{"id":53492,"date":"2016-11-11T10:16:07","date_gmt":"2016-11-11T13:16:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=53492"},"modified":"2016-11-11T10:16:08","modified_gmt":"2016-11-11T13:16:08","slug":"organizacao-alerta-sobre-o-uso-de-antibioticos-no-salmao-do-chile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/organizacao-alerta-sobre-o-uso-de-antibioticos-no-salmao-do-chile\/","title":{"rendered":"Organiza\u00e7\u00e3o alerta sobre o uso de antibi\u00f3ticos no salm\u00e3o do Chile"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/organizacao-alerta-sobre-o-uso-de-antibioticos-no-salmao-do-chile\/salmao-3\/\" rel=\"attachment wp-att-53493\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-53493\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/salmao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/salmao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/salmao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Warner Filho, da Oceana\u2013\u00a0<\/em><\/p>\n<p>A grande quantidade de antibi\u00f3ticos usados pela ind\u00fastria do salm\u00e3o no Chile \u2014 de onde vem praticamente a totalidade do que \u00e9 consumido no Brasil \u2014 tem potencial para criar bact\u00e9rias capazes de resistir a medicamentos de uso comum no tratamento de doen\u00e7as que afetam os humanos, de acordo com reportagem publicada pela Oceana no pa\u00eds vizinho.<\/p>\n<p>O uso intensivo de antibi\u00f3ticos na cria\u00e7\u00e3o de salm\u00f5es tem sido levantado por diferentes fontes. Em 2015, segundo a reportagem, a ind\u00fastria do salm\u00e3o do Chile usou 660 gramas do produto por tonelada m\u00e9trica, enquanto os criadouros da Noruega, primeiro produtor mundial, usaram apenas 0,17g. Mesmo na produ\u00e7\u00e3o de carne de porco, onde o uso de antibi\u00f3ticos tamb\u00e9m \u00e9 intensivo, as cifras s\u00e3o menores. Em 2010, a m\u00e9dia mundial foi de 172g por tonelada de carne, segundo estudo citado.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de um problema importante, porque a produ\u00e7\u00e3o chilena abastece muitos pa\u00edses, inclusive o Brasil. Conforme as informa\u00e7\u00f5es publicadas, n\u00e3o podemos ter certeza de que estamos consumindo um produto saud\u00e1vel e inofensivo. Al\u00e9m disso, ao consumi-lo, alimentamos uma cadeia danosa ao meio-ambiente e aos oceanos\u201d, diz a diretora geral da Oceana no Brasil, Monica Peres.<\/p>\n<p><strong>Riscos<\/strong><br \/>\nDe acordo com Liesbeth van der Meer, diretora executiva da Oceana no Chile, todos os antibi\u00f3ticos administrados aos salm\u00f5es s\u00e3o id\u00eanticos ou similares em sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica aos usados em tratamentos de humanos. A tetraciclina, por exemplo, \u00e9 usada para combater acne e s\u00edfilis. A trimetoprima, em tratamentos de infec\u00e7\u00f5es urin\u00e1rias e respirat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Os riscos para as pessoas s\u00e3o complexos, segundo Marion Nestle, professora do Departamento de Nutri\u00e7\u00e3o, Estudos dos Alimentos e Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de Nova Iorque, citada na reportagem. \u201cSe as bact\u00e9rias dos peixes desenvolvem resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos, e as pessoas que entram em contato com os peixes se infectam com bact\u00e9rias pat\u00f3genas resistentes aos antibi\u00f3ticos, esses medicamentos n\u00e3o ter\u00e3o nenhuma utilidade na hora de combater a infec\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>O uso excessivo de antibi\u00f3ticos permite que as bact\u00e9rias se adaptem, tornando-se mais resistentes aos medicamentos. Estudo de 2012 em fazendas de salm\u00e3o revelou que 81% das bact\u00e9rias encontradas nas mostras de sedimento eram resistentes a pelo menos um medicamento, enquanto que 9% delas eram resistentes a todos os antibi\u00f3ticos analisados pelos pesquisadores.<\/p>\n<p><strong>Brasil<\/strong><br \/>\nA importa\u00e7\u00e3o de salm\u00e3o chileno pelo Brasil vem crescendo. H\u00e1 dez anos, em 2006, entraram no pa\u00eds 12 mil toneladas do produto. Em 2015, foram 75 mil, de acordo com o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior (MDIC).<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 salm\u00e3o nativo no pa\u00eds vizinho. Toda a produ\u00e7\u00e3o chilena \u00e9 obtida em criadouros \u2014 imensas gaiolas imersas na \u00e1gua do mar. Os peixes s\u00e3o alimentados com ra\u00e7\u00e3o, na qual s\u00e3o inclu\u00eddos os antibi\u00f3ticos e pigmentos que d\u00e3o ao salm\u00e3o a cor caracter\u00edstica. Os exemplares encontrados na natureza t\u00eam a colora\u00e7\u00e3o t\u00edpica porque se alimentam de crust\u00e1ceos. J\u00e1 os de cativeiro t\u00eam colora\u00e7\u00e3o cinza.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos problemas sanit\u00e1rios, a cria\u00e7\u00e3o de salm\u00e3o em tanques tamb\u00e9m representa amea\u00e7as ecol\u00f3gicas. H\u00e1 den\u00fancias de fuga de peixes dos tanques. Como esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, os salm\u00f5es que escapam para a natureza prejudicam o equil\u00edbrio da cadeia tr\u00f3fica na costa do Chile. Outra amea\u00e7a s\u00e3o os detritos que se depositam abaixo das gaiolas, tamb\u00e9m carregados de antibi\u00f3ticos e um excesso de nutrientes, que podem provocar uma superprodu\u00e7\u00e3o de algas t\u00f3xicas, entre outros problemas.<\/p>\n<p>Sobre a Oceana \u2013 A Oceana foi criada em 2001 para trabalhar exclusivamente na prote\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o dos oceanos em escala global, por meio de campanhas e estudos cient\u00edficos. A organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 conquistou mais de 100 vit\u00f3rias para os oceanos ao redor do mundo. A Oceana est\u00e1 presente em sete pa\u00edses e na Uni\u00e3o Europeia, que, juntos, s\u00e3o respons\u00e1veis por mais de 40% da produ\u00e7\u00e3o de pescado do mundo; ela atua no Brasil desde julho de 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Warner Filho, da Oceana\u2013\u00a0 A grande quantidade de antibi\u00f3ticos usados pela ind\u00fastria do salm\u00e3o no<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":53493,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/salmao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/salmao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/salmao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/salmao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/salmao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/salmao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/salmao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/salmao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/salmao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/salmao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Warner Filho, da Oceana\u2013\u00a0 A grande quantidade de antibi\u00f3ticos usados pela ind\u00fastria do salm\u00e3o no","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53492"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53492"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53492\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53493"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53492"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53492"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53492"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}