{"id":53306,"date":"2016-11-08T12:30:53","date_gmt":"2016-11-08T15:30:53","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=53306"},"modified":"2016-11-07T21:15:08","modified_gmt":"2016-11-08T00:15:08","slug":"reunioes-globais-de-clima-sao-frustrantes-porque-estao-longe-da-vida-real-diz-cientista-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/reunioes-globais-de-clima-sao-frustrantes-porque-estao-longe-da-vida-real-diz-cientista-brasileira\/","title":{"rendered":"Reuni\u00f5es globais de clima s\u00e3o &#8216;frustrantes&#8217; porque est\u00e3o longe da &#8216;vida real&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=53307\" rel=\"attachment wp-att-53307\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-53307\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/reuniao_globais-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/reuniao_globais-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/reuniao_globais.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um relat\u00f3rio que ser\u00e1 apresentado por pesquisadores da UFRJ (federal do Rio) durante a COP-22 &#8211; a confer\u00eancia do clima da ONU, que come\u00e7a nesta segunda-feira no Marrocos -, alerta prefeitos para impactos dram\u00e1ticos do aquecimento em cidades brasileiras.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores do Painel Brasileiro de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (PBMC), os munic\u00edpios que n\u00e3o mudarem a forma com que lidam com \u00e1gua, transportes e gest\u00e3o de lixo e res\u00edduos enfrentar\u00e3o problemas como desabastecimento e energia, hospitais superlotados, inunda\u00e7\u00f5es e desmoronamentos, com impactos mais fortes nas regi\u00f5es mais pobres.<\/p>\n<p>\u00c0 BBC Brasil, a engenheira Suzana Kahn, uma das autoras do estudo, diz que nota um abismo entre as discuss\u00f5es globais sobre clima, feitas hoje em cerimoniosas reuni\u00f5es entre diplomatas, parlamentares e chefes de Estado, e a &#8220;vida real&#8221; das cidades.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma frustra\u00e7\u00e3o. \u00c9 tudo muito lento e isso gera um pouco de des\u00e2nimo para quem acompanha. Se cria uma expectativa de solu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil mesmo. Coisas importantes acontecem, mas elas s\u00e3o pouco percept\u00edveis de longe&#8221;, diz Kahn.<\/p>\n<p>Por isso, ela explica, o estudo brasileiro analisou centenas de documentos e se concentra nas cidades e responsabilidades de prefeitos para consequ\u00eancias j\u00e1 percept\u00edveis do aquecimento global.<\/p>\n<p>&#8220;Os centros urbanos s\u00e3o respons\u00e1veis pelo consumo de 70% da energia dispon\u00edvel e por 40% das emiss\u00f5es de GEE&#8221;, afirma o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;As prefeituras precisam n\u00e3o apenas de invent\u00e1rios e propostas. Ainda estamos muito distantes da a\u00e7\u00e3o e isso tem que mudar&#8221;, completa Kahn.<\/p>\n<p>No Nordeste, por exemplo, a vaz\u00e3o menor de rios como o S\u00e3o Francisco e a migra\u00e7\u00e3o acelerada para zonas urbanas contribuem para apag\u00f5es que, por sua vez, trazem aumento de pre\u00e7os e falta d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n<p>No Sul e Sudeste, o aumento do calor e das chuvas provoca enchentes e epidemias, como a explos\u00e3o do v\u00edrus Zika e de doen\u00e7as respirat\u00f3rias.<\/p>\n<p>&#8220;Os poderes municipais, locais, precisam estar em sintonia com os pa\u00edses. N\u00e3o tem sentido o Brasil tra\u00e7ar um plano de a\u00e7\u00e3o sem ter em conjunto os planos de cada munic\u00edpio, que \u00e9 onde est\u00e3o as pessoas expostas aos riscos&#8221;, diz a cientista.<\/p>\n<p><strong>Desafios da COP-22<\/strong><br \/>\nA \u00faltima grande decis\u00e3o mundial sobre clima foi tomada no ano passado, quando 195 pa\u00edses e a Uni\u00e3o Europeia ratificaram o Acordo de Paris, se comprometendo a manter o aumento da temperatura m\u00e9dia do planeta &#8220;muito abaixo de dois graus&#8221; em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis anteriores \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, segundo o Observat\u00f3rio do Clima, corremos o risco de chegar a 2030 com o aumento &#8220;numa trajet\u00f3ria de 3\u00baC, algo incompat\u00edvel com a civiliza\u00e7\u00e3o como a conhecemos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Est\u00e1 todo mundo contente, foi ratificado o Acordo de Paris e isso eleva o \u00e2nimo da tropa&#8221;, afirma a pesquisadora da UFRJ. &#8220;Mas p\u00f4r isso em funcionamento \u00e9 outra hist\u00f3ria.&#8221;<\/p>\n<p>A principal miss\u00e3o da COP-22 ser\u00e1 definir uma data-limite para que se decidam as regras de aplica\u00e7\u00e3o do acordo. Um dos principais desafios \u00e9 a obten\u00e7\u00e3o de um consenso sobre como os compromissos firmados por um pa\u00eds poder\u00e3o ser fiscalizados pelos demais.<\/p>\n<p>&#8220;Como regular, como reportar as redu\u00e7\u00f5es, como fazer a contabilidade financeira do fundo. Essa COP-22 \u00e9 a primeira a discutir essas regras. Ela n\u00e3o vai trazer nenhum resultado, n\u00e3o vai ter &#8216;not\u00edcia&#8217; nenhuma. S\u00e3o movimentos incrementais, discuss\u00f5es sucessivas que v\u00e3o construindo o processo.&#8221;<\/p>\n<p>Da\u00ed, diz Suzana Kahn, a import\u00e2ncia de compartilhar responsabilidades com prefeituras, que est\u00e3o na ponta deste processo.<\/p>\n<p>Entre as sugest\u00f5es pr\u00e1ticas para prefeitos est\u00e3o mudan\u00e7as urbanas que permitam a redu\u00e7\u00e3o de viagens motorizadas e o deslocamento de mercadorias (levar empregos do centro para os bairros onde as pessoas vivem, por exemplo), incentivo ao uso de bicicleta e uso de biocombust\u00edveis.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio tamb\u00e9m destaca mudan\u00e7as que podem ser estimuladas dentro de casa.<\/p>\n<p>&#8220;Desligar equipamentos quando n\u00e3o houver uso, manter fechados os ambientes com temperatura condicionada e dimensionar adequadamente velocidade de ventiladores e temperatura de condicionadores de ar; desligar aparelhos em standby, usar &#8220;tomadas inteligentes&#8221;, que possuem interruptores pr\u00f3prios pode facilitar essa a\u00e7\u00e3o, substituir l\u00e2mpadas fluorescentes por LED; construir e reformar casas, considerando uma participa\u00e7\u00e3o maior de ilumina\u00e7\u00e3o natural&#8221;, entre outros.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso se aproximar do cidad\u00e3o, da popula\u00e7\u00e3o. Quando se fala de metas, \u00e9 dif\u00edcil o engajamento da sociedade, at\u00e9 para cobrar.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Crise ajuda a atingir metas, diz estudo<\/strong><br \/>\nA estimativa das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u00e9 de que 91% da popula\u00e7\u00e3o brasileira viva em regi\u00f5es urbanas nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos &#8211; no \u00faltimo Censo, de 2010, o \u00edndice era de 84%.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, hoje, segundo o relat\u00f3rio dos pesquisadores da UFRJ, mais da metade dos munic\u00edpios j\u00e1 precisa de novas fontes de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Enquanto isso, at\u00e9 2030, segundo os pesquisadores, &#8220;estima-se um aumento de 9% no consumo de eletricidade no setor residencial e de 19% no setor de servi\u00e7os&#8221;.<\/p>\n<p>Os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na sa\u00fade s\u00e3o os mais alarmantes. &#8220;O aumento de inunda\u00e7\u00f5es e secas causar\u00e1 efeito devastador sobre a sa\u00fade, especialmente nas pessoas que vivem em comunidades mais sens\u00edveis&#8221;, diz o estudo.<\/p>\n<p>&#8220;Com esse cen\u00e1rio, doen\u00e7as como mal\u00e1ria e dengue, mais incidentes nos pa\u00edses de clima tropical, s\u00e3o alguns dos problemas de sa\u00fade p\u00fablica decorrentes do aquecimento global. As intensas ondas de calor tamb\u00e9m podem ter impacto nas doen\u00e7as cr\u00f4nicas, como problemas cardiovasculares&#8221;, prossegue o texto.<\/p>\n<p>A ironia \u00e9 que a crise econ\u00f4mica tem ajudado a desacelerar os impactos destas transforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 por conta dela (da crise) que provavelmente vamos atingir nossas metas com mais facilidade. Crise reduz consumo, reduz energia&#8230; isso diminui a press\u00e3o sobre o uso dos nossos recursos naturais.&#8221;<\/p>\n<p><strong>&#8216;Estado gasta muito e mal no Brasil&#8217;<\/strong><br \/>\nAo ratificar o acordo de Paris, o Brasil se compromete a cortar emiss\u00f5es de gases em 37% at\u00e9 2025 e se prop\u00f5e a aumentar a redu\u00e7\u00e3o para 43% em 2030, tudo em compara\u00e7\u00e3o com n\u00edveis de 2005.<\/p>\n<p>O pa\u00eds tamb\u00e9m se comprometeu a reconstruir 12 milh\u00f5es de hectares de florestas e levar o desmatamento da Amaz\u00f4nia Legal (como o governo denominou uma \u00e1rea que abriga todo o bioma Amaz\u00f4nia brasileiro e partes do Cerrado e do Pantanal e engloba os Estados do Acre, Amap\u00e1, Amazonas, Mato Grosso, Par\u00e1, Rond\u00f4nia, Roraima e Tocantins e parte do Maranh\u00e3o) a zero at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>Mas como investir em tudo isso em meio \u00e0 maior crise financeira e pol\u00edtica dos \u00faltimos tempos?<\/p>\n<p>A pesquisadora explica que a maior parte das transforma\u00e7\u00f5es n\u00e3o exige investimentos gigantes, como a constru\u00e7\u00e3o de novas usinas ou redes de metr\u00f4.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma s\u00e9rie de lobbies no Brasil, uma forma muito tradicional de fazer pol\u00edtica sem pensar no interesse coletivo. E sempre se olha para um horizonte de muito curto prazo. Estas s\u00e3o coisas que ultrapassam quatro anos de mandato&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea pegar o or\u00e7amento inteiro de uma cidade, ver\u00e1 a quantidade de dinheiro que vai para manuten\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina do Estado. O Estado gasta muito e gasta mal com ele mesmo. Investir em gest\u00e3o de recursos naturais e res\u00edduos n\u00e3o vai impactar tanto nos recursos municipais.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A quest\u00e3o \u00e9 muito mais pol\u00edtica que financeira&#8221;, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um relat\u00f3rio que ser\u00e1 apresentado por pesquisadores da UFRJ (federal do Rio) durante a COP-22<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":53307,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/reuniao_globais.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/reuniao_globais-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/reuniao_globais-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/reuniao_globais.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/reuniao_globais.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/reuniao_globais.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/reuniao_globais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/reuniao_globais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/reuniao_globais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/reuniao_globais.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um relat\u00f3rio que ser\u00e1 apresentado por pesquisadores da UFRJ (federal do Rio) durante a COP-22","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53306"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53306"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53306\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53307"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}