{"id":55509,"date":"2016-12-11T09:35:01","date_gmt":"2016-12-11T12:35:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=55509"},"modified":"2016-12-12T09:39:44","modified_gmt":"2016-12-12T12:39:44","slug":"abaixo-os-safaris-em-elefantes-viva-o-safari-com-jabulani","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/abaixo-os-safaris-em-elefantes-viva-o-safari-com-jabulani\/","title":{"rendered":"Abaixo os saf\u00e1ris em elefantes, viva o saf\u00e1ri com Jabulani"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"create\">Por Silvana Campello*<\/span><\/p>\n<div class=\"post-content\">\n<div id=\"attachment_50490\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 649px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-50490 \" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Jabulani-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Jabulani-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Jabulani-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Jabulani-600x400.jpg 600w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Jabulani-278x185.jpg 278w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Jabulani.jpg 1152w\" alt=\"Jabulani\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Saf\u00e1ri com Jabulani, uma experi\u00eancia \u00fanica. Foto: arquivo Silvana Campello<\/p>\n<\/div>\n<p>Escolhi comemorar meus 60 anos em um saf\u00e1ri na \u00c1frica do Sul montada em um elefante. Eu j\u00e1 havia feito um saf\u00e1ri em elefante, e a experi\u00eancia daquele encontro t\u00e3o \u00edntimo com esse maravilhoso animal me marcou profundamente. Quando li que a partir de abril de 2017 os saf\u00e1ris em elefantes ser\u00e3o banidos em todo o mundo, devido a press\u00e3o internacional contra as crueldades praticadas para domestica\u00e7\u00e3o e treino dos animais para turismo, decidi repetir a experi\u00eancia pela \u00faltima vez, embora, como conservacionista, seja completamente a favor da suspens\u00e3o da atividade. Hipocrisia? Calma. Nada disso. O elefante que montei antes e agora chama-se Jabulani, que significa Felicidade, e seu lar \u00e9 o Centro de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas de Hoedspruit, na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>O Centro, ou <a href=\"http:\/\/hesc.co.za\/\">HESC (Hoedspruit Endangered Species Center)<\/a> \u00e9 uma ONG fundada por Lente Roode, uma mulher excepcional. Quando tinha 6 anos, o pai de Lente recebeu em sua fazenda um filhote de guepardo &#8212; ou cheetah &#8211;, cuja m\u00e3e havia sido abatida para com\u00e9rcio da pele. Lente cuidou do pequeno animal como um mascote, e cresceram juntas em uma rela\u00e7\u00e3o insepar\u00e1vel. Quando herdou a fazenda de seu pai, em 1985, os guepardos j\u00e1 estavam amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o pela ca\u00e7a, perda de habitat, ou por serem vistos como amea\u00e7a ao gado por fazendeiros. Lente passou a buscar filhotes \u00f3rf\u00e3os de guepardos bem como guepardos feridos, visando sua reabilita\u00e7\u00e3o e posterior reintrodu\u00e7\u00e3o na natureza. A constru\u00e7\u00e3o dos recintos, o tratamento veterin\u00e1rio e os preparativos para reintrodu\u00e7\u00e3o em reservas de ecoturismo \u2013 um processo pelo qual o destinat\u00e1rio do animal \u00e9 minuciosamente investigado, podendo levar um ano \u2013 consumiram centenas de milhares de d\u00f3lares de sua heran\u00e7a, contra todos os conselhos de sua fam\u00edlia e amigos.<\/p>\n<p>Um dia chegou a not\u00edcia de que um pequenino elefante se encontrava atolado em uma vala de lama, abandonado por sua manada. Lente mobilizou uma opera\u00e7\u00e3o de for\u00e7a, e resgatou o filhote exausto, desnutrido, desidratado e profundamente deprimido. Devido aos mimos que recebeu no HESC, Jabulani, como foi chamado, cresceu afei\u00e7oado a Lente e \u00e0 equipe do centro. Cientes que elefantes s\u00e3o animais sociais, v\u00e1rias tentativas foram feitas para reintegrar Jabulani \u00e0 natureza mas o animal n\u00e3o foi aceito por grupos selvagens e cresceu na companhia dos humanos, entregue \u00e0 sua bestial solid\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Uma manada para chamar de sua<\/strong><\/p>\n<div class=\"olho-direita\">&#8220;A matan\u00e7a de manadas inteiras para controle de popula\u00e7\u00e3o era uma pr\u00e1tica corriqueira no Zimb\u00e1bue preservando apenas a vida dos menores filhotes&#8221;<\/div>\n<p>At\u00e9 que, em 2002, chegou ao conhecimento de Lente que doze elefantes \u00f3rf\u00e3os em opera\u00e7\u00f5es de matan\u00e7a no Zimb\u00e1bue seriam abatidos em um \u201ccentro de treinamento\u201d em um momento de grande instabilidade social no pa\u00eds. A matan\u00e7a de manadas inteiras para controle de popula\u00e7\u00e3o era uma pr\u00e1tica corriqueira no Zimb\u00e1bue preservando apenas a vida dos menores filhotes, os quais, ap\u00f3s presenciar a morte de toda sua fam\u00edlia, eram levados a esses \u201ccentros\u201d para serem cruelmente domesticados e vendidos a circos, ou usados para saf\u00e1ris. Lente resolveu arriscar tudo: se Jabulani n\u00e3o foi aceito por uma manada selvagem, quem sabe uma manada n\u00e3o pudesse ser criada para ele? De dedos cruzados e de \u00faltima hora, uma monumental e custosa opera\u00e7\u00e3o foi montada e, em poucos dias, os pequenos \u00f3rf\u00e3os iniciaram sua longa jornada entre o Zimb\u00e1bue e a \u00c1frica do Sul. Est\u00e1bulos foram constru\u00eddos em tempo recorde a um alto custo. Para garantir o bem-estar psicol\u00f3gico dos pequenos, seus tratadores no Zimb\u00e1bue foram tamb\u00e9m contratados, pois os animais j\u00e1 haviam se afei\u00e7oado a eles, e vice-versa.<\/p>\n<p>Eu gostaria de ter presenciado a chegada da manada e seu encontro com Jabulani. Se tudo falhasse, os esfor\u00e7os teriam sido em v\u00e3o, e o preju\u00edzo incalcul\u00e1vel. Felizmente todos se deram bem, e Jabulani recebeu Bubi, Fishan, Klaserie, Kimbura, Limpopo, Lundi, Pisa, Sebakwe, Setombe, Somapane, Tokwe e Zindoga como irm\u00e3os. Um tempo depois nasceu o pequeno Mambo. A fim de garantir o sustento da manada, Lente deu continuidade ao preparo dos animais para saf\u00e1ris, por\u00e9m agora com auxilio psicol\u00f3gico e veterin\u00e1rio, e utilizando apenas refor\u00e7o positivo. Com avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, apenas seis membros da manada s\u00e3o utilizados para saf\u00e1ris. Sob os cuidados de Lente nenhum animal jamais sofreu abuso f\u00edsico ou espiritual, e isso fica evidente quando os vemos juntos passeando livremente pela reserva, brincando nos lagos e rios, ou durante o \u00fanico saf\u00e1ri di\u00e1rio, de aproximadamente 1 hora e meia ao final da tarde, onde corriqueiramente \u201cdecidem\u201d sair da trilha para comer umas folhas ou quebrar uns galhos de \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Campo Jabulani, como \u00e9 agora chamada a casa de h\u00f3spedes na imensa reserva de Lente, permite aos animais terem uma vida em seu ambiente natural, convivendo com outros animais selvagens como rinocerontes, guepardos e b\u00fafalos, por\u00e9m sem se esquecer das verdadeiras circunst\u00e2ncias de cativeiro que caracterizam o passado e a cria\u00e7\u00e3o da manada. E por falar em rinocerontes, o HESC tamb\u00e9m tem filhotes \u00f3rf\u00e3os de rinocerontes cujas m\u00e3es foram abatidas pelo infame com\u00e9rcio de \u201cchifres\u201d. A fim de proteg\u00ea-los, s\u00e3o injetadas nesses tufos de queratina substancias al\u00e9rgicas para humanos.<\/p>\n<div id=\"attachment_50491\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 649px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-50491 \" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Manada_elefantes-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Manada_elefantes-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Manada_elefantes-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Manada_elefantes-600x400.jpg 600w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Manada_elefantes-278x185.jpg 278w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Manada_elefantes.jpg 1152w\" alt=\"Manada_elefantes\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">A manada toma seu banho di\u00e1rio no rio da reserva. Foto: Silvana Campello<\/p>\n<\/div>\n<p>A partir de abril de 2017, a pr\u00e1tica de saf\u00e1ris em elefantes ser\u00e1 banida, inclusive em Campo Jabulani. Um caso t\u00edpico onde os bons pagam pelos maus. Por\u00e9m, \u00e9 uma medida extremamente necess\u00e1ria tendo em vista que filhotes selvagens estavam sendo roubados de parques na \u00c1frica e na \u00c1sia para serem submetidos a tratamentos extremamente cru\u00e9is a fim de serem usados em saf\u00e1ris. O treinamento inclui acorrentamento, confinamento em espa\u00e7os pequenos, solid\u00e3o, incapacidade de conviver com outros elefantes \u2013 com quem precisam manter liga\u00e7\u00f5es emocionais \u2013 abuso f\u00edsico por chicotes, choques el\u00e9tricos e objetos pontudos, al\u00e9m de passar fome e sede. Na Tail\u00e2ndia, elefantes movidos \u00e0 base de ferros e chicotes levam turistas em passeios curtos durante o dia inteiro, sem tr\u00e9gua e em meio a tr\u00e2nsito de pessoas e ve\u00edculos.<\/p>\n<p>Proibir os saf\u00e1ris foi a melhor decis\u00e3o para combater esse tipo de crueldade. Falta ainda tomar medidas que punam severamente os consumidores de marfim. Punir apenas os grupos criminosos que sustentam o terrorismo na \u00c1frica atrav\u00e9s do tr\u00e1fico de marfim no Extremo Oriente n\u00e3o tem surtido resultados. Um relat\u00f3rio da WWF de junho de 2016 afirma que mais de 30.000 elefantes s\u00e3o mortos anualmente pelo tr\u00e1fico de marfim, e prev\u00ea que estar\u00e3o extintos da Tanz\u00e2nia at\u00e9 2022.<\/p>\n<p>Acredito que para ser completamente feliz, uma pessoa precisa ter uma causa, algo que a fa\u00e7a seguir em frente todas as manh\u00e3s mesmo diante das adversidades. Pessoas como Lente Roode, e sua filha Adele, que investem seu tempo, seu dinheiro e seu cora\u00e7\u00e3o em uma boa causa servem de exemplo para mim, j\u00e1 que, dos meus 60 anos (confesso que ainda n\u00e3o me acostumei), dediquei 30 \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o e os \u00faltimos 10 de corpo e alma ao <a href=\"http:\/\/www.wikiparques.org\/wiki\/Parque_Estadual_do_Cant%C3%A3o\">Parque Estadual do Cant\u00e3o<\/a>. Dizem que hoje em dia \u201c60 \u00e9 o novo 40\u201d. Deve ser, porque nem me lembro bem de como comemorei os meus 40. Mas os 60, em contato com Jabulani e sua turma, ser\u00e3o absolutamente inesquec\u00edveis.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/oeco-migration\/\/images\/stories\/headshots\/silvana-campello.jpg\" width=\"80\" height=\"80\" \/>*Silvana Campello<br \/>\n<span class=\"descricao-colunas\">Presidente do Instituto Araguaia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental e membro da Comiss\u00e3o Mundial de Parques e Comiss\u00e3o de Sobreviv\u00eancia das Esp\u00e9cies, da IUCN.<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Silvana Campello* Saf\u00e1ri com Jabulani, uma experi\u00eancia \u00fanica. 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