{"id":55190,"date":"2016-12-07T12:00:19","date_gmt":"2016-12-07T15:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=55190"},"modified":"2016-12-06T17:20:35","modified_gmt":"2016-12-06T20:20:35","slug":"seminario-sobre-bioeletricidade-destaca-potencial-da-cana-de-acucar-na-producao-de-energia-limpa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/seminario-sobre-bioeletricidade-destaca-potencial-da-cana-de-acucar-na-producao-de-energia-limpa\/","title":{"rendered":"Semin\u00e1rio sobre bioeletricidade destaca potencial da cana-de-a\u00e7\u00facar na produ\u00e7\u00e3o de energia limpa"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=55193\" rel=\"attachment wp-att-55193\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-55193\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/cana-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/cana-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/cana.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Se o t\u00edtulo deste texto faz voc\u00ea pensar que <strong>cana-de-a\u00e7\u00facar<\/strong> d\u00e1 choque, enganou-se. O \u201cchoque\u201d de que falamos aqui \u00e9 o da <strong>inova\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong>, de uma mat\u00e9ria-prima, uma alternativa limpa e sustent\u00e1vel que ter\u00e1 papel fundamental no futuro da matriz energ\u00e9tica brasileira: a <strong>biomassa da cana-de-a\u00e7\u00facar<\/strong>.<\/p>\n<p>A eletricidade gerada a partir do vapor resultante da queima do baga\u00e7o da cana foi o tema do \u201c<strong>I Semin\u00e1rio Mineiro de Bioeletricidade<\/strong>\u201d, realizado pela Associa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias Sucroenerg\u00e9ticas de Minas Gerais (Siamig), na capital mineira. Representantes de associa\u00e7\u00f5es nacionais, empres\u00e1rios e especialistas do setor participaram do encontro, que reuniu mais de 150 participantes no audit\u00f3rio da Fiemg.<\/p>\n<p>\u201cA bioeletricidade \u00e9 uma energia renov\u00e1vel e limpa e sua gera\u00e7\u00e3o acontece pr\u00f3ximo ao centro de carga. \u00c9 complementar \u00e0 gera\u00e7\u00e3o h\u00eddrica, j\u00e1 que \u00e9 produzida nos per\u00edodos mais secos do ano, al\u00e9m de ser fabricada aproveitando-se os res\u00edduos da produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar e etanol, em vez de desperdi\u00e7\u00e1-los\u201d, afirmou M\u00e1rio Campos, presidente da Siamig.<\/p>\n<p>E completou: \u201cA grande estrela do nosso neg\u00f3cio \u00e9 a cana-de-a\u00e7\u00facar. Os produtos origin\u00e1rios desta planta extraordin\u00e1ria representam 16,9% da oferta de energia no Brasil, sendo a principal fonte renov\u00e1vel da nossa matriz energ\u00e9tica. Este evento \u00e9 uma oportunidade para se conhecer melhor essa energia, dentro da categoria biomassa, com 77% de pot\u00eancia outorgada em 2015 e que ofertou ao Sistema Integrado Nacional (SIN) 20.400 GWh\u201d.<\/p>\n<p>Esta oferta, aponta ele, poderia prover o atendimento de energia el\u00e9trica a 10,5 milh\u00f5es de lares brasileiros. \u201cE evitou a emiss\u00e3o de 8,3 milh\u00f5es de toneladas de CO<sub>2<\/sub>\u00a0na atmosfera, marca que somente seria atingida com o cultivo de 58 milh\u00f5es de \u00e1rvores nativas ao longo de 20 anos.\u201d<\/p>\n<p>Apenas em Minas Gerais, que tem \u00f3tima voca\u00e7\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o de energia a partir da biomassa de cana, os investimentos no setor possibilitaram que a produ\u00e7\u00e3o de cana fosse quadruplicada em dez anos.<\/p>\n<p>\u201cAs 35 usinas em opera\u00e7\u00e3o no Estado geram mais de 61 mil empregos diretos em mais de 125 munic\u00edpios canavieiros. Todas as usinas s\u00e3o autossuficientes na produ\u00e7\u00e3o de energia para fabrica\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar e do etanol. Vinte e duas unidades j\u00e1 vendem o excedente e outras duas est\u00e3o programadas para iniciar a comercializa\u00e7\u00e3o de energia em 2017. Essas usinas representam mais de 85% da cana mo\u00edda em Minas Gerais\u201d, informa Campos.<\/p>\n<p>O representante da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE), Jos\u00e9 Mauro Coelho, enfatizou que o Brasil est\u00e1 na vanguarda do uso de energia renov\u00e1veis e o papel do setor sucroenerg\u00e9tico pode ser ainda maior. \u201cMinas Gerais tem uma participa\u00e7\u00e3o importante na bioeletricidade do cen\u00e1rio brasileiro, h\u00e1 necessidade de complementariedade com a gera\u00e7\u00e3o h\u00eddrica e esse \u00e9 um ponto positivo para essa energia.\u201d<\/p>\n<h2><strong>Mais investimentos<\/strong><\/h2>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/noticias\/colheita-da-cana-e-o-biocombustivel-siamig.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"277\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Segundo Jaime Finguerut, membro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Biotecnologia Industrial, h\u00e1 necessidade de mais investimento tecnol\u00f3gico para que a cana alcance o dobro de produtividade que tem hoje. \u201cEstamos colocando no saco de a\u00e7\u00facar, no tanque de etanol e no fio de eletricidade somente 0,6% do que a cana oferece. Poder\u00edamos estar colocando quatro vezes mais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A cana-de-a\u00e7\u00facar \u00e9 uma das plantas mais eficientes na transdu\u00e7\u00e3o de energia solar. \u201cTem grande capacidade de fotoss\u00edntese e enorme capacidade de se adaptar a diferentes ambientes, tendo em vista sua complexidade gen\u00e9tica\u201d, afirma ele, que tamb\u00e9m \u00e9 assessor de Tecnologia do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).<\/p>\n<p>Jaime, que ministrou a palestra \u201cVis\u00e3o de mercado para novos produtos e neg\u00f3cios com biomassa de cana\u201d, tamb\u00e9m destacou outros potenciais da cana-de-a\u00e7\u00facar. \u201cSabemos, hoje, usar muito bem a fra\u00e7\u00e3o sol\u00favel da fotoss\u00edntese da cana (um ter\u00e7o do total): a sacarose. Com a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar e etanol, geramos aproximadamente 2% do PIB, com mais de 800 mil empregos no interior do pa\u00eds. Com o outro ter\u00e7o da fotoss\u00edntese, o baga\u00e7o, permitimos que a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar e \u00e1lcool seja a mais sustent\u00e1vel do mundo. E ainda geramos bioeletricidade, adicionando valor \u00e0 cana e substituindo outras fontes de eletricidade\u201d, afirma ele, tendo como refer\u00eancia a energia gerada por meio de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>\u201cA outra parte da fotoss\u00edntese, as folhas, as pontas da cana e as palhas, \u00e9 menos utilizada. A palha pode substituir parte do baga\u00e7o na queima das caldeiras, e o baga\u00e7o liberado pode ser usado para outros fins, como fabricar etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o\u201d, refor\u00e7a Jaime, apontando diferentes solu\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>Ao todo, foram realizadas 13 palestras no evento, em que os especialistas demonstraram tamb\u00e9m o potencial dessa mat\u00e9ria-prima para gera\u00e7\u00e3o do biometano, o g\u00e1s ecol\u00f3gico proveniente da vinha\u00e7a (subproduto do etanol), e que pode ser um importante substituto ao diesel em caminh\u00f5es e \u00f4nibus. Essa tecnologia j\u00e1 vem sendo empregada em v\u00e1rias partes do mundo com a utiliza\u00e7\u00e3o da vinha\u00e7a, por exemplo, em f\u00e1bricas de cervejas e rum.<\/p>\n<h2><strong>Principais desafios<\/strong><\/h2>\n<p>As perspectivas do setor para o futuro s\u00e3o animadoras, garante M\u00e1rio Campos, presidente da Siamig. \u201cDe acordo com o \u00faltimo Plano Decenal de Expans\u00e3o de Energia da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE), a gera\u00e7\u00e3o de bioeletricidade sucroenerg\u00e9tica para a rede tem potencial t\u00e9cnico para chegar a mais de seis vezes o volume ofertado atualmente.\u201d<\/p>\n<p>Mas ainda h\u00e1 desafios pela frente. \u00c9 preciso atender aos compromissos do pa\u00eds, via iNDC (Contribui\u00e7\u00e3o Nacional Determinada), assumidos no Acordo de Paris. O primeiro deles \u00e9 \u201cexpandir o uso dom\u00e9stico de fontes de energia n\u00e3o f\u00f3ssil, aumentando a parcela de energias renov\u00e1veis no fornecimento de energia el\u00e9trica dos atuais 11,6% para ao menos 23% em 2030, bem como da e\u00f3lica, de outras biomassas e da solar\u201d. O segundo, aumentar a participa\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis na matriz energ\u00e9tica brasileira para 18% at\u00e9 2030, incluindo o etanol.<\/p>\n<p>Outro detalhe importante: o setor defende uma solu\u00e7\u00e3o de incentivo conjunto para o etanol e a bioeletricidade no planejamento energ\u00e9tico do pa\u00eds. E repudia retrocessos (leia mais a seguir), como o Projeto de Lei 1.013\/2011, que libera a produ\u00e7\u00e3o e venda de carros de passeio a diesel no pa\u00eds, em detrimento \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do uso do etanol, que \u00e9 comprovadamente menos poluente.<\/p>\n<h2><strong>Cana sustent\u00e1vel<\/strong><\/h2>\n<p>Os produtos da cana-de-a\u00e7\u00facar s\u00e3o limpos porque a planta absorve grande quantidade de CO<sub>2<\/sub>\u00a0durante a fotoss\u00edntese.<\/p>\n<p>O setor sucroenerg\u00e9tico deixou de emitir 7,5 milh\u00f5es de toneladas de g\u00e1s carb\u00f4nico equivalentes apenas na safra 2015\/2016.<\/p>\n<p>Com a oferta de etanol hidratado, o setor possibilitou o consumo de 9,1 bilh\u00f5es de litros nos \u00faltimos 10 anos.<\/p>\n<p>Em 2015, a bioeletricidade participou com 77% de pot\u00eancia outorgada dentro da biomassa e ofertou ao Sistema Integrado Nacional 20.400 GWh.<\/p>\n<p>Esta pot\u00eancia outorgada resultou na economia de 14% do uso de \u00e1gua dos reservat\u00f3rios do submercado el\u00e9trico do Sudeste\/Centro-Oeste.<\/p>\n<p>Em Minas, a oferta de bioeletricidade pelo setor evitou a emiss\u00e3o de 797 mil toneladas de CO<sub>2<\/sub>\u00a0na atmosfera (equivalente ao plantio de 5,6 milh\u00f5es de \u00e1rvores nativas ao longo de 20 anos).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/noticias\/biocombustivel-siamig.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"466\" \/><\/p>\n<h2><strong>Fique por dentro<\/strong><\/h2>\n<p>O Brasil \u00e9 o maior produtor e exportador mundial de a\u00e7\u00facar e o segundo maior produtor de etanol.<\/p>\n<p>O valor bruto movimentado pela cadeia sucroenerg\u00e9tica supera US$ 100 bilh\u00f5es por ano, com um PIB de aproximadamente US$ 40 bilh\u00f5es (2% do PIB Brasileiro).<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de fontes de energia renov\u00e1vel reduziu a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa (GEE) em mais de 300 milh\u00f5es de toneladas de CO2eq de mar\u00e7o de 2003 at\u00e9 meados de 2015.<\/p>\n<p>A cana-de-a\u00e7\u00facar \u00e9 a primeira fonte de energia renov\u00e1vel do pa\u00eds (15,7% da matriz nacional). Al\u00e9m do etanol, o setor produz energia el\u00e9trica com potencial estimado em 18,8 GW m\u00e9dios at\u00e9 2024 (equivalente a mais de quatro usinas de Belo Monte).<\/p>\n<h2><strong>Ganhos e perdas<\/strong><\/h2>\n<p>Presidente da Frente Parlamentar Mineira em Defesa do Setor Sucroenerg\u00e9tico, o deputado Ant\u00f4nio Carlos Arantes lembrou que a sustentabilidade \u00e9 uma busca cont\u00ednua pelo mundo inteiro e o setor sucroenerg\u00e9tico vem mostrando que isso \u00e9 poss\u00edvel. Seja com a cana, que produz o etanol usado nos carros, um combust\u00edvel limpo e renov\u00e1vel. Seja com a bioeletricidade; e com o a\u00e7\u00facar, que \u00e9 o principal energ\u00e9tico consumido pelo ser humano: \u201cAgora, at\u00e9 pl\u00e1stico biodegrad\u00e1vel est\u00e1 sendo fabricado da folha da cana\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Ele lembrou que onde tem cana plantada tem desenvolvimento, por isso o setor responde por 2% do PIB e gera cerca de 850 mil empregos. \u201cAntigamente diziam que a cana estragava o solo, mas \u00e9 o contr\u00e1rio. Diziam que cana era sin\u00f4nimo de escravid\u00e3o, mas a gera\u00e7\u00e3o hoje de empregos mostra que \u00e9 o contr\u00e1rio. Que onde tinha cana era sinal de polui\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o \u00e9 mais verdade. E, ainda, que sobrava um monte de baga\u00e7o que o produtor n\u00e3o sabia o que fazer com ele, mas agora virou energia. Enfim, a cana hoje \u00e9 produzida de maneira ambientalmente correta. Isso mostra o avan\u00e7o da tecnologia e o empenho do setor em fazer a diferen\u00e7a no Brasil e no mundo, ambos amea\u00e7ados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, ressaltou.<\/p>\n<h2><strong><img class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/noticias\/evento-siamig.jpg\" alt=\"\" \/>Efeitos opostos<\/strong><\/h2>\n<p>Para o deputado Gil Pereira, presidente da Comiss\u00e3o de Minas e Energia da ALMG, a redu\u00e7\u00e3o do ICMS possibilitou o aumento da arrecada\u00e7\u00e3o: \u201cPortanto, caso seja elevada a tributa\u00e7\u00e3o, como pretende o atual governo, o efeito esperado ser\u00e1 o oposto. Ou seja, queda da receita estadual e perda de postos de trabalho. Isso \u00e9 ainda mais grave no atual contexto econ\u00f4mico recessivo\u201d.<\/p>\n<h2><strong>Amargo regresso<\/strong><\/h2>\n<p>O presidente do Grupo Coruripe, Jucelino Sousa, frisou sua preocupa\u00e7\u00e3o e a intranquilidade que medidas como essas geram no ambiente de neg\u00f3cios. \u201cMinas Gerais est\u00e1 em retrocesso, pois h\u00e1 pouco mais de um ano reduziu a al\u00edquota do ICMS do etanol hidratado no estado. E agora, com esta proposta de desincentivar o produto gerando incertezas, infelizmente os investimentos n\u00e3o voltar\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<h2><strong>Retrocesso, prud\u00eancia e cautela<\/strong><\/h2>\n<p>O \u201cI Semin\u00e1rio Mineiro de Bioeletricidade\u201d foi marcado pela surpresa dos produtores com outro\u00a0 Projeto de Lei pol\u00eamico, al\u00e9m do 1.013\/2011. Agora, em n\u00edvel estadual: trata-se do PL 3.810\/16, enviado pelo governo \u00e0 Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na noite anterior ao dia do evento, propondo a eleva\u00e7\u00e3o da al\u00edquota do etanol hidratado dos atuais 14% para 20% (podendo ser reduzido a 16%) e de 29% da gasolina para 30%.<\/p>\n<p>De acordo com o presidente da Siamig, M\u00e1rio Campos, caso seja aprovado, o PL representa um grande retrocesso em termos de competitividade do etanol, e dessa forma, um retrocesso ambiental. \u201cEsperamos do governo e dos deputados mineiros prud\u00eancia e cautela na an\u00e1lise desta proposta. Afinal, a pol\u00edtica de incentivo ao etanol no estado representou o in\u00edcio da recupera\u00e7\u00e3o desta ind\u00fastria depois de seis anos de grande crise\u201d, destacou.<\/p>\n<h2><strong>A sociedade precisa entender o setor<\/strong><\/h2>\n<h2><strong>Confira os trechos do discurso do presidente da Siamig, M\u00e1rio Campos:<\/strong><\/h2>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/noticias\/Mario-Campos-Siamig-Foto-Divulgacao.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"424\" \/><\/strong><\/p>\n<p>\u201cO setor sucroenerg\u00e9tico mineiro det\u00e9m 8,3% da pot\u00eancia outorgada em Minas Gerais, em 2015, e colocou no sistema cerca de 2 mil GWh, o equivalente a ter provido de energia um milh\u00e3o de resid\u00eancias e ter evitado a emiss\u00e3o de cerca de 800 mil toneladas de CO<sub>2<\/sub>\u00a0na atmosfera. Para se ter uma ideia, essa redu\u00e7\u00e3o na emiss\u00e3o dos gases de efeito estufa s\u00f3 seria atingida se cultiv\u00e1ssemos 5,6 milh\u00f5es de \u00e1rvores nativas ao longo de 20 anos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 alguns anos era poss\u00edvel obter um excedente de energia export\u00e1vel de 75 MWh para cada 1.000 toneladas de cana mo\u00edda, hoje j\u00e1 existem empresas chegando a 100 MWh. Algumas empresas j\u00e1 funcionam por at\u00e9 320 dias por ano, utilizando assim, cada vez mais e de forma eficiente os ativos biol\u00f3gicos, industriais e de log\u00edstica da mat\u00e9ria-prima. Todo esse potencial est\u00e1 nas nossas m\u00e3os e tem grande sinergia com o que foi determinado no Acordo Clim\u00e1tico de Paris, atrav\u00e9s da INDC brasileira.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA bioeletricidade j\u00e1 representou 32% do crescimento da gera\u00e7\u00e3o de energia em 2010. Em 2016, representar\u00e1 8% e as proje\u00e7\u00f5es apontam que em 2020 representar\u00e1 apenas 2% se n\u00e3o for incentivada. E por que ocorreu essa grande queda? Falta ao setor uma pol\u00edtica setorial de longo prazo, cr\u00edvel, clara e encorajadora para atrair novamente investimento em bioeletricidade.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO Brasil precisa debater a fundo como iremos cumprir as metas do acordo clim\u00e1tico com os setores econ\u00f4micos e a sociedade e estabelecer as diretrizes. Para isso \u00e9 muito importante o planejamento energ\u00e9tico, a transpar\u00eancia e credibilidade (evitar o passado das interven\u00e7\u00f5es), discutir uma governan\u00e7a mais adequada ao setor el\u00e9trico nacional e encontrar um equil\u00edbrio entre os leil\u00f5es de longo prazo e o crescimento do mercado livre. Novas formas de financiamento de energia v\u00eam a\u00ed tamb\u00e9m dentro do conceito de Greenbank, e o BNDES fechando as portas para a gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o renov\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos tamb\u00e9m estar antenados \u00e0s mudan\u00e7as do mercado. Vivemos a Era do Empoderamento do consumidor. E como esse fen\u00f4meno ir\u00e1 interferir nas proje\u00e7\u00f5es do mercado el\u00e9trico, com tend\u00eancia cada vez maior ao incremento do mercado livre e com as oportunidades na gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda, um modelo de neg\u00f3cio disruptivo, um desafio para a regula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 grandes oportunidades a partir do momento que o consumidor passar a escolher de onde vir\u00e1 a energia que ele consumir\u00e1, imaginem o potencial de gera\u00e7\u00e3o de valor para os produtores e para o mercado de energias verdes. Uma oportunidade de transformar isso em um diferencial competitivo e de reputa\u00e7\u00e3o para as empresas brasileiras no contexto mundial.\u201d<\/p>\n<p>\u201cTemos convic\u00e7\u00e3o do nosso papel na economia, mas a sociedade precisa entender o setor como um fornecedor de energia renov\u00e1vel para o Brasil, criando valor de mercado, empregos, novas tecnologias, formando profissionais e gerando renda para o nosso desenvolvimento sustent\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p><strong>Assista abaixo o v\u00eddeo da abertura do I Semin\u00e1rio de Bioeletricidade:<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ob_SgOmC2Dk\" width=\"600\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h2><strong>Brasil j\u00e1 \u00e9 refer\u00eancia<\/strong><\/h2>\n<p>\u201cTemos igualmente um dos maiores programas de biocombust\u00edveis do planeta. O Brasil j\u00e1 \u00e9, no contexto mundial, uma economia de baixo carbono. E a quest\u00e3o bioenerg\u00e9tica, inclusive, \u00e9 um cacife muito grande de que dispomos para trabalhar daqui por diante. N\u00f3s j\u00e1 estamos agindo, no plano diplom\u00e1tico, para incentivar e criar os canais para a difus\u00e3o do etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o, o E2G. Temos que transformar o etanol numa\u00a0<em>commodity<\/em>. Para o Brasil, n\u00e3o \u00e9 ruim que outros pa\u00edses do mundo produzam etanol, seja o de primeira ou de segunda gera\u00e7\u00e3o, este \u00faltimo, que \u00e9 produzido a partir da celulose, em \u00faltima an\u00e1lise, de res\u00edduos. Por qu\u00ea? Porque ao criarmos um mercado mundial de etanol: na medida em que mais pa\u00edses produzam \u2013 e n\u00f3s vamos ser os l\u00edderes \u2013, o etanol poder\u00e1 transformar-se numa\u00a0<em>commodity<\/em>, o que ser\u00e1 uma grande vit\u00f3ria. N\u00e3o apenas econ\u00f4mica daqueles que faturam em cima, que produzem cana, que produzem res\u00edduos, mas uma vit\u00f3ria do mundo e uma alavanca importante para que o Acordo de Paris possa chegar mais rapidamente aos objetivos a que se prop\u00f4s. Isso coincide plenamente com o interesse econ\u00f4mico brasileiro.\u201d<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Serra, ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores durante a ratifica\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se o t\u00edtulo deste texto faz voc\u00ea pensar que cana-de-a\u00e7\u00facar d\u00e1 choque, enganou-se. 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