{"id":55483,"date":"2016-12-12T10:00:52","date_gmt":"2016-12-12T13:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=55483"},"modified":"2016-12-12T09:10:18","modified_gmt":"2016-12-12T12:10:18","slug":"primeiros-indicios-de-estranha-propriedade-quantica-no-espaco-vazio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/primeiros-indicios-de-estranha-propriedade-quantica-no-espaco-vazio\/","title":{"rendered":"Primeiros ind\u00edcios de estranha propriedade qu\u00e2ntica no espa\u00e7o vazio?"},"content":{"rendered":"<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=55484\" rel=\"attachment wp-att-55484\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-55484\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quantica-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quantica-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quantica.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma equipe liderada por Roberto Mignani, do Instituto Nacional de Astrof\u00edsica da It\u00e1lia (INAF) e da Universidade de Zielona Gora (Pol\u00f4nia), utilizou o telesc\u00f3pio Very Large Telescope (VLT) do Observat\u00f3rio Europeu do Sul (ESO, na sigla em ingl\u00eas), localizado no Observat\u00f3rio Paranal, no Chile, para observar o estrela de n\u00eautrons RX J1856.5-3754, a cerca de 400 anos-luz da Terra.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Apesar de ser uma das estrelas de n\u00eautrons mais pr\u00f3ximas, seu brilho extremamente reduzido exigiu, para uma observa\u00e7\u00e3o no comprimento de luz vis\u00edvel, que os astr\u00f4nomos usassem o instrumento <a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/vlt\/vlt-instr\/fors\/\">FORS2<\/a> do VLT, operando na fronteira da tecnologia telesc\u00f3pica atual.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Estrelas de n\u00eautrons s\u00e3o os n\u00facleos densos e remanescentes de estrelas massivas \u2014 pelo menos 10 vezes mais massivas que o Sol \u2014 que explodiram em supernovas no fim de suas vidas. Elas tamb\u00e9m possuem campos magn\u00e9ticos extremos, bilh\u00f5es de vezes mais fortes do que o do Sol, permeando sua superf\u00edcie externa e arredores.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Esses campos s\u00e3o t\u00e3o fortes que afetam at\u00e9 mesmo as propriedades de espa\u00e7o vazio ao redor da estrela. Normalmente, imagina-se o v\u00e1cuo como sendo completamente vazio, com a luz viajando atrav\u00e9s dele sem sofrer altera\u00e7\u00f5es. Mas para a eletrodin\u00e2mica qu\u00e2ntica (QED), a teoria qu\u00e2ntica que descreve a intera\u00e7\u00e3o entre f\u00f3tons e part\u00edculas com cargas, como el\u00e9trons, o espa\u00e7o \u00e9 cheio de part\u00edculas virtuais que aparecem e desaparecem o tempo todo. Campos magn\u00e9ticos muito fortes podem modificar esse espa\u00e7o, fazendo com que ele afete a polariza\u00e7\u00e3o da luz que passar por ali.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mignani explica: \u201cDe acordo com a QED, um v\u00e1cuo altamente magnetizado se comporta como um prisma para a propaga\u00e7\u00e3o da luz, efeito conhecido como birrefring\u00eancia do v\u00e1cuo\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Uma dentre as muitas previs\u00f5es da QED, no entanto, a birrefring\u00eancia do v\u00e1cuo carecia de demonstra\u00e7\u00f5es experimentais diretas at\u00e9 ent\u00e3o.Tentativas de detectar o efeito em laborat\u00f3rio n\u00e3o foram bem-sucedidas nos 80 anos desde que foi previsto em um estudo de Werner Heisenberg e Hans Heinrich Euler.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Esse efeito pode ser detectado apenas na presen\u00e7a de campos magn\u00e9ticos extremamente fortes, como os ao redor de estrelas de n\u00eautrons. Isso mostra uma vez mais que estrelas de n\u00eautrons s\u00e3o laborat\u00f3rios inestim\u00e1veis para estudarmos as leis fundamentais da natureza\u201d diz Roberto Turolla, da Universidade de P\u00e1dua, It\u00e1lia.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Depois de uma an\u00e1lise cuidadosa dos dados do VLT, Mignani e sua equipe detectaram uma polariza\u00e7\u00e3o linear \u2014 em um grau significativo, de aproximadamente 16% \u2014 que dizem ser resultado do efeito impulsionador da birrefring\u00eancia do v\u00e1cuo que ocorre na \u00e1rea de espa\u00e7o vazio ao redor da RX J1856.5-3754.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Vincenzo Testa, do INAF, comenta: \u201cEsse \u00e9 o objeto menos brilhante cuja polariza\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi medida. Foi necess\u00e1rio utilizar um dos maiores e mais eficientes telesc\u00f3pios do mundo, o VLT, e uma t\u00e9cnica de an\u00e1lise de dados precisa para ressaltar o sinal de uma estrela t\u00e3o pouco luminosa.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;A alta polariza\u00e7\u00e3o linear medida com o VLT n\u00e3o pode ser facilmente explicada pelos nossos modelos a menos que os efeitos da birrefring\u00eancia do v\u00e1cuo previstas pela QED estejam inclu\u00eddas,\u201d adiciona Mignani.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;O estudo com o VLT \u00e9 o primeiro que possui apoio de um observat\u00f3rio para previs\u00f5es desse tipo de efeitos de QED surgindo em campos magn\u00e9ticos fortes,\u201d ressalta Silvia Zane, do Laborat\u00f3rio de Ci\u00eancia Espacial Mullard da University College London, no Reino Unido.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mignani est\u00e1 animado com os futuros avan\u00e7os nessa \u00e1rea de estudo que podem vir junto com telesc\u00f3pios mais avan\u00e7ados: \u201cMedidas de polariza\u00e7\u00e3o realizadas pelas pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es de telesc\u00f3pios como Extremely Large Telescope, da ESO, podem ter um papel crucial em testar previs\u00f5es da QED relacionadas aos efeitos de \u00a0birrefring\u00eancia do v\u00e1cuo ao redor de muitas outras estrelas de n\u00eautrons.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Essa medi\u00e7\u00e3o, feita pela primeira vez em luz vis\u00edvel, tamb\u00e9m pavimenta o caminho para medi\u00e7\u00f5es similares a serem feitas em comprimentos \u00a0de ondas de raios-X\u201d, adiciona Kinwah Wu, tamb\u00e9m do Laborat\u00f3rio de Ci\u00eancia Espacial Mullard da University College London.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipe liderada por Roberto Mignani, do Instituto Nacional de Astrof\u00edsica da It\u00e1lia (INAF) e<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":55484,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quantica.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quantica-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quantica-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quantica.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quantica.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quantica.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quantica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quantica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quantica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/quantica.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma equipe liderada por Roberto Mignani, do Instituto Nacional de Astrof\u00edsica da It\u00e1lia (INAF) e","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55483"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55483"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55483\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55484"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}