{"id":5342,"date":"2014-08-22T11:46:21","date_gmt":"2014-08-22T11:46:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=5342"},"modified":"2014-08-22T11:47:24","modified_gmt":"2014-08-22T11:47:24","slug":"quenia-recupera-floresta-e-muitos-ganham-dinheiro-e-qualidade-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/quenia-recupera-floresta-e-muitos-ganham-dinheiro-e-qualidade-de-vida\/","title":{"rendered":"Qu\u00eania recupera floresta e muitos ganham dinheiro e qualidade de vida"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/recuperacao_floresta_quenia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-5343\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/recuperacao_floresta_quenia.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Quando Mercy Ngaruiya se mudou para esta localidade do sudeste do Qu\u00eania em 2004 encontrou uma floresta empobrecida, como consequ\u00eancia de anos do corte de \u00e1rvores e queima de mata. Naquela \u00e9poca os \u00edndices de pobreza e desemprego eram altos, era limitado o fornecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel, bem como os med\u00edocres servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, afirmou.<\/p>\n<p>Quem se lembra muito bem disso \u00e9 Mike Korchinsky, presidente da Wildlife Works, uma empresa de gest\u00e3o e desenvolvimento de projetos para a Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es por Desmatamento e Degrada\u00e7\u00e3o das Florestas (REDD+), um mecanismo que faz parte dos planos de a\u00e7\u00e3o adotados dentro da Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cQuando cheguei aqui podia-se ouvir o som dos machados, porque as pessoas cortavam as \u00e1rvores sem parar. O desmatamento \u00e9 duplamente alarmante porque h\u00e1 uma emiss\u00e3o imediata quando o carbono que a floresta armazenou durante s\u00e9culos \u00e9 liberado na atmosfera, e ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 nada para capturar o carbono produzido pelas atividades humanas\u201d, explicou Korchisnky.<\/p>\n<p>Escondida entre Tsavo do Leste e Tsavo do Oeste, no distrito de Voi, 150 quil\u00f4metros a nordeste da cidade costeira de Mombasa, a regi\u00e3o de Kasigau ressurge lentamente das cinzas na medida em que prospera sua economia verde. Com aproximadamente cem mil habitantes, cresce na medida em que come\u00e7a a dar resultado o Corredor de Kasigau, uma iniciativa REDD+ que a Wildlife Works implantou em 2004.<\/p>\n<p>Segundo Ngaruiya, \u201cas coisas est\u00e3o mudando desde que os moradores aceitaram a conserva\u00e7\u00e3o do ambiente. O entorno continua melhorando. A cobertura arb\u00f3rea ao longo do Corredor de Kasigau est\u00e1 em processo de regenera\u00e7\u00e3o e o projeto REDD+ empoderou milhares de residentes para que abandonem a destrui\u00e7\u00e3o da floresta e adotem meios de vida sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>Atualmente, o projeto REDD+ de Kasigau gera mais de US$ 1 milh\u00e3o por ano pela venda de carbono, a cerca de US$ 8 a tonelada, na Bolsa de Carbono da \u00c1frica, com sede em Nair\u00f3bi. Um ter\u00e7o do obtido \u00e9 destinado ao desenvolvimento do projeto e reinvestido em iniciativas ecol\u00f3gicas de gera\u00e7\u00e3o de renda, como a fabrica\u00e7\u00e3o de roupa, vendida dentro e fora das fronteiras, a agrossilvicultura e a produ\u00e7\u00e3o artificial de carv\u00e3o, entre outras atividades. Outra parte dos ganhos tamb\u00e9m \u00e9 distribu\u00edda diretamente aos propriet\u00e1rios da terra da localidade.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 n\u00e3o precisamos cortar \u00e1rvores para fazer carv\u00e3o. Usamos o biog\u00e1s e o carv\u00e3o ecol\u00f3gico \u00e0 base de folhas podadas. Cozinhamos e ao mesmo tempo conservamos as \u00e1rvores\u201d, contou \u00e0 IPS Nicoleta Mwende, moradora de Kasigau.<\/p>\n<p>O projeto REDD+ ofereceu solu\u00e7\u00f5es reais e diretas para a mitiga\u00e7\u00e3o da pobreza, assegurou o chefe Pascal Kizaka, administrador de Kasigau. \u201cAl\u00e9m da conserva\u00e7\u00e3o, parte dos ganhos permitiu a constru\u00e7\u00e3o de 20 modernas salas de aula nas escolas locais, bolsas para mais de 1.800 alunos, um centro de sa\u00fade e uma ind\u00fastria, o que melhorou nosso n\u00edvel de vida\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O de Kasigau \u00e9 o primeiro projeto REDD+ verificado no Qu\u00eania no qual a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o ganha dinheiro com a conserva\u00e7\u00e3o de seus recursos naturais. A comercializa\u00e7\u00e3o dos b\u00f4nus ou cr\u00e9ditos de carbono est\u00e1 em uma etapa incipiente no Qu\u00eania, mas o futuro \u00e9 promissor, segundo Alfred Gichu, especialista em mudan\u00e7a clim\u00e1tica florestal do Servi\u00e7o Florestal do Qu\u00eania, \u00f3rg\u00e3o estatal que conserva e administra as florestas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/bosque200820142.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-119419\" title=\"Qu\u00eania recupera floresta e muitos ganham dinheiro e qualidade de vida\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/bosque200820142.jpg\" alt=\"bosque200820142 Qu\u00eania recupera floresta e muitos ganham dinheiro e qualidade de vida\" width=\"627\" height=\"330\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Qu\u00eania tem 16 projetos de b\u00f4nus de carv\u00e3o ativos e registrados, e outros 26 em processo. \u201cDesses 26, 19 s\u00e3o de energia, como a Companhia de Desenvolvimento Geot\u00e9rmico, e sete implicam projetos de reflorestamento\u201d, detalhou Gichu. O governo tem um interesse primordial em incluir a floresta Mau, no vale do Rift, no com\u00e9rcio de b\u00f4nus de carbono, acrescentou.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o de florestas do Qu\u00eania tiveram muito sucesso, segundo o informe <em>Hist\u00f3rias de Sucesso em Desmatamento 2013<\/em>, da organiza\u00e7\u00e3o norte-americana Iniciativa para as Florestas Tropicais e o Clima. O informe menciona o projeto REDD+ do Corredor de Kasigau como um grande \u00eaxito e indica que a renda gerada com a venda de b\u00f4nus volunt\u00e1rio de carbono atingiu US$ 1,2 milh\u00e3o no final de 2012.<\/p>\n<p>Algumas das medidas que favoreceram a expans\u00e3o da massa florestal no Qu\u00eania foram a promo\u00e7\u00e3o do plantio de \u00e1rvores nas fazendas, escolas e outras institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, proibi\u00e7\u00e3o do corte \u00e1rvores nas florestas p\u00fablicas e a sensibiliza\u00e7\u00e3o a respeito impulsionada pelo governo e pelos conservacionistas privados, segundo o <em>Informe sobre a Disparidade Nas Emiss\u00f5es<\/em>, publicado em 2013 pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).<\/p>\n<p>Mas o Qu\u00eania tamb\u00e9m apresenta obst\u00e1culos para o desenvolvimento dos projetos REDD+. Moses Kimani, diretor da Bolsa de Carbono da \u00c1frica, apontou que a falta de experi\u00eancia e de fundos s\u00e3o alguns dos principais desafios que o desenvolvimento do com\u00e9rcio de b\u00f4nus de carbono enfrenta. \u201cAl\u00e9m das m\u00e1s pol\u00edticas e dos contextos legais frouxos, muitos projetos de cr\u00e9ditos de carbono no Qu\u00eania e na \u00c1frica carecem da experi\u00eancia e dos fundos necess\u00e1rios\u201d, ressaltou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Durante a confer\u00eancia sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica que a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) realizou na Pol\u00f4nia em 2013, os participantes acordaram um contexto para a REDD+ e prometeram financiamento de US$ 280 milh\u00f5es. Mas os ecologistas lamentam a falta de mecanismos que permitam que esses fundos de adapta\u00e7\u00e3o alcancem as popula\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n<p>O conservacionista John Maina disse que os quenianos que gerenciam esses projetos perdem diante dos intermedi\u00e1rios porque a falta de conhecimento os leva a vender o carbono a pre\u00e7os irris\u00f3rios. \u201cO governo, a sociedade civil e as organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais devem trabalhar juntos para fortalecer as leis e sensibilizar os quenianos sobre os projetos de carbono e como podem ter acesso ao financiamento\u201d, destacou \u00e0 IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Mercy Ngaruiya se mudou para esta localidade do sudeste do Qu\u00eania em 2004 encontrou<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5343,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/recuperacao_floresta_quenia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/recuperacao_floresta_quenia.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/recuperacao_floresta_quenia.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/recuperacao_floresta_quenia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/recuperacao_floresta_quenia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/recuperacao_floresta_quenia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/recuperacao_floresta_quenia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/recuperacao_floresta_quenia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/recuperacao_floresta_quenia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/recuperacao_floresta_quenia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Quando Mercy Ngaruiya se mudou para esta localidade do sudeste do Qu\u00eania em 2004 encontrou","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5342"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5342"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5342\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5343"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5342"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5342"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5342"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}