{"id":54892,"date":"2016-12-03T09:59:30","date_gmt":"2016-12-03T12:59:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=54892"},"modified":"2016-12-03T09:59:31","modified_gmt":"2016-12-03T12:59:31","slug":"o-cientista-chefe-da-missao-brasileira-a-lua-explica-o-que-faremos-por-la","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-cientista-chefe-da-missao-brasileira-a-lua-explica-o-que-faremos-por-la\/","title":{"rendered":"O cientista-chefe da miss\u00e3o brasileira \u00e0 Lua explica o que faremos por l\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-cientista-chefe-da-missao-brasileira-a-lua-explica-o-que-faremos-por-la\/cientista-4\/\" rel=\"attachment wp-att-54894\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-54894\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/cientista-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/cientista-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/cientista.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O<\/span> Anfiteatro Jorge Caron, na Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos da USP, foi palco de um <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/zenitheesc\/videos\/1816307165316874\/?hc_ref=PAGES_TIMELINE\">an\u00fancio hist\u00f3rico<\/a> na noite do dia 29 de novembro: pesquisadores dos mais renomados institutos de pesquisa do pa\u00eds se uniram em torno do objetivo de lan\u00e7ar a primeira sonda do Brasil ao espa\u00e7o profundo. Batizada de Garat\u00e9a-L, <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/Espaco\/noticia\/2016\/11\/e-oficial-brasil-vai-lancar-primeira-missao-lua-em-2020.html\">a miss\u00e3o pretende enviar um sat\u00e9lite de pequenas propor\u00e7\u00f5es, os famosos cubesats, \u00e0 \u00f3rbita lunar em 2020<\/a>.<\/p>\n<p>Apesar de pequena, a sonda transportar\u00e1 as expectativas de pesquisadores que sonham alto, materializadas na forma de tr\u00eas experimentos. Os resultados prometem render n\u00e3o apenas uma boa fornada de <strong>artigos cient\u00edficos<\/strong>, como tamb\u00e9m formar e inspirar uma nova gera\u00e7\u00e3o de <strong>cientistas <\/strong>e <strong>engenheiros <\/strong>com a oportunidade valiosa de fazer explora\u00e7\u00e3o espacial com as pr\u00f3prias m\u00e3os em solo nacional.<\/p>\n<p>E n\u00e3o para por a\u00ed. &#8220;Parte do projeto envolve prepararmos a humanidade para se tornar uma civiliza\u00e7\u00e3o <strong>multiplanet\u00e1ria<\/strong>&#8220;, diz o astrobi\u00f3logo <strong>Douglas Galante<\/strong>, que desenvolve pesquisas no poderoso <strong>acelerador de el\u00e9trons<\/strong> do\u00a0Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS\/CNPEM), em Campinas. Galante foi escolhido como cientista principal da miss\u00e3o Garat\u00e9a.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 GALILEU, o pesquisador revelou detalhes do experimento que est\u00e1 ajudando a desenvolver, cujo nome cairia nas gra\u00e7as de <strong>Ney Matogrosso<\/strong>: secos e molhados.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 composto por duas partes: uma com<strong> mol\u00e9culas biol\u00f3gicas <\/strong>(secos) e a outra com col\u00f4nias de <strong>micr\u00f3bios vivos<\/strong> (molhados). A an\u00e1lise minuciosa de como a estrutura da vida reage \u00e0 <strong>microgravidade <\/strong>e \u00e0 radia\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para o nosso futuro no espa\u00e7o.\u00a0&#8220;A biotecnologia \u00e9 a base para expandir a civiliza\u00e7\u00e3o humana para al\u00e9m da Terra&#8221;, afirma Galante.<\/p>\n<p>O <strong>astrobi\u00f3logo <\/strong>falou tamb\u00e9m sobre a incerteza no envolvimento da Ag\u00eancia Espacial Brasileira (AEB) na miss\u00e3o e da esperan\u00e7a de contribuir com o fortalecimento da cultura cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica no Brasil, chamando a aten\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos para atrair mais investimentos na \u00e1rea espacial. Confira a entrevista:<\/p>\n<p><strong><em>Como come\u00e7ou a mobiliza\u00e7\u00e3o para tornar a primeira miss\u00e3o brasileira \u00e0 Lua uma realidade?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Veio de v\u00e1rias partes, foi uma coisa mais ou menos auto-organizada. O [engenheiro espacial] Lucas Fonseca tem o hist\u00f3rico pr\u00f3prio da carreira dele: trabalhou nos \u00faltimos anos na Europa, na <strong>ESA<\/strong>, na miss\u00e3o <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/noticia\/2016\/09\/sonda-rosetta-colide-em-cometa-e-finaliza-sua-missao-historica.html\">Rosetta<\/a>&#8230; Ele j\u00e1 tem um background de <strong>explora\u00e7\u00e3o espacial <\/strong>e\u00a0desenvolvimento de engenharia espacial, ele voltou para o Brasil e abriu uma empresa de consultoria em engenharia espacial, e vem dando consultoria para a Ag\u00eancia Espacial Brasileira (AEB). Ent\u00e3o, a paix\u00e3o dele \u00e9 trabalhar com isso.<\/p>\n<p>Ele j\u00e1 tinha interesse em continuar com esse projeto de explora\u00e7\u00e3o espacial aqui no Brasil, e ele j\u00e1 vem falando de uma miss\u00e3o \u00e0 Lua h\u00e1 algum tempo. E meu grupo de pesquisa em <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/noticia\/2016\/11\/usp-disponibiliza-livro-gratuito-sobre-astrobiologia-para-download.html\">astrobiologia<\/a>\u00a0tamb\u00e9m j\u00e1 vem h\u00e1 alguns anos trabalhando para entender como <strong>organismos <\/strong>terrestres respondem ao ambiente espacial, ao ambiente de outros planetas, e como podemos desenvolver metodologias para tentar detectar esse tipo de vida, usando principalmente ambientes an\u00e1logos aqui da Terra como padr\u00e3o.<\/p>\n<p>A gente tem se aproximado e procurado maneiras de fazer esses experimentos de forma cada vez mais realista, normalmente fazemos em laborat\u00f3rio, ultimamente temos ido para esses ambientes an\u00e1logos: a <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Sociedade\/noticia\/2016\/07\/como-vivem-e-trabalham-pessoas-que-moram-na-antartica.html\">Ant\u00e1rtica<\/a>, os <strong>Andes<\/strong>, o <strong>Atacama<\/strong>, para entender no local como eles funcionam. E a gente queria partir para os experimentos espaciais mesmo, h\u00e1 v\u00e1rios anos a gente colabora com o grupo do Instituto Mau\u00e1 de Tecnologia no desenvolvimento de pequenos <strong>sat\u00e9lites<\/strong>, os <strong>cubesats<\/strong>, para lan\u00e7ar uma miss\u00e3o em baixa \u00f3rbita com um experimento cient\u00edfico de astrobiologia.<\/p>\n<p><em><strong>J\u00e1 tiveram alguma oportunidade de voo?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, mas o sat\u00e9lite vem se desenvolvendo bastante, est\u00e1vamos aguardando uma oportunidade. Mais recentemente conhecemos o Lucas, quando ele estava liderando um grupo de alunos de Engenharia Aeron\u00e1utica da USP S\u00e3o Carlos, que \u00e9 chamado grupo <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/zenitheesc\/?hc_ref=PAGES_TIMELINE\">Zenith<\/a>, para desenvolver sistemas espaciais.<\/p>\n<p>Eles queriam um problema cient\u00edfico interessante para trabalhar, e n\u00f3s lan\u00e7amos um desafio: por que a gente n\u00e3o lan\u00e7a uma sonda <strong>estratosf\u00e9rica<\/strong> juntos, com um experimento cient\u00edfico a bordo, e voc\u00eas fazem a parte de engenharia? Eles toparam, e assim foi criada a miss\u00e3o <strong>Garat\u00e9a<\/strong>, que a gente lan\u00e7ou esse ano pela primeira vez.<\/p>\n<p>Foi um grande sucesso, e em dezembro vamos lan\u00e7ar ainda uma segunda vers\u00e3o, <strong>Garat\u00e9a 2<\/strong>. Com a intera\u00e7\u00e3o desse grupo, a gente viu a oportunidade de conectar todas essas pessoas e lan\u00e7ar uma miss\u00e3o mais ambiciosa. A oportunidade de ir para a Lua veio de um an\u00fancio de uma empresa brit\u00e2nica de lan\u00e7amento de sat\u00e9lites, a SSTL, que prop\u00f4s uma miss\u00e3o para comemorar os 50 anos da <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/noticia\/2016\/07\/9-fotos-dos-bastidores-da-missao-apollo-11.html\">Miss\u00e3o Apollo 11<\/a>, em 2019.<\/p>\n<p>Eles estavam planejando essa grande miss\u00e3o para lan\u00e7ar microssat\u00e9lites ao redor da Lua. Ficamos sabendo disso e decidimos investir todos os esfor\u00e7os do grupo, que estava crescendo, estava adicionando o pessoal da engenharia com o pessoal da pesquisa.<\/p>\n<p>Para fazer essa miss\u00e3o, que \u00e9 muito mais complicada do que uma miss\u00e3o para a \u00f3rbita terrestre, a gente procurou parceiros em outros institutos, como o IPE, INPE, ITA, que j\u00e1 t\u00eam experi\u00eancia, j\u00e1 lan\u00e7aram v\u00e1rios sat\u00e9lites, t\u00eam laborat\u00f3rio de testagem. Foi em decorr\u00eancia dessa oportunidade. Foram v\u00e1rios grupos que tinham interesse em investir em explora\u00e7\u00e3o espacial aqui no Brasil, e que de repente se encontraram por esse interesse comum. \u00c9 uma espera de v\u00e1rios anos na tentativa de colocar uma miss\u00e3o cient\u00edfica de verdade do Brasil no espa\u00e7o, e agora a gente tem a oportunidade de ir al\u00e9m da \u00f3rbita terrestre pela primeira vez.<\/p>\n<p><strong><em>A Ag\u00eancia Espacial Brasileira (AEB) tem algum envolvimento no projeto, ou ele \u00e9 independente?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Isso est\u00e1 em discuss\u00e3o ainda, j\u00e1 que o projeto nasceu de forma independente da AEB. Mas a gente est\u00e1 procurando fazer uma parceria com eles, j\u00e1 tivemos uma primeira resposta positiva de interesse da ag\u00eancia, ela provavelmente vai entrar. Mas n\u00e3o posso dizer com certeza, por que ainda n\u00e3o temos um aviso oficial.\u00a0Mesmo que n\u00e3o entre com verba para o projeto, a AEB tem uma import\u00e2ncia estrat\u00e9gica e pol\u00edtica, ajuda a destravar rela\u00e7\u00f5es internacionais necess\u00e1rias.<\/p>\n<p><em><strong>Em que est\u00e1gio de desenvolvimento a miss\u00e3o se encontra agora e qual \u00e9 o cronograma at\u00e9 setembro de 2019, quando a sonda dever\u00e1 estar pronta?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A data do lan\u00e7amento era para coincidir com a da miss\u00e3o Apollo, no meio do ano de 2019. Soubemos recentemente que talvez j\u00e1 tenha um atraso nesse lan\u00e7amento, ent\u00e3o trabalhamos com uma data entre 2019 e 2020. Esse \u00e9 o nosso prazo final. Mas tem muita coisa que precisa ser resolvida nesse meio-tempo, n\u00e3o vamos ficar parados porque v\u00e1rias das solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas ainda est\u00e3o sendo desenvolvidas.<\/p>\n<div class=\"frase-materia componente_materia\">\n<div class=\"frase\">Um dos objetivos do projeto n\u00e3o \u00e9 simplesmente comprar um sat\u00e9lite pronto e lan\u00e7ar. Vamos envolver muitos estudantes, escolas&#8230;<\/div>\n<\/div>\n<p>Um dos objetivos do projeto n\u00e3o \u00e9 simplesmente comprar um <strong>sat\u00e9lite <\/strong>pronto, uma <strong>sonda <\/strong>de outro pa\u00eds, e lan\u00e7ar. A gente quer aproveitar essa oportunidade para o desenvolvimento de tecnologia, e forma\u00e7\u00e3o de pessoas capacitadas aqui no pa\u00eds. Vamos envolver muitos estudantes, escolas&#8230; Queremos fazer com que a tecnologia, os materiais, as solu\u00e7\u00f5es sejam desenvolvidas aqui no pa\u00eds. E que esse conhecimento fique aqui dispon\u00edvel no Brasil.<\/p>\n<p>Com a colabora\u00e7\u00e3o que a gente tem com o Instituto Mau\u00e1 de Tecnologia, j\u00e1 temos uma plataforma de microssat\u00e9lites, os chamados cubesats, que \u00e9 a que vamos usar para ir para a Lua. Est\u00e1 bastante desenvolvida e em um conceito totalmente de <em>open hardware<\/em> e <strong><em>open source<\/em><\/strong>\u00a0\u2014 quer dizer que todo o layout de constru\u00e7\u00e3o do sat\u00e9lite, tanto em estrutura, quanto em software de controle, \u00e9 livre.<\/p>\n<p>Isso faz parte da nossa filosofia: a gente quer contribuir para essa forma\u00e7\u00e3o de pessoas e estabelecimento da tecnologia espacial aqui no pa\u00eds.<\/p>\n<p><em><strong>Por que a escolha da astrobiologia como principal foco das investiga\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Na verdade a Garat\u00e9a tem tr\u00eas objetivos claros: o cient\u00edfico, de fazer os experimentos que v\u00e3o nela e n\u00e3o se restringem \u00e0 biologia; o de engenharia, desenvolver uma sonda brasileira capaz de voar em espa\u00e7o profundo; e os objetivos educacionais, de formar pessoas capazes de trabalhar nessa \u00e1rea, novos doutores, novos engenheiros, e tamb\u00e9m de motivar os jovens do Brasil a seguir nas ci\u00eancias espaciais e nas ci\u00eancias de maneira geral.<\/p>\n<p>Dentro da parte cient\u00edfica, a gente tem tr\u00eas experimentos que far\u00e3o parte, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 <strong>astrobiologia<\/strong>. Temos tamb\u00e9m um experimento de <strong>medicina espacial<\/strong>, que vai testar c\u00e9lulas humanas em ambiente espacial para tentarmos entender como o espa\u00e7o profundo, com sua baixa gravidade e alta radia\u00e7\u00e3o, pode afetar importantes c\u00e9lulas do corpo humano. \u00c9 importante para as miss\u00f5es espaciais de longa dura\u00e7\u00e3o, e quem est\u00e1 coordenando essa parte das c\u00e9lulas humanas \u00e9 a professora <strong>Thais Russomano<\/strong>. Temos tamb\u00e9m um terceiro experimento, de <strong>sensoriamento remoto<\/strong>, que vai fazer imagens de boa qualidade da superf\u00edcie da Lua. Ele est\u00e1 sendo coordenado por um grupo de pesquisadores do INPE, que j\u00e1 tem experi\u00eancia de v\u00e1rios anos, com sat\u00e9lites aqui na Terra.<\/p>\n<p><em><strong>E onde entra a astrobiologia?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Dentro dessa parte, vamos usar sistemas biol\u00f3gicos terrestres baseados em organismos <strong>extrem\u00f3filos<\/strong>, que s\u00e3o extremamente resistentes a diversos fatores de stress ambiental, para testar basicamente tr\u00eas coisas: uma delas \u00e9 os limites da vida como a gente conhece. At\u00e9 onde as formas de vida que chamamos de extrem\u00f3filos s\u00e3o capazes de aguentar em termos de radia\u00e7\u00e3o, aus\u00eancia de gravidade, varia\u00e7\u00f5es na temperatura e press\u00e3o? Com esse tipo de resposta, queremos estudar um segundo ponto, que \u00e9 a <strong>habitabilidade <\/strong>do nosso universo.<\/p>\n<p>Normalmente, a maioria das pessoas entende que a vida precisa de condi\u00e7\u00f5es iguais \u00e0s da Terra para existir \u2014 um clima ameno, uma atmosfera protetora, uma magnetosfera protetora, \u00e1gua dispon\u00edvel, enfim, condi\u00e7\u00f5es amenas de vida dentro daquilo que chamamos de habitabilidade. Mas hoje a gente entende que essa habitabilidade pode ser expandida, podemos pensar em vida na superf\u00edcie ou no subsolo marciano, debaixo da crosta de gelo de luas geladas do nosso <strong>Sistema Solar<\/strong>, como as de <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/noticia\/2016\/09\/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-jupiter.html\">J\u00fapiter <\/a>e Saturno, e at\u00e9 em <strong>exoplanetas<\/strong>, que temos descoberto praticamente em torno de cada estrela. Queremos entender, aqui no nosso Sistema Solar, para come\u00e7ar, o que s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es habit\u00e1veis.<\/p>\n<p><em><strong>E como ir para a Lua ajuda nisso?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Indo para l\u00e1, temos a oportunidade \u00fanica de fugir da <strong>magnetosfera<\/strong> terrestre, que protege a Terra e o entorno dos <strong>raios c\u00f3smicos <\/strong>que v\u00eam da gal\u00e1xia e do vento solar, que bombardeia o nosso sistema de forma constante. Vamos sair dessa regi\u00e3o protegida e ficar diretamente exposto ao ambiente extremamente hostil que \u00e9 o espa\u00e7o profundo. L\u00e1 ela vai ser bombardeada com todo tipo de radia\u00e7\u00e3o que existe no nosso universo. Pela primeira vez, vamos conseguir testar como a biologia responde nessas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E isso \u00e9 important\u00edssimo para a terceira parte do projeto, que \u00e9 prepararmos a humanidade para se tornar uma <strong>civiliza\u00e7\u00e3o multiplanet\u00e1ria<\/strong>. No discurso recente de <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Tecnologia\/noticia\/2016\/08\/10-coisas-sobre-o-elon-musk-que-voce-provavelmente-nao-sabia.html\">Elon Musk<\/a>, o dono da <strong>SpaceX<\/strong>, ele fala da explora\u00e7\u00e3o marciana. Logo em seguida, a Boeing tamb\u00e9m respondeu falando que estava interessada. Existe uma nova corrida espacial hoje, que \u00e9 lan\u00e7ar humanos, sondas e miss\u00f5es para Marte e para al\u00e9m de <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Revista\/noticia\/2015\/06\/vamos-mesmo-morar-em-marte.html\">Marte<\/a>.<\/p>\n<p><em><strong>E quais s\u00e3o so desafios para isso?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o tremendos. Alguns deles s\u00e3o produzir oxig\u00eanio em Marte, produzir \u00e1gua em Marte, produzir combust\u00edvel de foguete em Marte, produzir o material necess\u00e1rio para construir as estruturas das bases em Marte, tudo isso ter\u00e1 de ser constru\u00eddo no local. \u00c9 praticamente invi\u00e1vel mandar da Terra para l\u00e1. Para isso, a proposta mais vi\u00e1vel \u00e9 utilizar micro-organismos e biotecnologia para fazer isso para a gente. Sabemos que aqui na Terra, por exemplo, o oxig\u00eanio da atmosfera \u00e9 produzido por nossos organismos <strong>fotossintetizantes<\/strong>.<\/p>\n<p>Podemos modificar esses organismos para que produzam, por exemplo, biopl\u00e1sticos, que podem ser usados para construir paredes e grandes estruturas. Existem os organismos nitrificantes que pegam o nitrog\u00eanio da atmosfera e tornam o solo est\u00e9ril, como o de Marte, em um solo f\u00e9rtil. Isso tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel de se fazer.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o a gente acredita que a biotecnologia seja a base para a gente conseguir expandir os limites da civiliza\u00e7\u00e3o humana para al\u00e9m da Terra. Queremos usar essa tecnologia para manter miss\u00f5es de longa dura\u00e7\u00e3o, e para manter esta\u00e7\u00f5es espaciais em Marte, talvez na Lua e talvez at\u00e9 muito al\u00e9m. Pensando nessa larga escala, nosso experimento vai testar como micro-organismos respondem nessas condi\u00e7\u00f5es e como eles podem ser usados nessas condi\u00e7\u00f5es espaciais para produzir os materiais necess\u00e1rios para a expans\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o humana do universo. Esse seria o terceiro grande ponto da miss\u00e3o, que esperamos contribuir com nossos experimentos de astrobiologia.<\/p>\n<p><strong><em>Quais s\u00e3o suas expectativas sobre o experimento com micro-organismos e mol\u00e9culas que voc\u00ea est\u00e1 coordenando na miss\u00e3o? O que poderemos aprender com ele?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Dentro do experimento de astrobiologia, para tentar responder essas tr\u00eas quest\u00f5es, a gente de novo dividiu o experimento em dois. chamamos de &#8220;secos e molhados&#8221;. Temos um experimento complexo, que \u00e9 o molhado, no qual vamos tentar entender a resposta de micro-organismos ativos no ambiente espacial. Vamos montar uma cultura, crescendo e se reproduzindo, e nessas condi\u00e7\u00f5es vamos tentar estudar o <strong>metabolismo<\/strong>, como respondem em tempo real a essas condi\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 uma resposta geral daquele grupo de organismos, como est\u00e3o respondendo.<\/p>\n<div class=\"frase-materia componente_materia\">\n<div class=\"frase\">O que esperamos \u00e9 que essa miss\u00e3o desperte o interesse do pa\u00eds para essa \u00e1rea do conhecimento humano<\/div>\n<\/div>\n<p>AutorPara entender os detalhes qu\u00edmicos dessa resposta, como est\u00e3o sobrevivendo, se est\u00e3o sendo danificados, a gente vai mandar um segundo experimento dentro da carga de astrobiologia, que \u00e9 o experimentos dos secos. Nele, mandaremos v\u00e1rias <strong>biomol\u00e9culas<\/strong>, aquelas dos quais os organismos s\u00e3o feitos, para testar como elas resistem nessas condi\u00e7\u00f5es. Ao inv\u00e9s de mandar organismos inteiros, a gente separa as diferentes mol\u00e9culas de que s\u00e3o feitos, como o DNA, as membranas, as prote\u00ednas, e vamos usar t\u00e9cnicas de an\u00e1lise espectrosc\u00f3pica para estudar como a qu\u00edmica dessas mol\u00e9culas est\u00e1 sendo alterada durante a exposi\u00e7\u00e3o. Com isso a gente vai conseguir estudar os detalhes. Um experimento dar\u00e1 os detalhes qu\u00edmicos, e o outro vai nos fornecer uma vis\u00e3o geral da resposta complexa da biologia naquelas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong><em>Se tudo correr bem, qual vai ser o legado da miss\u00e3o Garat\u00e9a-L \u00e0 ci\u00eancia brasileira?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Muito mais do que as respostas pontuais que o experimento vai dar, a gente sabe que o maior legado s\u00e3o as pessoas. O experimento vai durar seis meses, a gente espera que renda alguns \u00f3timos artigos de pesquisa. Mas n\u00f3s formaremos excelentes pesquisadores e engenheiros nesse processo. E despertaremos a aten\u00e7\u00e3o de muitos jovens para a \u00e1rea espacial, e tamb\u00e9m talvez de alguns pol\u00edticos para investir mais nessa \u00e1rea, em um pa\u00eds em que ela ainda \u00e9 extremamente carente e tem um potencial gigantesco de avan\u00e7o.<\/p>\n<p>Seja em pesquisa cient\u00edfica b\u00e1sica como essa, mas tamb\u00e9m <strong>telecomunica\u00e7\u00f5es<\/strong>, sensoriamento remoto, estudo do clima, defesa, tr\u00e1fego a\u00e9reo, que ainda s\u00e3o muito negligenciados no pa\u00eds. A gente basicamente depende de tecnologia estrangeira para isso. O que esperamos realmente \u00e9 que essa miss\u00e3o desperte o interesse do pa\u00eds para essa \u00e1rea de pesquisa e do conhecimento humano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Anfiteatro Jorge Caron, na Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos da USP, foi palco<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":54894,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/cientista.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/cientista-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/cientista-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/cientista.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/cientista.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/cientista.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/cientista.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/cientista.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/cientista.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/cientista.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O Anfiteatro Jorge Caron, na Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos da USP, foi palco","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54892"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54892"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54892\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54894"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54892"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54892"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54892"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}