{"id":5575,"date":"2014-08-26T15:25:27","date_gmt":"2014-08-26T15:25:27","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=5575"},"modified":"2014-08-26T15:25:27","modified_gmt":"2014-08-26T15:25:27","slug":"como-sera-o-brasil-se-puder-consumir-a-energia-eletrica-no-mesmo-local-em-que-a-produzir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-sera-o-brasil-se-puder-consumir-a-energia-eletrica-no-mesmo-local-em-que-a-produzir\/","title":{"rendered":"Como ser\u00e1 o Brasil se puder consumir a energia el\u00e9trica no mesmo local em que a produzir?"},"content":{"rendered":"<p><small style=\"font-size: 10px; font-family: Tahoma, Geneva, sans-serif;\"><i><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/novas_energias1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-5577\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/novas_energias1.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Por Washington Novaes*<\/i><\/small><\/p>\n<p>Que economias far\u00e1? Que benef\u00edcios levar\u00e1 para a agricultura familiar, inclu\u00edda a gera\u00e7\u00e3o de renda? Que desperd\u00edcios eliminar\u00e1?<\/p>\n<p>Foram esses alguns dos temas discutidos h\u00e1 poucos dias num semin\u00e1rio em Itaipu, do qual participaram at\u00e9 mesmo representantes de v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos e de institui\u00e7\u00f5es como a ONU \u2013 por meio tamb\u00e9m da Food and Agriculture Organization (FAO) -, a Ag\u00eancia Internacional de Energia, o Instituto Interamericano de Coopera\u00e7\u00e3o para a Agricultura, al\u00e9m de \u00f3rg\u00e3os de governo brasileiros. Ao final, v\u00e1rios grupos de trabalho sugeriram caminhos para ampliar esse modelo de microgera\u00e7\u00e3o e consumo localizados, a partir de biog\u00e1s produzido com dejetos de animais, que j\u00e1 est\u00e1 sendo implantado com \u00eaxito em algumas dezenas de propriedades rurais do Paran\u00e1 e at\u00e9 do Uruguai. O modelo tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 em discuss\u00e3o com pa\u00edses africanos.<\/p>\n<p>Trata-se, na verdade, de um \u201covo de Colombo\u201d, como j\u00e1 foi qualificado neste mesmo espa\u00e7o alguns meses atr\u00e1s. O projeto permite que o pequeno propriet\u00e1rio rural acumule os dejetos animais (contribuindo com solu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para o lixo rural), com eles gere biog\u00e1s (dando solu\u00e7\u00e3o para o g\u00e1s metano) e, por meio desse biog\u00e1s, produza a energia el\u00e9trica que consumir\u00e1 ali mesmo. Deixa de pagar conta de energia e, se houver excedente, ainda poder\u00e1 vend\u00ea-lo \u00e0s distribuidoras, aumentando a sua renda. Dispensa a constru\u00e7\u00e3o das caras e desperdi\u00e7adoras linhas de transmiss\u00e3o. Beneficia a agricultura familiar \u2013 no Brasil, 37% dos empregos, 33% do produto interno bruto (PIB) nacional, 42% das exporta\u00e7\u00f5es \u2013 e permite ainda evitar desperd\u00edcios (no mundo todo, mais de 1 bilh\u00e3o de toneladas anuais de alimentos).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um projeto que mudar\u00e1 a economia no mundo\u201d, disse, enfaticamente, Minoru Takada, representante do secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Ban Ki-moon \u2013 que, por sua vez, j\u00e1 dissera em outro evento que \u201cenergia \u00e9 a mina de ouro, sem ela nada mudar\u00e1\u201d. Hoje ainda h\u00e1 no mundo mais de 1 bilh\u00e3o de pessoas que n\u00e3o disp\u00f5em de energia (600 milh\u00f5es somente na \u00cdndia), grande parte delas cozinhando com energia gerada pelo carv\u00e3o (altamente poluidor).<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse, essa microgera\u00e7\u00e3o com consumo no local poder\u00e1 contribuir decisivamente para que o Brasil venha a dobrar a sua produ\u00e7\u00e3o de energia at\u00e9 2050. E o fa\u00e7a com energias renov\u00e1veis, como \u00e9 desej\u00e1vel. Da mesma forma, contribuir\u00e1 para reduzir as nossas emiss\u00f5es de poluentes que contribuem para mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2013 j\u00e1 somos o quinto pa\u00eds que mais as produz.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil, entretanto, a caminhada, como mostraram no semin\u00e1rio as exposi\u00e7\u00f5es dos v\u00e1rios representantes latino-americanos e caribenhos. Como ser\u00e1, por exemplo, o quadro institucional em que isso poder\u00e1 ocorrer? Com que leis e \u00f3rg\u00e3os ou institui\u00e7\u00f5es? Com que conhecimentos e suas tecnologias, que precisar\u00e3o ser difundidas? Quais ser\u00e3o as parcerias, inclusive entre pa\u00edses? E as pol\u00edticas de cr\u00e9dito? Como ser\u00e1 a gera\u00e7\u00e3o de biomassas para produzir o biog\u00e1s? De que fontes, al\u00e9m de dejetos? Qual a escala de produ\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata apenas de instalar biodigestores \u2013 o processo \u00e9 mais amplo, embora dispense megaprojetos.<\/p>\n<p>Os avan\u00e7os na chamada \u00e1rea ambiental tamb\u00e9m poder\u00e3o ser consider\u00e1veis, com os est\u00edmulos ao uso de dejetos, com a cria\u00e7\u00e3o de mercado para biofertilizantes, com programas adequados para recursos h\u00eddricos, com a capacita\u00e7\u00e3o de agricultores familiares. Al\u00e9m disso, ser\u00e1 poss\u00edvel criar um marco legal para a gera\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s e energia, com pol\u00edticas de cr\u00e9dito diferenciadas. A coopera\u00e7\u00e3o internacional com a \u00c1frica e a \u00c1sia (principalmente a \u00cdndia) pode levar as quest\u00f5es para um modelo de colabora\u00e7\u00e3o m\u00fatua, e n\u00e3o apenas de competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitas possibilidades, portanto. E as discuss\u00f5es ocorreram no momento em que se anunciava para o Brasil o primeiro leil\u00e3o de projetos de gera\u00e7\u00e3o de energia solar, que j\u00e1 se aproxima do n\u00edvel de competi\u00e7\u00e3o em custos com outros formatos, tal como aconteceu com a energia e\u00f3lica (pena que nesta \u00faltima ainda faltem linhas de transmiss\u00e3o para projetos instalados, principalmente no Nordeste \u2013 tarefa que cabia n\u00e3o a produtores, mas a \u00f3rg\u00e3os federais; e essa gera\u00e7\u00e3o permitiria ainda economizar \u00e1gua hoje utilizada por hidrel\u00e9tricas ou a cara energia derivada do carv\u00e3o).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ali, no semin\u00e1rio, se mencionou que o Brasil passar\u00e1 a produzir, em outro projeto de Itaipu, associado a uma empresa de tecnologia, placas para gera\u00e7\u00e3o de energia fotovoltaica. Hoje exportamos o min\u00e9rio e importamos as placas, que custam cerca de seis vezes mais.<\/p>\n<p>Relat\u00f3rio da Ag\u00eancia Internacional de Energia lembra que n\u00e3o estamos no caminho adequado para cumprir, no mundo, a meta de limitar o aumento da temperatura planet\u00e1ria a 2 graus Celsius. As emiss\u00f5es de poluentes j\u00e1 nos levaram a superar \u2013 pela primeira vez em milhares de anos \u2013 a concentra\u00e7\u00e3o desses poluentes na atmosfera a 400 partes por milh\u00e3o. Podemos, por isso, esperar mais \u201ceventos extremos\u201d, maior eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos oceanos, temperaturas mais altas, entre 3,6 e 5,3 graus Celsius.<\/p>\n<p>Mas o objetivo de promover mudan\u00e7as radicais \u201c\u00e9 fact\u00edvel\u201d, dizem esse e outros relat\u00f3rios internacionais. Para isso, contudo, \u00e9 preciso agir com vigor antes de 2020, principalmente na \u00e1rea de energia, em que est\u00e3o dois ter\u00e7os das emiss\u00f5es de poluentes. E, nessa \u00e1rea, v\u00eam de \u201cfontes f\u00f3sseis\u201d (carv\u00e3o mineral, g\u00e1s natural, petr\u00f3leo) 80% do consumo, que ainda \u00e9 subsidiado em mais de US$ 800 bilh\u00f5es anuais.<\/p>\n<p>At\u00e9 2020 ser\u00e1 preciso investir US$ 1,5 trilh\u00e3o. E, depois, mais US$ 5 trilh\u00f5es.<\/p>\n<p>No Brasil, o potencial da energia solar, se captada em 5% da \u00e1rea urbanizada (ou 0,01% da \u00e1rea total do Pa\u00eds), seria de atender a 10% da demanda; na e\u00f3lica, o potencial inexplorado \u00e9 de 300 gigawatts, quase tr\u00eas vezes mais que a gera\u00e7\u00e3o total de hoje. E projetos como o da gera\u00e7\u00e3o e consumo local poder\u00e3o ter um papel decisivo nesse quadro das renov\u00e1veis.<\/p>\n<p><em>* <strong>Washington Novaes<\/strong> \u00e9 jornalista.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Washington Novaes* Que economias far\u00e1? 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