{"id":53971,"date":"2016-11-18T19:52:48","date_gmt":"2016-11-18T22:52:48","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=53971"},"modified":"2016-11-18T19:53:21","modified_gmt":"2016-11-18T22:53:21","slug":"carlos-rittl-o-brasil-ainda-nao-tem-plano-so-uma-meta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/carlos-rittl-o-brasil-ainda-nao-tem-plano-so-uma-meta\/","title":{"rendered":"Carlos Rittl: O Brasil \u201cainda n\u00e3o tem plano, s\u00f3 uma meta\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por Carolina de Barros e Alexandre Gon\u00e7alves Jr, direto de Marrakech, especial para a Envolverde e para o Projeto C\u00e1sper L\u00edbero na COP 22 \u2013\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O Brasil assinou o Acordo de Paris e junto dele prop\u00f4s metas para contribuir com a mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Entre elas, est\u00e1 o fim do desmatamento ilegal e a redu\u00e7\u00e3o de 43% de di\u00f3xido de carbono em rela\u00e7\u00e3o a 2005, at\u00e9 o 2030. O secret\u00e1rio-executivo do Observat\u00f3rio do Clima, Carlos Rittl, acredita que as metas brasileiras n\u00e3o s\u00e3o ambiciosas o suficiente e que o governo ainda n\u00e3o est\u00e1 focado como deveria nas responsabilidades com o meio-ambiente. Confira a entrevista completa:<\/p>\n<p><strong>Envolverde: Existe algum fen\u00f4meno recente no Brasil que pode ser atribu\u00eddo \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Rittl:<\/strong> Para saber isso, temos que analisar tend\u00eancias temporais. N\u00e3o s\u00f3 nos \u00faltimos cinco anos, mas nos \u00faltimos 10 ou 30 anos. \u00c9 muito dif\u00edcil atribuir essa rela\u00e7\u00e3o direta. O que podemos dizer com certeza \u00e9 que o aumento da frequ\u00eancia da intensidade dos eventos clim\u00e1ticos extremos que t\u00eam acontecido no Brasil e em todo mundo tem uma rela\u00e7\u00e3o direta\u00a0 com o aquecimento global e com a forma que ocupamos o territ\u00f3rio, como ocupa\u00e7\u00f5es de encostas e\u00a0 v\u00e1rzeas de rios, por exemplo as marginais do Tiet\u00ea e Pinheiros em S\u00e3o Paulo. Essa ocupa\u00e7\u00e3o desordenada junto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas torna o risco de eventos cada vez maiores. Esse ano tivemos ressacas fort\u00edssimas no Sul do Brasil, Rio de Janeiro, Nordeste. A seca\u00a0 no Nordeste, que parece uma normalidade, j\u00e1 que sempre ouvimos falar de seca no semi\u00e1rido, \u00e9 consequ\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Em algumas regi\u00f5es, \u00e9 a pior seca em 90 anos.\u00a0 Al\u00e9m disso, em S\u00e3o Paulo acontecem microexplos\u00f5es, que \u00e9 aquela chuva muito forte com ventania que provoca a queda de centenas de \u00e1rvores. Tudo isso \u00e9 uma fotografia do que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 trazem e no futuro podem trazer com mais frequ\u00eancia, intensidade e custos.<\/p>\n<p><strong>E: Segundo dados do SEEG publicados pelo Observat\u00f3rio do Clima, o Brasil em 2015 aumentou as emiss\u00f5es em 3.5%. Qual o impacto desse aumento no cumprimento das NDCs do Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CR:<\/strong> O aumento de 3.5% congrega todos os gases da unidade do di\u00f3xido de carbono equivalente. Voc\u00ea traduz o potencial de aquecimento global de todos gases na unidade di\u00f3xido de carbono, ent\u00e3o, tem di\u00f3xido de carbono, metano e outros gases a\u00ed nessa conta. O que preocupa nesse aumento das emiss\u00f5es \u00e9 que ele ocorre em um per\u00edodo de recess\u00e3o econ\u00f4mica, associado ao aumento da taxa de desmatamento, que \u00e9 intoler\u00e1vel. Estamos chegando a 7 mil km\u00b2 de \u00e1reas destru\u00eddas na Amaz\u00f4nia no \u00faltimo ano! E provavelmente uma \u00e1rea de entre 5 e 6 mil km\u00b2 destru\u00eddas por ano no Cerrado e na Mata Atl\u00e2ntica. Embora as metas da NDCs sejam s\u00f3 para depois de 2020, assim como de todos os pa\u00edses no \u00e2mbito do Acordo de Paris, as taxas de emiss\u00f5es brasileiras anuais mostram que a gente ainda n\u00e3o est\u00e1 promovendo a transi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria na economia e nas atividades econ\u00f4micas para um rumo da descarboniza\u00e7\u00e3o. Precisamos mudar a forma como usamos recursos naturais e como se produz e consome no Brasil. Qual o rumo da nossa economia quais s\u00e3o os pilares da nossa economia? Falamos mais de pr\u00e9-sal e de f\u00f3sseis do que de energias renov\u00e1veis, apesar das serem uma realidade no mundo cada vez maior. Por hora, o Brasil fala que ratificou o Acordo de Paris mas isso est\u00e1 muito no papel. Tirar o Acordo de Paris do papel significa, aqui na COP e nas negocia\u00e7\u00f5es, o processo evoluir. Mas, principalmente,\u00a0 a implementa\u00e7\u00e3o \u00e9 dom\u00e9stica porque a gente ainda n\u00e3o tem plano, s\u00f3 uma meta.<\/p>\n<p><strong>E: O Brasil tem a meta do desmatamento zero, que est\u00e1 longe da realidade. O que voc\u00ea acha que seria necess\u00e1rio para reverter esse quadro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CR:\u00a0<\/strong>Primeiro, \u00e9 preciso vontade pol\u00edtica. A pr\u00f3pria meta tem que ser mudada. A nossa meta \u00e9 eliminar o desmatamento ilegal, s\u00f3 na Amaz\u00f4nia e s\u00f3 em 2030. Ou seja, tolerar o crime ambiental, por mais 14 anos. E em outras regi\u00f5es sequer tem uma data para acabar com o desmatamento ilegal. Isso \u00e9 muito pouco, muito tarde. Estima-se que existam entre entre 50 e 90 milh\u00f5es de hectares de pastagens abandonadas, degradadas ou subutilizadas, que s\u00e3o \u00e1reas que se recuperadas s\u00e3o capazes de atender demandas de produ\u00e7\u00e3o de alimentos para consumo interno e exporta\u00e7\u00e3o. O que a gente precisa \u00e9 tratar mudan\u00e7as clim\u00e1ticas como um tema de desenvolvimento, \u00e9 algo que amea\u00e7a nossa qualidade de vida, traz riscos para nossa economia, mas n\u00e3o lidamos com o n\u00edvel de responsabilidade necess\u00e1ria. Ainda tratamos como agenda ambiental, mas n\u00e3o \u00e9 agenda ambiental, \u00e9 agenda de desenvolvimento. Os brasileiros v\u00e3o sofrer mais com os impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, vamos emitir mais e contribuir para que o problema se torne mais grave e assim tamb\u00e9m perderemos oportunidades econ\u00f4micas, relacionadas \u00e0 economia de baixo carbono e \u00e0s energias renov\u00e1veis. A contribui\u00e7\u00e3o do Brasil foi importante e tem que ser reconhecida, mas temos que olhar pra frente. O mundo vem se aquecendo, e se aquece de forma muito r\u00e1pida. A gente pode fazer mais e deve fazer mais. Pelo nosso pr\u00f3prio benef\u00edcio e para nossa pr\u00f3pria seguran\u00e7a, pelo bem do clima e tamb\u00e9m da economia.<\/p>\n<p><strong>E: Como est\u00e1 evoluindo essa quest\u00e3o das energias renov\u00e1veis e quais medidas pr\u00e1ticas o governo poderia fazer para que isso fosse institu\u00eddo para o cidad\u00e3o comum?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CR: <\/strong>O Brasil precisa entender que a gente n\u00e3o pode extrair at\u00e9 a \u00faltima gota do pr\u00e9-sal. Claro que os po\u00e7os onde h\u00e1 extra\u00e7\u00e3o n\u00e3o v\u00e3o se fechar do dia para a noite, mas a gente tem que ter um plano de sa\u00edda. Precisamos saber qual o limite de combust\u00edveis f\u00f3sseis que a atmosfera vai suportar em todo o planeta e qual espa\u00e7o o pr\u00e9-sal vai ocupar em uma economia que precisa descarbonizar sua matriz energ\u00e9tica, o que significa que a gente precisa parar de consumir combust\u00edveis f\u00f3sseis. Al\u00e9m disso, a energia solar est\u00e1 se tornando bem mais barata e deve ser, em menos de 10 anos, a fonte mais barata em qualquer regi\u00e3o de mundo. Junto disso tem um processo intensivo de eletrifica\u00e7\u00e3o dos transportes. Esses fatores mostram que a gente pode sair dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, seja para gerar eletricidade em nossas casas, seja para fazer um autom\u00f3vel se deslocar. Mas ainda \u00e9 muito caro e tem poucas compensa\u00e7\u00f5es. No Brasil, o m\u00e1ximo que voc\u00ea consegue fazer \u00e9 pagar o pre\u00e7o de um carro popular para colocar numa casa pequena pain\u00e9is solares, o que obviamente n\u00e3o \u00e9 todo mundo que pode. A economia ser\u00e1 descontada da futura conta de energia, com limita\u00e7\u00e3o. Ou seja, diferente do sistema americano ou europeu, no Brasil voc\u00ea n\u00e3o tem nenhum benef\u00edcio econ\u00f4mico e quando tem \u00e9 muito pequeno. O tempo que leva para pagar o investimento \u00e9 de quatro, cinco ou at\u00e9 20 anos. Quem investe hoje, investe por puro amor a causa e pura preocupa\u00e7\u00e3o com o planeta. O governo deveria colocar medidas para permitir que a implementa\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a. O cidad\u00e3o comum n\u00e3o deveria precisar pagar pelo investimento, e a empresa de energia deveria comprar a energia economizada redistribu\u00ed-la, como nos outros pa\u00edses. O problema \u00e9 que a gente ainda acha que grandes obras como o pr\u00e9-sal s\u00e3o a nossa passagem para o primeiro mundo, mas n\u00e3o. O Pa\u00eds tem muito vento, muito sol, muito biomassa da madeira, da cana de a\u00e7\u00facar, muito recurso renov\u00e1vel que pode e deve ser aproveitado numa escala maior. Aproveitamos pouco as nossas energias renov\u00e1veis modernas e precisamos prioriz\u00e1-las em nossos investimentos.<\/p>\n<div id=\"attachment_216328\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 649px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-216328\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/CarlosRittil.jpg\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/CarlosRittil.jpg 721w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/CarlosRittil-300x198.jpg 300w\" alt=\"Carlos Rittl: &quot;O barco vai afundar e a nossa contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi suficiente&quot;.\" width=\"639\" height=\"422\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Carlos Rittl: \u201cO barco vai afundar e a nossa contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi suficiente\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E: Voc\u00ea acha que o Brasil vai ser capaz de cumprir as NDCs que ele prop\u00f4s no acordo de Paris? O que precisa mudar para conseguirmos realizar essas metas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CR<\/strong>: A meta do Brasil, embora comparando com as de outros pa\u00edses possa parecer melhor, n\u00e3o \u00e9 uma meta ambiciosa. Nunca foi. \u00c9 uma meta poss\u00edvel, fact\u00edvel, e\u00a0 a partir de pol\u00edticas existentes a gente conseguiria atingi-la. A recess\u00e3o econ\u00f4mica, infelizmente, vai impactar\u00a0 na nossa trajet\u00f3ria de emiss\u00f5es e deve ajudar atingir as metas com uma maior facilidade. O grande risco est\u00e1 justamente a\u00ed: a gente se acomodar. J\u00e1 estamos muito acomodados com tudo aquilo que foi feito, sem avan\u00e7ar nos investimentos, no caminho da energia renov\u00e1vel, da agricultura de baixo carbono, da restaura\u00e7\u00e3o florestal, de acabar com o desmatamento, com a maior efici\u00eancia da ind\u00fastria. A gente precisa mudar esse cen\u00e1rio. Atingir as metas das NDCs \u00e9 f\u00e1cil. N\u00e3o vai existir, hoje, nenhum grande sacrif\u00edcio, basta manter as pol\u00edticas atuais com uma ou outra pequena interven\u00e7\u00e3o, mas a gente tem que fazer mais, este \u00e9 o ponto, podemos e devemos fazer mais.<\/p>\n<p><strong>E: Ent\u00e3o voc\u00ea acha que essas metas foram metas confort\u00e1veis, n\u00e3o s\u00e3o um desafio atingi-las. O que seria esse \u201cfazer mais\u201d?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CR<\/strong>: Todos os pa\u00edses grandes emissores ter\u00e3o que fazer mais. A soma dos esfor\u00e7os de dos pa\u00edses signat\u00e1rios levam a um mundo que \u00e9 no m\u00ednimo tr\u00eas graus acima da temperatura m\u00e9dia do planeta e dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais. Isso \u00e9 o dobro do objetivo do Acordo de Paris, que \u00e9 limitar o aumento a um grau e meio. Acho que essa tem que ser a meta por quest\u00f5es morais, porque acima de um grau e meio voc\u00ea tem o risco de desaparecimento de pa\u00edses. O que precisa ser feito \u00e9 construir novos cen\u00e1rios, considerando a realidade econ\u00f4mica do Brasil. Do nosso ponto de vista, as emiss\u00f5es brasileiras t\u00eam que ser bem abaixo de um bilh\u00e3o de toneladas em 2030 para, minimamente, fazer a nossa parte. E, hoje, a gente chegaria em 2030 com muito mais que um bilh\u00e3o de tonelada. Precisamos melhorar nos agregados, na nossa contribui\u00e7\u00e3o, e focar nas a\u00e7\u00f5es que v\u00e3o entregar a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es. Parar de discutir desmatamento ilegal zero s\u00f3 em 2020 e discutir desmatamento zero e desmatamento residual pequeno agora. Ao inv\u00e9s de, digamos, trabalhar com a perspectiva de que desmatamento vai acontecer, porque que n\u00e3o se paga pelo benef\u00edcio que aquela floresta em p\u00e9 traz para o pa\u00eds e para o clima? Ent\u00e3o, a gente precisa mudar a l\u00f3gica. A agenda de desenvolvimento tem que ser a agenda de desenvolvimento da fiscaliza\u00e7\u00e3o do baixo carbono, da elimina\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es ao longo do tempo e com o aumento da nossa capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e resili\u00eancia. A gente trata isso de uma maneira muito marginal. Fala de \u201cPAC\u201d, \u201cinfraestrutura\u201d, \u201cpr\u00e9-sal\u201d, e nada disso vem conversando com agenda de clima.<\/p>\n<p><strong>E: A agricultura realmente tem uma parcela importante na economia do Brasil, mas ela tamb\u00e9m tem uma parcela importante, se n\u00e3o a maior nas emiss\u00f5es. O que voc\u00ea acha que poderia mudar nessa quest\u00e3o da agropecu\u00e1ria para que ela se tornasse mais sustent\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CR: <\/strong>A agricultura e a pecu\u00e1ria chamadas de \u201cbaixo carbono\u201d s\u00e3o nada mais, nada menos, do que atividades baseadas em um modo de produ\u00e7\u00e3o mais eficiente. Aumentar a efici\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o, como, por exemplo, o melhor manejo de pastagens. Um melhor uso de fertilizantes, que no Brasil usa fertilizantes em excesso. E medidas para recupera\u00e7\u00e3o de pastagens degradadas e solos para permitir a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, produzir melhor. Produzir melhor significa maior ganho para o produtor. Maior ganho para o produtor significa redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es e melhor economia. \u00c9 um \u201cganha-ganha\u201d. Precisa muito ampliar a assist\u00eancia t\u00e9cnica, para que as t\u00e9cnicas chamadas de \u201cbaixo carbono\u201d, como integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria-floresta ou plantio direto sejam assimiladas pelos produtores pequeno, m\u00e9dio e grande. \u00c9 necess\u00e1rio essa assist\u00eancia t\u00e9cnica, mas isso n\u00e3o tem que ser visto como um custo, tem que ser visto como um investimento. Se ao longo do tempo o produtor est\u00e1 ganhando mais e estamos emitindo menos por que n\u00e3o fazer? Se a atividade agr\u00edcola e pecu\u00e1ria destr\u00f3i a floresta que produz a \u00e1gua da qual ela depende, tem alguma coisa errada nessa equa\u00e7\u00e3o. Nesse exato momento, temos \u00e1reas do Mato Grosso e do Par\u00e1 onde produtores rurais est\u00e3o sofrendo com a combina\u00e7\u00e3o do desmatamento e o aquecimento global. Est\u00e1 trazendo efeitos de queda da produtividade, quebra de safra em algumas regi\u00f5es e \u00e9 esse cen\u00e1rio que vai acontecer se n\u00e3o revertermos essa tend\u00eancia agora. A gente desmata muito e n\u00e3o restaura. \u00c9 parar de desmatar e restaurar muita floresta. E milh\u00f5es e milh\u00f5es de hectares precisam ser restaurados em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p><strong>E: Foi muito falado sobre aumentar ambi\u00e7\u00e3o e sobre introduzir as metas de uma forma mais r\u00e1pida. V\u00e1rios estudos falam que 2020 \u00e9 muito tarde pra fazer essas mudan\u00e7as. Ent\u00e3o, o que voc\u00ea acha que o Brasil deveria mudar nesse sentido, tanto de aumentar a ambi\u00e7\u00e3o de diminuir emiss\u00f5es, quanto em agilizar esse processo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CR: <\/strong>Est\u00e1 previsto aqui na Conven\u00e7\u00e3o de Clima o chamado \u201cdi\u00e1logo facilitado\u201d sobre ambi\u00e7\u00e3o a mais necess\u00e1ria para atingir os objetivos do Acordo de Paris. Isso deve acontecer em 2018. O que o Brasil deveria fazer ainda aqui em Marrakech, durante a COP22, \u00e9 contribuir para que esse processo de 2018 n\u00e3o seja uma simples conversa, um simples encontro em que as pessoas se d\u00e3o conta, mais uma vez, de que \u201colha, o que tem na mesa \u00e9 muito pouco\u201d. A gente tem uma margem muito pequena e, hoje, uma chance muito grande de n\u00e3o atingir os objetivos do Acordo de Paris. Ent\u00e3o, contribuir para que haja um di\u00e1logo que traga resultados concretos. Mesmo que, legalmente, do ponto de vista do que foi acordado em Paris n\u00e3o exista obriga\u00e7\u00e3o de antes de 2020 aumentar a ambi\u00e7\u00e3o, isso \u00e9 moralmente necess\u00e1rio por causa dos impactos que acontecem hoje. Esses impactos tendem a crescer e v\u00e3o afetar principalmente as popula\u00e7\u00f5es mais pobres. Essa \u00e9 a primeira contribui\u00e7\u00e3o. Segundo, \u00e9 come\u00e7ar um di\u00e1logo dentro de casa sobre o que n\u00f3s podemos fazer a mais, como n\u00f3s podemos fazer mais at\u00e9 chegar em 2018, colocando isso na mesa e se preparar para, em 2020, entregar mais do que tem na nossa NDC. Quando a gente olha para o lado na mesa de negocia\u00e7\u00e3o, a meta brasileira \u00e9 um pouquinho melhor, uma dire\u00e7\u00e3o, uma meta de redu\u00e7\u00e3o absoluta de emiss\u00e3o. Mas todo mundo est\u00e1 no mesmo barco e se o nosso furo \u00e9 um pouquinho menor do que o furo dos demais pa\u00edses, n\u00e3o importa. O barco vai afundar e a nossa contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi suficiente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carolina de Barros e Alexandre Gon\u00e7alves Jr, direto de Marrakech, especial para a Envolverde<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Carolina de Barros e Alexandre Gon\u00e7alves Jr, direto de Marrakech, especial para a Envolverde","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53971"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53971"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53971\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}