{"id":53488,"date":"2016-11-11T10:05:33","date_gmt":"2016-11-11T13:05:33","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=53488"},"modified":"2016-11-11T10:05:33","modified_gmt":"2016-11-11T13:05:33","slug":"estudo-aponta-que-40-das-mortes-no-transito-tem-relacao-com-alcool","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-aponta-que-40-das-mortes-no-transito-tem-relacao-com-alcool\/","title":{"rendered":"Estudo aponta que 40% das mortes no tr\u00e2nsito tem rela\u00e7\u00e3o com \u00e1lcool"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-aponta-que-40-das-mortes-no-transito-tem-relacao-com-alcool\/alcool-6\/\" rel=\"attachment wp-att-53489\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-53489\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alcool-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alcool-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alcool.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Mais de 40% das v\u00edtimas fatais de acidentes de tr\u00e2nsito ocorridos na cidade de S\u00e3o Paulo entre junho de 2014 e dezembro de 2015 haviam consumido \u00e1lcool nas horas que antecederam a morte. Se considerados apenas os dados de motoristas e passageiros dos ve\u00edculos \u2013 e exclu\u00eddos, portanto, os dos pedestres atingidos \u2013 o \u00edndice chega a quase 60%.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 de uma pesquisa realizada com apoio da FAPESP na Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP). Os dados foram publicados esta semana na revista Addiction.<\/p>\n<p>De maneira geral, segundo os autores, cerca de 30% das mortes violentas no per\u00edodo est\u00e3o associadas ao consumo de \u00e1lcool \u2013 sendo 34,6% o \u00edndice entre as v\u00edtimas de homic\u00eddio e 13,6% entre os casos de suic\u00eddio. A estimativa est\u00e1 baseada em dados de 365 aut\u00f3psias realizadas ao longo de 19 meses em unidades do Instituto M\u00e9dico Legal (IML) da capital paulista.<\/p>\n<p>\u201cA taxa de alcoolemia entre as v\u00edtimas de morte violenta avaliadas foi, em m\u00e9dia, de 1,10 grama de \u00e1lcool por litro de sangue. \u00c9 uma concentra\u00e7\u00e3o alta. Para um homem com cerca de 70 quilos, por exemplo, isso seria o equivalente \u00e0 ingest\u00e3o ao redor de cinco latas de cerveja\u201d, contou Gabriel Andreuccetti, autor principal do artigo.<\/p>\n<p>A pesquisa foi conduzida durante o p\u00f3s-doutorado de Andreuccetti, sob a supervis\u00e3o do professor da FMUSP Her\u00e1clito Barbosa de Carvalho. Atualmente, a pesquisa continua em parceria com a Escola de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade da Calif\u00f3rnia, Berkeley, nos Estados Unidos, tamb\u00e9m com apoio da FAPESP, por meio de Bolsa Est\u00e1gio de Pesquisa no Exterior (BEPE \u2013 P\u00f3sDoutorado).<\/p>\n<p>O grupo desenvolveu uma nova metodologia para garantir que a amostra avaliada era de fato representativa do total de mortes violentas ocorridas na capital paulista.<\/p>\n<p>\u201cA coleta dos dados foi feita em diferentes dias da semana e em diferentes turnos de trabalho ao longo dos 19 meses. Por exemplo, iniciamos em uma segunda-feira pela manh\u00e3, coletando dados de todas as aut\u00f3psias feitas naquele per\u00edodo. Na semana seguinte, colet\u00e1vamos na segunda-feira \u00e0 tarde e, na outra, segunda-feira \u00e0 noite. Depois, na ter\u00e7a-feira pela manh\u00e3 e assim sucessivamente\u201d, explicou Andreuccetti.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es sobre o contexto da morte, tamb\u00e9m foram obtidas amostras de sangue das v\u00edtimas para avalia\u00e7\u00e3o da taxa de alcoolemia. Ao todo, foram reunidos dados de 656 v\u00edtimas, mas apenas 365 se encaixaram nos crit\u00e9rios estabelecidos pelo grupo.<\/p>\n<p>Foram exclu\u00eddos, por exemplo, os menores de 18 anos, as pessoas que receberam tratamento m\u00e9dico por seis horas ou mais antes de morrer e as aut\u00f3psias realizadas mais de 12 horas ap\u00f3s a ocorr\u00eancia do ferimento fatal. O motivo, segundo Andreuccetti, \u00e9 que mesmo ap\u00f3s a morte os n\u00edveis de \u00e1lcool no sangue v\u00e3o sendo degradados com o passar do tempo \u2013 o que poderia comprometer a confiabilidade dos resultados obtidos.<\/p>\n<p>Na amostragem final, conforme descrito no artigo, 28,5% dos casos de morte violenta correspondiam a v\u00edtimas de homic\u00eddio, 15,3% de acidentes de tr\u00e2nsito e 12,1% de suic\u00eddios. Todas as outras causas de morte violenta (incluindo afogamentos, envenenamentos e casos indeterminados) somaram 44,1%. Os n\u00fameros da pesquisa foram semelhantes \u00e0s propor\u00e7\u00f5es observadas em estat\u00edsticas oficiais de n\u00fameros de \u00f3bitos por causas externas registradas para o munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo (DATASUS, 2013).<\/p>\n<p>\u201cA semelhan\u00e7a dos nossos n\u00fameros com as estat\u00edsticas oficiais sugere que nossa amostra \u00e9 representativa do total de mortes violentas ocorridas na capital\u201d, avaliou Andreuccetti.<\/p>\n<p><strong>An\u00e1lises estat\u00edsticas<\/strong><\/p>\n<p>A maioria das v\u00edtimas inclu\u00eddas no estudo era composta de homens brancos acima dos 30 anos de idade, com baixo n\u00edvel de escolaridade e residentes na capital paulista. A maior parte dos ferimentos fatais ocorreu em locais p\u00fablicos, em dias \u00fateis, no per\u00edodo da noite. J\u00e1 entre as v\u00edtimas de acidentes de tr\u00e2nsito, houve uma maior probabilidade de apresentarem alcoolemia durante os finais de semana e no per\u00edodo noturno.<\/p>\n<p>Aproximadamente 16% das v\u00edtimas tinham antecedentes criminais e, nesse pequeno grupo, curiosamente, a m\u00e9dia de alcoolemia foi mais baixa do que a m\u00e9dia entre os que n\u00e3o possuiam tais antecedentes. Quando comparados dados de homens e mulheres, n\u00e3o foi observada diferen\u00e7a significativa nas m\u00e9dias de concentra\u00e7\u00f5es de \u00e1lcool no sangue, mas os homens apresentaram uma maior probabilidade de estarem alcoolizados no momento da morte. J\u00e1 quando comparadas as popula\u00e7\u00f5es classificadas como branca e n\u00e3o branca (negros e pardos), a taxa de alcoolemia deste segundo grupo foi superior.<\/p>\n<p>As maiores concentra\u00e7\u00f5es de \u00e1lcool no sangue foram observadas entre os pedestres atingidos por ve\u00edculos, v\u00edtimas de esfaqueamento e de quedas, sugerindo que, nesses casos, o comportamento da v\u00edtima alcoolizada pode ter atuado como um fator contribuidor para a ocorr\u00eancia do ferimento fatal, destacaram os autores no artigo.<\/p>\n<p>De acordo com Andreuccetti, \u00e9 poss\u00edvel adaptar a metodologia para estimar, por exemplo, em quais regi\u00f5es da cidade h\u00e1 maior probabilidade de ocorrer acidentes de tr\u00e2nsito e outros tipos de morte associada ao uso de \u00e1lcool \u2013 bem como de outras drogas. O conhecimento gerado por esse tipo de estudo, acrescentou o pesquisador, pode ajudar a orientar pol\u00edticas de sa\u00fade p\u00fablica e at\u00e9 a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o do tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 no Brasil e nos demais pa\u00edses em desenvolvimento uma enorme car\u00eancia de dados epidemiol\u00f3gicos sobre o uso de \u00e1lcool e de outras drogas, bem como sobre as mortes relacionadas a esse consumo. Acredita-se que o \u00e1lcool esteja entre as principais causas de morte na Am\u00e9rica Latina. Este estudo mostrou que, sem d\u00favida, a cidade de S\u00e3o Paulo tem um grande problema de sa\u00fade p\u00fablica relacionado ao uso de \u00e1lcool no tr\u00e2nsito\u201d, comentou.<\/p>\n<p>Segundo Andreuccetti, no Brasil e na maioria dos pa\u00edses no mundo, os testes de alcoolemia n\u00e3o s\u00e3o exigidos para todas as v\u00edtimas que passam pelo IML. Essa avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 feita geralmente somente quando o resultado \u00e9 importante para a investiga\u00e7\u00e3o policial e, dessa forma, o banco de dados gerado n\u00e3o segue um padr\u00e3o epidemiol\u00f3gico.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo foi desenvolver uma metodologia de baixo custo, aplic\u00e1vel em pa\u00edses em desenvolvimento, capaz de apontar estimativas sobre a preval\u00eancia do consumo de \u00e1lcool entre as v\u00edtimas de morte violenta. J\u00e1 estamos adaptando o m\u00e9todo tamb\u00e9m para avaliar outras subst\u00e2ncias. Uma das grandes dificuldades de se manter dados estat\u00edsticos sobre mortes \u00e9 a falta de financiamento. E \u00e9 importante mensurar corretamente um problema para encontrar uma solu\u00e7\u00e3o adequada\u201d, afirmou Andreuccetti.<\/p>\n<p>O artigo \u201cAlcohol use among fatally injured victims in Sao Paulo, Brazil: bridging the gap between research and health services in developing countries\u201d (DOI: 10.1111\/add.13688) pode ser lido em: http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/add.13688\/abstract.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 40% das v\u00edtimas fatais de acidentes de tr\u00e2nsito ocorridos na cidade de S\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":53489,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alcool.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alcool-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alcool-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alcool.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alcool.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alcool.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alcool.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alcool.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alcool.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/alcool.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Mais de 40% das v\u00edtimas fatais de acidentes de tr\u00e2nsito ocorridos na cidade de S\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53488"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53488"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53488\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53489"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53488"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53488"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53488"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}