{"id":54490,"date":"2016-11-26T09:03:38","date_gmt":"2016-11-26T12:03:38","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=54490"},"modified":"2016-11-26T09:03:38","modified_gmt":"2016-11-26T12:03:38","slug":"a-araucaria-e-a-erosao-genetica-que-destroi-a-mata-atlantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-araucaria-e-a-erosao-genetica-que-destroi-a-mata-atlantica\/","title":{"rendered":"A arauc\u00e1ria e a eros\u00e3o gen\u00e9tica que destr\u00f3i a Mata Atl\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"author_alias\">Por Jo\u00e3o de Deus<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-50433 \" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/P%C3%B4r-do-Sol-Tel%C3%AAmaco-Borba-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/P\u00f4r-do-Sol-Tel\u00eamaco-Borba-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/P\u00f4r-do-Sol-Tel\u00eamaco-Borba-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/P\u00f4r-do-Sol-Tel\u00eamaco-Borba-600x400.jpg 600w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/P\u00f4r-do-Sol-Tel\u00eamaco-Borba-278x185.jpg 278w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/P\u00f4r-do-Sol-Tel\u00eamaco-Borba.jpg 1152w\" alt=\"P\u00f4r-do Sol - Tel\u00eamaco Borba\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p>Muito se discute sobre a conserva\u00e7\u00e3o da <em>Araucaria angustifolia<\/em> \u2013 o conhecido pinheiro-brasileiro ou pinheiro-do-Paran\u00e1. H\u00e1 quem ache exagero considerar a esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, valendo-se do argumento de que \u201cexistem muitas \u00e1rvores por a\u00ed\u201d. Mas ser\u00e1 que os que declaram isso j\u00e1 ouviram falar em eros\u00e3o gen\u00e9tica?<\/p>\n<p>\u201cEros\u00e3o\u201d \u00e9 um termo latino que define a a\u00e7\u00e3o ou efeito de erodir, corroer, destruir, consumir e gastar de forma lenta e cont\u00ednua. Bastante empregado na geologia, ele indica o processo de desgaste que transforma e modela a crosta terrestre, desencadeado pela a\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, dos ventos e das geleiras, por exemplo. Em sentido figurado, o termo tamb\u00e9m tem sido empregado para designar desgaste, deteriora\u00e7\u00e3o ou destrui\u00e7\u00e3o. Mesmo no contexto geol\u00f3gico, a eros\u00e3o, quando induzida por atividades humanas, \u00e9 considerada um dos principais problemas da destrui\u00e7\u00e3o ambiental, j\u00e1 que o solo \u00e9 base para a vida no planeta.<\/p>\n<p><strong>Eros\u00e3o gen\u00e9tica<\/strong><\/p>\n<p>Plantas e animais s\u00e3o afetados em virtude dos impactos da destrui\u00e7\u00e3o de habitats, promovido pela convers\u00e3o de paisagens naturais em prol da expans\u00e3o da agricultura, da pecu\u00e1ria, obten\u00e7\u00e3o de madeira, constru\u00e7\u00e3o de rodovias, cidades, dentre outras atividades humanas. Esse processo que reduz a variabilidade das esp\u00e9cies ganha o nome de eros\u00e3o gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o madeireira, ao provocar a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de indiv\u00edduos de uma popula\u00e7\u00e3o, favorece a perda de varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. Dessa forma, os remanescentes ficam com tamanho inferior ao m\u00ednimo adequado para que as esp\u00e9cies mantenham sua continuidade e evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No longo prazo, os efeitos s\u00e3o ampliados com o aumento da endogamia, o fen\u00f4meno associado \u00e0 maior probabilidade de autofecunda\u00e7\u00e3o e acasalamento entre indiv\u00edduos aparentados. Configura-se, assim, a perda significativa da diversidade, ainda que, tecnicamente, n\u00e3o se tenha a extin\u00e7\u00e3o da referida esp\u00e9cie. O bi\u00f3logo <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Edward_Osborne_Wilson\">Edward Wilson<\/a> afirma que quando reconhecemos oficialmente uma esp\u00e9cie como amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, na maioria dos casos, ela j\u00e1 est\u00e1 \u00e0 beira do desaparecimento.<\/p>\n<p>Nas esp\u00e9cies da Mata Atl\u00e2ntica, s\u00e3o restritos os estudos sobre quantifica\u00e7\u00e3o da perda da diversidade gen\u00e9tica pela fragmenta\u00e7\u00e3o e sobre a diverg\u00eancia gen\u00e9tica interpopulacional. No que se refere ao cen\u00e1rio dos Campos Naturais, um dos ecossistemas que integram o bioma, esse conhecimento simplesmente inexiste. O que se sabe, no entanto, \u00e9 que em menos de cem anos, a arauc\u00e1ria teve parte importante de sua diversidade gen\u00e9tica original perdida, principalmente, em virtude da explora\u00e7\u00e3o madeireira predat\u00f3ria e da dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o da cobertura original do ecossistema. A esp\u00e9cie j\u00e1 perdeu 97% do seu ambiente original no Brasil. \u00c1rvores com genes respons\u00e1veis por caracter\u00edsticas particulares, como produ\u00e7\u00e3o superior de pinh\u00f5es e madeira, foram priorizadas para o corte, j\u00e1 que forneciam madeira de melhor qualidade e em maior quantidade. Dados j\u00e1 publicados apontam uma perda gen\u00e9tica superior a 50% na variabilidade da \u00e1rvore.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas agravam a situa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A continuidade das a\u00e7\u00f5es humanas predat\u00f3rias e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas agrava ainda mais essa condi\u00e7\u00e3o. Enquanto as altera\u00e7\u00f5es do clima dificultam a sobreviv\u00eancia das con\u00edferas pelo mundo, pragas e doen\u00e7as se tornam uma crescente amea\u00e7a, especialmente em \u00e1reas sujeitas a eventos extremos ou com amplia\u00e7\u00e3o das temperaturas m\u00e9dias. Na Floresta com Arauc\u00e1ria, s\u00e3o raros os fragmentos com \u00e1rea superior a 100 hectares. A maioria situa-se entre cinco e dez, e quase sempre isolados, o que compromete ainda mais a situa\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 a pr\u00f3pria, mas muitas outras a ela associadas, como a canela-preta (<em>Ocotea catharinensis<\/em>), a imbuia (<em>Ocotea porosa<\/em>), a canela-sassafr\u00e1s (<em>Ocotea odorifera<\/em>), o xaxim (<em>Dicksonia sellowiana<\/em>) e at\u00e9 animais, como o macuco (<em>Tinamus solitarius<\/em>), os inhambus (<em>Crypturellus spp.)<\/em>, a jacutinga (<em>Aburria jacutinga<\/em>), entre outros.<\/p>\n<p>A conserva\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica dessas esp\u00e9cies raras e amea\u00e7adas precisa ser assegurada. Trata-se de exemplares que devem ser resgatados e cuidados como um patrim\u00f4nio, sem sofrer com novas perdas. Apesar de apresentar efeitos extremamente dr\u00e1sticos, em alguns casos, a eros\u00e3o gen\u00e9tica pode ser atenuada ou revertida, portanto, a constata\u00e7\u00e3o dessa condi\u00e7\u00e3o precisa induzir pol\u00edticas p\u00fablicas e a\u00e7\u00f5es en\u00e9rgicas imediatas.<\/p>\n<p>De uma vez por todas, precisamos assumir um compromisso que impe\u00e7a o favorecimento de um cen\u00e1rio ainda mais ca\u00f3tico e completamente irrevers\u00edvel para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jo\u00e3o de Deus Muito se discute sobre a conserva\u00e7\u00e3o da Araucaria angustifolia \u2013 o<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Jo\u00e3o de Deus Muito se discute sobre a conserva\u00e7\u00e3o da Araucaria angustifolia \u2013 o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54490"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54490"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54490\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}