{"id":53593,"date":"2016-11-12T15:40:45","date_gmt":"2016-11-12T18:40:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=53593"},"modified":"2016-11-12T15:41:03","modified_gmt":"2016-11-12T18:41:03","slug":"estudo-sugere-que-aquecimento-global-pode-superar-os-7-graus-celsius","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-sugere-que-aquecimento-global-pode-superar-os-7-graus-celsius\/","title":{"rendered":"Estudo sugere que aquecimento global pode superar os 7 graus Celsius"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"irc_mi iAtRpzpNjwWs-pQOPx8XEepE\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/20450820-de8-97b\/FT1500A\/550\/Morocco-UN-Climate-Talks.jpg\" alt=\"Resultado de imagem para Estudo sugere que aquecimento global pode superar os 7 graus Celsius\" width=\"637\" height=\"277\" \/><\/p>\n<p>Enquanto representantes de quase 200 pa\u00edses discutem em Marrakesh, Marrocos, como colocar na pr\u00e1tica o Acordo de Paris e a necessidade de aumentar suas ambi\u00e7\u00f5es, dois estudos publicados esta semana em prestigiados peri\u00f3dicos cient\u00edficos trazem amostras de possibilidades extremas para o aquecimento global e os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas por ele trazidas na vida do planeta. No primeiro, cientistas liderados por Tobias Friedrich, da Universidade do Hava\u00ed, EUA, usaram dados do hist\u00f3rico da Terra nos \u00faltimos 784 mil anos para sugerir que a alta na temperatura m\u00e9dia do mundo pode ultrapassar os 7 graus Celsius at\u00e9 o fim deste s\u00e9culo, muito acima dos 2 graus Celsius considerados o limite para evitar as piores consequ\u00eancias no clima do aquecimento global. J\u00e1 no segundo, pesquisadores encabe\u00e7ados por Brett Scheffers, da Universidade da Fl\u00f3rida, tamb\u00e9m nos EUA, fizeram um levantamento da literatura cient\u00edfica produzida nos \u00faltimos anos em busca de sinais de como o aquecimento ocorrido at\u00e9 agora, de cerca de 1 grau Celsius, est\u00e1 afetando a vida na Terra, revelando impactos em nada menos do que 82% dos processos biol\u00f3gicos e sistemas ecol\u00f3gicos b\u00e1sicos do planeta.<\/p>\n<p>Segundo os respons\u00e1veis pelo primeiro dos estudos, relatado na revista \u201cScience Advances\u201d, a poss\u00edvel alta calculada na temperatura, muito mais radical do que a que est\u00e1 sendo prevista mesmo no pior dos cen\u00e1rios tra\u00e7ados no \u00faltimo relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), de 2014, seria derivada de uma sensibilidade maior que a estimada do clima ao aumento na concentra\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono (CO2) na atmosfera, em especial nos chamados per\u00edodos interglaciais, como o que o planeta atravessa agora. Isto porque embora se saiba que o CO2 provoque um desequil\u00edbrio no balan\u00e7o energ\u00e9tico da Terra, fazendo que ela retenha mais calor e, consequentemente, elevando a temperatura na sua superf\u00edcie, a influ\u00eancia desta vari\u00e1vel nesse processo ainda \u00e9 objeto de muitas incertezas, a despeito dos grandes avan\u00e7os na constru\u00e7\u00e3o de modelos matem\u00e1tico-computacionais do sistema clim\u00e1tico terrestre nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Diante disso, os cientistas decidiram tentar chegar a este n\u00famero analisando diversas reconstru\u00e7\u00f5es dos hist\u00f3ricos de temperatura e concentra\u00e7\u00e3o de CO2 na atmosfera ao longo de 784 mil anos. Para tanto, primeiro eles montaram curvas da temperatura m\u00e9dia da Terra a partir de dados obtidos na an\u00e1lise de sedimentos marinhos, amostras de gelo e simula\u00e7\u00f5es computacionais cobrindo os oito \u00faltimos ciclos glaciais do planeta. J\u00e1 para calcular o balan\u00e7o energ\u00e9tico da Terra no mesmo per\u00edodo, eles estimaram as concentra\u00e7\u00f5es de CO2 na atmosfera com base em bolhas de ar encontradas nas mesmas amostras de gelo, al\u00e9m incorporar fatores astron\u00f4micos, como os chamados Ciclos de Milankovitch, oscila\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas na \u00f3rbita terrestre.<\/p>\n<p>&#8211; Nossos resultados sugerem que a sensibilidade da Terra a varia\u00e7\u00f5es no CO2 atmosf\u00e9rico aumenta com o aquecimento do clima \u2013 diz Friedrich. &#8211; Atualmente, nosso planeta est\u00e1 numa fase quente, um per\u00edodo interglacial, e esta maior sensibilidade clim\u00e1tica precisa ser levada em conta em futuras proje\u00e7\u00f5es do aquecimento induzido pela a\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Usando este novo valor para a sensibilidade do clima \u00e0 alta na concentra\u00e7\u00e3o de CO2 na atmosfera, os cientistas calcularam ent\u00e3o qual seria o aquecimento do planeta nos pr\u00f3ximos 85 anos caso a Humanidade continue a aumentar suas emiss\u00f5es de gases do efeito estufa, como vem fazendo nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Neste cen\u00e1rio, a alta na temperatura m\u00e9dia global poderia variar de 4,78 a 7,36 graus Celsius em 2100 na compara\u00e7\u00e3o com os n\u00edveis pr\u00e9-industriais, sendo que a primeira, e menor, previs\u00e3o estaria em linha com a pior feita pelo relat\u00f3rio do IPCC em 2014. Assim, os pesquisadores alertam que mesmo com o Acordo de Paris, pelo qual 193 na\u00e7\u00f5es se comprometeram no ano passado em cortar, ou ao menos limitar o crescimento, das emiss\u00f5es de gases-estufa a partir de 2020, a alta na temperatura pode ultrapassar facilmente o limite de 2 graus Celsius, empurrando a Terra em dire\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas n\u00e3o vistas nos \u00faltimos quase 800 mil anos.<\/p>\n<p>&#8211; A \u00fanica sa\u00edda \u00e9 reduzir as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa o mais breve poss\u00edvel \u2013 conclui Friedrich.<\/p>\n<p>No segundo estudo \u201capocal\u00edptico\u201d da semana, por sua vez, os cientistas primeiro identificaram 94 processos biol\u00f3gicos e ecol\u00f3gicos chaves para a vida no planeta \u2013 32 em ambientes terrestres e 31 cada em ambientes marinhos e de \u00e1gua doce -, cobrindo desde o n\u00edvel de organismos individuais, como sua constitui\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e tamanho, at\u00e9 as intera\u00e7\u00f5es em ecossistemas completos, como preda\u00e7\u00e3o, competi\u00e7\u00e3o, composi\u00e7\u00e3o das comunidades e incid\u00eancia de doen\u00e7as. Da\u00ed, eles partiram para um levantamento da literatura cient\u00edfica no qual procuraram estudos que apontassem altera\u00e7\u00f5es nestes processos provocados pelo aquecimento global e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Nesta busca, os pesquisadores encontram relatos de impactos do aquecimento do planeta e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas acerca de 77 destes processos, ou 82% do total. Segundo os cientistas, s\u00f3 nos \u00faltimos anos estudos apontaram desde atrasos ou adiantamentos na \u00e9poca de florescimento de plantas at\u00e9 redu\u00e7\u00e3o do tamanho de alguns animais, al\u00e9m de desequil\u00edbrios populacionais como a propor\u00e7\u00e3o entre machos e f\u00eameas, e ecol\u00f3gicos, como na sua distribui\u00e7\u00e3o espacial, sem contar altera\u00e7\u00f5es comportamentais, inclusive per\u00edodos e rotas migrat\u00f3rias.<\/p>\n<p>&#8211; Temos agora claras evid\u00eancias de que, mesmo com apenas cerca de 1 grau Celsius de aquecimento global, grandes impactos j\u00e1 se fazem sentir \u2013 diz o l\u00edder do estudo, Brett Scheffers. &#8211; Genes est\u00e3o mudando, a fisiologia das esp\u00e9cies e suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas como tamanho do corpo est\u00e3o mudando, esp\u00e9cies est\u00e3o migrando rapidamente em busca de espa\u00e7os clim\u00e1ticos adequados, e agora h\u00e1 tamb\u00e9m sinais de ecossistemas inteiros sob estresse.<\/p>\n<p>De acordo com os cientistas, estas altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o ainda mais preocupantes diante da depend\u00eancia de popula\u00e7\u00f5es humanas espalhadas pelo planeta dos chamados servi\u00e7os ecossist\u00eamicos fornecidos por estes processos, o que inclui, por exemplo, seu acesso a alimentos e \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8211; Algumas pessoas n\u00e3o esperavam mudan\u00e7as deste n\u00edvel ao longo das pr\u00f3ximas d\u00e9cadas \u2013 lembra James Watson, professor da Universidade de Queensland, na Austr\u00e1lia, e um dos coautores do estudo. &#8211; Os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o sendo sentidos por todos os lados, com nenhum ecossistema da Terra sendo poupado. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais sensato considerar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas um problema s\u00f3 do futuro. As metas de emiss\u00f5es precisam ser ativamente alcan\u00e7adas e o tempo est\u00e1 acabando para uma resposta global sincronizada \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas de forma a salvaguardar a biodiversidade e os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto representantes de quase 200 pa\u00edses discutem em Marrakesh, Marrocos, como colocar na pr\u00e1tica o<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Enquanto representantes de quase 200 pa\u00edses discutem em Marrakesh, Marrocos, como colocar na pr\u00e1tica o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53593"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53593"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53593\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53593"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53593"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53593"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}