{"id":5356,"date":"2014-08-23T14:00:17","date_gmt":"2014-08-23T14:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=5356"},"modified":"2014-08-23T11:20:48","modified_gmt":"2014-08-23T11:20:48","slug":"estudo-revela-sumico-do-pirarucu-em-algumas-comunidades-do-para","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-revela-sumico-do-pirarucu-em-algumas-comunidades-do-para\/","title":{"rendered":"Estudo revela sumi\u00e7o do pirarucu em algumas comunidades do Par\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/pirarucu_sumico.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-5357\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/pirarucu_sumico.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu que o pirarucu, peixe comercialmente importante da Amaz\u00f4nia,\u00a0j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 encontrado em algumas comunidades do Par\u00e1, onde sua explora\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de forma predat\u00f3ria. Essa conclus\u00e3o indica que a pesca pode levar \u00e0 extin\u00e7\u00e3o os peixes grandes, f\u00e1ceis de capturar e com alto valor comercial \u2014 o contr\u00e1rio do que diz a teoria bioecon\u00f4mica cl\u00e1ssica, utilizada para tra\u00e7ar pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>O estudo, publicado no peri\u00f3dico\u00a0<em>Aquatic Conservation: Freshwater and Marine Ecosystems<\/em> nesta quarta-feira,\u00a0foi coordenado pelo brasileiro Leandro Castello, professor da Faculdade de Recursos Naturais e Meio Ambiente da Virginia Tech, nos\u00a0Estados Unidos, especialista em ecologia e conserva\u00e7\u00e3o da pesca na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>De acordo com Castello, na teoria bioecon\u00f4mica cl\u00e1ssica, assim que um peixe come\u00e7a a se tornar escasso por causa da explora\u00e7\u00e3o pesqueira, os custos do pescador para encontrar o peixe tamb\u00e9m aumentam. Isso faz com que o pre\u00e7o do peixe dispare, diminuindo sua procura e levando o pescador a procurar outras esp\u00e9cies. Assim, \u00e9 como se o pr\u00f3prio mercado se encarregasse de equilibrar a explora\u00e7\u00e3o do recurso, evitando a extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>&#8220;Essa teoria \u00e9 usada tanto por pesquisadores como pelos tomadores de decis\u00e3o, para tra\u00e7ar pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o. Mas nossa pesquisa mostrou que, na pr\u00e1tica, as coisas s\u00e3o bem diferentes&#8221;, disse Castello. Segundo ele, as conclus\u00f5es do estudo s\u00e3o mais coerentes com uma teoria bioecon\u00f4mica menos conhecida, chamada de &#8220;fishing-down&#8221;, que vai no sentido inverso: os peixes grandes, de f\u00e1cil acesso e alto valor comercial podem ser pescados at\u00e9 a extin\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n<p>&#8220;A teoria cl\u00e1ssica prev\u00ea que o pescador vai procurar outras esp\u00e9cies quando come\u00e7a a escassez. E isso de fato acontece em regi\u00f5es temperadas. Mas a Amaz\u00f4nia \u00e9 riqu\u00edssima em esp\u00e9cies e elas est\u00e3o todas misturadas nos rios. O m\u00e9todo mais econ\u00f4mico para o pescador \u00e9 o uso das redes. Por isso, mesmo quando procura outros peixes, ele acaba pescando o pirarucu involuntariamente&#8221;, explicou Castello.<\/p>\n<p>Como o pirarucu \u00e9 a maior esp\u00e9cie nos rios da Amaz\u00f4nia \u2014 pode chegar a ter 200 quilos e 3 metros de comprimento \u2014, ele acaba sendo capturado pelas redes usadas para pescar qualquer outra esp\u00e9cie. &#8220;Com a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 escassa, essa pesca acidental amea\u00e7a gravemente a preserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie&#8221;, afirmou Castello. Ao focar em esp\u00e9cies menores, os pescadores acabam extraindo das \u00e1guas os pirarucus juvenis, o que agrava ainda mais a possibilidade de extin\u00e7\u00e3o local. &#8220;Com um ano de idade o pirarucu j\u00e1 tem 80 cent\u00edmetros de comprimento&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p>O estudo foi realizado nas v\u00e1rzeas do entorno da cidade de Santar\u00e9m (PA). As plan\u00edcies de alaga\u00e7\u00e3o do Rio Amazonas s\u00e3o zonas pesqueiras altamente produtivas, segundo o pesquisador. Por seu tamanho e por viver em \u00e1guas relativamente rasas, o pirarucu se torna ainda mais f\u00e1cil de pescar. O peixe sobe \u00e0 superf\u00edcie em intervalos de 5 a 15 minutos, quando se torna alvo f\u00e1cil para os arp\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/vivemos-uma-onda-de-extincao-animal-diz-science\">&#8216;Science&#8217;: planeta vive era de extin\u00e7\u00e3o de animais<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/mascote-da-copa-tatu-bola-esta-em-risco-de-extincao\">Mascote da Copa, tatu-bola est\u00e1 em risco de extin\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Extinto \u2014<\/strong> O estudo teve base em entrevistas com 182 pescadores em 81 comunidades. Os resultados mostraram que o pirarucu est\u00e1 extinto em 19% das comunidades, amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o em 57% delas e super-explorado em 17%. De acordo com o estudo, tr\u00eas das cinco esp\u00e9cies existentes de pirarucu j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o vistas h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Entre as comunidades estudadas, apenas 27% seguem regras de manejo para a pesca de pirarucu. Uma delas, a comunidade de S\u00e3o Miguel, baniu o uso de redes de emalhar \u2014 nas quais os peixes s\u00e3o presos por seus pr\u00f3prios movimentos \u2014 h\u00e1 20 anos. A comunidade tem as maiores densidades de pirarucu da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Castello realiza pesquisas sobre o pirarucu h\u00e1 15 anos. Em 1999, quando atuava no Instituto Mamirau\u00e1, no Amazonas, desenvolveu com outros colegas um m\u00e9todo de contagem que permite ao pescador avaliar o tamanho de seu estoque de peixes. Com isso, o instituto implantou um programa de manejo do pirarucu que \u00e9 utilizado at\u00e9 hoje. &#8220;Com a contagem, o pescador pode estabelecer uma cota de pesca para garantir que n\u00e3o vai acabar com o estoque&#8221;, disse.<\/p>\n<p><strong>Pesca proibida \u2014<\/strong>\u00a0No Amazonas, segundo Castello, a pesca do pirarucu foi totalmente proibida em 1996. Mas, caso usem o m\u00e9todo de cotas determinadas por contagem, os pescadores conseguem, junto ao Ibama, uma autoriza\u00e7\u00e3o especial para a pesca da esp\u00e9cie. De acordo com ele, essa restri\u00e7\u00e3o, combinada com as regras de tamanho m\u00ednimo (s\u00f3 \u00e9 permitido pescar peixes com mais de 1,5 metro) e do defeso (suspens\u00e3o da pesca entre dezembro e maio, na \u00e9poca de reprodu\u00e7\u00e3o dos animais), garantiram a abund\u00e2ncia do pirarucu em territ\u00f3rio amazonense.<\/p>\n<p>No Par\u00e1, onde Castello realiza pesquisas h\u00e1 cinco anos, n\u00e3o h\u00e1 proibi\u00e7\u00e3o para a pesca do pirarucu. Apenas as regras de tamanho m\u00ednimo e do defeso s\u00e3o aplicadas. &#8220;A pesquisa deixa claro que as popula\u00e7\u00f5es de pirarucu est\u00e3o sofrendo processos de extin\u00e7\u00e3o local por falta de um programa de manejo como o que existe no Amazonas&#8221;, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu que o pirarucu, peixe comercialmente importante da Amaz\u00f4nia,\u00a0j\u00e1 n\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5357,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/pirarucu_sumico.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/pirarucu_sumico.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/pirarucu_sumico.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/pirarucu_sumico.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/pirarucu_sumico.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/pirarucu_sumico.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/pirarucu_sumico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/pirarucu_sumico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/pirarucu_sumico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/pirarucu_sumico.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu que o pirarucu, peixe comercialmente importante da Amaz\u00f4nia,\u00a0j\u00e1 n\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5356"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5356"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5356\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5357"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5356"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5356"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5356"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}