{"id":54563,"date":"2016-11-27T11:00:40","date_gmt":"2016-11-27T14:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=54563"},"modified":"2016-11-26T21:36:24","modified_gmt":"2016-11-27T00:36:24","slug":"a-onca-preta-o-tesouro-brasileiro-chave-para-o-maior-corredor-verde-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-onca-preta-o-tesouro-brasileiro-chave-para-o-maior-corredor-verde-do-mundo\/","title":{"rendered":"A on\u00e7a-preta: o tesouro brasileiro chave para o maior corredor verde do mundo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=54564\" rel=\"attachment wp-att-54564\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-54564\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/onca_preta-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/onca_preta-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/onca_preta.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O holand\u00eas Ben Valks conta que h\u00e1 15 anos vivia em <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/dubai\/a\">Dubai<\/a>, onde dirigia uma empresa de tratamento de \u00e1gua, em pleno deserto da <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/arabia_saudi\/a\">Ar\u00e1bia<\/a>. Fez dinheiro e a vendeu quando p\u00f4de \u201cpara perseguir outros sonhos\u201d. Ele foi morar no <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/alaska\/a\/\">Alasca<\/a> para competir na \u201c\u00faltima grande corrida da Terra\u201d, a Iditarod: uma competi\u00e7\u00e3o de duas semanas em tren\u00f3s puxados por 16 c\u00e3es <em>huskies<\/em>. Ele trocou os mais de 40 graus de temperatura de Dubai pelos ventos de at\u00e9 70 graus abaixo de zero do Alasca. Mas aquilo \u00e9 hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em 2009, Valks fundou a <a href=\"http:\/\/www.black-jaguar.org\/\">Black Jaguar Foundation<\/a> com o \u00fanico objetivo de gravar um document\u00e1rio sobre a on\u00e7a-preta em seu habitat natural. Mas em vez de encontrar o raro animal \u2013uma variante escura do tigre americano da qual existem apenas 600 exemplares\u2013, ele se deparou com o desmatamento da <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/estado_amazonas\/a\">bacia amaz\u00f4nica<\/a>. Agora, o objetivo da funda\u00e7\u00e3o \u00e9 outro: criar \u201co maior corredor de biodiversidade do planeta\u201d para salvar o lar da on\u00e7a e das milhares de esp\u00e9cies que compartilham seu ecossistema, como o boto amaz\u00f4nico e o jacar\u00e9 preto.<\/p>\n<p>\u201cPretendemos plantar mais de dois bilh\u00f5es de \u00e1rvores\u201d, proclamou Valks no \u00faltimo Congresso Mundial da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza, realizado em setembro, em Honolulu (EUA). O holand\u00eas explicou sua ideia com entusiasmo, mas com uma cautela correspondente \u00e0 dificuldade do projeto. O corredor verde ocuparia 2.600 quil\u00f4metros de comprimento e 40 quil\u00f4metros de largura ao longo do rio Araguaia, um dos maiores do Brasil. Uma on\u00e7a poderia caminhar tranquilamente do Cerrado at\u00e9 a floresta amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 algumas d\u00e9cadas, esse territ\u00f3rio poderia estar nas m\u00e3os de cerca de 200.000 propriet\u00e1rios. Mas muitos venderam suas terras para grandes latifundi\u00e1rios e eles as alugam para multinacionais como a Coca-Cola, para cultivar cana de a\u00e7\u00facar\u201d, explicou Valks em Honolulu. Os grandes criadores de gado e os latifundi\u00e1rios agr\u00edcolas s\u00e3o respons\u00e1veis por 80% do desmatamento na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>O projeto tem uma viga-mestra. A legisla\u00e7\u00e3o brasileira exige que os propriet\u00e1rios preservem o estado natural de uma parte de suas terras. Na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, o percentual a ser preservado \u00e9 de 80%. No norte do Cerrado, chega a 35%. E no sul, 20%. O objetivo da Black Jaguar Foundation \u00e9 que os propriet\u00e1rios organizem suas reservas naturais particulares obrigat\u00f3rias como pe\u00e7as de um quebra-cabe\u00e7a, at\u00e9 completar os 2.600 quil\u00f4metros: o futuro Corredor Araguaia.<\/p>\n<p>Cerca de 15% da superf\u00edcie do corredor j\u00e1 est\u00e1 protegida, dentro de reservas ind\u00edgenas ou parques nacionais. Mas a quase totalidade dos 85% restantes foi desmatada. \u201cA Black Jaguar Foundation ajudar\u00e1 os propriet\u00e1rios das terras a recuperar as \u00e1reas degradadas para atender \u00e0s exig\u00eancias das leis ambientais brasileiras\u201d, explica Ivan Nisida, coordenador da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O corredor verde foi imaginado em 2008 pelo bi\u00f3logo brasileiro Leandro Silveira, presidente do Fundo para a Conserva\u00e7\u00e3o da On\u00e7a. Quase uma d\u00e9cada depois, a ideia ainda est\u00e1 no princ\u00edpio. Come\u00e7ou efetivamente neste ano. Um projeto-piloto para mapear e recuperar 6.000 hectares, do qual participa a Universidade de S\u00e3o Paulo, \u00e9 a ponta de lan\u00e7a. Mas a \u00e1rea total do Corredor Araguaia ocupar\u00e1 mais de 10 milh\u00f5es de hectares. \u201cCompletar esse projeto exigir\u00e1 seguramente milh\u00f5es, ou at\u00e9 bilh\u00f5es, de d\u00f3lares\u201d, admite Nisida.<\/p>\n<p>A funda\u00e7\u00e3o lan\u00e7ou uma campanha de arrecada\u00e7\u00e3o de fundos para financiar a primeira fase do projeto. Entre os primeiros colaboradores h\u00e1 figuras conhecidas, como o fot\u00f3grafo e veterin\u00e1rio franc\u00eas Yann Arthus-Bertrand, famoso por suas espetaculares imagens a\u00e9reas do planeta e a tamb\u00e9m veterin\u00e1ria Astrid Vargas, ex-diretora do programa de reprodu\u00e7\u00e3o do lince-ib\u00e9rico na Espanha. At\u00e9 o momento conseguiram 1,8 milh\u00e3o de euros (cerca de 6,5 milh\u00f5es de reais), de acordo com Nisida. E do projeto-piloto j\u00e1 est\u00e3o participando sete propriet\u00e1rios, dos munic\u00edpios de Santana do Araguaia, Limoeiro do Ajur\u00fa e Caseara. Um deles \u00e9 um fazendeiro de soja.<\/p>\n<p>\u201cNosso Governo \u00e9 muito receptivo \u00e0s iniciativas privadas, como a da Black Jaguar Foundation\u201d, diz Warwick Manfrinato, diretor do <a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/areas-protegidas\">Departamento de \u00c1reas Protegidas do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente<\/a>. O \u00f3rg\u00e3o iniciou recentemente um Programa de Corredores Ecol\u00f3gicos para responder \u00e0s demandas da sociedade civil. A equipe de Manfrinato tamb\u00e9m se reuniu na C\u00fapula de Honolulu com os membros da funda\u00e7\u00e3o para estudar poss\u00edveis formas de colabora\u00e7\u00e3o. \u201cEstamos muito satisfeitos com a iniciativa da funda\u00e7\u00e3o e vamos apoi\u00e1-la na medida do poss\u00edvel\u201d, diz Manfrinato. O megaprojeto para salvar o ecossistema da on\u00e7a-preta \u00e9 uma utopia, mas pode deixar de s\u00ea-lo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O holand\u00eas Ben Valks conta que h\u00e1 15 anos vivia em Dubai, onde dirigia uma<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":54564,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/onca_preta.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/onca_preta-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/onca_preta-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/onca_preta.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/onca_preta.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/onca_preta.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/onca_preta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/onca_preta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/onca_preta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/onca_preta.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O holand\u00eas Ben Valks conta que h\u00e1 15 anos vivia em Dubai, onde dirigia uma","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54563"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54563"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54563\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}