{"id":53698,"date":"2016-11-14T13:30:11","date_gmt":"2016-11-14T16:30:11","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=53698"},"modified":"2016-11-14T10:35:19","modified_gmt":"2016-11-14T13:35:19","slug":"jornais-ajudam-a-decifrar-subida-do-oceano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/jornais-ajudam-a-decifrar-subida-do-oceano\/","title":{"rendered":"Jornais ajudam a decifrar mar\u00e9s altas e ressacas em Santos e Fortaleza"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=53699\" rel=\"attachment wp-att-53699\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-53699\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/oceano-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/oceano-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/oceano-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisa em recortes antigos mostra n\u00famero crescente de relatos de mar\u00e9s altas e ressacas em Santos e Fortaleza nas \u00faltimas 3 d\u00e9cadas; dados devem integrar relat\u00f3rio de painel brasileiro do clima<\/p>\n<p>Cientistas brasileiros em busca de informa\u00e7\u00f5es sobre como o n\u00edvel do mar variou no pa\u00eds ao longo do \u00faltimo s\u00e9culo est\u00e3o apelando para uma base de dados heterodoxa: na aus\u00eancia de um registro sistem\u00e1tico de mar\u00e9s e ondas, eles est\u00e3o usando recortes antigos de jornal.<\/p>\n<p>E o que estes mostram \u00e9 uma tend\u00eancia crescente no n\u00famero de eventos. Em Santos, no litoral paulista, o n\u00famero de ressacas por ano cresceu de 1 para 10 entre 1961 e 2015. Em Fortaleza, o n\u00famero de dias com ressaca subiu de 1 em 1960 para 19 em 2009.<\/p>\n<p>Os dados devem compor o relat\u00f3rio do PBMC (Painel Brasileiro de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas) sobre vulnerabilidade da zona costeira brasileira. O documento ser\u00e1 publicado em 2017. Algumas de suas informa\u00e7\u00f5es preliminares foram apresentadas durante a COP22, em Marrakesh, pelo climatologista Jos\u00e9 Marengo, do Cemaden (Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).<\/p>\n<p>As s\u00e9ries de dados foram montadas por uma aluna de Marengo. Elas mostram que Fortaleza tem uma tend\u00eancia ao aumento no n\u00famero de dias com ressaca muito marcada ap\u00f3s 1983, enquanto Santos tem picos de ocorr\u00eancia em ressacas e mar\u00e9s altas (quando os ventos empurram mais \u00e1gua no sentido da costa, elevando o n\u00edvel do mar) a partir do final da d\u00e9cada de 1970 e depois, de forma muito marcada, do ano 2000 em diante.<\/p>\n<p>\u201cEstou pensando em inclu\u00ed-los, mas com todos os sen\u00f5es\u201d, disse Marengo ao OC. O principal deles, claro, \u00e9 que n\u00e3o se trata de dados exatamente cient\u00edficos. Buscar informa\u00e7\u00f5es da imprensa sobre os eventos extremos, prossegue Marengo, diz mais sobre a percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o do que sobre a frequ\u00eancia desses eventos.<\/p>\n<div id=\"attachment_216135\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 649px;\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Fortaleza.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-216135 \" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Fortaleza-1024x684.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Fortaleza.jpg 1024w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Fortaleza-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Fortaleza-272x182.jpg 272w\" alt=\"fortaleza\" width=\"639\" height=\"427\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">For\u00e7a do mar em Fortaleza<\/p>\n<\/div>\n<p>Por exemplo, em 1928, quando come\u00e7a o registro de Santos nas hemerotecas, n\u00e3o havia tanto patrim\u00f4nio \u00e0 beira-mar que pudesse ser danificado e virar not\u00edcia. O quadro para o final do s\u00e9culo passado e o come\u00e7o deste \u00e9 completamente distinto.<\/p>\n<p>De qualquer maneira, h\u00e1 tempos a ci\u00eancia se serve de registros hist\u00f3ricos informais para ajudar a compor uma imagem de como o clima variou no passado. Essas informa\u00e7\u00f5es v\u00e3o desde anota\u00e7\u00f5es de temperatura do mar feitas por navegadores at\u00e9 registros feitos por padres na Europa no s\u00e9culo 18 sobre calor, frio ou precipita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi gra\u00e7as a registros desse tipo que a grande seca que afetou o Brasil e outras partes do mundo entre 1877 e 1879 foi caracterizada. Hoje sabe-se, devido \u00e0 coincid\u00eancia entre os relatos, que essa seca provavelmente foi causada por um forte El Ni\u00f1o. Ela est\u00e1 na origem dos movimentos messi\u00e2nicos do Nordeste do final do s\u00e9culo 19 que culminaram na Guerra de Canudos (1896-1897).<\/p>\n<p>No caso da eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, um risco importante para o Brasil \u2013 que tem 25% da popula\u00e7\u00e3o vivendo no litoral \u2013 recorrer a hemerotecas e outros tipos de relato informal pode ajudar a preencher lacunas grandes. \u201cTivemos muita dificuldade para conseguir informa\u00e7\u00e3o\u201d, disse Marengo. \u201cO registro \u00e9 t\u00e3o incompleto que n\u00e3o d\u00e1 para montar um quadro.\u201d<\/p>\n<p>O pa\u00eds n\u00e3o disp\u00f5e de uma rede de mar\u00e9grafos (instrumentos para medir a varia\u00e7\u00e3o das mar\u00e9s) ou de ond\u00f3grafos (que medem a altura das ondas) com um registro amplo. As informa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas que existem s\u00e3o pontuais e para poucas cidades. E elas t\u00eam relev\u00e2ncia crescente para o planejamento urbano: Marengo e colegas estimaram que, em 2050, uma eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar de 23 cm em Santos causaria preju\u00edzos de R$ 380 milh\u00f5es s\u00f3 em valor de im\u00f3veis na Ponta da Praia, parte nobre da cidade.<\/p>\n<p>O engenheiro V\u00edtor Zanetti, do ITA (Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica), estimou em R$ 100 bilh\u00f5es o patrim\u00f4nio em zonas de alta vulnerabilidade a ressacas e alagamentos em Santos em 2040, caso o cen\u00e1rio de emiss\u00f5es mais altas de gases-estufa projetado pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica) se concretize. No Rio, esses valores chegam a R$ 124 bilh\u00f5es, segundo c\u00e1lculos de Zanetti para o estudo Brasil 2040, encomendado pela extinta Secretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>A forte ressaca que atingiu toda a regi\u00e3o Sudeste no final de outubro, essencialmente eliminando as praias da Zona Sul do Rio e enchendo de areia a Avenida Atl\u00e2ntica, exp\u00f4s esse risco.<\/p>\n<p>Em Santos, onde moradores, prefeitura e cientistas j\u00e1 v\u00eam discutindo medidas de adapta\u00e7\u00e3o \u2013 60% da parte insular da cidade est\u00e1 a at\u00e9 5 metros do n\u00edvel do mar \u2013, o epis\u00f3dio demonstrou \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que o impacto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 muito mais do que gr\u00e1ficos em relat\u00f3rios cient\u00edficos. \u201cUm s\u00edndico de um pr\u00e9dio disse em uma das audi\u00eancias que tivemos que n\u00e3o construiria muros na frente do edif\u00edcio, porque iria estragar a fachada. Uma semana depois, o pr\u00e9dio dele alagou\u201d, conta o pesquisador do Cemaden.<\/p>\n<p>Em Fortaleza, segundo Marengo, a urbaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 a maior determinante do aumento da vulnerabilidade da costa. Em 2004, uma ressaca afetou 72 mil pessoas na cidade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da vulnerabilidade direta a inunda\u00e7\u00f5es, a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar traz outros riscos \u00e0s cidades costeiras brasileiras. Um deles \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da disponibilidade de \u00e1gua pot\u00e1vel devido \u00e0 intrus\u00e3o marinha nos aqu\u00edferos.<\/p>\n<p>\u201cAs cidades costeiras j\u00e1 est\u00e3o expostas a ressacas, eros\u00e3o costeira e intrus\u00e3o de \u00e1gua salgada. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica e a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar v\u00e3o provavelmente exacerbar esses riscos\u201d, afirmam os pesquisadores do PBMC.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa em recortes antigos mostra n\u00famero crescente de relatos de mar\u00e9s altas e ressacas em<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":53699,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/oceano-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/oceano-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/oceano-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/oceano-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/oceano-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/oceano-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/oceano-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/oceano-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/oceano-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/oceano-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisa em recortes antigos mostra n\u00famero crescente de relatos de mar\u00e9s altas e ressacas em","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53698"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53698"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53698\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53699"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53698"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53698"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53698"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}