulim. No final desses cuidados, isto pode significar mais de doze tratamentos.\u201d Segundo o microbiologista, uma horta familiar, onde os trabalhos s\u00e3o feitos manualmente, n\u00e3o deixaria um rastro de CO2 maior, \u201cmas em uma explora\u00e7\u00e3o de um hectare a presen\u00e7a do maquin\u00e1rio agr\u00edcola \u00e9 mais frequente e, portanto, aumentam as emiss\u00f5es. Na agricultura convencional seriam usados fungicidas de s\u00ednteses muito mais eficazes e menos tratamentos, entre dois e cinco\u201d.<\/p>\n<p>Outro aspecto importante se refere ao custo energ\u00e9tico dos produtos fitossanit\u00e1rios. O especialista exemplifica: \u201cEm alguns cultivos org\u00e2nicos se requer menos energia, mas \u00e0s vezes se utilizam compostos derivados, autorizados, de cobre, com um tremendo impacto ambiental. Embora sejam considerados naturais, n\u00e3o procedem em primeiro plano de extra\u00e7\u00f5es diretas de minera\u00e7\u00e3o, mas da reciclagem de cabos el\u00e9tricos, entre outros. Essa reciclagem tem um consider\u00e1vel consumo energ\u00e9tico e emiss\u00e3o de CO2.\u201d<\/p>\n<p>Com o objetivo de reduzir as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa, a tecnologia agr\u00edcola mais promissora at\u00e9 o momento corresponde \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, j\u00e1 que os cultivos modificados (OGM, na sigla em ingl\u00eas) se destinam a capturar energia solar e, assim, reduzir o uso de fertilizantes. Na verdade, um estudo de 2014 fixava em 36,9% a diminui\u00e7\u00e3o do uso de pesticidas gra\u00e7as \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. \u201cTanto os cultivos transg\u00eanicos como os convencionais realizam a fotoss\u00edntese e fixam CO2 mediante a captura de energia solar. Os plantios comerciais atuais ainda n\u00e3o incorporam uma menor necessidade de fertilizantes porque, embora existam variedades OGM melhoradas, n\u00e3o est\u00e3o no mercado. No futuro estas plantas poder\u00e3o reduzir as emiss\u00f5es de CO2, e at\u00e9 mesmo ser usadas como escoadouro\u201d, afirma Montesinos.<\/p>\n<p><strong>Rotulagem e consci\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>A agricultura org\u00e2nica \u00e9 vinculada constantemente \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o dos sabores de antes, o que o consumidor relaciona com um alimento mais saud\u00e1vel, diz Oltra: \u201c\u00c9 uma ideia errada: se um tomate comprado em uma grande superf\u00edcie n\u00e3o tem gosto de tomate n\u00e3o \u00e9 pelo tipo de agricultura de que prov\u00e9m, mas porque, ante uma demanda de produtos visualmente perfeitos (escolhemos o tomate por sua cor e n\u00e3o pelo seu sabor), os produtores convencionais priorizam o atrativo do alimento, sacrificando seu sabor\u201d.<\/p>\n<p>Para o bioqu\u00edmico e divulgador Jos\u00e9 Miguel Mulet, autor de Los productos naturales, vaya timo (Laetoli) e Comer Sin Miedo (Destino), \u201co r\u00f3tulo org\u00e2nico s\u00f3 diz que os que se utilizou \u00e9 natural, mas n\u00e3o que seja melhor nem pior. Tampouco informa se foi aplicada alguma das numerosas exce\u00e7\u00f5es que o regulamento prev\u00ea. S\u00f3 faz refer\u00eancia ao fato de ter sido produzido de acordo com as normas, mas nada sobre o impacto ecol\u00f3gico, como o rastro de carbono [o CO2 \u00e9 emitido em todas as fases de cria\u00e7\u00e3o de um produto]\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Apesar de o certificado do rastro de carbono n\u00e3o ser obrigat\u00f3rio, h\u00e1 pa\u00edses europeus em que \u00e9 comum que os produtos org\u00e2nicos tenham esse dado assinalado em seu r\u00f3tulo. Para Oltra, este indicador n\u00e3o ajuda a se ter uma ideia real sobre se estamos diante de um produto nocivo para a natureza ou n\u00e3o. \u201cA certifica\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante, mas s\u00f3 quando o usu\u00e1rio final pode entend\u00ea-la. H\u00e1 outros conceitos, como o rastro h\u00eddrico (quantificar a \u00e1gua que se utilizou), que s\u00e3o mais compreens\u00edveis. Mas, sobretudo, \u00e9 necess\u00e1rio fazer uma compara\u00e7\u00e3o: quando se l\u00ea que um produto utilizou 18 litros para um quilo e outro, 32, fica mais claro. Com o r\u00f3tulo, seria premiada a efic\u00e1cia de um consumo verde, e n\u00e3o s\u00f3 no uso da \u00e1gua, tamb\u00e9m em fertilizantes e tratamentos fitossanit\u00e1rios\u201d, observa.<\/p>\n<p><strong>Tudo vale a pena pela sa\u00fade?<\/strong><\/p>\n<p>Outro motivo pelo qual as pessoas escolhem produtos org\u00e2nicos \u00e9 porque se preocupam com a sa\u00fade. Mulet considera que comer org\u00e2nicos n\u00e3o \u00e9 mais saud\u00e1vel: \u201cA qualidade nutricional \u00e9 semelhante tanto no convencional como no org\u00e2nico, outra quest\u00e3o \u00e9 a seguran\u00e7a alimentar, onde fica claro que os maiores alertas se deram no org\u00e2nico, a come\u00e7ar pela crise de 2011, que causou 47 v\u00edtimas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuando n\u00e3o h\u00e1 problema de pragas e de nutri\u00e7\u00e3o nas plantas, a agricultura org\u00e2nica n\u00e3o demanda a\u00e7\u00f5es importantes para seu controle, como o uso de pesticidas autorizados. No entanto, na pr\u00e1tica, as pragas, doen\u00e7as e ervas daninhas comprometem em perdas ao redor de 33% da produ\u00e7\u00e3o potencial na agricultura convencional. \u00c9 de se supor que na org\u00e2nica sejam ainda maiores por causa da menor efic\u00e1cia dos sistemas de controle. Isto se traduz em que seus produtos apresentem maior deteriora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se conservem t\u00e3o bem como os convencionais, o que ocasiona deteriora\u00e7\u00f5es f\u00fangicas. Alguns desses fungos produzem micotoxinas, hoje um dos problemas toxicol\u00f3gicos alimentares mais preocupantes\u201d, conclui Emilio Montesinos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o poucos r\u00f3tulos de produtos org\u00e2nicos (aqueles cujos produtores garantem n\u00e3o ter sido tratados com<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":55950,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/tomate-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/tomate-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/tomate-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/tomate-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/tomate-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/tomate-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/tomate-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/tomate-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/tomate-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/tomate-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"N\u00e3o poucos r\u00f3tulos de produtos org\u00e2nicos (aqueles cujos produtores garantem n\u00e3o ter sido tratados com","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55999"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55999"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55999\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55950"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55999"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55999"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55999"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}