{"id":55638,"date":"2016-12-14T11:00:49","date_gmt":"2016-12-14T14:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=55638"},"modified":"2016-12-14T08:31:50","modified_gmt":"2016-12-14T11:31:50","slug":"estudo-detecta-pela-primeira-vez-que-aquecimento-derreteu-geleiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-detecta-pela-primeira-vez-que-aquecimento-derreteu-geleiras\/","title":{"rendered":"Estudo detecta pela primeira vez que aquecimento derreteu geleiras"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=55639\" rel=\"attachment wp-att-55639\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-55639\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/geleiras-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/geleiras-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/geleiras.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma nova metodologia sugere que o aquecimento global e suas causas humanas s\u00e3o realmente os grandes respons\u00e1veis pelo recuo de geleiras de montanha durante os s\u00e9culos 20 e 21. Essas massas de gelo s\u00e3o fundamentais para o abastecimento de \u00e1gua em v\u00e1rias localidades, como a Bol\u00edvia, que vive sua pior seca em 25 anos e tem boa parte de seu fornecimento dependente dos Andes, e t\u00eam diminu\u00eddo ao redor do planeta em regi\u00f5es t\u00e3o diversas quanto o Alasca e os tr\u00f3picos africanos, a Patag\u00f4nia e a Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>O estudo \u00e9 importante porque fornece pela primeira vez uma prova categ\u00f3rica daquela que \u00e9 uma das consequ\u00eancias previstas mais imediatas de um planeta mais quente. Embora o elo entre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica causada por atividades humanas e o degelo esteja claro h\u00e1 anos, at\u00e9 agora os modelos computacionais usados para modelar o clima n\u00e3o conseguiam ligar o derretimento de geleiras individuais ao aquecimento global.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio de avalia\u00e7\u00e3o do IPCC, painel do clima das Na\u00e7\u00f5es Unidas, por exemplo, afirmou em 2013 que era \u201cprov\u00e1vel\u201d (conceito que representa cerca de 66% de possibilidade, no linguajar estat\u00edstico do IPCC) que os n\u00edveis de degelo monitorados no per\u00edodo tivessem sido de fato causados por mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O estudo da Universidade de Washington (EUA), publicado no peri\u00f3dico Nature Climate Change e apresentado ontem\u00a0(12) durante evento da Uni\u00e3o Geof\u00edsica Americana (AGU), em S\u00e3o Francisco, eleva esse grau de confian\u00e7a: o documento afirma que, para quase todas as geleiras contempladas, a influ\u00eancia de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no derretimento \u00e9 de mais de 90%, chegando, na maior parte dos casos estudados, a 99%. Isto equivale, na terminologia do IPCC, a dizer que \u00e9 \u201cvirtualmente certo\u201d que a causa do derretimento seja o clima alterado.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise do trio de cientistas foi realizada em 37 geleiras ao redor do mundo, com condi\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas e ambientais diversas. Destas, 36 tinham 90% ou mais de probabilidade de terem tido seu degelo influenciado pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Em 21 delas, a chance era de 99%.<\/p>\n<p>O grupo utilizou registros hist\u00f3ricos e observa\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica das regi\u00f5es para comparar varia\u00e7\u00f5es naturais no tamanho das geleiras com mudan\u00e7as observadas nos s\u00e9culos 20 e 21 e calcular um coeficiente de varia\u00e7\u00e3o desses dados. As altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o ent\u00e3o comparadas com um cen\u00e1rio sem mudan\u00e7as no clima para calcular a probabilidade de rela\u00e7\u00e3o de causa.<\/p>\n<p>\u201cNossa pesquisa demonstra que a diminui\u00e7\u00e3o global de geleiras requer necessariamente uma mudan\u00e7a no clima de dura\u00e7\u00e3o centen\u00e1ria e \u00e2mbito global\u201d, afirmou ao OC o glaciologista Gerard Roe, pesquisador da Universidade de Washington e l\u00edder do estudo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o estudo de atribui\u00e7\u00e3o mais abrangente at\u00e9 hoje sobre o recuo de geleiras. Esperamos que nosso trabalho possa facilitar conclus\u00f5es mais assertivas sobre o tema para a pr\u00f3xima elabora\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios do IPCC\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Estudos de atribui\u00e7\u00e3o, como este, buscam estabelecer as causas mais prov\u00e1veis para uma mudan\u00e7a ou evento, utilizando os n\u00edveis de confian\u00e7a estabelecidos pelo IPCC. A t\u00e9cnica incorporada na publica\u00e7\u00e3o n\u00e3o exige o uso de modelos computacionais e pode ser aplicada em qualquer regi\u00e3o que possua um registro de observa\u00e7\u00f5es suficientemente extenso.<\/p>\n<p>O glaciologista brasileiro Jefferson Sim\u00f5es, diretor do Centro Polar e Clim\u00e1tico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, refor\u00e7a a import\u00e2ncia da conclus\u00e3o dos cientistas: \u201cOs comportamentos das geleiras \u00e9 demonstrativo de tend\u00eancias nas escalas temporais de d\u00e9cadas e a retra\u00e7\u00e3o observada ao longo do s\u00e9culo 20 \u00e9 uma resposta \u00e0s tend\u00eancias clim\u00e1ticas do s\u00e9culo passado, n\u00e3o uma recupera\u00e7\u00e3o din\u00e2mica de quaisquer condi\u00e7\u00f5es antecedentes\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u201cMateriais midi\u00e1ticos e educacionais utilizam muito a figura das geleiras, e nosso trabalho ajuda a fundamentar essa conex\u00e3o. As observa\u00e7\u00f5es que nos ajudam a compreender mudan\u00e7as clim\u00e1ticas causadas pelo homem est\u00e3o al\u00e9m de questionamentos\u201d, pontua Roe, sinalizando tamb\u00e9m para a utiliza\u00e7\u00e3o da nova metodologia e suas implica\u00e7\u00f5es na formula\u00e7\u00e3o e continuidade de pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cQualquer pol\u00edtico possui a responsabilidade moral de buscar compreender atentamente as informa\u00e7\u00f5es de milhares de especialistas. Esse conhecimento n\u00e3o deve ser negado ou minimizado\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nova metodologia sugere que o aquecimento global e suas causas humanas s\u00e3o realmente os<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":55639,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/geleiras.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/geleiras-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/geleiras-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/geleiras.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/geleiras.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/geleiras.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/geleiras.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/geleiras.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/geleiras.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/geleiras.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma nova metodologia sugere que o aquecimento global e suas causas humanas s\u00e3o realmente os","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55638"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55638"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55638\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55639"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55638"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55638"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55638"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}