{"id":54957,"date":"2016-12-04T07:00:19","date_gmt":"2016-12-04T10:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=54957"},"modified":"2016-12-03T20:35:25","modified_gmt":"2016-12-03T23:35:25","slug":"pais-proteje-apenas-154-do-territorio-marinho-e-deste-total-apenas-014-com-protecao-integral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pais-proteje-apenas-154-do-territorio-marinho-e-deste-total-apenas-014-com-protecao-integral\/","title":{"rendered":"Pa\u00eds proteje apenas 1,54% do territ\u00f3rio marinho e deste total apenas 0,14% com prote\u00e7\u00e3o integral"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"author_alias\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=54959\" rel=\"attachment wp-att-54959\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-54959 alignleft\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/oceano.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/oceano.jpg 415w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/oceano-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a>Por Marcia Hirota, Camila Keiko Takahashi, Diego Igawa Martinez e Leandra Gon\u00e7alves*<\/span><\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o pode perder o compasso da hist\u00f3ria e deve se unir ao grupo de pa\u00edses que tem tomado a frente na cria\u00e7\u00e3o de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs) marinhas como uma ferramenta efetiva para ordenamento territorial, manuten\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os ambientais, conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e mitiga\u00e7\u00e3o dos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Entre os exemplos recentes, a Gr\u00e3-Bretanha anunciou uma meta ambiciosa de cria\u00e7\u00e3o de 4 milh\u00f5es de km\u00b2 de prote\u00e7\u00e3o de oceanos. Outro pa\u00eds a tomar medidas concretas para a prote\u00e7\u00e3o dos oceanos foi o Chile, com a cria\u00e7\u00e3o da reserva Nazca-Desventuradas, com 297.000 km\u00b2, em 2015. Destaque tamb\u00e9m para o Palau, que atrav\u00e9s de seu presidente, H.E. Tommy E. Remengesau, na confer\u00eancia da Uni\u00e3o Internacional para Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (UICN), anunciou a cria\u00e7\u00e3o de uma das maiores \u00e1reas marinhas protegidas do mundo: Palau National Marine Sanctuary. O presidente prop\u00f4s ainda uma mo\u00e7\u00e3o \u00e0 UICN de uma meta de prote\u00e7\u00e3o integral de ao menos 30% dos oceanos no mundo.<\/p>\n<p>J\u00e1 os Estados Unidos criaram nos \u00faltimos meses duas importantes \u00e1reas protegidas. A primeira foi o Monumento Nacional Marinho Papah\u0101naumoku\u0101kea, no Hava\u00ed. Com 1.2 milh\u00e3o de km\u00b2, cobre quase todas as ilhas e at\u00f3is do nordeste do arquip\u00e9lago e \u00e9 a maior \u00e1rea protegida do planeta. No dia 15 de setembro, o presidente Barack Obama criou tamb\u00e9m o primeiro Monumento Nacional Marinho Americano no Oceano Atl\u00e2ntico, a sudoeste de Cape Cod, no estado de Massachusetts.<\/p>\n<p>Tais a\u00e7\u00f5es correspondem ao discurso do governo americano. John Kerry, Secret\u00e1rio de Estado dos EUA, abriu a confer\u00eancia <em>Our Ocean 2016<\/em> afirmando que \u201csalvar nossos oceanos n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, mas uma absoluta necessidade\u201d. No mesmo evento, o Brasil n\u00e3o se comprometeu com nenhuma agenda.<\/p>\n<p>Mesmo com seu vasto litoral de 8.500 mil km e o crescimento progressivo e intenso das amea\u00e7as ao ambiente costeiro e marinho, o Brasil n\u00e3o vem cumprindo nem ao menos as Metas de Aichi, ratificadas pela Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica (CBD), que estabelece em sua meta 11 o compromisso de proteger 10% das \u00e1reas marinhas por meio de UCs at\u00e9 2020.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia do quanto ainda tem a ser feito no pa\u00eds, apenas 1,54% do territ\u00f3rio marinho encontra-se protegido por UCs e deste total apenas 0,14% correspondem a categorias de prote\u00e7\u00e3o integral, como o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, que foi criado em 1983 e tornou-se o primeiro Parque Marinho brasileiro.<\/p>\n<p>Mas esperan\u00e7as n\u00e3o faltam para o aumento do territ\u00f3rio marinho protegido no Brasil. Em outubro, no evento de lan\u00e7amento do document\u00e1rio <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=H0ZuPKfWH0g\">Banco dos Abrolhos: maior complexo coral\u00edneo do Atl\u00e2ntico Sul<\/a>, produzido pela Rede Abrolhos, o Ministro do Meio Ambiente Jos\u00e9 Sarney Filho se comprometeu a dar in\u00edcio \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o do Banco dos Abrolhos.<\/p>\n<p>Segundo o document\u00e1rio, a regi\u00e3o \u00e9 composta por diversos mega-habitats, forma\u00e7\u00f5es coral\u00edneas variadas e alta biodiversidade. Al\u00e9m disso, a \u00e1rea garante o sustento de aproximadamente 30 mil pescadores.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio sintetiza brilhantemente os 15 anos do trabalho da equipe da Rede Abrolhos, que descreve, caracteriza e monitora o Banco dos Abrolhos, uma \u00e1rea de 46.000 km<sup>2<\/sup>\u00a0da plataforma continental brasileira. Estimativas conservadoras indicam que 19% dos recifes coral\u00edneos j\u00e1 se perderam e que, em 40 anos, mais 35% desaparecer\u00e3o. No filme, \u00e9 poss\u00edvel perceber qu\u00e3o complexos s\u00e3o os recifes de Abrolhos, quais s\u00e3o as principais amea\u00e7as e as alternativas para minimizar os impactos e priorizar as a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das medidas em discuss\u00e3o \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o para a regi\u00e3o do Arquip\u00e9lago dos Abrolhos e a cadeia de Vit\u00f3ria e Trindade. Um extenso territ\u00f3rio que h\u00e1 muito tempo \u00e9 considerado como \u00e1rea de alt\u00edssima relev\u00e2ncia e prioridade para conserva\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, segue sem o devido respaldo legal para sua prote\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, v\u00e1rios estudos cient\u00edficos foram realizados e mobiliza\u00e7\u00e3o social a favor dessa amplia\u00e7\u00e3o j\u00e1 existe h\u00e1 anos. Por\u00e9m, faz-se necess\u00e1rio construir um processo participativo, com o envolvimento dos diversos atores e com base na melhor informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dispon\u00edvel. Tal iniciativa pode ser o primeiro passo para o Brasil se alinhar aos demais pa\u00edses mundiais que t\u00eam ampliado suas \u00e1reas marinhas protegidas, provando que compreendem a import\u00e2ncia dessas \u00e1reas, e demonstrar que se importa com o que temos debaixo de nossa grande imensid\u00e3o azul.<\/p>\n<p>Agora \u00e9 a vez do Brasil olhar para o cen\u00e1rio dom\u00e9stico. O Arquip\u00e9lago dos Abrolhos, Cadeia Vit\u00f3ria e Trindade s\u00e3o boas refer\u00eancias, pois ali coexistem todos os elementos necess\u00e1rios e suficientes para merecer um status especial de prote\u00e7\u00e3o e, com isso, se alinhar \u00e0s demais na\u00e7\u00f5es que encaram os oceanos de frente.<\/p>\n<p>H\u00e1 10 anos, a Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica vem atuando com seus parceiros em prol do fortalecimento da agenda marinha, contribuindo para que novas UCs sejam criadas e implementadas e apoiando diretamente o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) e outros \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos na gest\u00e3o dessas unidades. \u00a0Al\u00e9m das esferas federal e estaduais, esta \u00e9 tamb\u00e9m uma boa oportunidade para avan\u00e7armos nesse tema no \u00e2mbito local, contando com o engajamento dos novos governantes dos 301 munic\u00edpios costeiros sob influ\u00eancia do bioma Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<table class=\" aligncenter\" style=\"height: 58px;\" width=\"640\" cellpadding=\"5\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><em><strong>*Marcia Hirota<\/strong> \u00e9 diretora-executiva da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica. <\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em><strong>*Camila Keiko Takahashi<\/strong>, <strong>Diego Igawa Martinez<\/strong> e <strong>Leandra Gon\u00e7alves<\/strong> s\u00e3o bi\u00f3logos da \u00e1rea de Mar da Funda\u00e7\u00e3o.<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>*A <strong>SOS Mata Atl\u00e2ntica<\/strong> \u00e9 uma ONG brasileira que desenvolve projetos e campanhas em defesa das Florestas, do Mar e da qualidade de vida nas Cidades. Saiba como apoiar as a\u00e7\u00f5es da Funda\u00e7\u00e3o em <a href=\"http:\/\/www.sosma.org.br\/apoie\">www.sosma.org.br\/apoie<\/a>.<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcia Hirota, Camila Keiko Takahashi, Diego Igawa Martinez e Leandra Gon\u00e7alves* O Brasil n\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":54959,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/oceano.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/oceano-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/oceano-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/oceano.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/oceano.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/oceano.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/oceano.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/oceano.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/oceano.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/oceano.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Marcia Hirota, Camila Keiko Takahashi, Diego Igawa Martinez e Leandra Gon\u00e7alves* O Brasil n\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54957"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54957"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54957\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54959"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54957"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54957"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54957"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}