{"id":53639,"date":"2016-11-13T11:48:50","date_gmt":"2016-11-13T14:48:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=53639"},"modified":"2016-11-13T11:48:51","modified_gmt":"2016-11-13T14:48:51","slug":"ameaca-de-extincao-de-especies-e-ainda-pior-do-que-a-iucn-imagina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/ameaca-de-extincao-de-especies-e-ainda-pior-do-que-a-iucn-imagina\/","title":{"rendered":"Amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies \u00e9 ainda pior do que a IUCN imagina"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/ameaca-de-extincao-de-especies-e-ainda-pior-do-que-a-iucn-imagina\/beija_flor-5\/\" rel=\"attachment wp-att-53640\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-53640\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/beija_flor-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/beija_flor-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/beija_flor.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O choror\u00f3-cinzento (<em>Cercomacra brasiliana<\/em>) \u00e9 uma ave end\u00eamica da Mata Atl\u00e2ntica, encontrada da regi\u00e3o central da Bahia at\u00e9 o Rio de Janeiro e classificado, por enquanto, como \u201cquase amea\u00e7ado\u201d de extin\u00e7\u00e3o. Mas a perda de habitat pode ser ainda mais grave do que a considerada na an\u00e1lise da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN, em ingl\u00eas). Esta ave e outras 209 esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros em diferentes regi\u00f5es do planeta vivem em \u00e1reas muito menores, o que representa um risco de extin\u00e7\u00e3o mais grave do que indica a Lista Vermelha de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas.<\/p>\n<p>Um estudo de pesquisadores da Duke University, da Carolina do Norte, EUA, publicado em 9 de novembro, no jornal Science Advances, demonstra que a \u00e1rea que ela pode ser encontrada \u00e9 bem menor do que a IUCN considera. Eles usaram dados de sensoreamento remoto para determinar com maior precis\u00e3o quais os ambientes onde realmente as esp\u00e9cies podem ser encontradas na \u00e1rea de ocorr\u00eancia, considerando principalmente \u00e1reas de floresta remanescentes e altitudes.<\/p>\n<p>Foram analisadas quase 600 esp\u00e9cies de aves em seis diferentes regi\u00f5es do planeta: Mata Atl\u00e2ntica, Am\u00e9rica Central, Andes Ocidentais da Col\u00f4mbia, Sumatra, Madagascar e Sudeste Asi\u00e1tico. Em comum, s\u00e3o regi\u00f5es biodiversas onde ocorre uma r\u00e1pida mudan\u00e7a no uso do solo. S\u00f3 na Mata Atl\u00e2ntica, 28 esp\u00e9cies consideradas n\u00e3o amea\u00e7adas correm na verdade risco de desaparecer.<\/p>\n<p>\u201cEla (<em>C. brasiliana<\/em>) tinha uma distribui\u00e7\u00e3o original de cerca de 100 mil quil\u00f4metros quadrados\u201d, conta o doutor em Ecologia Clinton Jenkins, um dos autores do estudo. \u201cDescobrimos que mais do que 97% dessa distribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem floresta adequada para a esp\u00e9cie, mas ela n\u00e3o est\u00e1 listada como amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o\u201d, completa. Ele cita outra ave em situa\u00e7\u00e3o parecida na Mata Atl\u00e2ntica, o fruxu (<em>Neopelma chrysolophum<\/em>) em toda a regi\u00e3o indicada de ocorr\u00eancia encontra apenas 2% de \u00e1rea com floresta adequada para viver.<\/p>\n<p>Para os autores, apesar das virtudes, os crit\u00e9rios da IUCN est\u00e3o desatualizado. Eles foram desenvolvidos h\u00e1 25 anos e deixaram de absorver avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos das \u00faltimas d\u00e9cadas, principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao uso de imagens por sat\u00e9lite. Novidades que permitiram, neste estudo, determinar com maior precis\u00e3o quais os ambientes onde realmente as esp\u00e9cies podem ser encontradas na \u00e1rea de ocorr\u00eancia.<\/p>\n<div id=\"attachment_50210\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 649px;\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-50210\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/foto2.jpg\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/foto2.jpg 350w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/foto2-300x242.jpg 300w\" alt=\"Este p\u00e1ssaro foi descrito em 2003 e j\u00e1 est\u00e1 criticamente amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o, devido ao avan\u00e7o do desmatamento.Cr\u00e9dito: Natalia Ocampo-Pe\u00f1uela\/Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"639\" height=\"515\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Este p\u00e1ssaro foi descrito em 2003 e j\u00e1 est\u00e1 criticamente amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o, devido ao avan\u00e7o do desmatamento.Cr\u00e9dito: Natalia Ocampo-Pe\u00f1uela\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cAlgumas esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros preferem florestas em m\u00e9dias eleva\u00e7\u00f5es, enquanto outros habitam preferencialmente florestas de terras baixas\u201d, afirma a autora principal do artigo, Natalia Ocampo-Pe\u00f1uela, que concluiu o PhD na Duke University no in\u00edcio deste ano. \u201cConhecer o quanto dos habitats preferenciais restam &#8212; e quanto foi destru\u00eddo ou degradado &#8212; \u00e9 vital para an\u00e1lises acuradas sobre riscos de extin\u00e7\u00e3o, especialmente para esp\u00e9cies que tem originalmente distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica pequena\u201d, conclui.<\/p>\n<p>A Lista Vermelha da IUCN indica algum risco de extin\u00e7\u00e3o para 108 esp\u00e9cies das quase 600 analisadas, mas o estudo demonstrou que quase metade das esp\u00e9cies (43%) poderiam ser classificadas em um categoria de amea\u00e7a mais elevada. A nova an\u00e1lise revela que 210 delas poderiam ser classificadas como amea\u00e7adas, pois enfrentam um acelerado risco de extin\u00e7\u00e3o. Das esp\u00e9cies inclu\u00eddas no estudo, 189 sofrem com a pouca extens\u00e3o e velocidade de perda de habitat. E mesmo para casos em que se imaginava uma recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1rea de ocorr\u00eancia, o estudo apontou distor\u00e7\u00f5es, menos de 10% de seus habitats estavam realmente protegidos<\/p>\n<p>\u201cA dificuldade com a verdadeira \u00e1rea de ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que para a maioria das esp\u00e9cies n\u00e3o h\u00e1 dados suficientemente para calcul\u00e1-lo, e isso \u00e9 improv\u00e1vel que mude no pr\u00f3ximo futuro\u201d, diz Jenkins. \u201dO modelo elimina as \u00e1reas que, sem d\u00favida, n\u00e3o s\u00e3o adequadas para a esp\u00e9cie. \u00c0s vezes, esse modelo simples vai determinar que mais do que 90% das \u00e1reas dentro da distribui\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie s\u00e3o inadequados\u201d, completa.<\/p>\n<p>Natalia Ocampo-Pe\u00f1uela destaca que os habitats naturais da maioria dos locais biodiversos do planeta est\u00e3o desaparecendo. \u201cCom dados melhores n\u00f3s podemos tomar decis\u00f5es melhores e ter maiores chances de salvar esp\u00e9cies e proteger os locais onde elas ocorrem\u201d, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O choror\u00f3-cinzento (Cercomacra brasiliana) \u00e9 uma ave end\u00eamica da Mata Atl\u00e2ntica, encontrada da regi\u00e3o central<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":53640,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/beija_flor.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/beija_flor-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/beija_flor-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/beija_flor.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/beija_flor.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/beija_flor.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/beija_flor.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/beija_flor.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/beija_flor.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/beija_flor.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O choror\u00f3-cinzento (Cercomacra brasiliana) \u00e9 uma ave end\u00eamica da Mata Atl\u00e2ntica, encontrada da regi\u00e3o central","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53639"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53639"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53639\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}