{"id":54637,"date":"2016-11-28T12:30:59","date_gmt":"2016-11-28T15:30:59","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=54637"},"modified":"2016-11-28T11:49:17","modified_gmt":"2016-11-28T14:49:17","slug":"estudo-reune-dados-sobre-958-tipos-de-aguas-vivas-sul-americanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-reune-dados-sobre-958-tipos-de-aguas-vivas-sul-americanas\/","title":{"rendered":"Estudo re\u00fane dados sobre 958 tipos de \u00e1guas-vivas sul-americanas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=54638\" rel=\"attachment wp-att-54638\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-54638\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/censagua_viva-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/censagua_viva-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/censagua_viva.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>As \u00e1guas-vivas comp\u00f5em um grupo de animais aqu\u00e1ticos bastante diverso. Podem ter desde menos de 1 mil\u00edmetro a mais de 1 metro de di\u00e2metro, al\u00e9m de longos tent\u00e1culos que podem atingir mais de 10 metros. T\u00eam diversas cores e formas. Algumas s\u00e3o bioluminescentes, outras, extremamente venenosas. H\u00e1 esp\u00e9cies que parecem uma delicada flor enraizada no fundo do oceano, mas se revelam predadores vorazes quando pequenos crust\u00e1ceos ou larvas de peixe se aproximam. Em comum, al\u00e9m do corpo gelatinoso, a beleza e o mist\u00e9rio que as envolve.<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre 958 tipos morfol\u00f3gicos distintos de \u00e1guas-vivas que habitam o litoral sul-americano \u2013 tanto do lado Atl\u00e2ntico quanto do Pac\u00edfico \u2013 foram reunidas em um censo <a href=\"http:\/\/biotaxa.org\/Zootaxa\/article\/view\/zootaxa.4194.1.1\" target=\"_blank\"><b>publicado<\/b><\/a>\u00a0este m\u00eas na revista <i>Zootaxa<\/i>, a mais importante da \u00e1rea de taxonomia zool\u00f3gica.<\/p>\n<p>O trabalho, de 257 p\u00e1ginas, envolveu cientistas de pa\u00edses como Argentina, Chile, Peru, Col\u00f4mbia e Uruguai, sob coordena\u00e7\u00e3o dos brasileiros Antonio Carlos Marques, professor do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (IB-USP), e <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/30051\/otto-muller-patrao-de-oliveira\/\" target=\"_blank\"><b>Otto Muller Patr\u00e3o de Oliveira<\/b><\/a>, ex-bolsista FAPESP e, atualmente, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC).<\/p>\n<p>A pesquisa foi conduzida no \u00e2mbito do Projeto Tem\u00e1tico \u201c<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/35242\/dimensoes-da-vida-marinha-padroes-e-processos-de-diversificacao-em-cnidarios-planctonicos-e-bentoni\/\" target=\"_blank\"><b>Dimens\u00f5es da vida marinha: padr\u00f5es e processos de diversifica\u00e7\u00e3o em cnid\u00e1rios planct\u00f4nicos e bent\u00f4nicos<\/b><\/a>\u201d, coordenado por Marques e vinculado ao Programa de Pesquisa em Caracteriza\u00e7\u00e3o, Conserva\u00e7\u00e3o, Restaura\u00e7\u00e3o e Uso Sustent\u00e1vel da Biodiversidade do Estado de S\u00e3o Paulo (BIOTA-FAPESP).<\/p>\n<p>\u201cA compila\u00e7\u00e3o apresentada no artigo inclui animais pertencentes ao filo Ctenophora, onde est\u00e3o \u00e1guas-vivas cujo parentesco com outros grupos animais \u00e9 duvidoso, e ao filo Cnidaria, que abrange hidras, medusas, corais e an\u00eamonas-do-mar. Desse \u00faltimo, por\u00e9m, foram inclu\u00eddas apenas as esp\u00e9cies do subfilo Medusozoa, que s\u00e3o aquelas que possuem a fase de medusa, ou \u00e1gua-viva, em seu ciclo de vida\u201d, explicou Marques.<\/p>\n<p>Conforme explicou o pesquisador, o subfilo Medusozoa abrange cinco classes: Cubozoa, Scyphozoa, Staurozoa e Hydrozoa, al\u00e9m da rec\u00e9m-inclu\u00edda Myxozoa.<\/p>\n<p>As esp\u00e9cies mais venenosas pertencem \u00e0 classe Cubozoa. Entre elas est\u00e1 a <i>Chiropsalmus quadrumanus<\/i>, que chega a ter mais de 10 cent\u00edmetros de di\u00e2metro e pode ser encontrada desde o litoral de Santa Catarina, no Brasil, at\u00e9 a Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Diversos pesquisadores investigam, atualmente, se realmente se trata de uma \u00fanica esp\u00e9cie em toda a extens\u00e3o do Atl\u00e2ntico ou se, na verdade, s\u00e3o v\u00e1rias esp\u00e9cies morfologicamente semelhantes.<\/p>\n<p>\u201cAs cubomedusas s\u00e3o bastante temidas, pois produzem uma toxina muito forte. Algumas esp\u00e9cies causam quadros severos de envenenamento, podendo at\u00e9 mesmo matar. Evidentemente, elas n\u00e3o atacam seres humanos. Os encontros costumam ser casuais\u201d, contou Marques.<\/p>\n<p>J\u00e1 entre as \u00e1guas-vivas da classe Scyphozoa encontra-se a esp\u00e9cie <i>Chrysaora lactea<\/i>, que \u00e9 bastante abundante no litoral brasileiro e pode ter at\u00e9 20 cent\u00edmetros de di\u00e2metro.<\/p>\n<p>\u201cA toxina dela \u00e9 relativamente t\u00eanue, mas causa algum inc\u00f4modo no local. H\u00e1 alguns anos, popula\u00e7\u00f5es gigantescas dessa esp\u00e9cie se aproximaram da costa do Paran\u00e1 e foram registrados mais de 30 mil casos de envenenamento\u201d, disse Marques.<\/p>\n<p>As esp\u00e9cies da classe Hydrozoa s\u00e3o as mais abundantes do subfilo Medusozoa. Ocorrem em todos os tipos de ambientes marinhos e tamb\u00e9m em \u00e1gua doce. No mar s\u00e3o mais diversificadas e se caracterizam por ter duas fases de vida muitos diferentes. Inicialmente, vivem como p\u00f3lipos, organismos bent\u00f4nicos presos a algas ou rochas no fundo do oceano. Depois, por brotamento (reprodu\u00e7\u00e3o assexuada), produzem uma medusa (forma sexuada), que se libera do p\u00f3lipo, amadurece e passa a nadar na coluna d\u2019\u00e1gua. Um exemplo \u00e9 a <i>Dipurena reesi<\/i>, que na fase de p\u00f3lipo forma pequenas col\u00f4nias em conchas e algas.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o dois organismos completamente diferentes, mas com o mesmo genoma, coexistindo tanto na forma bent\u00f4nica quanto na forma planct\u00f4nica. Isso mostra como o ciclo de vida desses animais \u00e9 complexo\u201d, comentou Marques.<\/p>\n<p>J\u00e1 a classe Staurozoa, descrita pela primeira vez por Marques em parceria com o norte-americano Allen Collins (National Museum of Natural History, Smithsonian Institution) em 2004, \u00e9 a \u00fanica em Medusozoa com medusas fixas no fundo do oceano durante todo o seu ciclo de vida. Um dos exemplos \u00e9 a <i>Haliclystus antarcticus<\/i>, que chega a atingir 5 cent\u00edmetros de altura.<\/p>\n<p>\u201cEssas esp\u00e9cies habitam principalmente as regi\u00f5es polares e subpolares, sendo raras em \u00e1guas mais quentes. Havia uma \u00fanica esp\u00e9cie com popula\u00e7\u00f5es permanentes no Brasil, <i>Calvadosia corbini<\/i>, no litoral do Esp\u00edrito Santo, mas suas popula\u00e7\u00f5es podem ter sido extintas ap\u00f3s o rompimento da barragem de rejeitos de minera\u00e7\u00e3o ocorrido em Mariana (MG), no \u00faltimo ano\u201d, contou o pesquisador.<\/p>\n<p>J\u00e1 as \u00e1guas-vivas do filo Ctenophora formam um grupo com poucas esp\u00e9cies, mas de grande import\u00e2ncia ecol\u00f3gica, segundo Marques. \u201cAlgumas, como a Mnemiopsis leidyi, s\u00e3o conhecidas por serem invasoras em determinadas \u00e1reas marinhas, onde chegam a popula\u00e7\u00f5es gigantescas que comprometem os ecossistemas nativos\u201d, disse.<\/p>\n<p><b>Conhecimento organizado<\/b><\/p>\n<p>Ao todo, foram identificados no censo 958 morfotipos, sendo que 800 deles foram identificados no n\u00edvel de esp\u00e9cie por sua morfologia. Para cada uma delas, h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sobre a \u00e1rea de ocorr\u00eancia, os registros anteriores j\u00e1 feitos por outros pesquisadores \u2013 alguns h\u00e1 mais de 150 anos \u2013 e tamb\u00e9m dados ecol\u00f3gicos, como tipo de <i>habitat<\/i>, profundidade em que s\u00e3o encontradas ou os substratos ao qual se fixam quando na fase bent\u00f4nica.<\/p>\n<p>A coleta de dados abrangeu desde \u00e1guas equatoriais do Caribe colombiano at\u00e9 a regi\u00e3o subpolar da Terra do Fogo, na Argentina, passando pela foz do rio Amazonas, todo o litoral brasileiro e toda a costa do Pac\u00edfico sul-americano.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de uma extensa revis\u00e3o da literatura cient\u00edfica, os pesquisadores tamb\u00e9m inclu\u00edram dados de milhares de esp\u00e9cimes depositados em museus de zoologia e outras institui\u00e7\u00f5es dedicadas a preservar o conhecimento sobre organismos marinhos.<\/p>\n<p>\u201cBoa parte desse material havia sido coletada pelos diversos autores do artigo, durante cruzeiros oceanogr\u00e1ficos, por exemplo. Tivemos o trabalho de recuperar essas cole\u00e7\u00f5es, um material rico e importante de ser acessado, e estudar cada uma das amostras. Muitos dados ainda n\u00e3o estavam publicados. Agora, temos uma quantidade enorme de informa\u00e7\u00e3o organizada, que pode servir de base para diversas investiga\u00e7\u00f5es futuras\u201d, avaliou Marques.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, al\u00e9m de ajudar a compreender a evolu\u00e7\u00e3o e o processo de diversifica\u00e7\u00e3o desses animais, o conhecimento gerado pela pesquisa auxilia na identifica\u00e7\u00e3o das regi\u00f5es mais importantes para conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cComo decorr\u00eancia desse trabalho, vem sendo feita uma avalia\u00e7\u00e3o de quais s\u00e3o as \u00e1reas com maior riqueza de esp\u00e9cies, maior complexidade taxon\u00f4mica [<i> <\/i>que abriga esp\u00e9cies de grupos muito diferentes entre si], maior n\u00famero de esp\u00e9cies end\u00eamicas [que s\u00f3 ocorrem em um determinado lugar] e popula\u00e7\u00f5es isoladas. Aliado a uma perspectiva geogr\u00e1fica, esse conhecimento permite estabelecer quais regi\u00f5es s\u00e3o priorit\u00e1rias para preserva\u00e7\u00e3o, ao menos baseado nas informa\u00e7\u00f5es dos cnid\u00e1rios\u201d, explicou Marques.<\/p>\n<p>De acordo com o professor do IB e diretor do Centro de Biologia Marinha (CEBIMar) da USP, ainda restaram informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o inclu\u00eddas no artigo, al\u00e9m de novos dados que continuam sendo gerados pelo grupo de cientistas sobre \u00e1reas pouco exploradas da Am\u00e9rica do Sul. \u201cEsse censo est\u00e1 criando, de certa forma, uma vida pr\u00f3pria. Vai continuar a crescer e os dados v\u00e3o sendo melhorados e amadurecidos\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>O artigo <i> Census of Cnidaria (Medusozoa) and Ctenophora from South American marine waters (doi: 10.11646\/zootaxa.0000.0.0)\u00a0<\/i>pode ser lido em <a href=\"http:\/\/biotaxa.org\/Zootaxa\/article\/view\/zootaxa.4194.1.1\" target=\"_blank\"><b>http:\/\/biotaxa.org\/Zootaxa\/article\/view\/zootaxa.4194.1.1<\/b><\/a><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s6h831MgXig\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As \u00e1guas-vivas comp\u00f5em um grupo de animais aqu\u00e1ticos bastante diverso. 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