{"id":53260,"date":"2016-11-07T13:57:51","date_gmt":"2016-11-07T16:57:51","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=53260"},"modified":"2016-11-07T13:57:52","modified_gmt":"2016-11-07T16:57:52","slug":"relatorio-da-onu-aponta-que-70-das-novas-doencas-tem-origem-no-consumo-de-carne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/relatorio-da-onu-aponta-que-70-das-novas-doencas-tem-origem-no-consumo-de-carne\/","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio da ONU aponta que 70% das novas doen\u00e7as tem origem no consumo de carne"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/relatorio-da-onu-aponta-que-70-das-novas-doencas-tem-origem-no-consumo-de-carne\/vaca-10\/\" rel=\"attachment wp-att-53261\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-53261\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/vaca-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/vaca-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/vaca.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Comer n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de matar a fome. A decis\u00e3o sobre que comida colocar no prato tem implica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, ambientais, \u00e9ticas, culturais, fisiol\u00f3gicas, filos\u00f3ficas, hist\u00f3ricas, religiosas. Embora a porcentagem de vegetarianos venha se mantendo mais ou menos est\u00e1vel ao longo da hist\u00f3ria, h\u00e1 um interesse crescente no assunto \u2013 restaurantes naturais e vegetarianos ficam lotados na hora do almo\u00e7o, tornou-se comum, pelo menos nas classes m\u00e9dias urbanas, a preocupa\u00e7\u00e3o em reduzir o consumo de carne, e surgiu uma ind\u00fastria bilion\u00e1ria de produtos naturais que, nos Estados Unidos, j\u00e1 movimenta quase 8 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Esta reportagem n\u00e3o ensina voc\u00ea a comer. Felizmente, essa ainda \u00e9 uma decis\u00e3o pessoal, que depende apenas do seu julgamento sobre o que \u00e9 certo e o que \u00e9 errado e \u2013 n\u00e3o menos importante \u2013 do seu gosto. O que essa mat\u00e9ria faz \u00e9 tentar ajudar na decis\u00e3o com o m\u00e1ximo poss\u00edvel de informa\u00e7\u00e3o insuspeita sobre cada um dos muitos aspectos envolvidos nessa importante decis\u00e3o. Se voc\u00ea, depois de termin\u00e1-la, vai devorar um br\u00f3colis ou um cheeseburger, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 assunto nosso. S\u00f3 esperamos que, terminado o texto, ao decidir o que comer voc\u00ea saiba o que est\u00e1 fazendo e o que isso implica.<\/p>\n<div id=\"attachment_627633\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-627633\" src=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/12-6.jpg\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" srcset=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/12-6.jpg 1024w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/12-6-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/12-6-768x512.jpg 768w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/12-6-100x67.jpg 100w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/12-6-177x118.jpg 177w\" alt=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>O que \u00e9 a carne?<\/strong><br \/>\nA faca desce, cortando sem esfor\u00e7o o peda\u00e7o de picanha. Dourada e crocante nas bordas, tenra e \u00famida no centro. Voc\u00ea p\u00f5e a carne na boca e mastiga devagar, sentindo o tempero, a maciez, a temperatura. O sumo que escorre dela enche a boca e, com ele, o sabor incompar\u00e1vel. Carne \u00e9 bom.<\/p>\n<p>Mas que tal assistir \u00e0 mesma cena sob outra perspectiva? No prato jaz um peda\u00e7o de m\u00fasculo, amputado da regi\u00e3o p\u00e9lvica de um animal bem maior que voc\u00ea. Com a faca, voc\u00ea serra os feixes musculares. A seguir, coloca o tecido morto na boca e come\u00e7a a dilacer\u00e1-lo com os dentes. As fibras musculares, c\u00e9lulas compridas \u2013 de at\u00e9 4 cent\u00edmetros \u2013 e resistentes, s\u00e3o picadas em peda\u00e7os. Na sua boca, a \u00e1gua (que ocupa at\u00e9 75% da c\u00e9lula) se espalha, carregando organelas celulares e todas as vitaminas, os minerais e a abundante gordura que tornavam o m\u00fasculo capaz de realizar suas fun\u00e7\u00f5es, inclusive a de se contrair. Sim, meu caro, por mais que voc\u00ea odeie pensar que a comida no seu prato tenha sido um animal um dia, voc\u00ea est\u00e1 comendo um cad\u00e1ver.<\/p>\n<p>Carne \u00e9 tecido animal, em geral muscular. As fibras que a comp\u00f5e s\u00e3o feixes de c\u00e9lulas musculares, enroladas umas nas outras. Em volta delas h\u00e1 uma cobertura de gordura, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 lubrificar o m\u00fasculo e permitir que ele relaxe e se contraia suavemente. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 carne sem gordura.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre carne branca e vermelha \u00e9 a quantidade de ferro no tecido \u2013 o mesmo mineral que d\u00e1 cor ao sangue. As c\u00e9lulas de animais grandes, como o boi, s\u00e3o ricas de uma mol\u00e9cula chamada mioglobina, que cont\u00e9m ferro. Peixes e galinhas, por terem o corpo menor, n\u00e3o precisam de reservas t\u00e3o grandes de nutrientes nas c\u00e9lulas e, por isso, t\u00eam menos mioglobina. Animais mais velhos t\u00eam carne mais vermelha \u2013 isso explica a brancura do frango industrializado, abatido antes dos dois meses, se comparado \u00e0 galinha caipira. Essa \u00faltima tem mais tempo para acumular mioglobina nas c\u00e9lulas.<\/p>\n<div id=\"attachment_627632\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-627632\" src=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/11-6.jpg\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" srcset=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/11-6.jpg 1024w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/11-6-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/11-6-768x512.jpg 768w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/11-6-100x67.jpg 100w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/11-6-177x118.jpg 177w\" alt=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>N\u00fameros, n\u00fameros, n\u00fameros<\/strong><br \/>\nH\u00e1 no mundo 1,35 bilh\u00e3o de bois e vacas. Criamos 930 milh\u00f5es de porcos, 1,7 bilh\u00e3o de ovelhas e cabras, 1,4 bilh\u00e3o de patos, gansos e perus, 170 milh\u00f5es de b\u00fafalos. Some todos eles e temos uma popula\u00e7\u00e3o de animais quase equivalente \u00e0 humana dedicando sua vida a nos alimentar \u2013 involuntariamente, \u00e9 claro. E isso porque ainda n\u00e3o inclu\u00edmos na conta a popula\u00e7\u00e3o de frangos e galinhas abastecendo a Terra de ovos e carne branca: 14,85 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>S\u00f3 no Brasil h\u00e1 172 milh\u00f5es de cabe\u00e7as de gado bovino \u2013 uma para cada cabe\u00e7a humana. Nosso rebanho bovino s\u00f3 \u00e9 menor que o da \u00cdndia, onde \u00e9 proibido matar vacas. Na m\u00e9dia, um brasileiro come perto de 40 quilos de carne bovina por ano \u2013 ou seja, uma fam\u00edlia de cinco pessoas devora uma vaca em 12 meses. Somos o quarto pa\u00eds do mundo onde mais se come carne bovina. Um brasileiro m\u00e9dio come tamb\u00e9m 32 quilos de frango e 11 quilos de porco todo ano.<\/p>\n<p><strong>Todos os tipos de vegetarianos<\/strong><br \/>\n<strong>Ovolactovegetarianos:<\/strong> n\u00e3o comem carne de nenhum tipo, mas consomem ovos, leite e derivados. Em geral, quando algu\u00e9m diz que \u00e9 \u201cvegetariano\u201d, \u00e9 essa dieta que ele segue.<br \/>\n<strong>Lactovegetarianos:<\/strong> provavelmente o mais numeroso dos grupos, j\u00e1 que essa dieta \u00e9 predominante no sul da \u00cdndia \u2013 por raz\u00f5es religiosas. Nada de carne, mas leite e derivados est\u00e3o liberados. O ovo \u00e9 terminantemente proibido, por conter a \u201cvibra\u00e7\u00e3o da vida\u201d.<br \/>\n<strong>Vegans:<\/strong> n\u00e3o consomem nada de origem animal: carne, ovos, leite, mel. Roupas de couro, l\u00e3 e seda tamb\u00e9m est\u00e3o proibidas.<br \/>\n<strong>Semivegetarianos:<\/strong> aquelas pessoas que afirmam ser vegetarianas, mas abrem exce\u00e7\u00f5es para peixes ou aves. S\u00e3o vistos com desd\u00e9m pelos outros grupos. A principal raz\u00e3o para essa dieta, que recusa s\u00f3 a carne vermelha, \u00e9 o cuidado com a sa\u00fade.<br \/>\n<strong>Macrobi\u00f3ticos:<\/strong> dieta tradicional japonesa, que pode ser vegan, ovolactovegetariana ou incluir peixe. H\u00e1 v\u00e1rias restri\u00e7\u00f5es \u2013 a dieta acompanha as esta\u00e7\u00f5es do ano, o card\u00e1pio tem que incluir uma \u00e1rvore toda, da semente ao fruto. Como foi elaborada no Jap\u00e3o, a macrobi\u00f3tica n\u00e3o contempla a realidade brasileira (as esta\u00e7\u00f5es do ano, por exemplo, s\u00e3o diferentes aqui). Isso pode levar a defici\u00eancias alimentares.<br \/>\n<strong>Crudivorismo:<\/strong> s\u00f3 comem vegetais crus. \u00c9 preciso cuidado com essa dieta, porque ela exclui os gr\u00e3os, que s\u00e3o as melhores fontes de prote\u00edna e ferro dos vegetarianos. H\u00e1 risco de desnutri\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>Frugivorismo:<\/strong> os frugivoristas n\u00e3o s\u00f3 rejeitam carne, como evitam machucar ou matar vegetais. Por isso, comem apenas aquilo que as plantas \u201cquerem\u201d que seja comido: frutas e castanhas. Consideram o consumo de folhas, caules e ra\u00edzes uma viol\u00eancia. A dieta n\u00e3o \u00e9 das mais saud\u00e1veis, j\u00e1 que \u00e9 pobre em prote\u00ednas e em minerais.<\/p>\n<div id=\"attachment_627630\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-627630\" src=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/09-6.jpg\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" srcset=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/09-6.jpg 1024w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/09-6-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/09-6-768x512.jpg 768w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/09-6-100x67.jpg 100w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/09-6-177x118.jpg 177w\" alt=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Carne faz mal?<\/strong><br \/>\nQuem come mais carne \u2013 especialmente carne vermelha \u2013 tem \u00edndices maiores de c\u00e2ncer e de enfarte, as duas principais causas de morte do planeta. \u00c9 o que dizem as estat\u00edsticas. Carne faz mal, ent\u00e3o? N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 30 anos, as autoridades dos Estados Unidos v\u00eam aconselhando os americanos a diminuir a ingest\u00e3o de carne vermelha e manteiga por causa de suspeitas de que a gordura saturada presente em grande quantidade nesses alimentos aumenta a taxa de colesterol e, com isso, causa ataques card\u00edacos. O conselho virou norma no mundo todo \u2013 a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade e v\u00e1rios governos adotaram a pol\u00edtica de reduzir a gordura saturada. Tudo muito bom, s\u00f3 que tem algumas pe\u00e7as que, mesmo ap\u00f3s tr\u00eas d\u00e9cadas de pesquisas, continuam n\u00e3o se encaixando no quebra-cabe\u00e7as.<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 a Europa mediterr\u00e2nea. L\u00e1, desde que terminaram os rigores da Segunda Guerra, o consumo de carne vermelha tem aumentado. Pois bem: a taxa de doen\u00e7as card\u00edacas diminuiu no mesmo per\u00edodo. E a Fran\u00e7a? O pa\u00eds da p\u00e2tisserie, f\u00e3 ardoroso das carnes vermelhas de todo tipo, onde qualquer almo\u00e7o come\u00e7a refogando o que quer que seja em manteiga derretida, tem uma das mais baixas taxas de mortes por ataque card\u00edaco do mundo.<\/p>\n<p>No ano passado, Gary Taubes, correspondente da revista americana Science e um dos principais escritores de ci\u00eancia do mundo, escreveu um longo artigo no qual classificava o medo da gordura saturada como \u201cdogma\u201d. Taubes afirma que, mesmo com tanta pesquisa, n\u00e3o h\u00e1 prova de que gordura saturada e enfartes est\u00e3o ligados. E vai al\u00e9m: diz que a propaganda do governo s\u00f3 serviu para fazer com que os americanos comessem mais \u2013 ao evitar a gordura, eles acabavam ingerindo mais carboidratos, mais a\u00e7\u00facar, para manter a quantidade di\u00e1ria de calorias (o corpo tende a reclamar quando as calorias s\u00e3o insuficientes para saci\u00e1-lo \u2013 isso se chama fome). Resultado: o \u00edndice de obesidade passou de 14% para 22% no pa\u00eds. E obesidade, sabidamente, \u00e9 um s\u00e9rio fator de risco para doen\u00e7as card\u00edacas.<\/p>\n<p>A maior parte do mundo m\u00e9dico ainda acredita na malignidade da carne vermelha e da manteiga. (\u201cN\u00e3o tenho d\u00favidas da rela\u00e7\u00e3o entre gordura saturada e doen\u00e7as cardiovasculares\u201d, afirma o nutricionista argentino Cec\u00edlio Mor\u00f3n, oficial da ag\u00eancia da ONU que cuida de alimenta\u00e7\u00e3o, a FAO. Denise Coutinho, que coordena a pol\u00edtica de nutri\u00e7\u00e3o do governo brasileiro, repetiu quase as mesmas palavras.) Mas o artigo de Taubes serviu para mostrar que nutri\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 baseada numa rela\u00e7\u00e3o simples de causa e conseq\u00fc\u00eancia, tipo \u201cmais carne, mais ataques card\u00edacos\u201d.<\/p>\n<p>Mas, afinal, o que sobra da discuss\u00e3o? Dietas de pa\u00edses gelados como a Esc\u00f3cia e a Finl\u00e2ndia, onde o \u00fanico vegetal consumido em quantidade \u00e9 o tabaco, est\u00e3o equivocadas. Os altos \u00edndices de ataques card\u00edacos por l\u00e1 s\u00e3o prova incontest\u00e1vel. Mas os franceses, e os mediterr\u00e2neos em geral, devem estar fazendo alguma coisa certa. Sua dieta \u00e9 variada e rica em vegetais frescos, azeite de oliva (tido como redutor de colesterol), vinho e carne de todos os tipos. Ao contr\u00e1rio dos americanos, esses povos comem com calma, em ambientes descontra\u00eddos. O que os est\u00e1 salvando dos ataques card\u00edacos? Os legumes, o azeite, o vinho, a conversa mole depois do almo\u00e7o, a brisa marinha? Ningu\u00e9m sabe ao certo. Provavelmente \u00e9 uma conjun\u00e7\u00e3o de todos esses fatores.<\/p>\n<p>O racioc\u00ednio vale em parte para o c\u00e2ncer tamb\u00e9m. Os comedores de carne morrem mais de c\u00e2ncer de intestino, boca, faringe, est\u00f4mago, seio e pr\u00f3stata. Ainda assim, o elo entre carne e c\u00e2ncer \u00e9 meio frouxo. Tudo indica que, se \u00e9 que a carne aumenta mesmo a incid\u00eancia de c\u00e2ncer, sua influ\u00eancia \u00e9 bem pequena \u2013 um fator entre muitos.<\/p>\n<p>Agora, de uma coisa ningu\u00e9m tem d\u00favidas: vegetais fazem bem. Uma dieta rica em frutas, legumes e verduras claramente reduz as chances de ter c\u00e2ncer no es\u00f4fago, na boca, no est\u00f4mago, no intestino, no reto, no pulm\u00e3o, na pr\u00f3stata e na laringe, al\u00e9m de afastar os ataques card\u00edacos. Frutas e legumes amarelos t\u00eam caroteno, que previne c\u00e2ncer no est\u00f4mago; a soja possui isoflavona, que diminui a incid\u00eancia de c\u00e2ncer de mama e osteoporose; o alho tem alicina, que fortalece o sistema imunol\u00f3gico; e por a\u00ed vai \u2013 essa lista poderia ocupar o resto da revista. Em resumo: n\u00e3o est\u00e1 bem claro se a carne faz mal. Muito bem, pelo jeito, n\u00e3o faz. Mas, para ser saud\u00e1vel, o importante \u00e9 ter uma dieta rica e variada de vegetais. Seja ela vegetariana ou n\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_627628\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-627628\" src=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/07-7.jpg\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" srcset=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/07-7.jpg 1024w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/07-7-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/07-7-768x512.jpg 768w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/07-7-100x67.jpg 100w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/07-7-177x118.jpg 177w\" alt=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>D\u00e1 para viver sem carne?<\/strong><br \/>\nD\u00e1. O vegetarianismo exige cuidados e conhecimentos de nutri\u00e7\u00e3o, mas com certeza pode-se ter uma dieta saud\u00e1vel sem carne. Ali\u00e1s, o fato de exigir cuidados a faz mais saud\u00e1vel. Um vegetariano tende a prestar mais aten\u00e7\u00e3o no que come e nos efeitos disso sobre seu corpo. E isso, em si, j\u00e1 \u00e9 um h\u00e1bito salutar. Muitos nutricionistas afirmam que as crian\u00e7as n\u00e3o devem, de maneira nenhuma, ficar sem prote\u00edna animal, sob risco de terem o desenvolvimento cerebral prejudicado. Essa regra deve ser seguida a n\u00e3o ser que os pais saibam muito bem o que est\u00e3o fazendo, conhe\u00e7am as propriedades de cada alimento e \u2013 n\u00e3o menos importante \u2013 que a crian\u00e7a queira.<\/p>\n<p>Os ovolactovegetarianos n\u00e3o t\u00eam problemas com prote\u00ednas porque os derivados de animais s\u00e3o t\u00e3o prot\u00e9icos quanto a carne. O perigo \u00e9 que leite e ovos s\u00e3o pobres em minerais, especialmente ferro, que \u00e9 fundamental para a sa\u00fade \u2013 ele \u00e9 usado para construir a hemoglobina, uma mol\u00e9cula cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 carregar o oxig\u00eanio do pulm\u00e3o para as c\u00e9lulas. Sem ferro, portanto, as c\u00e9lulas podem morrer. Isso \u00e9 a anemia.<\/p>\n<p>Ou seja, ovolactovegetarianos n\u00e3o podem basear sua dieta no leite, nos ovos e nos queijos, sob risco de ficarem sem nutrientes valiosos. \u00c9 preciso comer muitos e variados vegetais, em especial soja, feij\u00e3o, br\u00f3colis, couve, espinafre \u2013 todos ricos em ferro. A quantidade \u00e9 fundamental, porque o ferro dos vegetais \u00e9 menos absorvido pelo corpo que o de origem animal. Uma boa dica \u00e9 acompanhar as refei\u00e7\u00f5es com suco de laranja, j\u00e1 que a vitamina C ajuda na absor\u00e7\u00e3o do ferro. Outra fonte de ferro \u00e9 a casca de gr\u00e3os como o arroz e o trigo. Por isso, eles devem ser sempre integrais. Denise Coutinho, respons\u00e1vel pela pol\u00edtica nutricional do governo federal, adiantou \u00e0 Super que est\u00e1 em estudo uma medida para tornar a fortifica\u00e7\u00e3o com ferro obrigat\u00f3ria nas farinhas de trigo e de milho. A medida, que visa combater a desnutri\u00e7\u00e3o, vai acabar ajudando a vida dos vegetarianos.<\/p>\n<p>J\u00e1 para os vegans, a palavrinha m\u00e1gica \u00e9 \u201csoja\u201d. Se voc\u00ea n\u00e3o gosta desse gr\u00e3o ou \u00e9 al\u00e9rgico a ele, virar vegan vai ser bem mais penoso. A quest\u00e3o \u00e9 a seguinte: suprir suas necessidades prot\u00e9icas com carne \u00e9 f\u00e1cil. \u201cAfinal, voc\u00ea \u00e9 feito de carne\u201d, diz Pedro de Fel\u00edcio, especialista em produtos de origem animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Um bife tem a mesma composi\u00e7\u00e3o que os m\u00fasculos do seu corpo. As prote\u00ednas das quais ele \u00e9 feito s\u00e3o, tamb\u00e9m, iguais \u00e0s suas, feitas com os mesmos amino\u00e1cidos. Portanto, cont\u00eam tudo o que voc\u00ea precisa.<\/p>\n<p>Prote\u00ednas vegetais s\u00e3o mais simples. Elas n\u00e3o cont\u00eam todos os componentes necess\u00e1rios. A soja, entre os vegetais, \u00e9 o que tem as prote\u00ednas mais completas. H\u00e1 outras fontes de prote\u00edna, como o feij\u00e3o, mas, se voc\u00ea n\u00e3o come soja, vai precisar de grandes quantidades e de muita variedade de vegetais para juntar todos os amino\u00e1cidos de que precisa. \u201cDesde que sigam essa regra, os vegans tendem a ter uma dieta at\u00e9 mais equilibrada que os ovolactovegetarianos, j\u00e1 que n\u00e3o ocupam lugar no est\u00f4mago com ovos e leite, que s\u00e3o pobres em v\u00e1rios nutrientes\u201d, diz o nutricionista vegan George Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o para os vegans \u00e9 a vitamina B12, que o corpo n\u00e3o produz e n\u00e3o existe em vegetais. A B12 \u00e9 fabricada por bact\u00e9rias e pode ser encontrada nos animais (que comem bact\u00e9rias ao ciscar ou pastar). Mas suprir as necessidades de B12 \u00e9 f\u00e1cil: qualquer biscoito ou cereal com a palavra \u201cfortificado\u201d no r\u00f3tulo cont\u00e9m a vitamina. Ela tamb\u00e9m \u00e9 vendida em c\u00e1psulas.<\/p>\n<div id=\"attachment_627627\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-627627\" src=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/06-7.jpg\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" srcset=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/06-7.jpg 1024w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/06-7-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/06-7-768x512.jpg 768w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/06-7-100x67.jpg 100w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/06-7-177x118.jpg 177w\" alt=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Somos vegetarianos por natureza?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. \u201cO homem tem dentes pequenos e sistema digestivo curto, caracter\u00edsticas de on\u00edvoros\u201d, afirma o antrop\u00f3logo f\u00edsico Walter Neves, da Universidade de S\u00e3o Paulo, maior especialista brasileiro em homens pr\u00e9-hist\u00f3ricos. Ou seja, nosso organismo est\u00e1 preparado para comer de tudo, inclusive carne. Somos como o chimpanz\u00e9, que, al\u00e9m de plantas, cata insetos, lagartos e roedores. E diferentes do gorila, que s\u00f3 come plantas e, para isso, tem dentes molares imensos e uma barriga enorme (se voc\u00ea tamb\u00e9m tem uma, por favor n\u00e3o tome isso como uma compara\u00e7\u00e3o). Os dentes grandes servem para criar mais \u00e1rea de mastiga\u00e7\u00e3o e, assim, triturar melhor as folhas e tirar delas os escassos nutrientes. A barriga abriga o intestino e o est\u00f4mago, que s\u00e3o bem maiores para dar mais tempo ao organismo de absorver o que interessa.<\/p>\n<p>Walter afirma que, num passado long\u00ednquo, nos aliment\u00e1vamos como chimpanz\u00e9s. Mas h\u00e1 2,5 milh\u00f5es de anos nossa dieta mudou. Come\u00e7amos a fabricar instrumentos de pedra e as novas armas permitiram que inclu\u00edssemos no card\u00e1pio a carne de grandes mam\u00edferos. Assim, nossa ingest\u00e3o de prote\u00edna animal aumentou demais. \u201cSem isso, n\u00e3o ter\u00edamos desenvolvido um c\u00e9rebro grande\u201d, diz Walter. O aumento s\u00fabito de prote\u00edna na dieta permitiu que nosso corpo investisse mais recursos no sistema nervoso. Hoje, de 30% a 40% de tudo o que comemos vira combust\u00edvel para fazer o c\u00e9rebro funcionar. Sem o aumento na ingest\u00e3o de carne, isso jamais seria poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Mas, na mesma \u00e9poca, surgiu um g\u00eanero de human\u00eddeos estritamente vegetarianos. Conhecidos como Paranthropus, eles tinham grandes molares, eram barrigudos e n\u00e3o comiam animais de nenhuma esp\u00e9cie, nem insetos. Esses humanos vegetarianos conviviam com os humanos ca\u00e7adores \u2013 h\u00e1 um lago no Qu\u00eania onde foram encontradas ossadas das duas esp\u00e9cies, com aproximadamente a mesma idade, a poucos quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O Paranthropus se extinguiu h\u00e1 1,2 milh\u00e3o de anos, provavelmente porque sua dieta mais restritiva o atrapalhou na competi\u00e7\u00e3o com nossos ancestrais generalistas. Nossos primos vegetarianos deviam ser muito menos espertos que seus contempor\u00e2neos Homo, como atesta o tamanho de seu c\u00e9rebro. \u201cEles investiram os recursos do organismo em dentes, os Homo investiram no c\u00e9rebro\u201d, diz Walter.<\/p>\n<p>Quer dizer que precisamos comer carne para raciocinar? N\u00e3o. H\u00e1 2,5 milh\u00f5es de anos era assim porque n\u00e3o sab\u00edamos plantar e nossa dieta quase n\u00e3o inclu\u00eda plantas prot\u00e9icas. Os \u00fanicos vegetais que com\u00edamos eram frutas, folhas e ra\u00edzes. Hoje, \u00e9 poss\u00edvel ter uma dieta rica em prote\u00ednas sem carne.<\/p>\n<p><strong>Vaca, a onipresente<\/strong><br \/>\nH\u00e1 quem diga que o problema de comer carne \u00e9 moral: n\u00e3o ter\u00edamos o direito de matar para comer. Mas, se voc\u00ea acha que basta parar de comer carne para acabar com a matan\u00e7a, est\u00e1 enganado. H\u00e1 muito mais produtos no mercado que incluem animais mortos do que imagina a nossa v\u00e3 filosofia.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, boa parte da ind\u00fastria de vestu\u00e1rio depende de animais. O couro, voc\u00ea sabe, \u00e9 a pele de bichos abatidos. Para separar o fio de seda, \u00e9 preciso ferver o bicho-da-seda. Al\u00e9m disoo, filmes fotogr\u00e1ficos e de cinema s\u00e3o recobertos por uma gelatina, retirada da canela da vaca. Ou seja, um vegan radical s\u00f3 tira fotos digitais. Dos p\u00e9s bovinos saem tamb\u00e9m subst\u00e2ncias usadas na espuma dos extintores de inc\u00eandio. O sangue bovino rende um fixador para tinturas e a gordura acaba em pneus, pl\u00e1sticos, detergentes, velas e no PVC. Cremes de barbear, xampus, cosm\u00e9ticos e dinamite derivam da glicerina, subst\u00e2ncia que cont\u00e9m gordura bovina. A quantidade de medicamentos feitos com peda\u00e7os de gado, do p\u00e2ncreas ao cord\u00e3o umbilical, passando pelos test\u00edculos, \u00e9 imensa.<\/p>\n<p>H\u00e1 um pouco das vacas tamb\u00e9m em v\u00e1rios produtos da ind\u00fastria aliment\u00edcia \u2013 e n\u00e3o estamos falando s\u00f3 de bife \u00e0 parmegiana. A gelatina deve a consist\u00eancia ao col\u00e1geno arrancado da pele e dos ossos. Ali\u00e1s, quase toda comida el\u00e1stica cont\u00e9m col\u00e1geno \u2013 da maria-mole ao chiclete. Os queijos curados s\u00e3o feitos com uma enzima do est\u00f4mago do bezerro. Al\u00e9m dos bovinos, v\u00e1rios outros animais s\u00e3o usados pela ind\u00fastria de comida. Vegans devem ficar de olho nos r\u00f3tulos e evitar dois corantes: coxonilha e carmin. O primeiro, usado para tingir de azul, \u00e9 feito de besouros mo\u00eddos. O segundo, que pinta de vermelho, \u00e9 feito de lesmas amassadas.<\/p>\n<div id=\"attachment_627631\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-627631\" src=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/10-6.jpg\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" srcset=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/10-6.jpg 1024w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/10-6-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/10-6-768x512.jpg 768w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/10-6-100x67.jpg 100w, http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/10-6-177x118.jpg 177w\" alt=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Como vivem \u2013 e morrem \u2013 os animais<\/strong><br \/>\n<strong>Boi:<\/strong> no Brasil, os bois s\u00e3o criados soltos. Provavelmente, essa forma de cria\u00e7\u00e3o \u00e9 menos terr\u00edvel que a de pa\u00edses frios do Cone Sul e da Europa, onde os invernos matam o pasto e fazem com que os animais fiquem fechados em \u00e1reas apertadas, comendo s\u00f3 ra\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o quer dizer que seja o melhor dos mundos. Os animais muitas vezes passam fome, vivem cheios de parasitas e apanham copiosamente. \u201cO manejo no Brasil \u00e9 muito bruto\u201d, diz o et\u00f3logo Mateus Paranhos da Costa, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Jaboticabal, especialista no assunto.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe aqui no Brasil a produ\u00e7\u00e3o de vitela \u2013 carne muito branca e macia de bezerros mantidos em jaulas superapertadas para evitar que se movimentem. Para acentuar a brancura da carne, os criadores n\u00e3o permitem que o bezerro coma grama ou gr\u00e3os, s\u00f3 leite \u2013 a dieta tem que ser pobre em ferro e em outros nutrientes, for\u00e7ando uma anemia no animal. Com isso, torna-se necess\u00e1rio o consumo de antibi\u00f3ticos, para diminuir o risco de infec\u00e7\u00f5es do animal desnutrido. \u201cA vitela deveria ser proibida no mundo inteiro\u201d, afirma o agr\u00f4nomo e et\u00f3logo Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho, especialista em t\u00e9cnicas de manejo da Universidade Federal de Santa Catarina.<\/p>\n<p>Para matar um boi, primeiro se d\u00e1 um disparo na testa com uma pistola de ar comprimido. O tiro deixa o animal desacordado por alguns minutos. Ele ent\u00e3o \u00e9 erguido por uma argola na pata traseira e outro funcion\u00e1rio corta sua garganta. \u201cO animal tem que ser sangrado vivo, para que o sangue seja bombeado para fora do corpo, evitando a prolifera\u00e7\u00e3o de microorganismos\u201d, diz Ari Ajzenstein, fiscal do Servi\u00e7o de Inspe\u00e7\u00e3o Federal (SIF), que zela para que as regras de higiene e de bons tratos na morte sejam cumpridas.<\/p>\n<p>Em 1997, a ativista de direitos animais americana Gail Eisnitz escreveu o bomb\u00e1stico livro Slaughterhouse (\u201cMatadouro\u201d, in\u00e9dito no Brasil), no qual acusava os matadouros de sangrar muitos animais ainda conscientes. \u201cN\u00e3o vou dizer que isso n\u00e3o acontece no Brasil, mas n\u00e3o \u00e9 freq\u00fcente\u201d, afirma Mateus Paranhos.<\/p>\n<p>A morte a marretadas est\u00e1 proibido no pa\u00eds, o que n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o aconte\u00e7a \u2013 j\u00e1 que quase 50% das mortes s\u00e3o clandestinos e, portanto, sem fiscaliza\u00e7\u00e3o. O problema da marretada \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil acertar o boi com o primeiro golpe. Muitas vezes, s\u00e3o necess\u00e1rios dezenas para desacord\u00e1-lo.<\/p>\n<p><strong>Galinhas:<\/strong> essas quase sempre levam uma vida miser\u00e1vel. Vivem espremidas numa gaiola do tamanho delas. As luzes ficam acesas at\u00e9 18 horas por dia \u2013 assim elas n\u00e3o dormem e comem mais (isso acontece principalmente com as que produzem ovos). Seus bicos s\u00e3o cortados para que n\u00e3o matem umas \u00e0s outras e para evitar que elas escolham que parte da ra\u00e7\u00e3o querem comer \u2013 caso contr\u00e1rio, ciscariam apenas os gr\u00e3os de seu agrado e deixariam de lado alimentos que servem para que engordem r\u00e1pido.<\/p>\n<p>A morte \u00e9 r\u00e1pida. As galinhas ficam presas numa esteira rolante que passa sob um eletrodo. O choque desacorda a ave e, em seguida, uma l\u00e2mina corta seu pesco\u00e7o. O esquema \u00e9 industrial. Hoje, nos Estados Unidos, s\u00e3o abatidas, em um dia, tantas aves quanto a ind\u00fastria levava um ano para matar em 1930. Nas granjas de ovos, pintinhos machos s\u00e3o mortos numa esp\u00e9cie de liquidificador gigante. Parece horr\u00edvel, mas \u00e9 a mais indolor das mortes descritas aqui.<\/p>\n<p><strong>Porcos:<\/strong> outros azarados. N\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o nem para deitar confortavelmente. \u201cS\u00e3o confinados do nascimento \u00e0 morte\u201d, diz Pinheiro Filho. As gestantes s\u00e3o for\u00e7adas a parir atadas a uma fivela, apertadas na baia. A morte \u00e9 parecida com o de bovinos, com a diferen\u00e7a que o atordoamento \u00e9 feito com um choque el\u00e9trico na cabe\u00e7a e que o animal \u00e9 jogado num tanque de \u00e1gua fervendo ap\u00f3s o sangramento, para facilitar a retirada da pele. Gail Eisnitz afirma, em seu livro, que muitos porcos caem na \u00e1gua fervendo ainda vivos, mas isso provavelmente \u00e9 incomum.<\/p>\n<p><strong>Patos e gansos:<\/strong> os mais infelizes dos nossos alimentos provavelmente s\u00e3o os gansos e patos da Fran\u00e7a. O foie gras, um pat\u00ea tradicional e sofisticado, \u00e9 feito com o f\u00edgado inflamado das aves. Os produtores colocam um funil na boca delas e as entopem de comida por meses, fazendo com que o f\u00edgado trabalhe dobrado. Isso provoca uma inflama\u00e7\u00e3o e faz com que o \u00f3rg\u00e3o fique imenso, cheio de gordura. Ou seja, o pat\u00ea, na pr\u00e1tica, \u00e9 uma doen\u00e7a. H\u00e1 movimentos pedindo o banimento do produto. N\u00e3o se produz foie gras no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comer n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de matar a fome. 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