{"id":53539,"date":"2016-11-12T12:45:48","date_gmt":"2016-11-12T15:45:48","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=53539"},"modified":"2016-11-12T12:45:48","modified_gmt":"2016-11-12T15:45:48","slug":"brasil-tem-a-chance-de-ser-protagonista-na-adaptacao-a-mudanca-do-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/brasil-tem-a-chance-de-ser-protagonista-na-adaptacao-a-mudanca-do-clima\/","title":{"rendered":"Brasil tem a chance de ser protagonista na adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a do clima"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/brasil-tem-a-chance-de-ser-protagonista-na-adaptacao-a-mudanca-do-clima\/paises\/\" rel=\"attachment wp-att-53540\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-53540\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/paises-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/paises-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/paises.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>ANDR\u00c9 FERRETTI* E JULIANA RIBEIRO**<\/p>\n<p>Assinado em dezembro de 2015 na 21\u00aa Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima, o <strong>Acordo de Paris<\/strong> \u00e9 um compromisso entre os pa\u00edses que prev\u00ea diretrizes e metas para a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (GEE), de forma a manter o aumento da temperatura m\u00e9dia global a menos de 2 graus c\u00e9lsius em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis pr\u00e9-industriais \u2013 e, adicionalmente, promover esfor\u00e7os para limitar esse aumento a 1,5 grau c\u00e9lsius. Com a <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/ciencia-e-meio-ambiente\/blog-do-planeta\/noticia\/2016\/11\/acordo-de-paris-entra-em-vigor-com-metas-insuficientes-para-o-clima.html\">ratifica\u00e7\u00e3o das maiores economias mundiais<\/a>, como Estados Unidos, China e Uni\u00e3o Europeia, al\u00e9m de mais de 90 pa\u00edses, o Acordo entrou em vigor no dia 4 de novembro de 2016 \u2013 quatro anos antes do previsto.<\/p>\n<p>O Brasil \u2013 que representa 2,48% das emiss\u00f5es de GEE do globo \u2013 <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/colunas-e-blogs\/blog-do-planeta\/noticia\/2016\/09\/brasil-ratifica-o-acordo-de-paris-e-agora.html\">ratificou o Acordo em setembro de 2016<\/a>\u00a0com o compromisso de reduzir em 37% as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa at\u00e9 2025 e 43% at\u00e9 2030, em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de 2005. As a\u00e7\u00f5es propostas para atingir essa meta incluem investimento em energias limpas, recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas, zerar o desmatamento ilegal na Amaz\u00f4nia at\u00e9 2030, entre outras.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de honrar os compromissos assumidos no Acordo de Paris para redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es e ter contribui\u00e7\u00f5es ainda mais ousadas, o Brasil precisa <strong>se preparar para os impactos da mudan\u00e7a do clima<\/strong>. Afinal, mesmo que todos os pa\u00edses signat\u00e1rios do Acordo atinjam suas metas com sucesso, isso n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para impedir o aumento dram\u00e1tico da temperatura do planeta e suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Os GEEs j\u00e1 presentes na atmosfera levar\u00e3o alguns anos para se dissipar e permitir que a temperatura do planeta volte a se estabilizar. Como consequ\u00eancia, por exemplo, <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/colunas-e-blogs\/blog-do-planeta\/epoca-clima\/noticia\/2015\/12\/10-duvidas-em-relacao-mudancas-climaticas.html\">j\u00e1 estamos vivenciando altera\u00e7\u00f5es em cidades litor\u00e2neas<\/a> com temporais mais fortes, combinados com mar\u00e9s altas que causam ressacas e destroem \u00e1reas costeiras, al\u00e9m de tornados, tempestades de granizo e inunda\u00e7\u00f5es. Diversas regi\u00f5es do Brasil sofreram com a crise h\u00eddrica, incluindo a Regi\u00e3o Sudeste, respons\u00e1vel por quase 60% do PIB do Brasil e onde moram mais de 40% de seus habitantes.<\/p>\n<p>Enfrentar a mudan\u00e7a global do clima \u00e9 o maior desafio da atual gera\u00e7\u00e3o e, para isso, \u00e9 indispens\u00e1vel atuar na adapta\u00e7\u00e3o das sociedades e dos ecossistemas a essas altera\u00e7\u00f5es, de modo a evitar perdas de vidas e preju\u00edzos econ\u00f4micos sem precedentes. Felizmente existem solu\u00e7\u00f5es e o Brasil tem grande oportunidade para agir com pioneirismo nesse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>A <strong>Adapta\u00e7\u00e3o baseada em Ecossistemas (AbE)<\/strong> \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o para melhor preparar a sociedade para as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, com base nos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. Estabelecida como um dos princ\u00edpios do Plano Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 Mudan\u00e7a do Clima, lan\u00e7ado em 2016 pelo governo brasileiro, a AbE tem sido utilizada mundialmente para designar iniciativas que consideram o uso da biodiversidade e dos servi\u00e7os ambientais como parte de uma estrat\u00e9gia maior de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a do clima. \u00c9 uma solu\u00e7\u00e3o ganha-ganha: a sociedade se adapta \u00e0 mudan\u00e7a do clima, os ecossistemas permanecem bem conservados, o custo \u00e9 menor e a biodiversidade \u00e9 valorizada.<\/p>\n<p>Uma forma de aplicar na pr\u00e1tica o conceito de AbE \u00e9 priorizar o uso da infraestrutura natural em detrimento de projetos de engenharia convencional; por exemplo, para conter inunda\u00e7\u00f5es, pode ser feita a recupera\u00e7\u00e3o de matas ciliares em vez da canaliza\u00e7\u00e3o de rios. Nesse caso, a restaura\u00e7\u00e3o das margens dos rios com vegeta\u00e7\u00e3o nativa, al\u00e9m de potencialmente mais barata que a canaliza\u00e7\u00e3o e suas constantes manuten\u00e7\u00f5es, traz diversos benef\u00edcios adicionais, como a cria\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitat para a biodiversidade local, o restabelecimento da paisagem natural, a arboriza\u00e7\u00e3o urbana, o controle do microclima local, a absor\u00e7\u00e3o gradual da \u00e1gua da chuva, a redu\u00e7\u00e3o de eros\u00e3o e assoreamento dos cursos de \u00e1gua e a prote\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o ao evitar a ocupa\u00e7\u00e3o em \u00e1reas irregulares e suscet\u00edveis \u00e0 inunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Parques lineares em ambientes urbanos atendem perfeitamente \u00e0 estrat\u00e9gia de AbE. Mais que proteger a biodiversidade e os servi\u00e7os ambientais, eles trazem \u00e0s cidades valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e oportunidades de lazer e de recrea\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m contribuem para sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 import\u00e2ncia do meio ambiente, o que se torna cada vez mais importante nos dias atuais, j\u00e1 que h\u00e1 t\u00e3o pouco tempo para contemplar ambientes naturais mais distantes dos centros urbanos.<\/p>\n<p>\u00c9 mais que passada a hora de pa\u00edses e cidad\u00e3os se unirem na adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica antes que seja tarde demais. A expectativa \u00e9 que os resultados das pr\u00f3ximas semanas sejam positivos nesse sentido: de 7 a 18 de novembro, durante a COP22 da Conven\u00e7\u00e3o do Clima, acontecer\u00e1 no Marrocos a primeira reuni\u00e3o de regulamenta\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris \u2013 identificada pela sigla CMA1. Essa reuni\u00e3o j\u00e1 \u00e9 considerada hist\u00f3rica, pois oficializa esse pacto coletivo que visa conter a mudan\u00e7a global do clima e todas as suas consequ\u00eancias para a humanidade e para todos os seres vivos.<\/p>\n<p>Ao longo da vig\u00eancia do Acordo de Paris e na COP22, o Brasil ter\u00e1 a possibilidade de se firmar como um l\u00edder global no que diz respeito ao desenvolvimento de baixo carbono, aliado com estrat\u00e9gias de prote\u00e7\u00e3o, conserva\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o de seu patrim\u00f4nio natural.<\/p>\n<p><em>* Andr\u00e9 Ferretti \u00e9 gerente de Estrat\u00e9gias de Conserva\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Natureza, coordenador-geral do Observat\u00f3rio do Clima (OC) e membro da Rede de Especialistas em Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza.<\/p>\n<p>** Juliana Ribeiro \u00e9 bi\u00f3loga e analista de projetos ambientais da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Natureza.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 e Juliana participar\u00e3o como observadores da COP22 da Conven\u00e7\u00e3o do Clima, em que apresentar\u00e3o um estudo pioneiro no Brasil que mostra as oportunidades para aplica\u00e7\u00e3o da Adapta\u00e7\u00e3o baseada em Ecossistemas. Para ler o estudo, <a href=\"http:\/\/www.fundacaogrupoboticario.org.br\/_layouts\/FundacaoWebpartLibrary\/Download.aspx?file=L3B0L011ZGFuY2FDbGltYXRpY2FBbmV4by8yMDE2MDQxNV92ZXJzYW9fZmluYWxfRElSRVRSSVpFUy5wZGY=\" target=\"_blank\">clique aqui.<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANDR\u00c9 FERRETTI* E JULIANA RIBEIRO** Assinado em dezembro de 2015 na 21\u00aa Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":53540,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/paises.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/paises-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/paises-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/paises.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/paises.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/paises.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/paises.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/paises.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/paises.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/paises.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"ANDR\u00c9 FERRETTI* E JULIANA RIBEIRO** Assinado em dezembro de 2015 na 21\u00aa Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53539"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53539"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53539\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53540"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53539"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53539"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53539"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}