{"id":53865,"date":"2016-11-17T12:00:46","date_gmt":"2016-11-17T15:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=53865"},"modified":"2016-11-17T11:30:20","modified_gmt":"2016-11-17T14:30:20","slug":"brasil-ressuscita-diplomacia-do-etanol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/brasil-ressuscita-diplomacia-do-etanol\/","title":{"rendered":"Brasil ressuscita diplomacia do etanol, desta vez, repaginada"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=53866\" rel=\"attachment wp-att-53866\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-53866\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/usina_etanol-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/usina_etanol-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/usina_etanol.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ela est\u00e1 de volta. Lan\u00e7ada em 2006, no governo Lula, e esquecida em 2009 depois da descoberta do pr\u00e9-sal, a diplomacia do etanol ensaia um retorno na COP22, a confer\u00eancia do clima de Marrakesh. Desta vez, repaginada como \u201cdiplomacia da bioenergia\u201d.<\/p>\n<p>Nesta quarta-feira (16), o Brasil lan\u00e7ar\u00e1 a Plataforma do Biofuturo, uma coaliz\u00e3o de 20 pa\u00edses para incentivar a produ\u00e7\u00e3o e a comercializa\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis avan\u00e7ados de baixo carbono.<\/p>\n<p>A estrela da festa \u00e9 o etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o, produzido a partir da quebra da celulose, que come\u00e7ou a ganhar escala comercial h\u00e1 dois anos e que j\u00e1 \u00e9 fabricado rotineiramente em seis usinas no mundo, duas delas no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cA tecnologia de usar material celul\u00f3sico j\u00e1 saiu do laborat\u00f3rio e chegou \u00e0 ind\u00fastria, mas ainda tem alguns problemas de escala. Queremos chamar a aten\u00e7\u00e3o do mundo para essas coisas\u201d, disse a jornalistas Renato Godinho, chefe da Divis\u00e3o de Recursos Energ\u00e9ticos do Itamaraty. Para ele, o Brasil e seus 19 parceiros na plataforma est\u00e3o formando \u201co G20 da bioenergia\u201d.<\/p>\n<p>O etanol avan\u00e7ado vinha sendo buscado por diversas institui\u00e7\u00f5es de pesquisa no Brasil na d\u00e9cada passada. Naquela \u00e9poca, quando os Estados Unidos se admitiram \u201cviciados em petr\u00f3leo\u201d e a urg\u00eancia da a\u00e7\u00e3o contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas enfim atingiu governos do mundo inteiro, foi iniciada uma corrida rumo ao Santo Graal da quebra da celulose.<\/p>\n<p>O \u00e1lcool normal, de primeira gera\u00e7\u00e3o, \u00e9 produzido pela fermenta\u00e7\u00e3o e posterior destila\u00e7\u00e3o dos a\u00e7\u00facares contidos em diversas plantas, como cana e milho. Como o carbono liberado pela sua queima \u00e9 depois reabsorvido quando a planta cresce, ele \u00e9 considerado um combust\u00edvel de baixa emiss\u00e3o de gases de efeito estufa. Por esse processo, hoje o Brasil consegue produzir 7.000 litros de \u00e1lcool por hectare de cana cultivada.<\/p>\n<p>O etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o pode turbinar esse potencial. Agora, o baga\u00e7o da cana e a palha do milho e do arroz tamb\u00e9m podem ser convertidos em \u00e1lcool, por meio do uso de enzimas que quebram a celulose (um pol\u00edmero, ou mol\u00e9cula de cadeia longa) em mol\u00e9culas de a\u00e7\u00facar que podem ser fermentadas e destiladas.<\/p>\n<p>O pa\u00eds perdeu a corrida tecnol\u00f3gica inicial do desenvolvimento de rotas enzim\u00e1ticas para a quebra da celulose, e hoje precisa comprar enzimas da Novozymes, uma empresa dinamarquesa. Ainda h\u00e1, por\u00e9m, muita pesquisa e desenvolvimento a serem feitos na \u00e1rea, inclusive na descoberta e comercializa\u00e7\u00e3o de enzimas locais. H\u00e1 pesquisas nessa linha na Embrapa, no Centro de Tecnologia do Bioetanol e em outras institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No Brasil, o etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o aumenta em 50% a produtividade, permitindo a produ\u00e7\u00e3o de 10 mil litros por hectare.<\/p>\n<p>Segundo Artur Milanez, gerente do Departamento de Biocombust\u00edveis do BNDES, o potencial te\u00f3rico imediato do Brasil, somente considerando a \u00e1rea plantada e a produtividade atual da cana, \u00e9 de 45 bilh\u00f5es de litros de etanol, se a tecnologia de segunda gera\u00e7\u00e3o fosse utilizada plenamente. \u00c9 quase o equivalente aos 50 bilh\u00f5es de litros que o pa\u00eds precisar\u00e1 produzir at\u00e9 2030 se quiser cumprir a meta de amplia\u00e7\u00e3o dos biocombust\u00edveis de sua NDC (Contribui\u00e7\u00e3o Nacionalmente Determinada).<\/p>\n<p>Atingir esse potencial, por\u00e9m, depender\u00e1 de superar uma s\u00e9rie de barreiras. A primeira delas \u00e9 interna: o etanol celul\u00f3sico \u00e9 produzido em pequenas quantidades \u2013 uma das plantas brasileiras, da Ra\u00edzen, produzir\u00e1 apenas 20 milh\u00f5es de litros em 2017. A amplia\u00e7\u00e3o dessa oferta interna esteve limitada tamb\u00e9m pela crise do etanol, que come\u00e7ou a ser superada em 2015 e foi uma das raz\u00f5es para a queda das emiss\u00f5es do setor de energia no Brasil naquele ano, segundo dados do SEEG (Sistema de Estimativa de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa do Observat\u00f3rio do Clima). Mas ainda depende de incentivos fiscais, algo que hoje est\u00e1 fora de cogita\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o \u00e9 o tamanho do mercado potencial externo. O Brasil hoje \u00e9 o segundo maior produtor de etanol, mas exporta apenas 10% de sua produ\u00e7\u00e3o. Diversos potenciais consumidores, como a Alemanha, t\u00eam adotado restri\u00e7\u00f5es \u00e0 entrada de biocombust\u00edveis na matriz de transporte. Isso se deve a temores de que as culturas usadas para extra\u00ed-los, como o dend\u00ea, que s\u00e3o mais lucrativas, desloquem a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e provoquem uma corrida \u00e0s terras no mundo tropical, prejudicando pequenos agricultores \u2013 como de fato ocorreu na \u00c1frica.<\/p>\n<p>No Brasil, havia o temor de que o \u00e1lcool pudesse induzir desmatamento na Amaz\u00f4nia ou no entorno do Pantanal, algo que foi afastado ainda no governo Lula com o zoneamento da cana, que excluiu essas \u00e1reas \u2013 apesar de os ruralistas no Congresso nunca terem desistido de expandir o plantio para esta \u00faltima regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Por fim, h\u00e1 um risco de mercado no futuro, advindo das pr\u00f3prias mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas no setor de energia: o de que a produ\u00e7\u00e3o de etanol celul\u00f3sico atinja seu pico num momento em que o motor a explos\u00e3o estiver saindo de cena.<\/p>\n<p>Segundo a Ag\u00eancia Internacional de energia, a quantidade de carros el\u00e9tricos rodando no mundo em 2015 chegou a 1,3 milh\u00e3o, o dobro do n\u00famero que havia no ano anterior. Estima-se que essa cifra, sem nenhuma pol\u00edtica adicional de incentivo, atinja 150 milh\u00f5es em 2040 (mais do que o triplo da frota de ve\u00edculos leves do Brasil hoje). Caso medidas mais amplas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es sejam adotadas, esse n\u00famero pode chegar a 715 milh\u00f5es, reduzindo o consumo de combust\u00edveis no transporte em 6 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo por dia. Nesse cen\u00e1rio, o etanol seria prejudicado.<\/p>\n<p>Godinho e Milanez apostam em que esse risco seja baixo e de longo prazo. O Brasil n\u00e3o trabalha com cen\u00e1rios de uma troca maci\u00e7a de autom\u00f3veis por carros el\u00e9tricos antes de 2050. \u201cAinda que a eletrifica\u00e7\u00e3o pare\u00e7a fazer sentido hoje, quem vai definir isso \u00e9 o mercado\u201d, disse Milanez. \u201cOs biocombust\u00edveis s\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o imediata, e o clima n\u00e3o espera\u201d, afirmou Godinho. Ambos consideram que, mesmo que houvesse substitui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a nos ve\u00edculos leves, os biocombust\u00edveis ainda ter\u00e3o muito tempo de vida nos setores de transporte de carga e de avia\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 mercado para sempre\u201d, prosseguiu o diplomata.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela est\u00e1 de volta. 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