{"id":54149,"date":"2016-11-20T12:11:11","date_gmt":"2016-11-20T15:11:11","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=54149"},"modified":"2016-11-20T12:12:04","modified_gmt":"2016-11-20T15:12:04","slug":"indios-do-para-criaram-organizacao-para-fiscalizar-e-conter-o-desmatamento-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/indios-do-para-criaram-organizacao-para-fiscalizar-e-conter-o-desmatamento-na-amazonia\/","title":{"rendered":"\u00cdndios do Par\u00e1 criaram organiza\u00e7\u00e3o para fiscalizar e conter o desmatamento na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/indios-do-para-criaram-organizacao-para-fiscalizar-e-conter-o-desmatamento-na-amazonia\/detetive\/\" rel=\"attachment wp-att-54150\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-54150\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/detetive-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/detetive-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/detetive.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Entre o final de 2014 e o in\u00edcio de 2016, opera\u00e7\u00f5es do <a href=\"https:\/\/servicos.ibama.gov.br\/ctf\/sistema.php\">IBAMA<\/a> em parceria com a <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/policia_federal_brasil\/a\">Pol\u00edcia Federal<\/a> conseguiram capturar duas grandes quadrilhas de criminosos ambientais operando em regi\u00f5es pr\u00f3ximas \u00e0 BR-163, rodovia que liga Cuiab\u00e1 (MT) a Santar\u00e9m (PA), na <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/amazonia\/a\">Amaz\u00f4nia<\/a>. As autoridades, no entanto, sabem que h\u00e1 muitas outras espalhadas nestas \u00e1reas. Contando com a sofistica\u00e7\u00e3o de monitoramento por sat\u00e9lite, a amizade e as <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/redes_sociales\/a\">redes sociais<\/a>, fiscais do IBAMA e \u00edndios Kayap\u00f3 querem ser um projeto-piloto de parceria na defesa dos territ\u00f3rios de floresta que ainda resistem no Par\u00e1.<\/p>\n<h3>Curu\u00e1 Livre<\/h3>\n<p>&#8220;Preparem-se para ver o inferno&#8221;, avisa Luciano Evaristo, diretor de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental do IBAMA, no caminho para o garimpo Esperan\u00e7a IV. De um sobrevoo de helic\u00f3ptero \u00e9 poss\u00edvel ver uma l\u00edngua de tonalidade marrom entrando pelo rio Curu\u00e1, consequ\u00eancia da contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario. Do alto, avista-se o corpo de um boi morto na beira da \u00e1gua, que provavelmente bebeu \u00e1gua contaminada. Capivaras nadam em piscinas azul turquesa &#8211; as bacias de rejeito t\u00edpicas de garimpo. &#8220;V\u00e3o ficar radioativas&#8221;, ironiza Evaristo em tom triste. At\u00e9 o ar exala devasta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|video\" class=\"sumario_video centro\">\n<div id=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_91g40YJaPA\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>O uso do merc\u00fario na separa\u00e7\u00e3o do ouro em garimpos \u00e9 controlado pelo IBAMA. O metal \u00e9 t\u00f3xico. Na lista do que pode causar em seres humanos est\u00e1 paralisia cerebral, surdez, cegueira, danos motores, ataques card\u00edacos e problemas renais. No Esperan\u00e7a IV, que tinha licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o expedida pelo munic\u00edpio de Altamira, foi apreendido merc\u00fario. O garimpo foi embargado e multado em 50 milh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p>Era fim de agosto e terminava a opera\u00e7\u00e3o Curu\u00e1 Livre, do IBAMA, que havia sido motivada por uma den\u00fancia certeira dos \u00edndios Kayap\u00f3, da Terra Ind\u00edgena Mekr\u00e3gnoti. O nome da opera\u00e7\u00e3o vem do rio Curu\u00e1, contaminado pelo garimpo e que banha a reserva. Outro objetivo da Curu\u00e1 Livre foi revisitar as \u00e1reas que haviam sido griladas por <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/10\/21\/politica\/1477083654_412438.html\" target=\"_blank\">Ant\u00f4nio Junqueira Vilela Filha, vulgo Jotinha, chef\u00e3o de rec\u00e9m desbaratada quadrilha<\/a>, e homem a sofrer o maior valor em multa ambiental por desmatamento ilegal na Amaz\u00f4nia, um total de R$ 119,8 milh\u00f5es. Ele est\u00e1 preso em <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sao_paulo\/a\">S\u00e3o Paulo<\/a>, mas o IBAMA desconfiava que as suas fazendas, mesmo embargadas, continuavam em funcionamento.<\/p>\n<p>Os garimpeiros do Esperan\u00e7a IV e o grileiro paulista t\u00eam algo em comum: seus crimes foram descobertos pelos vigilantes Kayap\u00f3.<\/p>\n<h3>Amizade, sat\u00e9lite e whatsapp<\/h3>\n<p>Foi gra\u00e7as \u00e0 Curu\u00e1 Livre que Luciano Evaristo fez seu primeiro retorno \u00e0 terra dos \u00edndios que o haviam ajudado a capturar Jotinha um m\u00eas antes. A recep\u00e7\u00e3o foi calorosa, pois os Kayap\u00f3 se tornaram pr\u00f3ximos do diretor do IBAMA. A liga\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio em 2014, no escrit\u00f3rio de Bras\u00edlia, quando chegaram com pintura de guerra e munidos de arcos e flechas para denunciar o grileiro. Evaristo confiou nos \u00edndios e deu certo. Come\u00e7ou ali uma bem-sucedida parceria.<\/p>\n<p>Dototakakyre Kayap\u00f3, conhecido como Dot\u00f4, liderava os ind\u00edgenas durante a ida deles \u00e0 Bras\u00edlia. Ele relembra o sentimento que os movia: \u201cTinha invas\u00e3o dos grileiros ao redor da terra ind\u00edgena. A gente estava preservando, n\u00e3o queria que os grileiros passassem para o nosso lado\u201d, conta. \u201cFoi nesse momento que a gente chegou na parceria com o Luciano Evaristo para ajudar a defender a floresta\u201d.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Na BR-163, Kayap\u00f3 \u00e9 detetive\" src=\"http:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2016\/11\/16\/politica\/1479314059_776039_1479314937_sumario_normal.jpg\" srcset=\" http:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2016\/11\/16\/politica\/1479314059_776039_1479314937_sumario_normal_recorte1.jpg 720w , http:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2016\/11\/16\/politica\/1479314059_776039_1479314937_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Na BR-163, Kayap\u00f3 \u00e9 detetive\" width=\"638\" height=\"425\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">Marcio Isensee e S\u00e1<\/span> <\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Entre 2013 e 2016 foram mais de 180 autos de infra\u00e7\u00e3o lavrados pelo IBAMA em um raio de at\u00e9 10 km do entorno de Mekr\u00e3gnoti, 27 dos quais dentro da terra ind\u00edgena. A partir de 2014, grande parte destas a\u00e7\u00f5es foram oriundas de den\u00fancias dos pr\u00f3prios ind\u00edgenas. Luciano diz que n\u00e3o sabe ao certo quantas foram porque nada disso \u00e9, digamos, protocolado no IBAMA por meios formais. O alerta do crime chega ao diretor por um grupo no <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/whatsapp\/a\">Whatsapp<\/a> dele com os \u00edndios. &#8220;S\u00e3o tantas mensagens que eu j\u00e1 tive at\u00e9 que pedir para sair do grupo&#8221;, confessa Evaristo.<\/p>\n<h3><strong>Embargadas, mas nem tanto<\/strong><\/h3>\n<p>Durante a Curu\u00e1 Livre, os fiscais do IBAMA vistoriaram quatro \u00e1reas atribu\u00eddas a Jotinha, que j\u00e1 estavam embargadas. Em todas encontraram algo fora da lei. Pasto em forma\u00e7\u00e3o, sinais de inc\u00eandio criminoso, cercas, ramal de estrada adentrando \u00e1rea desmatada ilegalmente, gado e&#8230; gente. Em uma das fazendas, encontraram Leandro, que se disse funcion\u00e1rio do lugar e apontou o dedo para uma suposta propriet\u00e1ria, que teria arrendado a terra de fazendeiros de Santa Catarina. Com Leandro foram encontradas motosserras, espingarda e muni\u00e7\u00e3o. Nada tinha documenta\u00e7\u00e3o. Ele assumiu que colocou fogo na \u00e1rea. No total, 800 bois se alimentavam nos pastos da fazenda embargada.<\/p>\n<p>Leandro deveria ter sido levado para a delegacia localizada em Castelo dos Sonhos, mas ele ficou por l\u00e1 mesmo, por falta de lugar no helic\u00f3ptero, tempo ou combust\u00edvel suficiente para levar o homem at\u00e9 a cidade e voltar para resgatar os fiscais. A equipe do IBAMA tamb\u00e9m cogitou pernoitar no lugar, mas essa op\u00e7\u00e3o os expunha ao risco de serem atacados.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 que fiscais v\u00e3o embora, mas grileiros e seus agentes ficam.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"O Instituto Kabu desde 2008 representa as aldeias da TI Mekr\u00e3gnoti. Al\u00e9m de atividades de monitoramento, o Instituto apoia a\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o da cultura e do territ\u00f3rio kayap\u00f3.\" src=\"http:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2016\/11\/16\/politica\/1479314059_776039_1479315037_sumario_normal.jpg\" srcset=\" http:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2016\/11\/16\/politica\/1479314059_776039_1479315037_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, http:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2016\/11\/16\/politica\/1479314059_776039_1479315037_sumario_normal_recorte2.jpg 720w , http:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2016\/11\/16\/politica\/1479314059_776039_1479315037_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"O Instituto Kabu desde 2008 representa as aldeias da TI Mekr\u00e3gnoti. Al\u00e9m de atividades de monitoramento, o Instituto apoia a\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o da cultura e do territ\u00f3rio kayap\u00f3.\" width=\"639\" height=\"427\" \/>O Instituto Kabu desde 2008 representa as aldeias da TI Mekr\u00e3gnoti. Al\u00e9m de atividades de monitoramento, o Instituto apoia a\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o da cultura e do territ\u00f3rio kayap\u00f3. <span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">Marcio Isensee e S\u00e1<\/span> <\/span><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\"><\/div>\n<\/section>\n<p>Com as vistorias em terras griladas por Jotinha, o IBAMA percorre um tr\u00e2mite de a\u00e7\u00f5es e de burocracia legal que permitir\u00e3o aos agentes do \u00f3rg\u00e3o seguir a recomenda\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico para o caso: destruir cercas, casas e todo tipo de constru\u00e7\u00f5es e equipamentos encontrados nessas terras.<\/p>\n<h3>Daqui pra frente<\/h3>\n<p>Dot\u00f4 herdou o nome do av\u00f4, que por sua vez achou bonita a alcunha de um certo Doutor Bruno, m\u00e9dico do Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao \u00cdndio (SPI) -\u00f3rg\u00e3o que na \u00e9poca da ditadura militar funcionava como a FUNAI- que frequentava a aldeia quando era mais jovem, e resolveu incorporar o Dot\u00f4 ao pr\u00f3prio nome. Dot\u00f4, o neto, saiu da Terra Ind\u00edgena Mekr\u00e3gnoti para o munic\u00edpio de Novo Progresso quando tinha cinco anos de idade, por incentivo deste mesmo av\u00f4. L\u00e1 aprendeu portugu\u00eas e se envolveu com a cultura do branco. Aos dezoito foi oficialmente contratado pela FUNAI para atuar na interlocu\u00e7\u00e3o com os Kayap\u00f3, onde trabalhou por vinte anos.<\/p>\n<p>Em parte, os Kayap\u00f3 vigiam suas terras circulando no entorno regularmente, indo e voltando de cidades mais pr\u00f3ximas como Novo Progresso e Castelo dos Sonhos, onde moram alguns. Mas h\u00e1 um refor\u00e7o extra, o <a href=\"http:\/\/www.kabu.org.br\/\">Instituto Kabu<\/a>, uma organiza\u00e7\u00e3o dirigida pelos \u00edndios para representar as dez aldeias que comp\u00f5em a Terra Ind\u00edgena Mekr\u00e3gnoti. Na sede do Instituto, em Novo Progresso, fica a &#8220;central de intelig\u00eancia Kayap\u00f3&#8221;, como brinca Evaristo. O Kabu conta com equipamentos comprados com recursos do Plano B\u00e1sico Ambiental (PBA) da BR-163. De l\u00e1, profissionais de geoprocessamento monitoram com imagens de sat\u00e9lites o que acontece dentro e tamb\u00e9m pr\u00f3ximo \u00e0s terras dos \u00edndios.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 em 2014 eu tomei conhecimento do sistema que eles tinham e vi que este trabalho tinha potencial de ganhar a parceria do IBAMA&#8221;, conta Evaristo. Os Kayap\u00f3 n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos \u00edndios a fazerem este tipo de monitoramento. O que chama a aten\u00e7\u00e3o no caso deles \u00e9 o qu\u00e3o bem preservadas mant\u00eam suas terras. &#8220;S\u00e3o 6 milh\u00f5es e meio de hectares totalmente intactos&#8221;, diz Evaristo, em refer\u00eancia ao tamanho da soma das duas terras ind\u00edgenas da etnia quase cont\u00edguas &#8211; Mekr\u00e3gnoti e Ba\u00fa. &#8220;Se voc\u00ea olha em volta das reservas, tudo destru\u00eddo. Dentro, tudo inteiro. Por que ser\u00e1? Os Kayap\u00f3 defendem a sua \u00e1rea&#8221;.<\/p>\n<section id=\"sumario_5|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Na BR-163, Kayap\u00f3 \u00e9 detetive\" src=\"http:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2016\/11\/16\/politica\/1479314059_776039_1479315635_sumario_normal.jpg\" srcset=\" http:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2016\/11\/16\/politica\/1479314059_776039_1479315635_sumario_normal_recorte1.jpg 720w , http:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2016\/11\/16\/politica\/1479314059_776039_1479315635_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Na BR-163, Kayap\u00f3 \u00e9 detetive\" width=\"638\" height=\"425\" \/><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Em parceria com o Instituto Kabu, Evaristo prop\u00f5e agora um projeto-piloto de pagamento aos Kayap\u00f3 por servi\u00e7os de monitoramento e vigil\u00e2ncia da regi\u00e3o no entorno de Mekr\u00e3gnoti e Ba\u00fa: &#8220;Minha ideia \u00e9 que, assim como os vigilantes s\u00e3o remunerados no IBAMA, os \u00edndios tamb\u00e9m o sejam. \u00c9 pag\u00e1-los por um servi\u00e7o de prote\u00e7\u00e3o de terra p\u00fablica federal&#8221;.<\/p>\n<p>A proposta est\u00e1 sendo redigida. Quando a tiver em m\u00e3os, Evaristo diz que ir\u00e1 buscar o apoio do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. O dinheiro, segundo ele, poderia vir do Fundo Amaz\u00f4nia. &#8220;O tempo do &#8216;toma aqui um dinheirinho&#8217; acabou. Hoje um jovem Kayap\u00f3 tem smartphone e est\u00e1 no Facebook se comunicando com a sociedade&#8221;. Acima de tudo, Evaristo defende que \u00e9 preciso unir for\u00e7as com os \u00edndios. &#8220;Como proteger a floresta com um \u2018<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/L%27armata_Brancaleone\">ex\u00e9rcito de Brancaleone<\/a>\u2019 de agentes ambientais do IBAMA, que t\u00eam que cuidar de todos os ecossistemas do Brasil e heroicamente se revezam o ano inteiro para defender a Amaz\u00f4nia?&#8221;<\/p>\n<h3>Fartura de crime ambiental<\/h3>\n<p>Nem mesmo os recentes casos de pris\u00e3o parecem assustar quem vive de ilegalidade na Amaz\u00f4nia. Jotinha, preso em agosto de 2016, superou Castanha no quesito maior desmatador da regi\u00e3o. Castanha, grileiro paraense pego em fevereiro de 2015, era famoso por exercer influ\u00eancia em todas as esferas da vida de Novo Progresso -da rede de supermercados local \u00e0 pol\u00edcia. Neste recorte da BR-163 h\u00e1 todo tipo de atividade ilegal: garimpo, pesca e ca\u00e7a em territ\u00f3rio protegido, explora\u00e7\u00e3o de madeira e inc\u00eandios comp\u00f5em uma lista extensa.<\/p>\n<p>Em comum, o cen\u00e1rio destas atividades econ\u00f4micas revela pobreza, ignor\u00e2ncia e medo. Quando flagrados em \u00e1reas desmatadas, quem est\u00e1 no campo economiza nas explica\u00e7\u00f5es. Em geral, todos alegam que qualquer \u00e1rea aberta recentemente n\u00e3o passa de resqu\u00edcio de desmatamento antigo. Garantem que n\u00e3o sabem de boi ou venda ilegal de madeira em \u00e1reas proibidas. Nunca conhecem seus vizinhos e pouco ou nada sabem de seus patr\u00f5es. Jamais citam nomes.<\/p>\n<p>Todas estas cenas se repetiram durante os quatro dias da Opera\u00e7\u00e3o Curu\u00e1. Neste per\u00edodo, homens passaram pelo acampamento do IBAMA para prestar depoimentos, depois de pegos em flagrante desmatamento ou portando armas sem documenta\u00e7\u00e3o. Ao menos um foi levado para a delegacia de Novo Progresso, onde n\u00e3o havia delegado. \u201cA BR-163 \u00e9 terra sem lei. L\u00e1 o Estado s\u00f3 aparece ou com o IBAMA na fiscaliza\u00e7\u00e3o ou com a Pol\u00edcia Federal para prender\u201d, diz Evaristo. O diretor do IBAMA n\u00e3o sabe dizer ainda se os rastros que investiga no momento s\u00e3o de outras quadrilhas t\u00e3o grandes quanto as de Jotinha, mas tem certeza de que h\u00e1 muitas operando na regi\u00e3o da BR-163. Animado pelos sucessos recentes, mas contra o cen\u00e1rio que ele pr\u00f3prio descreve, garante: &#8220;N\u00f3s vamos pegar uma por uma&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre o final de 2014 e o in\u00edcio de 2016, opera\u00e7\u00f5es do IBAMA em parceria<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":54150,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/detetive.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/detetive-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/detetive-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/detetive.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/detetive.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/detetive.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/detetive.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/detetive.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/detetive.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/detetive.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Entre o final de 2014 e o in\u00edcio de 2016, opera\u00e7\u00f5es do IBAMA em parceria","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54149"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54149"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54149\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54150"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}