{"id":5520,"date":"2014-08-25T16:04:32","date_gmt":"2014-08-25T16:04:32","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=5520"},"modified":"2014-08-25T16:04:32","modified_gmt":"2014-08-25T16:04:32","slug":"ameaca-de-hidreletrica-persiste-na-patagonia-chilena-segundo-ambientalistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/ameaca-de-hidreletrica-persiste-na-patagonia-chilena-segundo-ambientalistas\/","title":{"rendered":"Amea\u00e7a de hidrel\u00e9trica persiste na Patag\u00f4nia chilena, segundo ambientalistas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/patagonia_chilena.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-5521\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/patagonia_chilena.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Ap\u00f3s terminar em vit\u00f3ria a luta de quase uma d\u00e9cada contra um projeto da HidroAys\u00e9n, que pretendia construir cinco grandes hidrel\u00e9tricas, a Patag\u00f4nia se prepara para uma nova batalha: frear o avan\u00e7o silencioso de outra represa no rio Cuervo. Esta central seria erguida em uma \u00e1rea despovoada, no entorno do lago Yulton, na regi\u00e3o de Ays\u00e9n, o para\u00edso h\u00eddrico do Chile.<\/p>\n<p>Seu objetivo seria aliviar a precariedade que h\u00e1 d\u00e9cadas afeta o pa\u00eds em sua oferta de energia e que o mant\u00e9m em acelerada busca por diversificar, aumentar e consolidar a matriz do setor. Entretanto, o projeto de Cuervo \u00e9 \u201cmuito menos vi\u00e1vel do que o da HidroAys\u00e9n, por raz\u00f5es ambientais, de riscos e t\u00e9cnicas\u201d, afirmou ao Terram\u00e9rica o coordenador da coaliz\u00e3o da sociedade civil Ays\u00e9n Reserva de Vida, Peter Hartmann, em uma opini\u00e3o comum entre os ambientalistas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O grande temor dos opositores ao novo grande projeto hidrel\u00e9trico \u00e9 que sua aprova\u00e7\u00e3o ocorra sem problemas, a t\u00edtulo de moeda de troca, ap\u00f3s a rejei\u00e7\u00e3o definitiva da HidroAys\u00e9n pelo governo da presidente Michelle Bachelet, no dia 10 de junho. Essa aprova\u00e7\u00e3o seria favorecida com uma decis\u00e3o judicial que, no dia 21, deu um respaldo \u00e0 central de Cuervo.<\/p>\n<p>O Projeto Central Hidrel\u00e9trica Cuervo \u00e9 desenvolvido pela Energia Austral, uma empresa mista dos grupos Glencore, da Su\u00ed\u00e7a, e Origin Energy, da Austr\u00e1lia. Seria constru\u00edda na nascente do rio, a 45 quil\u00f4metros de Puerto Ays\u00e9n, a segunda cidade da regi\u00e3o depois de Coyhaique, a capital.<\/p>\n<p>Promete uma capacidade de gera\u00e7\u00e3o total de aproximadamente 640 megawatts (MW), com potencial de reduzir sua emiss\u00e3o anual de 1,5 milh\u00e3o de toneladas de di\u00f3xido de carbono por meio do Sistema Interligado Central do Chile (SIC). Sua linha de transmiss\u00e3o, ainda n\u00e3o confirmada, estuda as op\u00e7\u00f5es de um tra\u00e7ado submarino e outro a\u00e9reo-submarino.<\/p>\n<p>Em 2007, a Comiss\u00e3o Regional do Meio Ambiente rejeitou um primeiro estudo de impacto ambiental (EIA) apresentado pela companhia. Dois anos depois, a Energia Austral apresentou um novo EIA, desta vez para a constru\u00e7\u00e3o de um complexo hidrel\u00e9trico que acrescenta mais duas centrais, Rio Blanco, de 360 MW, e Lago Condor, de 54 MW, a ser desenvolvido posteriormente.<\/p>\n<p>\u201cCuervo surgiu quando estava no auge a HidroAys\u00e9n, e ela foi segunda prioridade na Campanha Patag\u00f4nia Sem Represas\u201d, explicou Hartmann, tamb\u00e9m diretor-regional do Comit\u00ea Nacional Pr\u00f3-Defesa da Flora e da Fauna. \u201cNo in\u00edcio houve um acompanhamento bastante diligente do processo no \u00e2mbito legal, mas ficamos sem dinheiro e todas as prioridades foram para a HidroAys\u00e9n e n\u00e3o para a hidrel\u00e9trica do rio Cuervo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo os especialistas, a central de Cuervo implica um risco que transcende o ambiental, pois projeta sua constru\u00e7\u00e3o sobre a falha geol\u00f3gica Liqui\u00f1e-Ofqui, uma zona formada por montanhas vulc\u00e2nicas ativas. Por exemplo, o vulc\u00e3o Hudson \u2013 que registrou, em outubro de 2011, um processo de erup\u00e7\u00e3o menor que manteve a regi\u00e3o em alerta vermelho \u2013 est\u00e1 localizado \u201catr\u00e1s da \u00e1rea onde seria constru\u00edda a central Rio Blanco. A Energia Austral faz de tudo para n\u00e3o mencionar o vulc\u00e3o Hudson, porque sabe no que est\u00e1 se metendo\u201d, apontou Hartmann.<\/p>\n<p>Em resposta, a empresa insiste que a central \u201cser\u00e1 segura diante de fen\u00f4menos naturais, como terremotos e erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas\u201d, e acrescenta que \u201ca presen\u00e7a de falhas geol\u00f3gicas n\u00e3o \u00e9 uma realidade exclusiva de Cuervo\u201d. E mais, assegura que no Chile e no mundo existem muitas experi\u00eancias de obras constru\u00eddas sobre alguma falha geol\u00f3gica ou nas proximidades de um vulc\u00e3o e que operaram normalmente mesmo depois de um evento s\u00edsmico.<\/p>\n<p>Em 2013, as autoridades nacionais aprovaram a constru\u00e7\u00e3o de Cuervo. Mas, alguns dias depois, o Supremo Tribunal de Justi\u00e7a acolheu recurso de prote\u00e7\u00e3o apresentado por organiza\u00e7\u00f5es ecologistas e civis, e ordenou um estudo integral sobre os riscos de sua constru\u00e7\u00e3o. No dia 21, o Tribunal finalmente ratificou, por unanimidade, as autoriza\u00e7\u00f5es ambientais dadas pelas inst\u00e2ncias do Executivo, o que facilitaria a aprova\u00e7\u00e3o do governo, para equilibrar a rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 HidroAys\u00e9n.<\/p>\n<p>\u201cO Estado n\u00e3o \u00e9 neutro em rela\u00e7\u00e3o aos projetos de energia porque estamos interessados em projetos que nos ajudem a sair do d\u00e9ficit de infraestrutura que temos\u201d, declarou em junho o ministro de Energia, M\u00e1ximo Pacheco. Em julho, acrescentou que \u201co Chile n\u00e3o pode se sentir c\u00f4modo com uma participa\u00e7\u00e3o t\u00e3o baixa da hidroeletricidade em sua matriz energ\u00e9tica, tratando-se de uma fonte limpa e abundante em nosso pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ter702Chile2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-119621\" title=\"Terram\u00e9rica   Amea\u00e7a hidrel\u00e9trica persiste na Patag\u00f4nia chilena\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ter702Chile2.jpg\" alt=\"Ter702Chile2 Terram\u00e9rica   Amea\u00e7a hidrel\u00e9trica persiste na Patag\u00f4nia chilena\" width=\"340\" height=\"225\" \/><\/a><\/p>\n<p>O Chile tem capacidade instalada de aproximadamente 17 mil MW. Do total, 74% est\u00e3o no SIC, 25% no Sistema Interligado Norte Grande, e menos de 1% nos sistemas m\u00e9dios das regi\u00f5es de Ays\u00e9n e Magalh\u00e3es. Segundo o Minist\u00e9rio de Energia, a previs\u00e3o \u00e9 que a demanda el\u00e9trica chilena chegue em 2020 aos cem mil MW. Para atend\u00ea-la, \u00e9 necess\u00e1rio incorporar oito mil megawatts de capacidade instalada ao sistema.<\/p>\n<p>O Chile importa 60% da energia prim\u00e1ria que consome. A hidroeletricidade fornece 40% e o restante vem dos combust\u00edveis f\u00f3sseis e contaminantes das centrais termoel\u00e9tricas. Atualmente, 62% dos projetos em constru\u00e7\u00e3o s\u00e3o t\u00e9rmicos. Al\u00e9m disso, 94% da capacidade t\u00e9rmica em constru\u00e7\u00e3o \u00e9 a carv\u00e3o.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-geral de Energia, Juan Antonio Bijit, afirmou ao Terram\u00e9rica que, al\u00e9m do enorme potencial h\u00eddrico que Ays\u00e9n possui, \u201cse analisarmos a matriz energ\u00e9tica, veremos que est\u00e1 bastante carregada \u00e0 termoeletricidade, assim, se considera l\u00f3gico aumentar pelo lado da energia hidrel\u00e9trica\u201d. A regi\u00e3o de Ays\u00e9n \u201cpossui atualmente uma gera\u00e7\u00e3o de energia da ordem de 40 MW, que bastam somente para o consumo interno\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Bijit pontuou que \u201cnosso potencial \u00e9 bastante grande\u201d na \u00e1rea da hidroeletricidade, mas tamb\u00e9m em energia e\u00f3lica e inclusive fotovoltaica. \u201cA capacidade de gera\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante grande na regi\u00e3o. Por\u00e9m, \u00e9 preciso ver o que ser\u00e1 gerado e como vamos faz\u00ea-lo\u201d, acrescentou. E alertou que \u201c\u00e9 preciso analisar com a comunidade\u201d as contribui\u00e7\u00f5es de energia que se fizer ao resto do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos fazer coisas entre quatro paredes, por isso precisamos conversar com as pessoas. Foi realizado um painel pr\u00e9vio \u00e0 decis\u00e3o que foi tomada sobre a HidroAys\u00e9n e agora estamos fazendo o mesmo com o projeto da Energia Austral e outros\u201d, ressaltou Bijit. \u201cA ideia \u00e9 que as pessoas participem do que est\u00e1 sendo feito, ou deve ser feito, na \u00e1rea energ\u00e9tica\u201d, acrescentou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s terminar em vit\u00f3ria a luta de quase uma d\u00e9cada contra um projeto da HidroAys\u00e9n,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5521,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/patagonia_chilena.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/patagonia_chilena.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/patagonia_chilena.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/patagonia_chilena.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/patagonia_chilena.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/patagonia_chilena.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/patagonia_chilena.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/patagonia_chilena.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/patagonia_chilena.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/patagonia_chilena.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ap\u00f3s terminar em vit\u00f3ria a luta de quase uma d\u00e9cada contra um projeto da HidroAys\u00e9n,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5520"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5520"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5520\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5521"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5520"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}